Milagre maranhense: a Ética Editora
sábado, 24 de janeiro de 2009A pedido de diversos leitores deste blog, transcreve abaixo um artigo do escritor Jomar Moraes (ex-presidente da Academia Maranhense de Letras) sobre a Ética Editora, publicado no jornal “O Estado do Maranhão” em outubro de 2008, durante a II Feira do Livro de São Luís.
JOMAR MORAES
Venho, faz já uns bons pares de quartas-feiras, pretendendo alinhar algumas considerações atinentes ao tema de que hoje, finalmente, me ocupo. Já não é sem tempo que me trato desse assunto, pois em pleno período de realização da 2ª Feira do Livro de São Luís, não poderíamos contar com mais oportuno momento.
Conforme claramente proclama o título que encima estas mal traçadas, em tempo de livros às mancheias, estou aqui para falar de editora, justamente a organização responsável por transformar o livro in natura, isto é, responsável pela transformação do livro em estado de originais no objeto-livro, cujo suporte ainda é o tradicional, que se impôs como a invenção das invenções, desde quando o malsinado Gutenberg descobriu os tipos móveis e deu início a uma das mais profundas e benéficas revoluções culturais da Humanidade, nos tempos modernos.
O milagre maranhense a que dedico este dedo de prosa, ocorreu no epicentro maranhense da próspera região tocantina, cujo vigor econômico oferece oportunidades múltiplas aos espíritos empreendedores, nesta época em que tanto se fala de empreendedorismo.
Localiza-se em Imperatriz a Ética Editora, ousado empreendimento industrial e cultural que tem à frente o intelectual, verdadeiro homem de letras e de livros Adalberto Franklin, cuja bibliofilia deu como resultado concreto a grande biblioteca particular por ele formada paciente e competentemente ao longo dos anos.
Até recentemente, não tínhamos em todo o Maranhão uma única editora constituída e organizada em bases verdadeiramente empresariais. Cabe a configuração restritiva, porque é de levar-se em conta a existência, há algum tempo, de editoras ligadas a instituições oficiais. Esse tipo de iniciativa muito louvável tem a seu desfavor o sobe-e-desce da administração pública, sempre sujeita a mudanças de seus titulares, grande parte dos quais inventa de reinventar a roda e, com isso, põe abaixo quase tudo quanto foi feito.
Editoras têm-nas a Universidade Federal do Maranhão, Edufma, assim como a Universidade Estadual do Maranhão, Eduema, esta, por sinal, em fase muito promissora na gestão do atual Reitor da Uema, professor José Augusto Oliveira.
Também me permite evocar mui especialmente as Edições Sioge, esforço governamental que valeu por uma verdadeira ressurreição cultural do Maranhão. Aconteceu, porém, que até o Sioge foi criminosamente extinto, e o estado do Maranhão mandou às favas toda sua secular tradição cultural, demitindo-se de uma função que lhe é própria, além de particularmente apropriada em se tratando do Maranhão.
Mas como não estou aqui para chorar sobre o leite derramado, e sim para me rejubilar por motivo de termos hoje a Ética Editora, empreendimento tipicamente empresarial, falarei mais sobre essa que é, no seu gênero a editora do Maranhão, ao que eu saiba. Se outra existe, não chegou ainda ao meu conhecimento.
É certo que merece especial menção o trabalho editorial do Instituto Geia, entidade benemérita que tem uma larga folha de bons serviços prestados à cultura e à educação maranhenses. Deve-se o trabalho do Geia ao gosto de seu presidente, Jorge Murad, que anteriormente incentivou o programa governamental que resultou na edição de vinte e tantos títulos sob o selo Maranhão Sempre, em co-edição com a Siciliano, fato que possibilitou uma distribuição das obras em âmbito nacional.
A Ética Editora que organizou-se nos moldes de uma editora de verdade, assumindo a edição das obras e alargando seu raio de ação, vem de criar um sistema de venda e distribuição dos livros que edita em todo o território nacional, e além dele, pois está na Internet com o seu catálogo vasto, variado e em processo de constante crescimento.
Obras antes raras de nossa bibliografia estão sendo devolvidas aos leitores, a exemplo, entre muitos autores dos clássicas “A Carolina ou a definitiva fixação de limites entre o Maranhão e Goiás”, de Cândido Mendes de Almeida, “O Sertão”, de Carlota/Parsondas de Carvalho, livro cujo grande interesse resultou em três reedições dentro de breve espaço de tempo.
É vasto e rico o acervo de obras já publicadas pela Ética Editora. Um de seus últimos lançamentos é o “Compêndio histórico-político dos princípios da lavoura do Maranhão”, de Gaioso. Outro recente e importante lançamento é a 4.ª edição da História do Maranhão, do saudoso professor Mário M. Meireles, em texto revisto e providencialmente expungido das muitas gralhas constantes da penúltima reedição.
Em resumo: temos agora uma editora de verdade no Maranhão, e essa é uma notícia muito auspiciosa.
Alternativo. O Estado do Maranhão. 15.10.2008.