Arquivo de dezembro de 2009

Quem é imperatrizense, afinal?

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Fui hoje indagado por uma acadêmica em fase de elaboração de seu trabalho de conclusão de curso que queria minha delimitação sobre o que é “literatura imperatrizense”. À primeira vista, sem maior reflexão, pareceu-me uma pergunta óbvia, merecedora de uma resposta óbvia. Logo, porém, detive-me em responder. Verifiquei que há muitas possibilidades para a resposta. E uma resposta a essa indagação delimita também essa adjetivação em muitas outras áreas, inclusive o uso do próprio gentílico: “imperatrizense”.

Ora, quem pode ser chamado “imperatrizense” numa cidade em que mais de 70% dos habitantes com mais de quarenta anos nasceram em outros municípios? Em que a maioria dos seus dirigentes sociais, empresariais e políticos não nasceram aqui? Em que mais da metade dos professores vieram de outras cidades? Em que a maior parte dos artistas, escritores, fazedores culturais são “de fora”?

Quem é imperatrizense, então? O que é ser imperatrizense, afinal?

Repassando à memória, constatei que dos atuais quarenta membros da Academia Imperatrizense de Letras, apenas cinco nasceram em Imperatriz: Tasso Assunção, Edna Ventura, Jucelino Pereira, José Herênio e Luiz Carlos Porto. E quantos dos hoje vereadores são imperatrizenses de nascimento? Qual o último prefeito nascido aqui? Algum deputado, representante de Imperatriz, nasceu aqui?

São, dessa forma, “imperatrizenses” os que comandam a cidade? Podemos afirmar que Imperatriz tem uma cultura “imperatrizense”, uma sociedade “imperatrizense”, uma política “imperatrizense”?

O que é, então, “cultura imperatrizense”, “literatura imperatrizense”?

O que é “imperatrizense”, quem é “imperatrizense”?

Há pouco tempo, um gesto polêmico do poeta Zeca Tocantins deixou chocada muita gente. Nascido em Xambioá, mas vivendo na cidade desde criança, e considerado um dos maiores artistas “imperatrizenses”, membro da Academia de Letras, em protesto contra o “descaso cultural”  do poder público municipal, resolveu devolver o título de “Cidadão Imperatrizense” que recebera em 1999. Deixou ele, entretanto, de ser menos cidadão de Imperatriz do que sempre foi, divulgando e contribuindo com a cultura local e regional? Não é ele mais imperatrizense que os ex-presidentes militares Castelo Branco e Garrastazu Médici e os ex-ministros César Cals e Camilo Calazans, que também têm o título de “Cidadão Imperatrizense”, concedidos pela Câmara Municipal?

O que legitima a utilização de um gentílico? A naturalidade, o envolvimento, a colaboração, a inspiração?

A música do paraense Neném Bragança, o mais conhecido dos cantores de Imperatriz, identificado como “imperatrizense” por todos os rincões nacionais onde venceu festivais, é menos “imperatrizense” que a de Lena Garcia, originária de uma família que vive no município desde o século XIX?

Também eu, que escrevi vários livros sobre a história de Imperatriz, não nasci aqui, apesar de ter chegado criança e ter passado menos de dois meses na minha cidade de origem, contabilizando-se todas as três vezes em que lá estive… me considero tanto imperatrizense quanto os que aqui nasceram.

O que dizer de intelectuais literatos como Vito Milesi, que, sequer brasileiro, foi um dos maiores baluartes da educação, da cultura, da literatura e da inteligência de Imperatriz (sem falar sua condição de cidadão assumida com a determinação e a paixão de poucos)? E de um Edmilson Sanches, de um Livado Fregona, de um Ribamar Silva… todos escritores com vida e obra “locadas” em Imperatriz, apesar de provenientes de outras plagas?

Inversamente, poderíamos nos perguntar se se pode chamar “imperatrizense” a obra de Regina Sader, uma expoente geógrafa aposentada, ex-professora da USP, que tem uma obra sobre Imperatriz? Ou a do historiador João Renôr, apenas por ser ele membro da Academia Imperatrizense de Letras?

É mesmo imperatrizense a obra literária de Manoel de Sousa Lima, primeiro escritor nascido em Imperatriz, em 1889, que somente passou a publicar depois de não mais morar na cidade?

Chego à conclusão de que não é um título de cidadania, nem mesmo o registro de nascimento, que criam a “cidadania”, o que dá legitimidade a um gentílico.  Creio que este deve ser dado apenas àqueles que tenham participação ou motivação na vida, na cidadania ou na cultura da localidade.

Então, “literatura imperatrizense”, “arte imperatrizense”, “música imperatrizense” são as obras criadas com o sopro, com a inspiração, com o ar, com a motivação das circunstâncias da vida imperatrizense, seja qual for a temática. Sem esse “ar” local, o que justifica essa condição?

Basta um livro ter sido escrito ou publicado em Imperatriz para ser “imperatrizense”? Não concebo isso. Neste ano a Ética Editora publicou livros em língua estrangeira, de autores que sequer conhecem o Brasil. E também de autores de outras regiões e estados brasileiros, pessoas que nunca tiveram qualquer relação com esta cidade. Estes também não podem receber esse gentílico.

O que é “imperatrizense”? Quem é “imperatrizense”, afinal?

A questão está aberta.

João do Vale – documentário

domingo, 27 de dezembro de 2009

Só agora assisti ao documentário “Muita gente desconhece”, sobre a vida e obra do compositor e cantor maranhense João do Vale, “a personalidade do século XX” no Maranhão. A produção, dirigida por Weriton Kermes, é de 2005, apesar de ter sido iniciada ainda no ano da morte do compositor, em 1996. Foi premiado no Festival de Gramado e exibido na TV Cultura, em 2006.

Através do depoimento de amigos de infância, familiares, parceiros e artistas que com ele conviveram, o filme faz uma retrospectiva da vida e da obra de João do Vale. Apresenta também sua convivência com os amigos de Pedreiras, sua cidade natal, onde foi viver depois do derrame sofrido, e reúne diversos momentos em que canta suas famosas composições que marcaram a música popular brasileira.

Num trecho, Miúcha, irmã de Chico Buarque e uma de suas parceiras, comete uma gafe pouco perceptível: diz que veio com João do Vale fazer alguns shows no interior do Maranhão, e citou uma cidade… “Sobral”… Creio que tenha sido “Bacabal”. Foi exatamente durante essa “turnê” que conheci João do Vale, em 1982.

Ele veio também a Imperatriz com Miúcha, e aqui ficou durante uns três dias, hospedado no Hotel Schalom, na rua Pará. Em frente, ficava a Gráfica Escriba, minha e de meu irmão Gilberto. Várias vezes ao dia, João saía sozinho, a pé, de chinelo, e ia até um bar ali perto, beber uma dose de cachaça. Passava desapercebido como personalidade.

Não lembro de ele ter voltado a Imperatriz outras vezes, senão quando foi homenageado pelos estudantes do CESI/UEMA, já muito doente e quase sem poder falar.Mas creio que hoje os admiradores da obra de João do Vale em Imperatriz seja muito maior do que quando ele era vivo.

Sobre o documentário, ele está no Youtube com o título “Muita gente desconhece”, divido em três partes. Vale a pena conferir.

O artista ‘prata da casa’ e a falta de público – I

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Para um pequeno público, o cantor/compositor Lourival Tavares realizou ontem à noite uma apresentação no Teatro Ferreira Gullar, depois de três anos sem cantar nesta cidade, onde ele começou a despontar no meio musical no final dos anos 1970 e começo dos anos 1980, e onde residem seus pais e avós.

Estive lá e verifiquei que as poucas dezenas de presentes eram pessoas ligadas à cultura e à comunicação, em sua maioria amigos do artista. Daí me vieram alguns questionamentos: A cidade menospreza seus artistas? O gênero MPB tem pouco público na cidade? A obra de Lourival é desconhecida aqui? A data não era conveniente?

Bem, são tantas as variáveis para avaliação que cabe fazer algumas digressões sobre essa temática.

É inegável que de Imperatriz despontaram, nas últimas três décadas – que acompanhei, pois em janeiro completo quatro décadas nesta cidade –, diversos nomes que repercutiram no cenário da música regional, estadual e mesmo nacional. Temos aqui, insistindo e resistindo na difícil trincheira tocantina, muitos nomes que não fariam feio em nenhum palco nacional. Vozes como as de Neném Bragança, Lena Garcia (para falar só dos que aqui residem), e alguns outros que se destacaram posteriormente, nada devem à maioria dos grandes artistas internacionais. A diferença é que os outros têm a mídia e os degraus dos grandes palcos em seu favor.

Lourival Tavares – assim como Neném Bragança – tem timbre vocal que se iguala ao de um Alceu Valença, ao de um Zé Ramalho, ao de um Xangai… mesmo que menos lapidada. Lena não fica atrás das divas da MPB, e até supera muitas delas. E temos bons compositores: Zeca Tocantins, Neném Bragança, Henrique Guimarães… e tantos mais. E se incluirmos os que migraram, incluiremos artistas como Carlinhos Veloz, Erasmo Dibell, Chiquinho França (instrumental), Wilson Zara e outros mais.

Por que, então, eles não conseguem público em sua própria cidade?

O artista ‘prata da casa’ e a falta de público – II

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Por que, então, eles não conseguem público em sua própria cidade?

Creio que as circunstâncias sejam muitas, mas cito apenas duas.

Primeiramente, há que considerarmos que o sucesso, atualmente, depende mais da mídia que da qualidade do trabalho do artista. Hoje, é a repetição exaustiva da música nas emissoras de rádo e TV quem fabrica o sucesso. Se os artistas não são tocados, também não serão conhecidos, nem seus trabalhos desejados.

Em segundo lugar, as emissoras de rádio especializaram-se em ser produtoras de shows, priorizando em sua programação diária a execução do trabalho dos artistas de seu próximo evento. E as emissoras de televisão, a não ser nos noticiários, quase nenhum espaço dão às expressões culturais locais.

Lembro que no comecinho dos anos ’80, em Imperatriz, o jovem Márcio Lee lançou um compacto simples (tempos do vinil) que passou a ser tocado diariamente no encerramento da programação da retransmissora local da Rede Globo (não era a Mirante ainda) – naquela época, as tevês não faziam exibição 24 horas; encerravam a programação nas primeiras horas da madrugada. Em vista disso, toda a cidade conhecia sua música e o disco esgotou rapidamente.

Não vou aqui, como muitos, colocar a culpa na falta de apoio público, na inexistência de políticas públicas eficientes para a cultura. Reconheça-se que dezenas de trabalhos – discos, livros etc. – foram patrocinados tanto pelos órgãos governamentais quanto pelo setor privado e, mesmo assim, não se fizeram conhecidos por si só. Não existindo notícias, comentários, críticas ao trabalho artístico na imprensa; se não é mostrado, exibido, praticamente ele não existe para o grande público.

Numa de suas composições, Neném Bragança resume o que creio ser a frustração dos artistas que sabem ter potencialidades para grandes vôos, já experimentaram algum sucesso fora, mas sequer são reconhecidos em sua terra: “Sou prata da casa, volto por voltar”.

Em nossa cultura maranhense, de subvalorização própria e de baixa estima, é geralmente necessário, antes, fazer sucesso fora para se destacar em âmbito local. Há menos de dois meses, Wilson Zara fez um show na Romano’s Pizzaria para um público de aproximadamente duas mil pessoas, que de tão encantado fez com que o músico esticasse sua apresentação até as quatro da manhã. Quando cantava em seu Caneleiros (antiga e excelente casa em que se apresentavam diariamente os artistas locais e regionais), era também “prata da casa”, e tinha que “correr” muito para não fechar as portas, o que por fim não pôde evitar.

E nos tempos do Caneleiros, assisti ao Chiquinho França ser obrigado por numeroso público (mais que o máximo que cabia a casa) a alongar por mais de trinta minutos sua exibição instrumental, e só conseguiu terminá-la por força de muita determinação. Sua versão pop/rock da 5.a Sinfonia de Bethoven, se popularizada, certamente faria grande sucesso. E nem falemos de como ele toca Pink Floyd. Por méritos pessoais, mesmo sem ser conhecido nacionalmente, suas composições pessoais foram trilha sonora de reportagens do Fantástico e do Globo Repórter mais de vinte vezes.

Diante desses fatos, de ontem e de hoje, avalio que Imperatriz não menospreza seus artistas. Os que os conhecem, valorizam-nos; o grande público, que os desconhece e pouco contato têm com seu trabalho, não pode ser culpado por menosprezo.

Uma sociedade, um país, uma região, uma cidade eleva sua autoestima sobretudo pela força e destaque de sua arte. São Luís até hoje vive das glórias da antiga “Atenas maranhense”; a Europa tem como principal orgulho o seu tesouro artístico, que anualmente atrai milhões de pessoas.

É preciso que valorizemo-nos a nós mesmos se queremos que os outros nos reconheçam. E isso é responsabilidade de todos.

Abro aqui um post-scriptum para reconhecer também outros grandes artistas locais de outros gêneros musicais, como a música sertaneja nordestina, em que temos o Pedro Bispo, o Monteirinho do Acordeon e, mais recentemente, o grupo Cabrobó, de musicalidade mais moderna. Há muita gente aqui e daqui fazendo sucesso também com a música sertaneja da moda, essa do Centro-Oeste e Sudeste, tais como Juliano Reis & Jordão e César & Mateus. E incluamos também a música clássica e erudita, em que se deve destacar os corais do maestro Pietrini, a banda municipal, e agora, a dupla formada pelo violinista Junior Schubert e o violonista Marck Jhonnes, o primeiro, com estudo clássico de piano, que passou a dedicar-se ao violino, e o segundo, formado em música clássica.

O Natal e os vendilhões de Noel

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Natal!

As ruas fervilham de veículos com pessoas apressadas, inquietas, dividindo espaço com pedestres que se atropelam nas calçadas desalinhadas, altas e baixas, ou mesmo nas pistas, fora das faixas, numa agitação alucinada e incomum fora dessa época. Automóveis, motocicletas, carroças, bicicletas e pedestres imitam uma incessante correição de formigas nesse inconsciente festejo de gastanças patroneado por um sorridente velhinho chamado Papai Noel.

Nesse período, contemplo-me com um invariável recesso de trabalho por, pelo menos, 15 dias, a começar das proximidades do dia de Natal, e isolo-me para apenas ler e escrever.

Há tempos fiz-me avesso a essas festas e promoções que visam apenas promover o consumo de bens supérfluos que, no restante do ano, as pessoas geralmente não sentem falta. Já nem sei quantos anos há que não atravesso o centro comercial nesse tempo de ofertas baratas e facilitadas de felicidade consumista com intenção de comprar algo.

Atravessei nesta semana o que restou do largo da praça de Fátima, frente à Catedral, e imediatamente me veio à mente a inevitável comparação com o cenário bíblico dos vendilhões do templo, uma algazarra típica de mercado público que costumeiramente ocorria frente ao Templo de Jerusalém no período da Páscoa judaica, uma vez desmantelada a pontapés por Jesus, indignado diante do desrespeito religioso e do oportunismo dos comerciantes. Não consegui evitar esse paralelismo. Talvez o fato de manter-me distante desses festejos comerciais tenha favorecido essa visão crítica.

Aprendi, na primeira infância, a olhar o Natal e outras datas religiosas com reverência. Mesmo na minha adolescência e juventude, quando não me aproximava muito de qualquer igreja, mantive um comportamento respeitoso diante dos valores e dos símbolos sagrados. Ainda na juventude, movido por valores/sentimentos de com/paixão humana, que se apossaram de mim a partir de então — creio que influenciado pelos livros e pelo cinema —, formou-se em mim uma personalidade desejosa de igualdade social, justiça e solidariedade, que mais tarde vim encontrar correspondência na Igreja profética da Teologia da Libertação. Passei a ter como ideal utópico (também acredito que não se vive sem sonhos, sem esperança, sem utopia!) o comunismo; não esse comunismo político, reducionista, emparedado por teorias estreitas e práticas ditatoriais, mas por comunismo sociológico, liberto; uma sociedade fraterna, sem riquezas extremas nem pobrezas excludentes, uma sociedade de direitos e oportunidades iguais, talvez a terra sem males.

Creio que minhas convicções me levaram à contraposição com a “normalidade” social, levando-me cada vez mais à oposição das alegrias e festividades momentâneas que atualmente se celebram.

Sob o prisma religioso do Natal, por exemplo, não consigo deixar de perceber que o pobre menino Jesus do presépio perdeu seu lugar para um velhinho gordo e bem nutrido chamado Papai Noel, para quem se arma tendas frente à Igreja e nas casas comerciais com a finalidade de promover as vendas e o consumismo.

O menino de Belém, que se tornou depois o homem de Nazaré, um galileu desprendido da riqueza, contrário à posse dos bens supérfluos e em excesso, não representa uma boa figura para o Natal dos tempos atuais. Por isso não tem mais espaço nem convite nessa festa. Esse menino sem realeza não é digno de um presépio diante da principal praça principal da cidade; aí, se instala a “casa” do novo rei dos festejos, o sorridente velhinho Noel, vestido em roupas brilhantes e cercado de luzes tremeluzentes, num ambiente mágico e ilusório que obscurece a mente das crianças e motiva a disposição de gastança dos pais.

Esse é o reflexo de uma sociedade que cultiva valores fugazes, que busca felicidade momentânea e tropeça em seus próprios valores, que conduzem ao egocentrismo, ao individualismo, à solidão e à frustração, males que devem marcam fortemente o século XXI, destruindo as pessoas e as sociedades.

Não é de se estranhar que na cúpula de Copenhague, nestes dias, Estados Unidos e China, as grandes potências de agora, mesmo sob a ameaça se ver comprometida a vida na terra, se mantenham indiferentes aos apelos do resto do mundo. Esse comportamento é fruto dessa cultura individualista e insensível ao outro, que coloca o dinheiro e o poder acima de tudo e de todos. É essa cultura que derruba Jesus de sua manjedoura de natal para em seu lugar construir a “casa” de Papai Noel.

Dói muito em mim essa percepção/concepção, mas nem minha mente nem minha consciência me permitem ficar calado nem retornar à inconsciência, à ingenuidade. Os ingênuos são mais felizes. Bem-aventurados os cegos…

E eu, sou obrigado a torturar-me com minhas convicções, das quais não consigo me arredar. E como o poeta nicaraguense Juan Gonzalo Rose, pergunto-me:

[...]

Por que não amei somente /as rosas repentinas, / as marcas de junho, /as luas sobre o mar?

Por que tive de amar /a rosa e a justiça, /o mar e a justiça, /a justiça e a luz?

Imperatriz, MA, 20 de dezembro de 2009

[Republicado com alterações, em 23.12.2009]