20 anos da morte de João Menezes, prefeito de Imperatriz cassado pelo golpe de 64

Nesta sexta-feira, 26 de agosto, faz 20 anos da morte de um dos mais importantes personagens da história de Imperatriz: João Menezes Santana.

João Menezes, em 1957

João Menezes, em 1957


Natural de Filadélfia, hoje Tocantins, João Menezes estudou o Primário e o Ginásio em Carolina (MA). Em 1950, com 18 anos, foi para o Rio de Janeiro, onde entrou para o Exército, foi cabo, fez o curso de sargentos como aluno da Escola de Saúde do Exército. Deu baixa. Trabalhou como comissário de bordo numa empresa aérea e em seguida no Banco da Província do Rio Grande do Sul, ainda no Rio, tendo feito paralelamente o curso de Técnico em Contabilidade na Associação Cristã de Moços. Trocou a então capital federal por Belém do Pará, onde iniciou o curso de Odontologia, que abandonou ainda no início para ficar ao lado da mãe doente, em Tocantinópolis, na época Goiás. Nesta cidade, foi professor do Ginásio do Norte Goiano e, a convite de Bernardo Sayão, a quem conheceu no Rio, em 1957, veio para Imperatriz nesse mesmo ano, antes do início da construção da Belém-Brasília.
Instalada na cidade a Rodobrás, empresa estatal que construiria a rodovia, no início de 1958, tornou-se seu gerente administrativo. Era ainda, comerciante, proprietário da loja A Eldorado.
Ainda em 1958, com 26 anos de idade e apenas um de residência na cidade, fundou o diretório do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), de João Goulart e Leonel Brizola, fazendo oposição ao governador Newton Bello e à oligarquia vitorinista que dominava o Estado com mão de ferro, quando Imperatriz era comandada exatamente por um grupo político correligionáro do senador Vitorino Freire e do governador Newton Bello.
Em outubro desse mesmo 1958, João Menezes foi eleito vereador de Imperatriz. Dois anos depois, em 1960, desafiou a elite político-econômica local e candidatou-se a prefeito. Apenas três anos depois de chegar à cidade, mas com uma popularidade surpreendente, o jovem de 28 anos foi eleito prefeito com maciço apoio dos migrantes, que já superavam o número da população originária.
Atuando na defesa de lavradores acossados por grileiros e pela polícia estadual, João Menezes tinha apoio político do grupo antivitorinista da capital. Por isso, sofreu implacável perseguição do governo Newton Bello, desde prisão, espancamento e tentativas de assassinato. Chegou a ser cassado pela Câmara Municipal ainda no primeiro ano de mandato, que retomou no Tribunal de Justiça.
Com o Golpe de 1964, teve o mandato novamente cassado, considerado como subversivo, comunista e opositor do regime militar. Vigiado permanentemente, foi preso diversas vezes pelas Forças Armadas.
Refugiou-se em Tocantinópolis, Brasília e Anápolis. Mesmo na clandestinidade, foi um dos mais influentes apoiadores dos grupos de resistência armada que tentaram se instalar na região, principalmente os organizados por Brizola e Neiva Moreira, em 1965-66, e os da Guerrilha do Araguaia, a partir de 1966.
A eleição de João Menezes, em 1962, quebrou a hegemonia política dos imperatrizeneses natos. Desde então, somente um imperatrizense venceu uma eleição de prefeito de sua cidade: Renato Moreira. A partir dessa época, o domínio político e econômico da cidade passou a ser dos migrantes, os imperatrizenses adotados.

Jovem imperatrizense conquista certificação internacional GNU/Linux

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O imperatrizense Lucas de Castro Borges, 23 anos, acaba de entrar para o seleto grupo de profissionais de tecnologia da informação com certificação internacional de nível avançado no sistema operacional GNU/Linux. Estudante de Engenharia da Computação, ele é usuário desse ambiente operacional desde os 9 anos de idade e aos 16 anos já trabalhava profissionalmente na área.

Em 2011, com apenas 18 anos, ele conquistou a certificação internacional GNU;Linux de nível 1, tornando-se um dos mais jovens brasileiros a conseguir essa façanha. Agora, no último dia 9 de junho, submeteu-se à segunda e definitiva prova da certificação de nível 2 (profissional avançado), aplicada pelo Linux Professional Institute, instituição com sede no Canadá.

O Linux Professional Institute concede certificações em apenas três níveis: os dois primeiros para profissionais – júnior e avançado –, sendo o terceiro uma comprovação de especialização numa área de atuação profissional do sistema. As provas para a terceira e mais elevada certificação, Lucas pretende fazer no final deste ano ou no início de 2017, para o que já está se preparando. Tem a seu favor o domínio do Inglês, língua que lê e fala com fluência e na qual a prova será aplicada.

Atualmente, Lucas presta assessoria, suporte e faz implementação de servidores GNU/Linux em várias empresas de Imperatriz e região e é microempresário individual. Tem colaborado com palestras, serviços de suporte a usuários e empacotamento de aplicativos para a divulgação e disseminação do software livre. Nas horas vagas, ele pratica patinação na praça Mané Garrincha.

Segundo dados do Linkedin, no Brasil existem hoje menos de 1.500 profissionais de tecnologia da informação com certificação avançada GNU/Linux e apenas quatro no Maranhão.

Foto: Lucas e Jon “Maddog” Hall, presidente da Linux Internacional, durante uma Feira Internacional de Software Livre (FISL).

Eduardo Franklin conduzirá tocha olímpica em Imperatriz

O enxadrista Eduardo Franklin será um dos condutores
da tocha olímpica em sua passagem por Imperatriz, nesta terça-feira, 14 de junho.
Na década passada, ele era considerado um dos melhores jogadores brasileiros de xadrez de sua categoria. Heptacampeão imperatrizense de xadrez nos Jogos Escolares de Imperatriz (JEIs); pentacampeão nos Jogos Escolares Maranhenses (JEMs) e duas vezes campeão brasileiro, ele é o recordista de participação nos JEMs, competição da qual participou oito vezes, a primeira com apenas nove anos de idade.
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PERFIL ESPORTISTA
Eduardo Franklin de Sousa Castro é natural de Imperatriz (MA), nascido em 11 de agosto de 1989. Enxadrista, começou a jogar xadrez aos cinco anos e aos oito anos já disputava torneios da categoria absoluta, destacando-se entre os melhores jogadores da Região Norte do Brasil. Teve carreira meteórica e, na primeira década deste século, era considerado um dos melhores brasileiros de sua categoria, num rol em que participavam também os hoje grandes mestres internacionais Alexander Fier e André Diamant. É o recordista de participações nos Jogos Escolares Maranhenses (JEMs), tendo participado por oito anos consecutivos, a primeira com apenas nove anos de idade. Foi heptacampeão imperatrizense e pentacampeão maranhense de xadrez escolar; campeão brasileiro escolar da categoria Sub-10 em competição promovida pela Confederação Brasileira de Xadrez no Estado de São Paulo, e campeão brasileiro de xadrez rápido, categoria Sub-14, em Minas Gerais. Foi campeão de diversos torneios e campeonatos nas modalidades de xadrez relâmpago, rápido e absoluto. Disputou várias etapas do campeonato brasileiro absoluto e de torneios internacionais. Em 2004, aos 14 anos, foi convocado para integrar a delegação brasileira que disputaria a Olimpíada Mundial de Xadrez, na Espanha, competição da qual não pode tomar parte. Aos 18 anos, tornou-se professor de xadrez em escolas públicas e particulares de Imperatriz. Atualmente é webdesigner e consultor de mídias virtuais.

FCI: 20 ANOS HOJE

FCI _presidente
Hoje, 30 de abril de 2016, completa 30 anos da instalação da Fundação Cultural de Imperatriz (FCI), com a entrega do prédio localizado na esquina da rua Luís Domingues com Simplício Moreira, reformado e ampliado no período da interventoria municipal, em 1986, especialmente para funcionar a FCI e o Conselho Municipal de Educação.
Na foto, o descerramento da placa inaugural, com Luís Brasília, Ribamar Silva, Adalberto Franklin e Agostinho Noleto. Na mesma solenidade, Adalberto Franklin assuniu a presidência da FCI, o primeiro da instituição.
A FCI financiava projetos culturais com recursos oriundos da arrecação do ISS. Durante mais de dez anos a FCI financiou projetos culturais apresentados pela comunidade nas áreas da literatura, música, teatro, dança, vídeo e artes plásticas. Esses recursos e patrocínios fazem falta hoje.

A um velho índio que deixou a taba

Neste dia 20 faz um mês que o velho Timbira se foi. Mas creio que avançou o sinal e morreu antes do tempo, embora um dia depois. Para um velho índio, deveria ter-se ido no 19, dia da raça, e não 20, mas não neste ano, só bem depois, porque estava em busca do elixir da juventude e creio que bem perto de encontrá-lo. Há mais de dois anos encontrava-se esporadicamente com um outro pajé, um sábio Guajajara que conhecia como ninguém as propriedades medicinais da diamba e, juntos, faziam infusões milagrosas com as quais curavam até médicos ilustrados que não conseguiam curar a si mesmos.
Eu, índio mais novo, descendente em sexta geração da velha etnia Acaroá — extinta há mais de duzentos anos pelo mal afamado João do Rego Castelo Branco, o cabo-de-guerra do extermínio dos Timbira do médio Parnaíba, em que se incluía ainda os Gueguê e os Caicaí –, conheci-o há mais de duas décadas, num momento em que praguejava contra a falsa santidade do padre Antônio Vieira em suas andanças pelo Maranhão e o Grão-Pará. Se os jesuítas eram defensores de índios, também eram seus algozes, porque presidiam tribunais que autorizavam a “guera justa” de extermínio dos índios.
Pois bem, admirei-o por seus conhecimentos e histórias. Um caboclo sabido, mas sabido mesmo, que conhecia as coisas do sertão e as das cidades. Tanto quanto! Ou até mais! Até mais que,aqueles tupinambás que os fundadores do Maranhão levaram à França para se avistarem com o rei e se vestirem de cristãos. Sim. Porque o velho Timbira do Maranhão, ainda jovem, também foi à França, e lá não ficou apenas dançando e desfilando rituais no palácio do rei para franceses verem. Ele se internou foi na escola da Sorbonne – que existe há mais de 500 anos e onde os tupinambás nem entraram – e de lá só saiu doutor. Deixou a França e foi a Portugal revirar documentos da Amazônia e do Maranhão que os gajos haviam guardado há séculos numa antiga torre.
Vi que poderia aprender muito com aquele abusado caboclo Timbira e me meti a com ele ler velhos documentos, ouvir histórias e a publicar nossas descobertas. Et donc ils ont passé les années…
Renor Bilhete
Em janeiro último, eu o recebi em casa, cedo da manhã, como quase sempre, com cara de ressaca do dia anterior, quando estivera no Bar do Gil, ao lado da Uema. Trazia-me alguns livros de presente, como costumava fazer. Contou as novidades do Piauí, falou das pesquisas em andamento, disse da saúde e labutas diárias do Celso Barros, que, mesmo carregando o peso dos seus mais de 90 anos, não queria saber de aposentadoria e dava expediente diário no escritório de advocacia… Aliás, Celso Barros era para ele uma inspiração, porque, cassado duas vezes por tribunais de ditaduras, sepultara todos os seus julgadores e estava ali, de pé, diante do curso da história.
Nesse dia eu era recém-chegado em casa, depois de mais de dois meses de ausência, em tratamento cardíaco em São Luís, onde fui submetido a um extenso corte cirúrgico para implantação de três pontes de safena. Era eu um ser convalescente desde o início do ano anterior, quando, por complicações de diabetes, passei a ser hóspede de clínicas e hospitais mais do que de minha própria casa.
Ele demonstrava muita preocupação com minha saúde, falando em seu nome e no de nosso amigo comum Celso Barros. Receitava cuidados e remédios para minha cura. Nós não poderíamos morrer ainda, pois prometêramos viver ainda muito tempo para mijarmos nas sepulturas daqueles que pretendiam pegar nas alças dos nossos caixões e ficarem com nossas cadeiras nas academias de letras às quais pertencíamos. Ele também vinha adoentado há cerca de um ano, sob tratamento com um parente médico em Teresina e, por precaução, também com o velho pajé Guajajara.
Acredito, porém, que ele me imaginava mais propenso a cair nos braços de Maíra, porque deixou, dentro de um dos livros que me deu nesse dia, um bilhete que escrevera no final da tarde do dia 13 de janeiro, em cima de uma mesa do Bar do Gil. Esse bilhete, que esqueci de ler, esqueci-o e somente agora o li. Diz:
“Confrade e velho amigo. 13-01-16. 17.35h. Se você acredita no receituário dos velhos pajés, eu e eles vamos te curar do diabetes em 12 meses. É assim: INFUSÃO DE VEREDA (um mês no litro). Beber como água quando sentir sede. Sem contraindicação. Renôr. Bar do Gil* / *Perdemos a velha Dolores sexta-feira.
Renôr faleceu em São Luís no dia 20 de março de 2016. Determinou que o cremassem e jogassem suas cinzas no encontro dos rios Solimões e Tapajós, região que lembra a resistência do grande guerreiro Ajuricaba, nome de um de seus filhos. Frustrou alguns porque não deixou sepultura nem que pegassem na alça do seu caixão.
PS: Ele não percebeu que eu estava sob orientação de uma cardiologista, um angiologista, e os cuidados, ervas e rezas da índia Iracema, que nada tem a ver com aquela do romance de Alencar, mas é uma legítima Timbira Acaroá de 82 anos, que me acolheu de volta à taba. Fiquei para cumprir nossa promessa. (Adalberto Franklin)

Ética lança série de antologias imperatrizenses

Letras da Cidade - anuncio
A Ética Editora está lançando a série de antologias “Letras da Cidade”, composta de três livros: “Crônicas da Cidade”, “Contos da Cidade” e “Cantos da Cidade” (poesias).
Cada obra reunirá entre 12 e 20 autores, com 12 páginas para cada autor, sendo a primeira destas um frontispício com foto e dados biográficos do autor.
A trilogia será publicada anualmente e lançada em julho, na semana antecedente ao aniversário de Imperatriz.
Cada autor pagará R$ 600,00 pela participação, pagáveis em até três parcelas, correspondentes a 20 exemplares da obra, que receberá no dia do lançamento. Poderá, ainda, o autor, adquirir maior número de exemplares, a preço de custo gráfico.
A Ética Editora receberá propostas de participação até o dia 16 de maio, pessoalmente ou pelo e-mail eticaeditora@gmailcom.
Os autores devem ser residentes, já tiverem residido ou sejam naturais de Imperatriz.

O GOLPE DE 1964: como e porquê

Disponibilizo para download – PDF – o texto didático e esclarecedor sobre os motivos e o modo como se deu o golpe de 1964, em que são incluídas informações de documentos recentemente liberados pelo governo norte-americano. Trata-se do capítulo 15 do meu livro Manoel Conceição, sobrevivente do Brasil, a ser lançado brevemente.
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brother sam

A Justiça, ah, a Justiça!… | Jomar Moraes

[…]

Longe de mim fazer a apologia da violência, admitindo ser ela o caminho indicado para a solução de problemas, inclusive os advindos da incorreta administração da justiça por parte daqueles que detêm o múnus público de, por exclusiva delegação do Estado, dizer a cada um o que por direito lhe pertence, fazendo, assim, justiça. Como errar é defeito inerente à nossa precária condição humana, tem-se nos recursos em Direito admitidos, o remédio para postular a correção de erros, toda vez que uma decisão errônea do aplicador do Direito admita e reclame correção.

Acontece, porém, que decisões injustas, em decorrência da ignorância de quem as proferiu, são absolutamente diversas daquelas decisões que, sabidamente decorrem da falta de pudor, da falta (para dizer com clareza) de vergonha mesmo daqueles que as proferem.

De certos indivíduos que conspurcam e envergonham as pessoas de bem da magistratura, fala-se abertamente acerca de como chafurdam nos lamaçais de venalidade. E o pior é que esse não é tão-somente um mal da terra, de nossa terra, mas do Brasil. E exemplos do que afirmo são oferecidos constantemente, não só no rés-do-chão da magistratura, mas em instâncias cada vez mais altas nominalmente falando. Porque chega a ser uma ironia falar em altos escalões onde lavram os ladravazes com seus golpes baixíssimos e sórdidos.

Não será despiciendo lembrar que magistrado e magistratura são palavras que, na origem latina, têm berço comum com magistério, função daquele que ensina. São, portanto, vocábulos cognatos, indicando, por intermédio da etimologia, que o magistrado investido do mínimo de qualificação moral para sê-lo, deverá ser aquele que, ao julgar as causas de sua competência, ministra boas e edificantes lições pela correta distribuição da justiça.

De quantas vozes se fizeram ouvir, em nome próprio ou de entidades de classe, ou ainda de órgãos judicantes ou representativos deles, raríssimas manifestações preconizaram a imediata e severa apuração de responsabilidades, mesmo que para simplesmente repetir o chavão de todos conhecido: apurar rigorosamente as responsabilidades, comando que em nada resulta, sabe-se.

Será que alguém já se lembrou de pensar nas causas do inconformismo popular? Os fatos relacionados com explosões de violência popular não podem ser tolerados, sob pena de abrirmos caminho para a baderna generalizada.

Mas quem deu motivo para o desrespeito sofrido pela Justiça, deve ter a impunidade por prêmio? dizem por aí, e já foi dito claramente em recinto que mais adequado não poderia ser, que a mercancia de liminares atingiu tal grau de cinismo, que elas já estão sendo vendidas às duas partes em conflito, com o que muito se apazigúa e se refestela o lavradaz que as vende.

A propósito, cabe lembrar esta curiosidade etimológica que muita gente conhece e bem mais gente com certeza desconhece. Refiro-me à palavra larápio, que todos sabem ser sinônima de ladrão.

Com pedido de excusas às pessoas de bem que honram a magistratura, porque a exercem com dignidade, lembro que na Roma antiga a dignidade de pretor tinha a ver com o magistrado que distribuía justiça. Um tristemente célebre pretor romano que dizem redivivo e bastante multiplicado pelo fenômeno de sucessivas reencarnações, chamava-se Lucius Antonius Rufus Appius. Em razão da concorrida freguesia que movimentava seu balcão de negócios, onde choviam liminares na razão direta do volume de suas vendas, o “meritíssimo” pretor suava sua digna toga no mister de distribuir justiça e faturar por seu trabalho. Azucrinado pela insistência dos “fregueses”, não tinha tempo para subscrever seu digno, honrado e longo nome nas tantas liminares que vendia. Por isso, assinava apenas L.A.R. Appius. Dessa abreveviatura proveio o neologismo latino larapius, que transposto ao português, deu larápio, o profissional da gatunagem.

O destino de frei Manoel Procópio

Talvez a maior dúvida da história de Imperatriz esteja agora desvendada: o destino de seu fundador, frei Manoel Procópio do Cotação de Maria.
Esse carmelita baiano contratado em 1849 pelo governo do Pará como capelão da “Missão do Alto Tocantins”, fundou, em 16 de julho de 1852, a povoação de Santa Teresa, que mais tarde passou a denominar-se Imperatriz, tem desconhecidos até agora seus principais dados biográficos: datas de nascimento e morte; local de falecimento; quanto tempo permaneceu em Imperatriz e que atividades desenvolveu na cidade; e que destino tomou depois de deixar a localidade que fundou.
Vários registros do século XIX que agora encontrei no Almanak do Maranhão e no jornal O Paiz, de São Luís, possibilitam chegar-se a essas respostas.

O PAIZ - Maranhão - quarta-feira, 27 out. 1886

O PAIZ – Maranhão – quarta-feira, 27 out. 1886


A edição 242 de O Paiz, datada de 27 de outubro de 1886, registra, em sua seção “Noticiário”, à página 2, uma nota lacônica de apenas quatro linhas, sem título: “Faleceu na província da Bahia, o religioso carmelita frei Manoel Procópio do Coração de Maria, na idade de 76 annos”.
Assim, fica patente que frei Manoel Procópio nasceu em 1809 ou 1810 e faleceu na Bahia, sua terra natal, em 1886.
Outros documentos informam que o carmelita viveu em Imperatriz até 1879, quando foi nomeado como “vigário encomendado” de Carolina, onde assumiu o lugar do padre Antônio Maia, que falecera. Em 1882, voltou para a Bahia.
Enquanto esteve em Imperatriz, foi proprietário de terras, comerciante e exerceu o cargo de “delegado literário” da instrução pública, comissionado pelo Estado.
Essas e outras informações inéditas da história de Imperatriz estarão na edição compacta do meu livro Breve história de Imperatriz, que será publicada nos próximos meses pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). [Adalberto Franklin]

“Nossa Imperatriz”, um livro que homenageia a cidade

Com o sugestivo título de Nossa Imperatriz, o fotógrafo maranhense Brawny Meireles lançará, em julho deste ano, seu segundo livro-álbum em homenagem à cidade de Imperatriz. A obra deverá ter cerca de 60 páginas, com aproximadamente 90 imagens antigas e atuais. Estas, nascidas das lentes do autor; as demais, de acervos de famílias imperatrizwnses.

Fotografia de Brawny Meirele a ser publicada no livro

Fotografia de Brawny Meirele a ser publicada no livro


O livro é dividido em três capítulos: 1) Memória da cidade (texto do historiador Adalberto Franklin, acompanhado fotos antigas, entre elas, algumas dos pesos e medidas doadas pela imperatriz Teresa Cristina, esposa do imperador dom Pedro II, à então recém-fundada povoação de Santa Teresa, que passou a chamar-se Vila Nova da Imperatriz, em sua honenagem); 2) Cidade Contemporânea (ilustrado com fotos atuais, com textos do articulista, filólogo e poeta imperatrizense Tasso Assunção); e 3) Povo & Estilo de Vida (com fotografias do cotidiano da cidade e do seu povo e texto do intelectual e escritor Edmilson Sanches).
Em 2011, Brawny Meireles publicou o livro “Imperatriz do Brasil”, uma belíssima obra fotográfica e textual em que homenageou esta cidade, onde por muitos anos residiu. A nova publicação está sendo produzida em parceria com a Amaphoto (Associação Maranhense de Fotpgrafia).