Há 50 anos: Caparaó e o foco guerrilheiro de Imperatriz

Posted outubro 26th, 2016 by Adalberto Franklin
Categories: História, Imperatriz, Latinoamerica, Maranhão, Política

Completam-se 50 anos do início das pretendidas ações guerrilheiras do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), comandado por Leonel Brizola, Neiva Moreira, Darcy Ribeiro e outros, com o intuito de retomar o governo após o golpe civil-militar de 1964. Caparaó e Impertriz eram os dois principais focos da resistência guerrilheira.
A seguir um trecho do livro inédito “Repressão e resistência em Imperatriz”, de autoria de Adalberto Franklin e Valdizar Lima, que será lançado no próximo Salimp, no final de novembro. Texto ainda sem a correção final.

caparao-guerrilheiros

Os quinze jovens estudantes recrutados no Planalto Central por Flávio Tavares, o Dr. Falcão, foram instalados na cidade de Imperatriz e na zona rural às margens do rio Tocantins, até Marabá, estabelecendo uma rota de comunicação e o território em que se daria o início da ação guerrilheira.
Não dispunham ainda de armamento suficiente para as ações planejadas, mas tinham promessa de recebimento de 200 submetralhadoras a serem enviadas pelo governo cubano.
Não era muito pacífico, porém, o relacionamento entre os dois líderes do foco da região tocantina. Em Brasília, durante o período de recrutamento e preparação do pessoal que seria enviado para Imperatriz, Jesnem Moraes e Vera Kassow, uma gaúcha judia, esposa de Flávio, se apaixonaram. Esse acontecimento criou uma inimizade irreconciliável entre os dois, que, no entanto, apesar disso, mantiveram-se na missão que lhes fora dada pelo alto comando do MNR.
Vera, que tinha uma filhinha, Isabela, com o jornalista gaúcho, seguira com Jesnen para Imperatriz.
O jornalista Flávio Tavares, que permanecia maior parte do seu tempo em Brasília, foi informado de que o carregamento de armas não poderia sair de Cuba, porque a ilha estava sob intensa vigilância aérea dos Estados Unidos. Assim, as armas sairiam da Guiana Inglesa, enviadas pelo então ex-primeiro-ministro Chedi Jagan, líder socialista de origem indiana que lutava pela independência de seu país.
Flávio Tavares ficara responsável pela construção de uma pista de pouso no meio da floresta, com 600 metros de comprimento, porque o carregamento deveria chegar num avião DC-3 sigilosamente, voando baixo para não ser detectado por radares. Além disso, a aeronave não poderia retornar. Deveria ser desmontada e dado sumiço às suas peças e fuselagem.
Tavares contratou Zezé, um sertanejo muito “entendido”, acostumado em lutas contra grileiros na região, que assumiu a responsabilidade da construção da pista, em área do extremo-norte de Goiás, perto de Imperatriz, e ele a construiu, com apenas 500 metros de comprimento, em seis meses.
Carlos Lima, que assumira o comando dos negócios e fazia as tarefas deterninadas por João Menezes, retido em Brasília pelos militares, cumpria a missão de guardar as armas dos guerrilheiros, enterrando-as em caixas de flandres num bosque nas proximidades da embocadura do rio Cacau, em Imperatriz. Foi contatado para receber as 200 submetralhadoras que chegariam da Guiana. Temendo a guarda desse volume tão grande de armamento, disse que não tinha condições de armazená-las, pois um carregamento desse porte chamaria muita atenção. Conflitos políticos internos na Guiana, porém, que envolveram Chedi Jagan, impossibilitaram o envio do carregamento das armas.
Segundo alguns líderes do MNR, em outubro de 1966, quando os focos estavam sendo implantados, o guerrilheiro cubano Che Guevara, que retornara derrotado da guerrilha do Congo e preparava seu projeto de promover o levante das Américas a partir da Bolívia, teria sido levado ao Uruguai para encontrar-se com Brizola. Antes, teria se encontrado em São Paulo com Carlos Mariguella e Joaquim Câmara Ferreira, principais líderes da Aliança Libertadora Nacional (ALN), que estava em negociações de apoio com o governo cubano. O coronel Dagoberto Rodrigues, do MNR, teria acompanhado Che do Uruguai à Bolívia.
O foco de Caparaó seria o primeiro a entrar em ação. Em outubro de 1966, 14 homens do MNR ali chegaram para darem início às ações de preparação para a guerrilha. Outros já se encontravam ali ou chegaram depois, formando um grupo de 22. Pelo menos quatro deles haviam feito treinamento em Cuba.
A maioria era composta de ex-integrantes das Forças Armadas, militares expulsos após o golpe. Treze haviam sido militares — um ex-capitão, sete ex-suboficiais e sargentos, além de cinco ex-marinheiros.
Durante cinco meses, isolados, instalados precariamente em barracas e com dificuldades de alimentação, alguns caíram doentes. No início de abril de 1967, o grupo foi derrotado por sua própria ineficiência, sem sequer ter entrado em combate. Doentes, fragilizados física e psicologicamente, foram presos facilmente pela Polícia Militar de Minas Gerais sem terem tido condições de fazer qualquer resistência.
Preso esse pequeno grupo, o Exército foi informado da existência de guerrilheiros na Serra, foram mobilizados cerca de dez mil soldados do Exército e dezenas de aviões com homens e armas, da Aeronáutica, além de agentes do Centro de Informações da Marinha (Cenimar). A disparidade de forças era tão grande que causava comoção, tanta a ingênua pretensão do confronto.
Todos eles foram presos e condenados.
Em Imperatriz, as condições não eram diferentes. Havia também dificuldades financeiras, carências de material e estrutura e dificuldades de adaptação à floresta, com incidência de malária entre os militantes. Temos depois, o próprio Jesnen relatou essa situação:

< >

Diante da vergonhosa derrota em Caparaó e das dificuldades do foco de Imperatriz,
Leonel Brizola percebeu que o seu projeto guerrilheiro era demasiadamente frágil. Meses depois, em outubro, com a morte de Che Guevara, na Bolívia, desiste do projeto e dá ordem para desmobilizar o que havia do foco de Imperatriz, onde, desde o ano anterior, começara a chegar militantes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) para organizar a Guerrilha do Arguaia.

Imperatriz: sob a proteção de Santa Teresa de Ávila

Posted outubro 15th, 2016 by Adalberto Franklin
Categories: História, Imperatriz, Religião, Sul-maranhense

Texto de Adalberto Franklin

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Até o dia 12 de junho de 1852, apenas 34 dias antes da chegada de Frei Manoel Procópio, estas terras do sudoeste maranhense, desde o atual município de Campestre, até o rio Gurupi, eram território paraense. Mas nem o frade carmelita fundador de Imperatriz nem o governo do Maranhão sabiam disso ainda.
Essa região era denominada pelos colonizadores do sul do Maranhão de Matas Gerais, território em que eles não se atreviam a entrar, porque eram protegidas e defendidas por dois povos indígenas da grande nação Timbira, muito temidos: os Gavião e os Krikati, que dominavam as margens e os sertões próximos ao rio Tocantins até a confluência com o rio Araguaia. Durante quase 40 anos, esses povos indígenas derrotaram as expedições de bandeirantes e soldados que quiseram exterminá-los e ocupar suas terras.
Nem mesmo os experientes navegadores do rio Tocantins, que faziam viagens de comércio entre Goiás e Belém, se atreviam a navegar por esta margem dureita quando desciam o rio nesta região. Isso é o que testemunha em seu relatório de viagem o conde Francis Castelnau, um europeu que por aqui passou em 1844 comandando uma expedição científica.
Nesse mesmo ano de 1844, o governo da Província do Pará decidiu constituir cinco expedições para criar, nos muitos rios do seu território, colônias militares e aldeamento indígenas para acelerar a ocupação e dar suporte às navegações. Uma dessas expedições subiria o rio Tocantins, com a missão de aldear os índios do então chamado Alto Tocantins, nas proximidades das cachoeiras de Itaboca, lugar onde fica hoje a hidrelétrica de Tucuruí. Nessa mesma resolução, ficou decidido que a povoação a ser fundada pela expedição do Alto Tocantins se chamaria “Santa Teresa”.
Vê-se, então, que não foi Frei Manoel Procópio quem deu o nome nem estabeleceu a devoção dos habitantes da nova povoação a Santa Teresa de Ávila. Isso já estava previamente determinado.
Por falta de missionários experientes em missões indígenas, a expedição do Alto Tocantins somente foi iniciada em 1849, cinco anos depois de definida. O presidente da Província do Pará, Jerônimo Francisco Coelho, recorreu ao bispo de Pará e este ao bispo da Bahia, para que se buscasse um sacerdote experiente na lida com os indígenas. O indicado foi Frei Manoel Procópio do Coração de Maria, um sacerdote carmelita que vivia num convento da Bahia.
Chegando a Belém, Frei Manoel Procópio foi nomeado capelão da expedição do Alto Tocantins, contratado e pago com recursos do Tesouro do Pará. O comando era do tenente-coronel reformado Ayres Carneiro, um respeitado militar. A expedição partiu de Belém em junho de 1849. Dela faziam parte onze embarcações e quase duzentas pessoas no total, entre comandantes, tripulantes e famílias de colonos.
Em pleno verão, quando o rio apresentava suas belas praias, a expedição chegou ao Remansão, localidade logo abaixo das grandes corredeiras das cachoeiras de Itaboca, lugar previamente determinado para a fundação da colônia militar e aldeamento indígena. Ali se estabeleceram os colonos e frei Manoel Procópio começou os contatos com os indígenas. Ficou fundada aí a Colônia Militar de Santa Teresa, como determinara o governo do Pará. Uma missa, celebrada no dia 15 de outubro de 1849, dia da padroeira, , marcou a inauguraçõ da colônia.
Poucos meses depois, em dezembro, chegou um forte inverno. O rio Tocantins encobriu as belezas de suas margens, trazendo muitas febres. Quase a metade dos colonos morreu de febres. Os sobreviventes foram levados de volta para Belém. A colônia se desfez, mas Frei Manoel Procópio não desistiu: continuou sua missão. Com alguns soldados e poucas famílias de colonos, subiu ainda mais o rio e estabeleceu-se em São João do Araguaia, no encontro das águas dos rios Tocantins e Araguaia.
Sediado em São João do Araguaia, Frei Manoel Procópio iniciou contatos com os índios Apinajé, ocupantes da margem esquerda do rio Tocantins. Conseguiu aldear esses índios por cerca de um ano, em meses de 1950 e 1951, nas margens do rio Tocantins, mas logo depois os indígenas se desentenderam com ele e voltaram para as matas. Nesse lugar, mesmo que em território goiano, o frade tentava refundar a colônia militar de Santa Teresa, da qual fora incumbido.
Havendo desistido de aldear os Apinajé, Frei Manoel Procópio inciou contatos com os temidos Gavião e Krikati, mais conhecidos na época como Caracatigês, que habitavam na margem direita do Tocantins, acima da confluência do Araguaia, ainda território paraense — o território do Pará ia até o Seco do Curuá, defronte à hoje cidade de Campestre do Maranhão. Sabia-se que os indígenas dessa área – gavião e krikati – eram arredios e defendiam ferozmente suas terras, além de terem derrotado várias expedições de bandeirantes colonizadores desde o começo do século XIX, por isso eram muito temidos.
Alheio a tudo isso, o frade carmelita embrenhou-se nas matas e visitou, primeiramente, as aldeias dos índios Gavião. Convenceu-os de que seria melhor viver em paz, aldeados, que morrer nos enfrentamentos com os bandeirantes. Assim, conseguiu o frade aldear 800 índios Gavião no lugar então chamado de Campo dos Frades, nas margens do rio Tocantins, hoje povoado Frades, no município de Cidelândia.
Depois disso, visitou cada uma das aldeias dos índios Krikati, nos sertões, e também convenceu-os a aldearem-se. Estes, porém, não concordaram em ficar num só aldeamento, mas em dois, ambos nas margens do Tocantins, embora não muito distantes um do outro. Um aldeamento Krikati ficou, então, próximo à embocadura do rio Cacau e o outro da confluência do então chamado riacho Embira Branca, que se supõe ser no atual povoado Embiral, também nas margens do rio.
Estabelecidos esses aldeamentos, Frei Manoel Procópio resolveu deixar São João do Araguaia e finalmente refundar a colônia de Santa Teresa, missão que abraçara três anos antes e, sob a proteção de Virgem de Ávila, missão a que se dedicara sem temor e sem tréguas. Não seria mais uma colônia militar, como pretendera o governo do Pará, mas uma povoação para dar suporte e guarida aos navegadores do rio Tocantins, que até então percorriam centenas de léguas sem qualquer lugar de pouso ou acolhimento.
Acompanhado então de dois soldados e duas famílias de colonos que com ele viviam em São João do Araguaia, e levando consigo a imagem da santa de Ávila, que desde sua partida mantinha como patrona da missão, Frei Manoel Procópio subiu o rio e estabeleceu-se entre os dois aldeamentos dos Krikati, a partir de onde melhor poderia acompanhá-los e promover sua catequese. O dia de sua chegada foi o 16 de julho de 1852.
Estava assim fundada a missão de Santa Teresa d’Ávila, que no começo passou a ser denominada oficialmente pelo governo do Pará de Povoação de Santa Teresa do Tocantins, e depois passou a se chamar Vila Nova da Imperatriz e, por fim, Imperatriz. Passaram-se mais de dois anos para que o governo do Maranhão tomasse conhecimento da fundação de Santa Teresa.
O governo do Pará rescindiu o contrato com Frei Manoel Procópio dois anos depois de ter sido fundada a povoação. Mesmo assim, o frade carmelita resolveu permanecer na vila, onde viveu durante quase trinta anos, protegendo, defendendo e catequizando os índios, estimulando famílias a se estabelecerem na região e promovendo o desenvolvimento da nova povoação.
Assim, pela Providência Divina, aqui floresceu a povoação de Santa Teresa, fruto do amor, do trabalho, da ousadia, da determinação e da persistência do frade carmelita Manoel Procópio do Coração de Maria, um baiano que como muitos outros migrantes nordestinos e outras pessoas de todas as regiões brasileiras para cá vieram buscar abrigo e prosperidade sob o patronato da Virgem de Ávila. (Texto atualizado em 15.10.2016)

Imperatriz: pesquisa eleitoral manipulada

Posted setembro 18th, 2016 by Adalberto Franklin
Categories: Imperatriz, Jornalismo, Política

pesquisa
No dia 7 de outubro de 2012, últimas eleições municipais, o jornal “O Progresso”, de Imperatriz, publicou uma matéria com o título “Jornal divulga nota e reconhece erro em divulgação de pesquisa que aponta Nelson Horácio como líder em Porto Franco”. Tratava-se de uma pesquisa eleitoral feita pelo Instituto Gauss, de Palmas, publicado em jornal de São Luís (MA), com claros elementos de manipulação de dados e fraude, em que dava larga margem de frente a Nélson Horácio em desfavor de Aderson Marinho. Diante da comprovação das irregularidades, o então juiz eleitoral Armindo Reis proferiu sentença contra esse Instituto e os contrantes, e afirmou que essa pesquisa eleitoral “tenta influenciar a escolha de eleitores propagando a falsa ideia de vantagem na disputa eleitoral”. Aderson Marinho ganhou com cerca de 20% à frente de Nélson Horácio.
Hoje, a duas semanas de novas eleições municipais, deparo-me com a divulgação de uma pesquisa feita pela mesma Gauss, em larga manchete da primeira página do jornal “O Progresso”, sobre a disputa eleitoral em Imperatriz. Os índices me soam estranhos, pois nesta mesma semana tinha tido acesso a uma pesquisa feita por um dos principais institutos de pesquisa do país, mandada fazer por investidores paulistanos que desejam investir na região.
Passei a confrontar o gráfico de primeira página com os dados dos quadros que apresentam os resultados das perguntas formuladas às pessoas pesquisadas. Sem muito esforço, deparei-me com uma grosseira manipulação de dados, critérios e método que alimentaram a demonstração gráfica que está sendo divulgada. Coisa mesmo de gente amadora, que atenta contra o conhecimento e a percepção das pessoas e conta por certo que se engula como verdadeira uma montagem grotesca.
Vamos aos fatos (os dados):
Na primeira página, o gráfico mostra o seguinte: Ildon Marques, 33,73%; Rosângela Curado, 28,75%; Assis Ramos, 21,49%; Ribinha Cunha, 13,66%; Edmilson Sanches, 1,78%; Sandro Ricardo, 0,59%.
Vamos à questão-chave: de onde foram extraídos esses índices?
Para responder a isso, consultemos os cinco quadros mostrados na página C1-3 da mesma edição de “O Progresso”.
1) O primeiro quadro traz o resultado para a pergunta: “Se as eleições fossem hoje, em qual desses nomes você votaria para prefeito ode Imperatriz?” (consulta indutiva). O resultado é o seguinte: Ildon Marques, 28,40%; Rosângela Curado, 24,20%; Assis Ramos, 18,10%; Ribinha Cunha, 11,60%; Edmilson Sanches, 1,50; Sandro Ricardo, 0,50%; Indecisos, 12,40%.
2) O segundo quadro traz o resultado para a pergunta: “Se as eleições fossem hoje, em quem você votaria para prefeito ode Imperatriz?” (consulta espontânea). O resultado é o seguinte: Ildon Marques, 24,60%; Rosângela Curado, 20,20%; Assis Ramos, 14,70%; Ribinha Cunha, 8,50%; Edmilson Sanches, 0,50; Sandro Ricardo, 0,30%; Indecisos, 31,20%.
3) O terceiro quadro traz o resultado para a pergunta: “Se as eleições fossem hoje, em qual desses candidatos você votaria para prefeito de Imperatriz?” (consulta SEM o nome de Ildon Marques, considerando que ele não seria candidato). O resultado é o seguinte: Rosângela Curado, 28,90%; Assis Ramos, 24,10%; Ribinha Cunha, 17,00%; Edmilson Sanches, 2,40; Sandro Ricardo, 0,70%; Indecisos, 20,10%.
4) O quarto quadro traz o resultado para a pergunta: “Se as eleições fossem hoje, em qual desses candidatos você votaria para prefeito de Imperatriz?” (consulta SEM o nome de Rosângela Curado, considerando que ela não seria candidata). O resultado é o seguinte: Ildon Marques, 33,23%; Assis Ramos, 20,92%; Ribinha Cunha, 15,02%; Edmilson Sanches, 2,40; Sandro Ricardo, 0,90%; Indecisos, 20,92%.
5) O quinto quadro mostra o índice de rejeiçãoo de cada candidato. O resultado é o seguinte: Ildon Marques, 19,82%; Rosângela Curado, 19,02%; Assis Ramos, 20,92%; Ribinha Cunha, 8,71%; Edmilson Sanches, 6,91; Sandro Ricardo, 6,91%.
Respondendo a questão-chave: de onde foram extraídos os índices do gráfico?
1) Os 33,73% de Ildon Marques foram pinçados da consulta em que Rosângela Curado não aparece como candidata (só que com uma distorção: o índice no quadro não é 33,73%, e sim 33,23%); 2) Os 28,75% de Rosâangela Curado foram extraídos da consulta em que Ildon Marques não aparece como candidato (há também uma distorção: o índice no quadro não é 28,75%, e sim 28,90%); 3) Os 21,49% de Assis Ramos foram extraídos da consulta em que Rosângela Curado não aparece como candidato (outra distorção: o índice no quadro não é 21,49%, e sim 20,92%); Os 13,66% de Ribinha Cunha foram inventados, pois em nenhum quadro ele tem um ínice muito aproximado a esse; o mais próximo é o cenário sem Rosângela Curado, em que ele aparece com 15,02%; Os índices dados a Edmilson Sanches (1,78%) e Sandro Ricardo (0,59%) também não existem nos quadros mostrados.
ANÁLISE: Como se vê, o gráfico demonstrativo para divulgação é um cenário inexistente na pesquisa, em que os índices dados para os principais concorrentes são fruto de cenários diferentes, em que um ou outro não concorrem, ms mostrados como se viessem de um confronto de opinião pública, com o claro intuito de manipular e fraudar o resultado, de acordo com o interesse de quem paga ou divulga. É um acinte e um crime eleitoral evidente.
E antes que se queira justificar, dizendo que o demonstrado é diferente porque se considerou apenas os “votos válidos”, acrescento que em pesquisas eleitorais não existem votos válidos ou não válidos (isso só se dá na apuração dos votos). O que há são apenas os eleitores ainda indecisos e os que pretendem votar nulo ou branco e que devem ser mostrados, pois indicam o quanto há de margem para alteração do resultado. Os indecisos, que são ainda um grande contingente, como se pode ver nos resultados dos quadros apresentados, se desconsiderados, daria também números bem diferentes dos mostrados no gráfico.
Por dizer, cabe dizer que o Instituto Gauss, que realizou essa pesquisa, é uma empresa inidônea, useira e vezeira desses métodos. Assim como fez em Porto Franco, em 2012, fez em Balsas, no mesmo ano, quando também foi condenada pela Justiça Eleitoral do Tocantins por irregularidades de pesquisa eleitoral em Dianópolis, dentre outras. Isso sem contar que não é isenta; tem partido e faz doação aos seus candidatos, e por esse motivo foi condenada pelo TSE por fazer doações acima do limite de sua renda.
Nestes tempos, em que se fazem discursos e pregações de honestidade e eleições limpas, não se pode deixar fraudes como essa passar em branco. Mas não tenho dúvida que aparecerão quem defenda esse engodo.

O mais bárbaro crime político de Imperatriz

Posted setembro 15th, 2016 by Adalberto Franklin
Categories: História, Imperatriz, Política, Sul-maranhense, Violência

15 de setembro de 1962. 54 anos hoje.
O prefeito de Imperatriz, João Menezes Santana, do PTB de João Goulart e Brizola, eleito em 1960 com 28 anos de idade, derrotando o candidato do grupo da oligarquia vitorinista local, sofria implacável perseguição do governo de Newton Bello. Era ano de eleições para o Legislativo e os adversários do prefeito faziam tudo para afastá-lo ou eliminá-lo. Nesse dia, logo cedo, o prefeito foi preso, espancado e arrastado pelas ruas, mas salvo pelo juiz de Direito, que o tomou das mãos dos policiais. Mas o que se seguiu foi ainda pior.
Abaixo, trecho do capítulo 12 do livro “Repressão e resistência em Imperatriz”, de Adalberto Fraanklin e Valdizar Lima, a ser lançado em novembro próximo.

* * *
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Em Imperariz, o clima era de muito suspense e temor, por causa das mortes dos policiais, ocorridas no dia anterior, e da prisão do prefeito, ocorrida poucas horas antes. Afastado da área urbana, Mineiro não sabia ainda desses recentes acontecimentos.
Seguindo lentamente pela Rua do Fio com um saco nas costas, Acácio chegou à cidade pouco antes do meio-dia. Tomou a Rua 15 de Novembro e logo dobrou à direita, na Rua Bom Futuro. A duzentos metros dali ficava a casa do prefeito João Menezes, onde trataria com o patrão a recuperação da peça avariada.
Não sabia que a casa estava vazia e o prefeito refugiado.
Pouco antes de chegar à Rua Godofredo Viana, no entanto, a menos de 50 metros do seu destino, foi abordado e preso por policiais, mesmo sem qualquer motivo ou acusação, a mando do capitão Braga, que tomou conhecimento de sua entrada na cidade. Acácio foi levado para a delegacia e trancafiado na cadeia, defronte a Prefeitura. O delegado mandou recado dizendo que somente o soltaria se o próprio prefeito fosse buscá-lo.
Tomado de surpresa, só na delegacia soube do que ocorria. Estivera lá na cerâmica, distante, o tempo todo. Nada tinha a ver com as brigas políticas que ocorriam na cidade. Não tinha motivos para se estar ali. Era apenas um trabalhador, sem qualquer envolvimento com essas disputas.

* * *

Epitácio e Ciro, que mataram os policiais, haviam conseguido fugir e a polícia não tinha sequer pista deles. Alguns diziam, em voz baixa, que eles teriam atravessado o Tocantins e fugido pelas estradas de Goiás.
O sentimento do capitão Braga era de vingança. A morte dos policiais não poderia ficar impune. Epitácio era amigo e correligionário de João Menezes. Era candidato a vereador com apoio do prefeito, portanto, João Menezes era responsável por aquele crime e teria que pagar por ele.
Refugiado na residência do juiz de Direito, João Menezes estava consciente da trama que o delegado preparava, talvez até matá-lo, se possível. Não havia motivos para que o delegado mantivesse preso o gerente de sua cerâmica. Ele nenhum crime cometera, não havia qualquer acusação contra ele. O capitão Braga não poderia cometer o arbítrio de mantê-lo preso sem motivos. Teria que soltá-lo. A quem o delegado queria mesmo era ele, João Menezes, em quem pretendia vingar a morte de seus soldados, mas não se entregaria assim, espontaneamente, como um boi rumo ao matadouro. Além disso, diversos amigos o aconselharam a não ir, pois estavam certos de que o delegado tramava matá-lo.
Tomando conhecimento de que João Menezes não iria à delegacia, o delegado espalhou a informação de que Mineiro seria morto, caso o prefeito não fosse buscá-lo até a meia-noite. Todos na cidade ficaram sabendo. João também soube logo. O clima de suspense antes existente, transformou-se em terror. Teria o delegado a ousadia de matar um inocente em nome de uma vingança que pretendia contra o prefeito?
A perplexidade não dava margem a dúvidas maiores. O capitão Braga era acusado por muitos lavradores de dar apoio a grileiros na expulsão de famílias de suas posses, fora outras arbitrariedades. Eram vários os casos conhecidos de pessoas que tiveram que abandonar suas roças e terras para não serem mortos por jagunços e policiais. E isso tudo com a conivência do governador Newton Bello, que mantinha uma política repressiva contra trabalhadores rurais. A família do próprio governador era uma das mais conhecidas latifundiárias do Maranhão. A polícia maranhense servia como braço armado do latifúndio e das torpezas políticas. No primeiro semestre daquele mesmo ano, uma tropa da Polícia Militar fuzilara e matara oito trabalhadores rurais em Pirapemas, sob as ordens do secretário de Segurança, e tiveram apoio do governador. Não havia muito a duvidar do que era capaz o braço armado do Estado.
Na cadeia, o jovem Mineiro vivia a angústia de estar enjaulado sem ter cometido qualquer delito. Era apenas um trabalhador e cumpria com responsabilidade suas obrigações. Não havia motivos para estar ali, naquela situação injusta e humilhante.
João estava no hotel, refugiado, a apenas trezentos metros da delegacia, sob a proteção do juiz José de Ribamar Andrade, que o salvou das mãos do delegado, na manhã daquele mesmo dia. Não fosse essa intervenção, poderia estar morto.

* * *

Às nove da noite, um soldado foi à cela e deu um aviso a Acácio, em nome do delegado:
— Se o teu patrão não vier te buscar até a meia-noite, tu vai morrer. Faltam só três horas.
Começava assim um processo de tortura psicológica imposta pelo capitão Braga.
Uma hora depois, um outro soldado foi à cela.
— Já são dez horas e o teu patrão ainda não veio. Faltam só duas horas.
Às onze da noite, um novo aviso:
— Falta só uma hora para a meia-noite. Acho que o teu patrão não vem. Se ele não vier, tu vai morrer.
Acácio, todo esse tempo, permaneceu calado. Não tinha nada a dizer além do que já dissera ao delegado, de não ter nada a ver com a morte dos policiais nem com disputas políticas. Era apenas um empregado da cerâmica do prefeito. Não entendia nada de política nem se envolvia em confusões.
Seus argumentos, porém, não importavam ao delegado. Mineiro servia como uma valiosa isca para chegar ao prefeito, homem astuto, inimigo do governo, difícil de ser enquadrado. A ordem, naquela circunstância e oportunidade, era eliminar João Menezes. Desde que fora eleito, há quase dois anos, não existira circunstância mais adequada. Fácil seria difundir que os soldados teriam sido mortos a mando do prefeito, da mesma forma que tentaram culpar os lavradores de Pirapemas de terem atacado a polícia, como o fez em discurso o próprio senador Vitorino Freire, da tribuna do Senado, em Brasília, e de aliados seus, na Câmara dos Deputados. João Menezes sabia de tudo isso. Era um jovem de 30 anos, mas muito maduro e astuto.
Na delegacia, o relógio de parede marcou meia-noite.
João Menezes não apareceu.
O capitão Braga foi, ele mesmo, à cela em que estava Mineiro e mandou que um soldado o soltasse. O jovem foi retirado da cadeia e levado até a calçada. O delegado então mandou que fossem retiradas as algemas do preso e ordenou a este que corresse, sem olhar para trás. Desconfiado, e sem esperar piedade daqueles homens truculentos, Acácio não correu; saiu caminhando lentamente pela rua Coronel Manoel Bandeira, naquele momento vazia. Deu poucos passos. Uma bala de fuzil varou-lhe as costas e caiu ali mesmo, inerte.
Momentos depois, os soldados arrastaram o corpo para a calçada da delegacia. Ali o deixaram exposto, ainda na expectativa de que João Menezes saísse do hotel e fosse buscá-lo e esboçasse alguma reação que justificasse também seu fuzilamento.
Amanheceu. Era domingo e o corpo ainda estava ali, exibido como troféu, ao lado da Prefeitura, à vista de todos, mesmo sob protestos da população. Durante todo o dia o corpo ensanguentado de Acácio ficou ali, estedido na calçada. Vários foram os pedidos de liberação do corpo, para um sepultamento digno, mas o delegado manteve-se indiferente aos apelos. Entrou a noite e a situação continuava a mesma. O corpo, exposto ao calor do sol causticante de setembro, já exalava mau cheiro.
Só na manhã seguinte, frustrado na sua expectativa de ver João Menezes ir resgatar o corpo do seu funcionário, o delegado mandou amarrar mãos e pés do morto e o corpo foi jogado, como um animal, na caçamba de uma camioneta. Levado para o cemitério São João Batista, foi arrastado pelo chão por mais de 50 metros e enterrado do lado esquerdo do portão de entrada, como indigente, sem caixão, numa cova tão rasa que parte dos dedos dos pés ficaram expostos. Depois, pessoas solidárias providenciaram o sepultamento digno do corpo de Acácio.

* * *
Acácio Pereira de Castro é nome de rua em Imperatriz.

Golpe: tragédia ou farsa?

Posted agosto 31st, 2016 by Adalberto Franklin
Categories: História, Jornalismo, Política

Renan e Lewando

Não há coincidência na história. Há o fato e a farsa.
Esta não é a primeira vez que um presidente brasileiro sofre impedimento. Nem a segunda, nem a terceira. As tentativas foram muitas. Os golpes que se concretizaram, no entanto, m, nem sempre tiveram o mesmo desfecho. Getúlio se suicidou, Jânio renunciou e Collor foi afastado. Os motivos, todos eles, porém, tiveram o mesmo motivo, e não são os que a imprensa anunciaram e publicam até hoje.
Aos que ainda não se deram conta do drama brasileiro, publico abaixo trecho do meu livro “Manoel Conceição, sobrevivente do Brasil”, a ser lançado ainda neste ano:

……………………………………………………………………
“Jânio não submeteu seu governo às vontades norte-americanas. Adotou uma política externa de independência e restabeleceu relações diplomáticas e comerciais do Brasil com países do bloco socialista, como a União Soviética e a China, e também com países africanos. Condenou a interferência e o boicote dos Estados Unidos a Cuba; conheceu Che Guevara na conferência Panamericana no Uruguai e o convidou a visitar o Brasil, oportunidade em que o revolucionário cubano foi agraciado com a Grã Ordem do Cruzeiro do Sul, a mais alta comenda concedida pelo governo brasileiro.
Além disso, o presidente Jânio contrariou substancialmente os estadunidenses por ter encaminhado ao Congresso Nacional um projeto de lei que limitava a remessa de dinheiro de empresas estrangeiras para o exterior e, ainda, um projeto de lei que era, a rigor, a primeira proposta de reforma agrária do país.
Em apenas sete meses de governo, Jânio Quadros já tinha contra si as empresas estrangeiras — em sua maioria norte-americanas — e seus defensores no país, o governo dos EUA, os grandes jornais brasileiros, de quem tinha cortado os subsídios na compra de papel, que era de 75%; grande parcela dos militares; a maioria do Congresso Nacional; as elites ruralistas e a ala conservadora da Igreja. Passou a ser acusado, ainda, de querer levar o Brasil ao comunismo.
Diante da pressão em que se via envolvido, sobretudo pelo Congresso Nacional, pelos militares, pela Igreja e pela grande imprensa — diretamente, por Carlos Lacerda (governador da Guanabara), Roberto Marinho (Organizações Globo) e Júlio de Mesquita Filho (O Estado de S. Paulo); e ainda por Dom Jaime de Barros Câmara (arcebispo do Rio de Janeiro) —, inesperadamente, no dia 25 de agosto de 1961, dia do soldado, cinco dias antes de completar sete meses de mandato, Jânio Quadros encaminhou ao Congresso Nacional um lacônico bilhete através do qual renunciava ao cargo presidencial.”

20 anos da morte de João Menezes, prefeito de Imperatriz cassado pelo golpe de 64

Posted agosto 26th, 2016 by Adalberto Franklin
Categories: História, Imperatriz

Nesta terça-feira, 23 de agosto*, faz 20 anos da morte de um dos mais importantes personagens da história de Imperatriz: João Menezes Santana.

João Menezes, em 1957

João Menezes, em 1957


Natural de Filadélfia, hoje Tocantins, João Menezes estudou o Primário e o Ginásio em Carolina (MA). Em 1950, com 18 anos, foi para o Rio de Janeiro, onde entrou para o Exército, foi cabo, fez o curso de sargentos como aluno da Escola de Saúde do Exército. Deu baixa. Trabalhou como comissário de bordo numa empresa aérea e em seguida no Banco da Província do Rio Grande do Sul, ainda no Rio, tendo feito paralelamente o curso de Técnico em Contabilidade na Associação Cristã de Moços. Trocou a então capital federal por Belém do Pará, onde iniciou o curso de Odontologia, que abandonou ainda no início para ficar ao lado da mãe doente, em Tocantinópolis, na época Goiás. Nesta cidade, foi professor do Ginásio do Norte Goiano e, a convite de Bernardo Sayão, a quem conheceu no Rio, em 1957, veio para Imperatriz nesse mesmo ano, antes do início da construção da Belém-Brasília.
Instalada na cidade a Rodobrás, empresa estatal que construiria a rodovia, no início de 1958, tornou-se seu gerente administrativo. Era ainda, comerciante, proprietário da loja A Eldorado.
Ainda em 1958, com 26 anos de idade e apenas um de residência na cidade, fundou o diretório do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), de João Goulart e Leonel Brizola, fazendo oposição ao governador Newton Bello e à oligarquia vitorinista que dominava o Estado com mão de ferro, quando Imperatriz era comandada exatamente por um grupo político correligionáro do senador Vitorino Freire e do governador Newton Bello.
Em outubro desse mesmo 1958, João Menezes foi eleito vereador de Imperatriz. Dois anos depois, em 1960, desafiou a elite político-econômica local e candidatou-se a prefeito. Apenas três anos depois de chegar à cidade, mas com uma popularidade surpreendente, o jovem de 28 anos foi eleito prefeito com maciço apoio dos migrantes, que já superavam o número da população originária.
Atuando na defesa de lavradores acossados por grileiros e pela polícia estadual, João Menezes tinha apoio político do grupo antivitorinista da capital. Por isso, sofreu implacável perseguição do governo Newton Bello, desde prisão, espancamento e tentativas de assassinato. Chegou a ser cassado pela Câmara Municipal ainda no primeiro ano de mandato, que retomou no Tribunal de Justiça.
Com o Golpe de 1964, teve o mandato novamente cassado, considerado como subversivo, comunista e opositor do regime militar. Vigiado permanentemente, foi preso diversas vezes pelas Forças Armadas.
Refugiou-se em Tocantinópolis, Brasília e Anápolis. Mesmo na clandestinidade, foi um dos mais influentes apoiadores dos grupos de resistência armada que tentaram se instalar na região, principalmente os organizados por Brizola e Neiva Moreira, em 1965-66, e os da Guerrilha do Araguaia, a partir de 1966.
A eleição de João Menezes, em 1962, quebrou a hegemonia política dos imperatrizeneses natos. Desde então, somente um imperatrizense venceu uma eleição de prefeito de sua cidade: Renato Moreira. A partir dessa época, o domínio político e econômico da cidade passou a ser dos migrantes, os imperatrizenses adotados.

*Atualização. Data corrigida.

Jovem imperatrizense conquista certificação internacional GNU/Linux

Posted junho 17th, 2016 by Adalberto Franklin
Categories: Educação, Sul-maranhense, Trabalho X Capital

Lucas2

O imperatrizense Lucas de Castro Borges, 23 anos, acaba de entrar para o seleto grupo de profissionais de tecnologia da informação com certificação internacional de nível avançado no sistema operacional GNU/Linux. Estudante de Engenharia da Computação, ele é usuário desse ambiente operacional desde os 9 anos de idade e aos 16 anos já trabalhava profissionalmente na área.

Em 2011, com apenas 18 anos, ele conquistou a certificação internacional GNU;Linux de nível 1, tornando-se um dos mais jovens brasileiros a conseguir essa façanha. Agora, no último dia 9 de junho, submeteu-se à segunda e definitiva prova da certificação de nível 2 (profissional avançado), aplicada pelo Linux Professional Institute, instituição com sede no Canadá.

O Linux Professional Institute concede certificações em apenas três níveis: os dois primeiros para profissionais – júnior e avançado –, sendo o terceiro uma comprovação de especialização numa área de atuação profissional do sistema. As provas para a terceira e mais elevada certificação, Lucas pretende fazer no final deste ano ou no início de 2017, para o que já está se preparando. Tem a seu favor o domínio do Inglês, língua que lê e fala com fluência e na qual a prova será aplicada.

Atualmente, Lucas presta assessoria, suporte e faz implementação de servidores GNU/Linux em várias empresas de Imperatriz e região e é microempresário individual. Tem colaborado com palestras, serviços de suporte a usuários e empacotamento de aplicativos para a divulgação e disseminação do software livre. Nas horas vagas, ele pratica patinação na praça Mané Garrincha.

Segundo dados do Linkedin, no Brasil existem hoje menos de 1.500 profissionais de tecnologia da informação com certificação avançada GNU/Linux e apenas quatro no Maranhão.

Foto: Lucas e Jon “Maddog” Hall, presidente da Linux Internacional, durante uma Feira Internacional de Software Livre (FISL).

Eduardo Franklin conduzirá tocha olímpica em Imperatriz

Posted junho 14th, 2016 by Adalberto Franklin
Categories: Jornalismo

O enxadrista Eduardo Franklin será um dos condutores
da tocha olímpica em sua passagem por Imperatriz, nesta terça-feira, 14 de junho.
Na década passada, ele era considerado um dos melhores jogadores brasileiros de xadrez de sua categoria. Heptacampeão imperatrizense de xadrez nos Jogos Escolares de Imperatriz (JEIs); pentacampeão nos Jogos Escolares Maranhenses (JEMs) e duas vezes campeão brasileiro, ele é o recordista de participação nos JEMs, competição da qual participou oito vezes, a primeira com apenas nove anos de idade.
eduardo
PERFIL ESPORTISTA
Eduardo Franklin de Sousa Castro é natural de Imperatriz (MA), nascido em 11 de agosto de 1989. Enxadrista, começou a jogar xadrez aos cinco anos e aos oito anos já disputava torneios da categoria absoluta, destacando-se entre os melhores jogadores da Região Norte do Brasil. Teve carreira meteórica e, na primeira década deste século, era considerado um dos melhores brasileiros de sua categoria, num rol em que participavam também os hoje grandes mestres internacionais Alexander Fier e André Diamant. É o recordista de participações nos Jogos Escolares Maranhenses (JEMs), tendo participado por oito anos consecutivos, a primeira com apenas nove anos de idade. Foi heptacampeão imperatrizense e pentacampeão maranhense de xadrez escolar; campeão brasileiro escolar da categoria Sub-10 em competição promovida pela Confederação Brasileira de Xadrez no Estado de São Paulo, e campeão brasileiro de xadrez rápido, categoria Sub-14, em Minas Gerais. Foi campeão de diversos torneios e campeonatos nas modalidades de xadrez relâmpago, rápido e absoluto. Disputou várias etapas do campeonato brasileiro absoluto e de torneios internacionais. Em 2004, aos 14 anos, foi convocado para integrar a delegação brasileira que disputaria a Olimpíada Mundial de Xadrez, na Espanha, competição da qual não pode tomar parte. Aos 18 anos, tornou-se professor de xadrez em escolas públicas e particulares de Imperatriz. Atualmente é webdesigner e consultor de mídias virtuais.

FCI: 20 ANOS HOJE

Posted abril 30th, 2016 by Adalberto Franklin
Categories: História, Imperatriz, Mais Cultura, Música

FCI _presidente
Hoje, 30 de abril de 2016, completa 30 anos da instalação da Fundação Cultural de Imperatriz (FCI), com a entrega do prédio localizado na esquina da rua Luís Domingues com Simplício Moreira, reformado e ampliado no período da interventoria municipal, em 1986, especialmente para funcionar a FCI e o Conselho Municipal de Educação.
Na foto, o descerramento da placa inaugural, com Luís Brasília, Ribamar Silva, Adalberto Franklin e Agostinho Noleto. Na mesma solenidade, Adalberto Franklin assuniu a presidência da FCI, o primeiro da instituição.
A FCI financiava projetos culturais com recursos oriundos da arrecação do ISS. Durante mais de dez anos a FCI financiou projetos culturais apresentados pela comunidade nas áreas da literatura, música, teatro, dança, vídeo e artes plásticas. Esses recursos e patrocínios fazem falta hoje.

A um velho índio que deixou a taba

Posted abril 20th, 2016 by Adalberto Franklin
Categories: História, Imperatriz, Mais Cultura, Ofício das Letras

Neste dia 20 faz um mês que o velho Timbira se foi. Mas creio que avançou o sinal e morreu antes do tempo, embora um dia depois. Para um velho índio, deveria ter-se ido no 19, dia da raça, e não 20, mas não neste ano, só bem depois, porque estava em busca do elixir da juventude e creio que bem perto de encontrá-lo. Há mais de dois anos encontrava-se esporadicamente com um outro pajé, um sábio Guajajara que conhecia como ninguém as propriedades medicinais da diamba e, juntos, faziam infusões milagrosas com as quais curavam até médicos ilustrados que não conseguiam curar a si mesmos.
Eu, índio mais novo, descendente em sexta geração da velha etnia Acaroá — extinta há mais de duzentos anos pelo mal afamado João do Rego Castelo Branco, o cabo-de-guerra do extermínio dos Timbira do médio Parnaíba, em que se incluía ainda os Gueguê e os Caicaí –, conheci-o há mais de duas décadas, num momento em que praguejava contra a falsa santidade do padre Antônio Vieira em suas andanças pelo Maranhão e o Grão-Pará. Se os jesuítas eram defensores de índios, também eram seus algozes, porque presidiam tribunais que autorizavam a “guera justa” de extermínio dos índios.
Pois bem, admirei-o por seus conhecimentos e histórias. Um caboclo sabido, mas sabido mesmo, que conhecia as coisas do sertão e as das cidades. Tanto quanto! Ou até mais! Até mais que,aqueles tupinambás que os fundadores do Maranhão levaram à França para se avistarem com o rei e se vestirem de cristãos. Sim. Porque o velho Timbira do Maranhão, ainda jovem, também foi à França, e lá não ficou apenas dançando e desfilando rituais no palácio do rei para franceses verem. Ele se internou foi na escola da Sorbonne – que existe há mais de 500 anos e onde os tupinambás nem entraram – e de lá só saiu doutor. Deixou a França e foi a Portugal revirar documentos da Amazônia e do Maranhão que os gajos haviam guardado há séculos numa antiga torre.
Vi que poderia aprender muito com aquele abusado caboclo Timbira e me meti a com ele ler velhos documentos, ouvir histórias e a publicar nossas descobertas. Et donc ils ont passé les années…
Renor Bilhete
Em janeiro último, eu o recebi em casa, cedo da manhã, como quase sempre, com cara de ressaca do dia anterior, quando estivera no Bar do Gil, ao lado da Uema. Trazia-me alguns livros de presente, como costumava fazer. Contou as novidades do Piauí, falou das pesquisas em andamento, disse da saúde e labutas diárias do Celso Barros, que, mesmo carregando o peso dos seus mais de 90 anos, não queria saber de aposentadoria e dava expediente diário no escritório de advocacia… Aliás, Celso Barros era para ele uma inspiração, porque, cassado duas vezes por tribunais de ditaduras, sepultara todos os seus julgadores e estava ali, de pé, diante do curso da história.
Nesse dia eu era recém-chegado em casa, depois de mais de dois meses de ausência, em tratamento cardíaco em São Luís, onde fui submetido a um extenso corte cirúrgico para implantação de três pontes de safena. Era eu um ser convalescente desde o início do ano anterior, quando, por complicações de diabetes, passei a ser hóspede de clínicas e hospitais mais do que de minha própria casa.
Ele demonstrava muita preocupação com minha saúde, falando em seu nome e no de nosso amigo comum Celso Barros. Receitava cuidados e remédios para minha cura. Nós não poderíamos morrer ainda, pois prometêramos viver ainda muito tempo para mijarmos nas sepulturas daqueles que pretendiam pegar nas alças dos nossos caixões e ficarem com nossas cadeiras nas academias de letras às quais pertencíamos. Ele também vinha adoentado há cerca de um ano, sob tratamento com um parente médico em Teresina e, por precaução, também com o velho pajé Guajajara.
Acredito, porém, que ele me imaginava mais propenso a cair nos braços de Maíra, porque deixou, dentro de um dos livros que me deu nesse dia, um bilhete que escrevera no final da tarde do dia 13 de janeiro, em cima de uma mesa do Bar do Gil. Esse bilhete, que esqueci de ler, esqueci-o e somente agora o li. Diz:
“Confrade e velho amigo. 13-01-16. 17.35h. Se você acredita no receituário dos velhos pajés, eu e eles vamos te curar do diabetes em 12 meses. É assim: INFUSÃO DE VEREDA (um mês no litro). Beber como água quando sentir sede. Sem contraindicação. Renôr. Bar do Gil* / *Perdemos a velha Dolores sexta-feira.
Renôr faleceu em São Luís no dia 20 de março de 2016. Determinou que o cremassem e jogassem suas cinzas no encontro dos rios Solimões e Tapajós, região que lembra a resistência do grande guerreiro Ajuricaba, nome de um de seus filhos. Frustrou alguns porque não deixou sepultura nem que pegassem na alça do seu caixão.
PS: Ele não percebeu que eu estava sob orientação de uma cardiologista, um angiologista, e os cuidados, ervas e rezas da índia Iracema, que nada tem a ver com aquela do romance de Alencar, mas é uma legítima Timbira Acaroá de 82 anos, que me acolheu de volta à taba. Fiquei para cumprir nossa promessa. (Adalberto Franklin)


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