O circo-teatro nos anos 70 em Imperatriz

 

No começo dos anos 70, em Imperatriz, ainda não havia sinal de TV. Nós, adolescentes, divertíamo-nos à noite sentado nas calçadas recontando histórias de assombração e lendas que nossos avós contaram a nossos pais. Também, correndo pelas calçadas e ruas ainda não asfaltadas em brincadeiras de barra-bandeira ou outras estripulias de “homens”. Tínhamos, pelo menos, quatro a cinco cinemas, onde íamos, eu e muitos de meus amigos, nos finais de semana: Muiraquitã, Marabá, Brasil, Celimar… e depois o Fides e o Imperatriz, na Nova Imperatriz, único que não estive. Tornei-me um cinéfilo. Ficava praticamente doente se não assistisse a pelo menos dois filmes por semana.

Mas quero aqui falar mesmo é de circo, essa novidade que suspendia nossa rotina cultural. Quando um circo chegava – e vinham sempre, muitos de razoável porte –,  juventude se animava. Também muitos adultos. Um dos espaços preferidos era a quadra onde hoje está o SESI, próxima ao Mercadinho, que naquele tempo tinha apenas o prédio da Escola Marly Sarney, na Aquiles Liboa. Na grande praça de chão, instalava-se o circo com todos os seus agregados: carros, animais, trailers etc. Foi nesses circos que pela primeira vez assisti a peças teatrais – a cada dia, apresentavam uma nova, o diferencial do espetáculo que fazia o público voltar, já que o restante da apresentação se repetia. Romances, comédias, dramas, principalmente estes, compunham o repertório. Atrizes, especialmente estas, faziam-se verdadeiras divas do público, algumas com direito até a distribuição de postais com fotografias delas, autografados e vendidos, é claro!, porque isso fazia parte do negócio do circo, que não possuía patrocinadores, como a televisão. E faziam sucesso sem apelação nem baixarias grotescas como se vê agora. 

Mas, por que falo do circo? 

Terminei de ler, agora, uma comovente entrevista de Sula Mavrudis, uma mineira filha de gregos que na juventude se apaixonou pelo circo e agora busca criar a “Cidade do Circo”, talvez em Minas Gerais, para “tentar manter viva essa tradição que está se perdendo”. Justamente quando ela fala do circo-teatro, toca-me essa recordação e o sentimento de pertença e compartilhamento de um tempo quase esquecido. 

Rememoro essa época, especialmente, quando ela diz que “O circo-teatro era assim: começava com pequenos números de acrobacia, saltos, malabares, trapézio, mais ou menos uma hora de duração, e depois mais uma hora com um drama ou uma comédia. Toda noite era uma história diferente, para que o público pudesse ir várias vezes. Eles tinham repertório para ficar na cidade dois meses, cada dia com uma peça diferente.” A maioria dessas peças nunca foram publicadas e se perderam. Sula já recuperou o texto de mais de cinquenta delas. E continua o trabalho.

Ah!, quem quiser ler a reportagem, está na Revista de História da Biblioteca Nacional n. 42, de março, ainda nas bancas.

3 comentários para “O circo-teatro nos anos 70 em Imperatriz”

  1. Paulo disse:

    É louvável a ação de pessoas como você que tentam manter a memória do circo-teatro na sua região. Mas e os títulos dessas peças? è fundamental que sejam relembrados. Quem é Sula? Ela vai editar os textos recuperados das peças?
    Paulo/Natal-RN

  2. sula mavrudis disse:

    Olá, sou Sula Mavrudis, e gostaria muito de entrar em contato com o autor do Blog, Adalberto Franklin e com o Paulo, de Natal.
    Obrigada pela atenção,
    Abraços de Sula

  3. Laura Backes disse:

    Recebemos no meu setor um email de um filho de um artista circense que lhe deixou de herança textos de circo-teatro encenados em tournées pelo interior do Rio Grande do Sul e irá nos enviar os documentos para arquivo.
    Caso haja interesse en publicá-los acredito que seja possível escaneá-los e mandar para quem se interessar!

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