Arquivo de fevereiro de 2010

Palavras em versos

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Neste sábado, 27, a cidade maranhense de São Pedro da Água Branca, que faz limites com o Pará, fará uma inédita solenidade literária para o lançamento do livro Palavras em versos, do jovem pedagogo e poeta Francisco Balbino Sousa. Formado em Pedagogia pela UFMA, em Imperatriz, Balbino tem outro livro publicado – A educação ambiental na formação do cidadão participativo, lançado em 2007 na série “Dissertações Acadêmicas”, da Ética Editora.

Palavras em versos, mesmo sendo a obra de estreia em gênero literário do autor, apresenta com substância poética, criatividade imagética e originalidade. Não fica desapercebida, também, a tensão filosófica característica dos que pensam a vida, o tempo, as verdades, a contemplação do belo e as paixões humanas.
De inédito, há o fato histórico de que Francisco Balbino Sousa é o primeiro autor de sua cidade a publicar e lançar um livro em sua terra. Entretanto, por mérito, há que se reconhecer que com este livro ele inscreve seu nome também na literatura regional, alinhando-se com merecimento aos bons literatos que têm surgido nos últimos anos no sudoeste maranhense.

VIII Salimp daqui a três meses

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Com data prevista para o final de agosto, o oitavo Salão do Livro de Imperatriz (Salimp) teve que ser antecipado em três meses e agora está confirmado para o período de 29 de maio a 6 de junho. A proximidade e mesmo a coincidência de datas com grandes eventos literários nacionais, como a Bienal de São Paulo, a Feira Panamericana do Livro (em Belém) e a impossibilidade do setor público (como o Governo do Estado, até agora maior patrocinador do Salimp) liberar recursos em período de campanha eleitoral, precipitaram essa antecipação.

Assim, a Academia Imperatrizense de Letras, realizadora do Salimp, já deu início às atividades de planejamento deste evento, que pretende se firmar como o maior acontecimento literário do Maranhão.

“O outro lado da ponte”

sábado, 20 de fevereiro de 2010

O outro lado da ponte é o décimo livro do músico e escritor Zeca Tocantins, mas seu primeiro de crônicas. Será lançado às 17h da próxima quinta-feira, dia 25, no auditório da Academia Imperatrizense de Letras, na praça da Cultura, quando ocorre também a reunião semanal da AIL.

Como bom contador de causos, em doze crônicas Zeca promove um dedo de prosa para contar histórias em que foi protagonista ou testemunha. São situações do cotidiano que bem representam a cultura regional e ainda revelam algumas circunstâncias de nossa história. Tem selo da Ética Editora.

Não pode deixar de ser lido.

Região Tocantina participa de Mostra Nacional de Desenvolvimento Regional

sábado, 20 de fevereiro de 2010

O Ministério da Integração Nacional realizará em Florianópolis, de 10 a 14 de março, a II Mostra Nacional de Desenvolvimento Regional, que contemplará a participação de 50 representantes da Mesorregião do Bico do Papagaio (Maranhão, Tocantins e Pará), 15 destes da região sudoeste do Maranhão. Esse é o maior evento nacional dessa área, com previsão de mais de quatro mil pessoas inscritas.

Será uma oportunidade de mostrar projetos e práticas de desenvolvimento sustentável que acontecem na região e discutir as políticas e programas governais para esse setor. Várias entidades da região terão a oportunidade de expor produtos de seu trabalho, entre elas, associação de apicultores, artesãos, quebradeiras de coco babaçu. Diversos minicursos serão também oferecidos aos participantes.

Paralelamente, ocorrerão apresentações culturais de todas as regiões brasileiras. A região norte do Tocantins será representada por uma dupla de cantores; o sudoeste do Maranhão, pela atriz e poeta Lília Diniz, de Imperatriz. Eu também estarei lá, como jornalista convidado.

CE inova política do livro e leitura; o MA é o caos

sábado, 13 de fevereiro de 2010

O governo do Ceará acaba de anunciar duas medidas exemplares para a constituição de políticas públicas do livro e leitura nos estados. Uma delas prevê a compra de R$ 3,5 milhões em livros de autores cearenses ou radicados por lá. Com isso, complementa com uma cor local a lista de livros comprados e enviados pelo Ministério da Cultura às bibliotecas dos 184 municípios. A iniciativa deve servir de referência para os outros estados brasileiros.

Outra medida anunciada pelo governo do Ceará, que vale a pena prestar atenção, é o prêmio a escritores locais. Serão distribuídos R$ 2 milhões, e as obras contempladas terão devem ser produzidas, do início ao fim, no próprio estado. Delas, 40% serão cedidos para que a Secretaria de Estado da Cultura distribua a bibliotecas da capital e interior. É uma medida inteligente que deve ajudar a desenvolver tanto a produção literária regional quanto seu mercado editorial.

[Da Revista do Observatório do Livro e da Leitura]

Não posso deixar de comentar essas medidas:

No Maranhão, é rara a compra de livros de autores do Estado. Nos últimos três anos, as compras de livros para as bibliotecas públicas estaduais e faróis da educação superaram os dez milhões de reais, mas os maranhenses que entraram na lista foram raríssimos, e alguns tiveram que dar comissão a pessoas ligadas à Comissão de Licitatações. O MP teve que intervir em alguns casos, suspender licitações e intimar funci0nários públicos e atravessadores envolvidos. Mesmo assim, as compras foram direcionadas para grandes editores do sudeste.

Em Imperatriz, o Município não tem (nunca teve) qualquer política de atualização do acervo. A chamada biblioteca pública municipal, que não merece esse nome, pois não passa de um depósito de livros (do que não têm culpa os dedicados servidores que lá trabalham), sequer possui exemplares dos escritores locais. Se alguém quiser pesquisar a produção literária de Imperatriz, terá que recorrer a bibliotecas particulares. Nem mesmo livros sobre a história da cidade são encontrados por lá (às vezes, há um exemplar de um ou outro autor local).

Mesmo as bibliotecas universitárias pouco investem na compra de autores da região. E nas escolas de Ensino Médio não há muita diferença.

É um descalabro e um desrespeito para uma cidade que em menos de 40 anos publicou mais de 1.000 títulos.

“Quebradeiras”, filme de etnografia regional premiado

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Somente agora consegui assistir ao filme “Quebradeiras”, ganhador de três troféus “Candango de Ouro” no 42.o Festival de Brasília de Cinema Brasileiro, em Brasília, em novembro passado (favor não confundir com “Raimunda, a quebradeira”, de 2006, outro premiado documentário, protagonizado por Dona Raimunda dos Cocos”).
“Quebradeiras” é um longa-metragem com duração de 1h11min que retrata numa linguagem inovadora — sem roteiro falado; em sim com linguagens cênica e sonora descritivas — do cotiano das mulheres quebradeiras de coco babaçu neste chamado Bico do Papagaio, tríplice fronteira de Maranhão, Tocantins e Pará.
Dirigido por Evaldo Mocarzel, carioca radicado em São Paulo, foi filmado na zona rural de Imperatriz e cidades vizinhas onde se concentram as quebradeiras de coco.
Trata-se de um documentário etnográfico que dá ênfase ao cotidiano dessa minoria resultante da migração nordestina que se acentuou na região a partir do começo dos anos 50, abrindo matas e fundando povoações. Ou seja, é um registro da cultura material e imaterial desse povo.
O DVD me foi doado pela líder do MIQCB (Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu), Maria Querobina, convidada de honra para assistir à exibição do filme no festival, no dia 20 de novembro.
Concorrendo com outros 28 filmes de longa-metragem no festival de Brasília, “Quebradeiras” foi o segundo mais premiado. Além de melhor diretor (Evaldo Mocarzel), ganhou ainda os troféus de melhor fotografia (Gustavo Hadba) e melhor som (música de Thiago Cury e Marcus Siqueira).
O documentário teve o patrocínio do “Etnodoc”, primeiro edital de Apoio à Produção do Documentário Etnográfico do Ministério da Cultura, em 2008.

Alguns trechos do filme podem ser visto no Youtube: