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Mercedes Sosa, un pájaro libre que foi cantar no céu

Desde que conheci a música de Mercedes Sosa, no comecinho dos anos 80 — antes de a maioria dos brasileiros conhecê-la através do dueto feito com Fagner na música Años  —,  elegi-a como uma das minhas cantoras prediletas.
Mais que o timbre vocal indígena latinoamericano, atraiu-me a temática de sua canção, do sofrimento, da dor, da liberdade, da libertação. Identificação imediata de um jovem que lia e acompanhava naquele momento a agonia de uma América do Sul cerceada, calada, violentada pelos regimes ditatoriais… que toda semana esperava ansioso o dia de O Pasquim chegar às bancas… que, de longe, pelos Cadernos do Terceiro Mundo, de Patricia Bissio e do maranhense Neiva Moreira, tomava conhecimento das lutas de independência também na África.
A partir desse envolvimento ideológico, formei também meu gosto cultural e, depois, religioso. Por essa porta, entraram Mercedes Sosa, João do Vale, Milton Nascimento… e vários outros que, se não engajados politicamente, se mostraram sensíveis à dor e ao sofrimento humanos; que lamentam e cantam elegias às desditas e aos desditosos da terra, os bem-aventurados de Deus.

Mercedes Sosa, de origem multicultural, descendente de índios e espanhóis, por seu espírito livre e solidário bem encarnava o anseio da bem-aventurança latina. Por isso ela lutou e cantou, até o fim da vida. A isso foi fiel até o fim.
A partir de agora, vai merecidamente entoar no céu a sua belíssima Misa Criolla.

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