O primeiro registro do sul do Maranhão

berford_roteiro_capaweb1Lançado em São Luís na última quinta-feira, 23, o livro Roteiro e mapa da viagem da cidade de São Luís do Maranhão até a Corte do Rio de Janeiro, de Sebastião Gomes da Silva Berfort, durante o seminário “O Maranhão oitocentista”, organizado por professores de história da UEMA e UFMA, que na sexta-feira, 24, lançaram a coletânea de artigos O Maranhão oitocentista. Os dois livros levam o selo da Ética Editora (o segundo, em coedição com a EDUEMA).

A viagem de Sebastião Gomes da Silva Berford – fidalgo também conhecido na historiografia como Belfort, família de origem portuguesa radicada no Maranhão –, de que trata a obra, foi realizada em cumprimento de uma carta régia de 1798, do então príncipe regente de Portugal dom João (depois dom João VI), é o registro inicial do povoamento dos sertões maranhenses, antecedendo em quase uma década os trabalhos do militar português Francisco de Paula Ribeiro, referência maior sobre o processo de ocupação dos sertões dos Pastos Bons.

Nesse seu itinerário de viagem, Berford registra nomes e distâncias das vilas, arraiais, freguesias, fazendas, rios, ribeirões e riachos; descreve as condições de caminhos e pastos, registrando léguas, braças e dias de viagem.

Visita e descreve o efêmero Arraial do Príncipe Regente, fundado por Paula Ribeiro  nas margens do rio Itapecuru, numa tentativa do governo da Província assegurar a “tranquilidade” aos criadores, que viviam em constante perigo de ataques indígenas.

Esse relato havia sido publicado pela Imprensa Régia no Brasil com data de 1810, não tendo depois disso nenhuma reimpressão. É, portanto, um dos maiores resgates editoriais para a historiografia maranhense.

Pode ser adquirido através da loja virtual da Ética Editora <www.eticaeditora.com.br>

4 comentários para “O primeiro registro do sul do Maranhão”

  1. DILSDN GUIMARÃES disse:

    ACREDITO QUE O VERDADEIRO LOCAL DA EDIFICAÇÃO DO ARRAIAL DO PRIINCIPE REGENTE E SEU PRIMEIRO REGISTRO DE SITIOS ARQUEOLOGICOS DO QUE RESTOU DO MESMO ESTÁ NA CIDADE DE MIRADOR-MARANHÃO

  2. DILSDN GUIMARÃES disse:

    estou elaborando um livro cujo nome é o ARRAIAL DO PRÍNCIPE REGENTE, onde trás fotos de restos do antigo arraial do principe regente como cacos de telhas, porcelana portuguesa, cacos de vidros, moringas etc.. O arraial será mesmo na confluencia dos rios itapecuru e alpercatas? ou é no morro do Itapecuru na própria cidade de Mirador. tenho fotos e material suficiente para conprovação.

  3. DILSDN GUIMARÃES disse:

    gostaria de comprar este livro.

  4. adalberto disse:

    Dilson,
    até bem pouco tempo, essa era uma questão cercada de muitas dúvidas. Para mim, entretanto, depois de avaliar o mapa elaborado por Francisco de Paula Ribeiro (fundador do Arraial), recentemente digitalizado pela Biblioteca Nacional, fica evidente que o Arraial do Príncipe Regente ficava pouco abaixo da confluência dos rios Alpercatas e Itapecuru, próximo à margem deste rio, praticamente o mesmo l ocal em que a cartografia atual indica a cidade de Colinas.
    Também, pelo relatório de Sebastião Berford, que esteve no Arraial de 26 de outubro a 2 de novembro de 1809 e fez um relato detalhado do lugar, verifica-se que a distância que ele contabiliza, saindo daí até chegar a Pastos Bons, é de cerca de 20 léguas, a distância aproximada hoje entre Colinas e Pastos Bons, enquanto a distância para Mirador é menos que a metade disso.
    Outra evidência é que no dia 3 de novembro Berford anota que chegou ao riacho “Minador”, quando já teria viajado oito léguas desde a saída do Arraial do Príncipe Regente. Essa é a distância aproximada entre Colinas e Mirador. E a grafia “Minador”, constante no roteiro de Berford impresso pela Imprensa Régia, em 1810, na verdade, pode ser um equívoco de leitura do revisor, visto que a grafia do “r” e do “n” eram muitos parecidas.
    Assim, não tenho nenhum medo em afirmar hoje que o Arraial do Príncipe Regente fica no mesmo local em que hoje é a cidade de Colinas.

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