A Feira, os livros e a Editora
domingo, 19 de outubro de 2008Hoje, um tanto exausto, depois de dez dias de participação na 2ª Feira do Livro de São Luís, retomo a escrita deste blog, mais de um mês depois da última publicação. Nesses dias todos de mais de um mês que antecederam esta Feira, vi-me ocupado, minuto a minuto, em tarefas de editoração, correção, revisão e acompanhamento da impressão de mais de duas dezenas de livros que a Ética Editora está publicando para esta e para a VI Semana Imperatrizense do Livro, que começa nesta segunda-feira, dia 20 de outubro, e se estenderá até o sábado, dia 25.
Nesse período, que coincidiu com as eleições municipais — e ainda se estende, porque aqui em São Luís ainda se faz acirrada a campanha do segundo turno –, foi um acordar cedo e trabalhar até a madrugada para dar conta dessas novas publicações. Não há porque queixar-me dessa estafante tarefa, porque toda a fadiga se esvai quando vejo nascer um novo livro, seja inédito ou reedição. Ainda mais quando se trata de obras de grande relevo, como a “História do Maranhão”, de Mário Meireles, uma das obras maranhenses mais vendidas, o “Compêndio histórico-político dos princípios da lavoura do Maranhão”, de Raimundo José de Sousa Gaioso, escrita ainda no início do séc. XIX, ou a “Descrição dos rios Parnaíba e Gurupi”, de Gustavo Dodt, que em 1873 andou e descreveu as matas de Imperatriz / Açailândia. Isso em se falando de clássicos regionais, de autores falecidos, porque dos outros, ainda bem vivos, também fizemos vários.
Das anunciadas “500 editoras” presentes nesta Feira do Livro de São Luís, sem dúvida a Ética foi a que mais apresentou lançamentos — mais de 30, quase todos de autores ou temáticas maranhenses. Não por poderio econômico de fazê-lo — já que é certamente uma das de menor capital dentre todas –, e sim por comprometimento, ânsia e tecnologia diferenciada, de menor custo. Nem sei se por capacidade empreendedora, como afirmou Jomar Moraes em sua crônica semanal da quarta-feira, 15 de outubro, no jornal “O Estado do Maranhão”, que titulou “Milagre maranhense: a Ética Editora”.
Dezenas de homens e mulheres das letras maranhenses reverenciaram a Ética Editora e sua ousadia em fazer publicações autônomas (entenda-se aqui, sem o financiamento público) para o mercado regional, coisa a que até agora ninguém havia se atrevido. Tanto que Jomar termina sua crônica afirmando que “temos agora uma editora de verdade no Maranhão, e essa é uma notícia muito auspiciosa.”
Sim, temos, sem dúvida, mas suas pernas são ainda muito frágeis, como as de um ser que ainda engatinha. O mercado, esse indecifrável ente do mundo capitalista, é quem determinará o sustentáculo desse empreendimento. Num país que pouco se lê, e num Estado de elevado índice de analfabetismo, não sei se se indicaria este ramo como “auspicioso”. De qualquer forma, a teimosia muitas vezes derrotou prognósticos pessimistas.