Bettendorff, Gaioso, Aluísio e outras publicações

Dias atrás, eu e o amigo João Renôr (historiador doutor, professor da UFPI) fazíamos, em seu apartamento em Teresina, onde ele me fez hóspede, mais uma conversa sobre livros e publicações. Eu vinha há dias tentando elencar alguns livros “raros” ou “clássicos” da historiografia regional que pudessem ser publicados para lançamento na II Feira de Livros de São Luís (9 a 19 de outubro). Depois de muitas discordâncias e algumas concordâncias (entre nós, sempre teimamos muito), ele fez uma indicação que considerei verdadeiramente genial: o Pe. Bettendorff. A Chrônica da Missão dos Padres da Companhia de Jesus no Estado do Maranhão, escrita por volta de 1617 pelo padre João Felipe Bettendorff, relatando o início da ocupação lusitana na região norte do Brasil. Uma obra que anda um tanto rara, apesar da edição que teve em 1990, pela coleção “Lendo o Pará”. A publicação anterior a essa é de 1910, feita na revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB).

É um dos primeiros registros sucintos sobre a ocupação portuguesa no Maranhão e na Amazônia. Por isso, uma obra de larga importância para todos os estados amazônicos.

Lembrei-me de que o também amigo e professor Alan Kardec, doutorando em história pela Universidade Federal Fluminense, me tomou o exemplar dessa obra que tenho em minha biblioteca para fazer uma cópia, porque não a havia encontrado nem em sebos. O jeito foi dar razão ao Renôr. O Bettendorff é mesmo uma grande opção de republicação historiográfica. Disse-lhe então: “Vou então lançar o Bettendorff na feira”. Considerando suas quase 700 páginas, ele duvidou: “Não dá tempo!”. Eu retruquei: “Dá, sim!”.

Hoje de manhã, meu sobrinho Lucas, de 15 anos, mas exímio no uso de vários recursos da informática, me informa que o livro já está com mais da metade do texto digitalizado e que neste final de semana concluirá o trabalho. Depois, seguirá para a revisão (será mantida a grafia da edição de 1910) e, em seguida, para a editoração.

Animado com o andamento e a ajuda (remunerada) de umas oito pessoas, olhei para minha estante de história do Maranhão e puxei outro livro para reedição. Mais uma raridade: Compêndio histórico-político dos princípios da lavoura no Maranhão, de Raimundo José de Sousa Gaioso. Também para a feira. E ainda não satisfeito, fiz minha própria “sacada”: publicar todos os nove romances de Aluísio de Azevedo, em três ou quatro volumes, tornando-se, creio, uma coleção inédita em nível nacional. Aluísio, que neste ano faz centenário de morte, é o patrono da feira, mas pouco há de novas publicações de seus trabalhos. Suas três mais conhecidas novelas devem encabeçar cada um dos livros: Casa de Pensão, O Mulato e O Cortiço, secundados por Girândola de Amores, Filomena Borges, A Mortalha de Alzira, Livro de uma Sogra, O Coruja e O Homem. A esses, se somarão mais de dez outros livros que já estavam sendo preparados pela Ética Editora para o lançamento nesse evento, que estará na feira com mais de 50 títulos.

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