Ignacy Sachs, o “pai” do novo desenvolvimento econômico

março 11th, 2010

Adalberto Franklin entrega livro a Ignacy Sachs (Jackson Silveira ao fundo)

Conheci ontem um dos maiores pensadores mundiais do desenvolvimento econômico: Ignacy Sachs, polonês com naturalização francesa, de 83 anos. Assisti à sua conferência no Simpósio Internacional “Gestão de políticas regionais em Perspectiva”, que acontece simultaneamente com a II Mostra Nacional de Desenvolvimento Regional, em Florianópolis (SC),  promovida pelo Ministério da Integração Nacional. Sachs dividiu a mesa com Ronald Hall, diretor geral da Unidade de Comunicação e Informação da Comissão Europeia (DGRegio/UE).

Ignacy Sachs é diretor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais da Universidade de Paris com estudos superiores no Brasil, na Índia e na Polônia. Desde 1968, é professor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais em Paris (E.H.E.S.S.), onde criou e dirigiu sucessivamente o Centre International de Recherches sur l’Environnement et le Développement (C.I.R.E.D.) e o Centre de Recherches sur le Brésil Contemporain (C.R.B.C.). Consultor em várias ocasiões da Organização das Nações Unidas, tendo participado dos preparativos da Conferência de Estocolmo sobre o Meio Ambiente (1972) e da Cúpula da Terra do Rio de Janeiro (1992) e fala português muito bem; Hall, porém, falou em inglês, e sua palestra teve tradução simultânea.

Alguns textos de Ignacy Sachs, conheço através de minhas pesquisas sobre desenvolvimento regional e de indicações de Ladislau Dowbor, prefaciador do meu livro “Apontamentos e fontes para a história Econômica de Imperatriz”.  Mas dele, basta dizer que foi quem idealizou, ainda nos anos 60, a concepção de desenvolvimento sustentável, sendo, por isso, chamado de “ecosocioeconomista”. Também foi ele organizador da primeira conferência mundial sobre desenvolvimento econômico, em 1972, na Alemanha, a pedido da ONU, e um dos organizadores da Eco-92, no Rio de Janeiro. Uma das gratas satisfações que tenho em relação a ele, é o fato de ele ter lido esse meu livro, a ele doado por Dowbor.

Aliás, Dowbor faz palestra hoje à tarde, nesse mesmo simpósio, oportunidade em que distribuirei aos presentes cem exemplares do livro “Crises e oportunidades em tempos de mudança”, de autoria de Ignacy Sachs, Carlos Lopes (sociólogo guineense, conselheiro da ONU, tal como Sachs e Dowbor) e Ladislau Dowbor, texto apresentado no Fórum Social Mundial temático sobre economia, apresentado em janeiro último em Salvador (BA).

Ontem, entreguei a Ignacy Sachs alguns exemplares da obra, que ele ainda não tinha visto.

Uma vitrine para Imperatriz em Florianópolis

março 6th, 2010

Imperatriz ganhou uma vitrine cultural na II Mostra Nacional de Desenvolvimento Regional, que acontecerá de 10 a 14 deste mês em Florianópolis (SC), promovida pelo Ministério da Integração Nacional. É um evento de caráter internacional que reunirá mais de quatro mil convidados e previsão de mais de 30 mil participantes. Paralelamente às conferências, minicursos, debates e negociação de produtos, há uma agenda de apresentações artístico-culturais sob indicação de cada mesorregião brasileira integrante do Programa Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR).

A Mesorregião do Bico do Papagaio (partes de Maranhão, Pará e Tocantins) iria ser representada apenas por uma dupla sertaneja, indicada pelos representantes do Tocantins. Mesmo esgotado o prazo de indicações e completadas as vagas disponíveis, a coordenação do evento atendeu pedido de representantes locais para a inclusão de um artista de Imperatriz, que melhor representaria a cultura maranhense. A indicada foi a atriz e poeta Lília Diniz, já devidamente confirmada. Um revés, porém, se apresenta: Lília precisa de um músico para acompanhá-la nessa apresentação, em que não receberá cachê – o violinista Júnior Schubert, também de Imperatriz. O problema é que a coordenação do evento não poderá disponibilizar passagens nem despesas de estadia para o músico, orçados em pouco mais de dois mil reais.

Diante disso, Lília está fazendo um apelo, contactando com órgãos públicos, empresas e pessoas, na tentativa de dar mais brilho à sua apresentação em que representará nossa cidade num evento de grandioso porte, que fará de forma gratuita.

É uma vitrine tão importante que o governo de Santa Catarina vai abrir esse circuito cultural sendo representado pela Escola de Teatro do Balé Bolshoi.

Imperatriz e esta região pode ser muito bem representada por Lília Diniz, artista aplaudida em palcos de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e outros cantos. Mas a cidade precisa garantir pelo menos a presença do músico que a acompanha.

Procura-se colaboradores com urgência.

Palavras em versos

fevereiro 26th, 2010

Neste sábado, 27, a cidade maranhense de São Pedro da Água Branca, que faz limites com o Pará, fará uma inédita solenidade literária para o lançamento do livro Palavras em versos, do jovem pedagogo e poeta Francisco Balbino Sousa. Formado em Pedagogia pela UFMA, em Imperatriz, Balbino tem outro livro publicado – A educação ambiental na formação do cidadão participativo, lançado em 2007 na série “Dissertações Acadêmicas”, da Ética Editora.

Palavras em versos, mesmo sendo a obra de estreia em gênero literário do autor, apresenta com substância poética, criatividade imagética e originalidade. Não fica desapercebida, também, a tensão filosófica característica dos que pensam a vida, o tempo, as verdades, a contemplação do belo e as paixões humanas.
De inédito, há o fato histórico de que Francisco Balbino Sousa é o primeiro autor de sua cidade a publicar e lançar um livro em sua terra. Entretanto, por mérito, há que se reconhecer que com este livro ele inscreve seu nome também na literatura regional, alinhando-se com merecimento aos bons literatos que têm surgido nos últimos anos no sudoeste maranhense.

II Salimp daqui a três meses

fevereiro 20th, 2010

Com data prevista para o final de agosto, o II Salão do Livro de Imperatriz (Salimp) teve que ser antecipado em três meses e agora está confirmado para o período de 29 de maio a 6 de junho. A proximidade e mesmo a coincidência de datas com grandes eventos literários nacionais, como a Bienal de São Paulo, a Feira Panamericana do Livro (em Belém) e a impossibilidade do setor público (como o Governo do Estado, até agora maior patrocinador do Salimp) liberar recursos em período de campanha eleitoral, precipitaram essa antecipação.

Assim, a Academia Imperatrizense de Letras, realizadora do Salimp, já deu início às atividades de planejamento deste evento, que pretende se firmar como o maior acontecimento literário do Maranhão.

“O outro lado da ponte”

fevereiro 20th, 2010

O outro lado da ponte é o décimo livro do músico e escritor Zeca Tocantins, mas seu primeiro de crônicas. Será lançado às 17h da próxima quinta-feira, dia 25, no auditório da Academia Imperatrizense de Letras, na praça da Cultura, quando ocorre também a reunião semanal da AIL.

Como bom contador de causos, em doze crônicas Zeca promove um dedo de prosa para contar histórias em que foi protagonista ou testemunha. São situações do cotidiano que bem representam a cultura regional e ainda revelam algumas circunstâncias de nossa história. Tem selo da Ética Editora.

Não pode deixar de ser lido.

Região Tocantina participa de Mostra Nacional de Desenvolvimento Regional

fevereiro 20th, 2010

O Ministério da Integração Nacional realizará em Florianópolis, de 10 a 14 de março, a II Mostra Nacional de Desenvolvimento Regional, que contemplará a participação de 50 representantes da Mesorregião do Bico do Papagaio (Maranhão, Tocantins e Pará), 15 destes da região sudoeste do Maranhão. Esse é o maior evento nacional dessa área, com previsão de mais de quatro mil pessoas inscritas.

Será uma oportunidade de mostrar projetos e práticas de desenvolvimento sustentável que acontecem na região e discutir as políticas e programas governais para esse setor. Várias entidades da região terão a oportunidade de expor produtos de seu trabalho, entre elas, associação de apicultores, artesãos, quebradeiras de coco babaçu. Diversos minicursos serão também oferecidos aos participantes.

Paralelamente, ocorrerão apresentações culturais de todas as regiões brasileiras. A região norte do Tocantins será representada por uma dupla de cantores; o sudoeste do Maranhão, pela atriz e poeta Lília Diniz, de Imperatriz. Eu também estarei lá, como jornalista convidado.

CE inova política do livro e leitura; o MA é o caos

fevereiro 13th, 2010

O governo do Ceará acaba de anunciar duas medidas exemplares para a constituição de políticas públicas do livro e leitura nos estados. Uma delas prevê a compra de R$ 3,5 milhões em livros de autores cearenses ou radicados por lá. Com isso, complementa com uma cor local a lista de livros comprados e enviados pelo Ministério da Cultura às bibliotecas dos 184 municípios. A iniciativa deve servir de referência para os outros estados brasileiros.

Outra medida anunciada pelo governo do Ceará, que vale a pena prestar atenção, é o prêmio a escritores locais. Serão distribuídos R$ 2 milhões, e as obras contempladas terão que ser produzidas, do início ao fim, no próprio estado. Delas, 40% serão cedidos para que a Secretaria de Estado da Cultura distribua a bibliotecas da capital e interior. É uma medida inteligente que deve ajudar a desenvolver tanto a produção literária regional quanto seu mercado editorial.

[Da Revista do Observatório do Livro e da Leitura]

Não posso deixar de comentar essas medidas:

No Maranhão, é rara a compra de livros de autores do Estado. Nos últimos três anos, as compras de livros para as bibliotecas públicas estaduais e faróis da educação superaram os dez milhões de reais, mas os maranhenses que entraram na lista foram raríssimos, e alguns tiveram que dar comissão a pessoas ligadas à Comissão de Licitatações. O MP teve que intervir em alguns casos, suspender licitações e intimar funci0nários públicos e atravessadores envolvidos. Mesmo assim, as compras foram direcionadas para grandes editores do sudeste.

Em Imperatriz, o Município não tem (nunca teve) qualquer política de atualização do acervo. A chamada biblioteca pública municipal, que não merece esse nome, pois não passa de um depósito de livros (do que não têm culpa os dedicados servidores que lá trabalham), sequer possui exemplares dos escritores locais. Se alguém quiser pesquisar a produção literária de Imperatriz, terá que recorrer a bibliotecas particulares. Nem mesmo livros sobre a história da cidade são encontrados por lá (às vezes, há um exemplar de um ou outro autor local).

Mesmo as bibliotecas universitárias pouco investem na compra de autores da região. E nas escolas de Ensino Médio não há muita diferença.

É um descalabro e um desrespeito para uma cidade que em menos de 40 anos publicou mais de 1.000 títulos.

“Quebradeiras”, filme de etnografia regional premiado

fevereiro 8th, 2010

Somente agora consegui assistir ao filme “Quebradeiras”, ganhador de três troféus “Candango de Ouro” no 42.o Festival de Brasília de Cinema Brasileiro, em Brasília, em novembro passado (favor não confundir com “Raimunda, a quebradeira”, de 2006, outro premiado documentário, protagonizado por Dona Raimunda dos Cocos”).
“Quebradeiras” é um longa-metragem com duração de 1h11min que retrata numa linguagem inovadora — sem roteiro falado; em sim com linguagens cênica e sonora descritivas — do cotiano das mulheres quebradeiras de coco babaçu neste chamado Bico do Papagaio, tríplice fronteira de Maranhão, Tocantins e Pará.
Dirigido por Evaldo Mocarzel, carioca radicado em São Paulo, foi filmado na zona rural de Imperatriz e cidades vizinhas onde se concentram as quebradeiras de coco.
Trata-se de um documentário etnográfico que dá ênfase ao cotidiano dessa minoria resultante da migração nordestina que se acentuou na região a partir do começo dos anos 50, abrindo matas e fundando povoações. Ou seja, é um registro da cultura material e imaterial desse povo.
O DVD me foi doado pela líder do MIQCB (Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu), Maria Querobina, convidada de honra para assistir à exibição do filme no festival, no dia 20 de novembro.
Concorrendo com outros 28 filmes de longa-metragem no festival de Brasília, “Quebradeiras” foi o segundo mais premiado. Além de melhor diretor (Evaldo Mocarzel), ganhou ainda os troféus de melhor fotografia (Gustavo Hadba) e melhor som (música de Thiago Cury e Marcus Siqueira).
O documentário teve o patrocínio do “Etnodoc”, primeiro edital de Apoio à Produção do Documentário Etnográfico do Ministério da Cultura, em 2008.

Alguns trechos do filme podem ser visto no Youtube:

Carlota Carvalho: de Imperatriz para o Brasil

janeiro 20th, 2010

No início desta noite, telefona-me de Teresina o professor João Renôr, recém-aposentado como docente do curso de Mestrado em História da UFPI, devendo vir até o final do ano residir em sua chácara no povoado Cumaru, a quarenta quilômetros de Imperatriz. É para dar “uma boa notícia”: o Conselho Editorial da UFPI acabava de eleger o livro que lhe cabe indicar anualmente para publicação na “Coleção Nordestina”, da ABEU (Associação das Editoras Universitárias Brasileiras). Trata-se de “O sertão: subsídios para a história e a geografia do Brasil”, de Carlota Carvalho, que teve sua primeira edição publicada no Rio de Janeiro, em 1924, quando a autora residia no território de Imperatriz.

Até 2000, quando eu e Renôr organizamos e publicamos a segunda edição desse livro, 76 anos após sua primeira edição, era ele uma obra considerada raríssima, mesmo porque em 1924 haviam sido impressos somente 500 exemplares. No Maranhão, conheciam-se apenas dois exemplares dele, em mãos de particulares. A partir dessa edição de 2000, o livro de Carlota começou a popularizar-se, inclusive no meio acadêmico, regional e brasileiro, já existindo diversos artigos científicos e dissertações de pós-gradução tratando dele.

Esgotada a segunda edição, resolvi, em 2006, organizar uma edição comentada, acrescida de um perfil biográfico da autora, um “índice onomástico explicativo-remissivo” e ainda 101 notas explicativas ao texto, num total de mais de 60 páginas, todas elaboradas por mim, mantendo ainda a Apresentação de João Renôr, feita para a segunda edição, com 52 páginas. O conjunto desses acréscimos deu a esse importante livro regional maior consistência, fazendo-o ainda mais estimado no meio acadêmico.  É exatamente esta terceira edição, da mesma forma em que foi publicada pela Ética, a versão escolhida para publicação pela ABEU.  Será mantida até mesmo a editoração, com 442 páginas, que coincide com o formato da “Coleção Nordestina”.

Com mais de 60 títulos publicados, a “Coleção Nordestina” reúne obras indicadas pelas instuições de ensino superior que integram a ABEU, que as difunde em livrarias universitárias e eventos literários em todo o país, como as bienais e feiras de livros. Dentre os autores publicados estão Joaquim Nabuco, Gilberto Freire, Pedro Américo, Adolfo Caminha, Manoel Correia de Andrade, Câmara Cascudo, Gilberto Amado, Patativa do Assaré, Francisco Julião, Miguel Arraes e muitos outros. João Renôr teve um trabalho seu editado em 2007, “Resistência indígena no Piauí colonial”, que também havia sido publicado antes pela Ética.

De acordo com informativo da Universidade Federal de Pernambuco, a “Coleção Nordestina” “foi lançada com o objetivo de publicar ou republicar obras representativas da produção intelectual do Norte e Nordeste do Brasil, nas áreas de Literatura, Ciências Sociais, Antropologia, Folclores e outras, de modo a constituir-se, no futuro, em repositório bibliográfico da Arte, da Cultura e da Ciência regionais, apto a preservar esse patrimônio e difundi-lo permanentemente em escala nacional.”

Meu encontro com Elomar

janeiro 15th, 2010

Como nesta noite resolvi não fazer nada, pus-me a escrever — para mim, escrever crônica é passatempo; serve como relaxamento, desopilação. Então, terminado o “post” anterior, resolvi continuar a história do Roberto, meu amigo baiano que não vejo há quase três décadas. Até porque estou com preguiça de continuar a revisar as 180 páginas que ainda restam de um livro de contos que estou editando.

A questão agora é meu encontro com Elomar.

Não, não foi um encontro pessoal com o menestrel, mas com a música dele.

Creio que estávamos em 1981. O Roberto me convocou: “Vamos lá em casa (ele morava sozinho num apartamento, na Getúlio Vargas, próximo à rua Ceará). Quero te mostrar uma coisa.” E nem disse o que era. Fomos.

Ao entrarmos, disse: “Vou te mostrar um disco muito bom, de um cara lá de minha cidade.” E puxou o álbum duplo, LP, vinil, “Na quadrada das águas perdidas”, que colocou pra tocar. Ouvi então uma música totalmente diferente de tudo o que já tinha ouvido. Havia lamento sertanejo misturado com música medieval, acordes clássicos, palavras caboclas… Demorei a digerir o gênero. Mas percebi que era uma preciosidade artística.

Como disse Vinícius de Moraes, as composições de Elomar são “uma sábia mistura do romanceiro medieval, tal como era praticado pelos cavalheiros e menestréis errantes [...]; e do cancioneiro do Nordeste, com suas toadas em terças plangentes e suas canções de cordel, que trazem logo à mente os brancos e planos caminhos desolados do sertão [...]”.

Pois foi assim também que passei a ver a música de Elomar. Campo branco, que está nesse álbum, sempre digo, não precisa de letra; basta a música. Até melhor sem letra, porque, por si mesmo, essa música é bem superior a qualquer palavra que possa ser dita. Cabe bem aqui o que diz o apóstolo Paulo: “a letra mata”. Sim, a palavra limita. O espírito, a sonoridade, é lhe dá vida.

A propósito disso, um dia de julho de 2007, em Carolina, jantando frente a frente com o pianista Arthur Moreira Lima, que participou da gravação dessa música (só instrumental; sem a letra) para o disco “Consertão”, de Elomar, juntamente com dois outros grandes músicos, Paulo Moura e Heraldo Dumonte, mantivemos uma longa conversa, sobre vários assuntos, principalmente história, e, num momento, perguntei a ele sobre essa música. Ele, que conhece o mundo físico do globo terrestre e também o mundo imaterial da música, afirmou que compositor como Elomar, que junta com maestria cantigas medievais com a musicalidade nordestina, não existe outro. Anos depois, vi que esse disco “Consertão” era paixão de dois outros amigos: padre Cícero Marcelino e Edmilson Sanches.

Um outro fato: um dia, dei de presente à cantora evangélica Íris — minha vizinha no começo dos anos 70, a quem vi tocando violão ainda menina, com menos de dez anos – o LP “Elomar em concerto”, que contém diversos fragmentos de inspiração religiosa de sua Antifonaria Sertani. Uns quinze anos depois, Íris me afirmou que aquele disco foi decisivo em sua escolha para estudar violão clássico.

Outra música de Elomar eu coloco entre as minhas “top ten”: Cantiga de amigo. É um clássico que nos remete aos tempos de Gil Vicente. Nas vozes de Elomar e Xangai, juntos, é insuperável. Ou era, até eu assistir ao vídeo de um concerto realizado recentemente na Casa dos Carneiros, fazenda Gameleira, em que mora Elomar, no sertão baiano, quando essa música foi executada com grande orquestra, solistas líricos e vocais de Elomar, Xangai, Saulo Laranjeira e Décio Marques. Está no Youtube

Como Elomar é avesso a fazer shows, gosta mais de compor que de cantar em público, praticamente não aparece na grande mídia (à qual é ele também arredio), nunca tive esperança de vê-lo cantar um dia em Imperatriz. Mas há tempos vinha tentando conseguir partituras de sua obra, na expectativa de que alguém destas barrancas se atravesse a executá-las num hipotético concerto. Eis que agora (na verdade, no finalzinho de 2008) Elomar autoriza uma editora a publicar a obra “Elomar: cancioneiro”, um álbum com 14 cadernos, contendo 49 partituras de suas composições adaptadas para voz e violão.

Assim, ainda há chance!

No ano que vem fará 30 anos que conheci Elomar.