Arquivo de junho de 2010

Documentos inéditos sobre a história do Maranhão

terça-feira, 29 de junho de 2010

Havia algum tempo eu desejava publicar em livro um artigo do historiador alemão Franz Obermeier, da Universidade de Kiel, que trata dos capítulos censurados da obra do capuchinho francês Yves d’Evreux, impressa em 1615, sobre a fundação de São Luís. Originalmente, foi publicada sob o título de “Suitte de l’histoire des choses plus memorables advenues em Maragnan és annes 1613 & 1614”.

Já impresso, em Paris, mas ainda na tipografia do impressor François Ruby, o livro foi censurado pela Corte francesa, pois continha críticas aos portugueses, e, nesse mesmo período, o rei francês Luís XIII havia se casado com a princesa Ana d’Áustria, filha do rei da Espanha, que era, na época, soberano também de Portugal. Não seria politicamente adequado deixar circular uma obra francesa com críticas a Portugal, agora um aliado. Com isso, o livro do padre Yves d’Evreux foi guilhotinado, sem circular, mas providencialmente salvos alguns exemplares. Pelo menos dois, que se saiba, se conservaram. Um, na Biblioteca Real de Paris; o outro, na Public Library de Nova York.

O exemplar de Nova York é o mais completo, embora faltem nele algumas partes. A partir deste, o historiador francês Ferdinand Denis publicou a primeira e mais conhecida edição que circulou dessa obra. A partir da obra de Denis, foram feitas as traduções em português. O militar francês François Rasily, que participou da expedição que fundou São Luís, sob o comando de Daniel de la Touche, teria guardado as partes censuradas.

Em 2005, Franz Obermeier publicou, pela primeira vez, em artigo no Boletim do Museu Emílio Goeldi, de Belém (MA), as partes desconhecidas da obra de Yves d’Evreux, que foram encontradas e por ele analisadas em sua tese de doutorado, publicada em Bonn (Alemanha), em 1995. Obermeier analisa o trabalho de Ives d’Evreux no contexto dos documentos franceses e brasileiros da época — os livros de Jean de Léry e André Thevet sobre a tentativa de se estabelecer uma colônia francesa no Rio, em 1555-1560 e, sobretudo, as cartas dos jesuítas brasileiros, entre os quais José de Anchieta. O trabalho é particularmente rico em informações inéditas como o tema das migraçoes indígenas, dos pagés, da situação dos escravos e dos bastardos, da mitologia indígena e da iconografia dos documentos franceses sobre a colônia.

Tomei conhecimento dessa pesquisa através do artigo publicado no Boletim do Museu Emílio Goeldi. Copiei e digitalizei o arquivo. Mantenho-o guardado há mais de dois anos. Encontrei o e-mail do professor Obermeier e tentei contato. Há pouco menos de um mês temos trocado e-mails sobre a publicação desse artigo, ampliado e ilustrado com os desenhos da edição original. Acordamos com a publicação, que terá o título de Yves d’Evreux e a fundação de São Luís: documentos inéditos sobre o Maranhão em 1615. O autor já trabalha na revisão e ampliação do texto. O lançamento está previsto para novembro, na Feira do Livro de São Luís.

Outra novidade: o Dr. Franz Obermeier está escrevendo uma edição crítica do livro de Yves d’Evreux, com a íntegra dos textos censurados. Deverá ser publicada na Alemanha, em francês, provavelmente em 2011. Acertamos sua publicação em português pela Ética, provavelmente no final de 2011 ou início de 2012, quando São Luís completa 400 anos.

Dois presentes à história do Maranhão.

o.

O futuro do Salimp

domingo, 27 de junho de 2010
A Academia Imperatrizense de Letras (AIL) divulgou na semana passada os números do 8.o Salão do Livro de Imperatriz (Salimp), realizado de 29 de maio a 6 de junho: cerca de 55.000 títulos disponíveis; 100 mil livros vendidos; movimentação financeira de R$ 1.800.000,00, segundo informou a RPS Eventos.
É inegável que o 8.o Salimp é um evento que eleva a autoestima dos imperatrizenses, promove e estimula a leitura e projeta a cidade como pólo cultural. Mas é oportuno dizer também que os poderes públicos nãoo têm dado até agora a devida importância ao evento. O Governo do Estado, que no ano passado se propôs a gastar mais de dois milhões de reais em uma feira do livro em São Luís — não realizada –, manteve em 2010 o mesmíssimo valor de patrocínio de 2009 (R$ 200 mil mais mídia), e a Prefeitura de Imperatriz somente 50 mil reais (também o mesmo do ano passado). Neste ano, o acréscimo em relação ao ano anterior foi um modesto patrocínio da Eletrobras, que se tornou fundamental para completar os custos mínimos do evento.
Verdade se diga: o Salimp somente foi realizado devido ao empenho e aposta da RPS Eventos, de São Paulo, que monta toda a infraestrutura do evento no Centro de Convenções, trazendo para isso a empresa Eventum, de Belém (com quem faz parceria na realização Feira Panamazônica do Livro, o quarto maior evento literário do país). Os custos reais para a realização de um evento como o Salimp é de aproximadamente 1,5 milhão de reais, embora tenha sido feito com menos de 500 mil. O Salão de Palmas sempre tem sido realizado com mais de cinco milhões de reais.
Outra dificuldade é a garantia de presença das grandes editoras. Elas não se dispõem a vir quando não vislumbrarem boas vendas. E o volume de vendas em Imperatriz ainda é considerado muito baixo. Isso, inclusive, pode ser entrave ao futuro do Salimp. Neste ano, a RPS, que vem apostando no crescimento do Salimp e no potencial de Imperatriz e região, condicionou a presença de algumas distribuidoras de livros em algumas bienais que realiza, suas presenças em Imperatriz. Sorte nossa!
Para se ter um ideia do que se faz em outros lugares, no Salão do Livro de Ribeirão Preto (SP), encerrado na semana passada, foram doados quase dois milhões reais em tíquetes vale-livros a estudantes do ensino fundamental, para estimulá-los à leitura. E a maior parte desses recursos foi arrecadada junto a empresas locais. Em Palmas, foram repassados em vale-livro mais de dois milhões de reais. Em Belém e Fortaleza, isso também é prática há muito tempo.
Não precisa dizer que a leitura é necessidade básica em qualquer lugar que se queira desenvolvido. Como disse Pedro  Bandeira, o mais lido escritor infanto-juvenil do Brasil (mais de 25 milhões de livros vendidos), em palestra neste Salimp, não há nenhum país desenvolvido que não tenha grande investimento em conhecimento e alto índice de leitura. Nenhum!
A Prefeitura de Imperatriz deve encarar, na prática, o Salimp como indutor de conhecimento e promoção da cidade. Para tanto, deve colocar em seu orçamento de 2011 verbas maiores para isso (e há possibilidade de fazê-lo não apenas com recursos próprios, mas também com os recebidos do MDE). É vergonhoso dizer a PMI destina apenas 50 mil reais ao Salimp (muito menos do que destina às festas juninas, e menos de um terço do Carnaval). O mesmo se diga do Governo do Estado.
Não podemos esquecer que o Maranhão tem o mais baixo índice de leitura do país, que por si já tem um dos piores das Américas.

SALIMP, leitura e livros em Imperatriz
A Academia Imperatrizense de Letras (AIL) divulgou na semana passada os números do 8.o Salão do Livro de Imperatriz (Salimp), realizado de 29 de maio a 6 de junho: cerca de 55.000 títulos disponíveis; 100 mil livros vendidos; movimentação financeira de R$ 1.800.000,00, segundo informou a RPS Eventos.É inegável que o 8.o Salimp é um evento que eleva a autoestima dos imperatrizenses, promove e estimula a leitura e projeta a cidade como pólo cultural. Mas é oportuno dizer também que os poderes públicos nãoo têm dado até agora a devida importância ao evento. O Governo do Estado, que no ano passado se propôs a gastar mais de dois milhões de reais em uma feira do livro em São Luís — não realizada –, manteve em 2010 o mesmíssimo valor de patrocínio de 2009 (R$ 200 mil mais mídia), e a Prefeitura de Imperatriz somente 50 mil reais (também o mesmo do ano passado). Neste ano, o acréscimo em relação ao ano anterior foi um modesto patrocínio da Eletrobras, que se tornou fundamental para completar os custos mínimos do evento.Verdade se diga: o Salimp somente foi realizado devido ao empenho e aposta da RPS Eventos, de São Paulo, que monta toda a infraestrutura do evento no Centro de Convenções, trazendo para isso a empresa Eventum, de Belém (com quem faz parceria na realização Feira Panamazônica do Livro, o quarto maior evento literário do país). Os custos reais para a realização de um evento como o Salimp é de aproximadamente 1,5 milhão de reais, embora tenha sido feito com menos de 500 mil. O Salão de Palmas sempre tem sido realizado com mais de cinco milhões de reais.Outra dificuldade é a garantia de presença das grandes editoras. Elas não se dispõem a vir quando não vislumbrarem boas vendas. E o volume de vendas em Imperatriz ainda é considerado muito baixo. Isso, inclusive, pode ser entrave ao futuro do Salimp. Neste ano, a RPS, que vem apostando no crescimento do Salimp e no potencial de Imperatriz e região, condicionou a presença de algumas distribuidoras de livros em algumas bienais que realiza, suas presenças em Imperatriz. Sorte nossa!Para se ter um ideia do que se faz em outros lugares, no Salão do Livro de Ribeirão Preto (SP), encerrado na semana passada, foram doados quase dois milhões reais em tíquetes vale-livros a estudantes do ensino fundamental, para estimulá-los à leitura. E a maior parte desses recursos foi arrecadada junto a empresas locais. Em Palmas, foram repassados em vale-livro mais de dois milhões de reais. Em Belém e Fortaleza, isso também é prática há muito tempo.Não precisa dizer que a leitura é necessidade básica em qualquer lugar que se queira desenvolvido. Como disse Pedro  Bandeira, o mais lido escritor infanto-juvenil do Brasil (mais de 25 milhões de livros vendidos), em palestra neste Salimp, não há nenhum país desenvolvido que não tenha grande investimento em conhecimento e alto índice de leitura. Nenhum!A Prefeitura de Imperatriz deve encarar, na prática, o Salimp como indutor de conhecimento e promoção da cidade. Para tanto, deve colocar em seu orçamento de 2011 verbas maiores para isso (e há possibilidade de fazê-lo não apenas com recursos próprios, mas também com os recebidos do MDE). É vergonhoso dizer a PMI destina apenas 50 mil reais ao Salimp (muito menos do que destina às festas juninas, e menos de um terço do Carnaval). O mesmo se diga do Governo do Estado.Não podemos esquecer que o Maranhão tem o mais baixo índice de leitura do país, que por si já tem um dos piores das Américas.

Livraria Athenas fecha as portas em Imperatriz

sábado, 26 de junho de 2010
Li agora que em Belém vai ser fechada a mais tradicional livraria da cidade, a Jinkings. Há um lamento geral dos leitores também mais tradicionais, que vão às livrarias não apenas comprar livros, mas também tomar um cafezinho, encontrar-se com leitores e escritores, informar-se das publicações locais e regionais.
Em seu período mais dinâmico, a Jinkings contou com várias livrarias em Belém, e também em outras cidade, inclusive Imperatriz (ali na esquina da Getúlio Vargas com a Coronel Manoel Bandeira), na metade dos anos ’80. A notícia acusa a mudança de comportamento dos leitores da nova geração, que passaram a comprar livros pela internet.
Também li que no Quartier Latin, em Paris, área próxima à Sorbonne (Universidade de Paris), famosa pelo movimento cultural, nos últimos 15 anos, caiu de 300 para cerca de 150 as livrarias no setor, o que está motivando o prefeito Bertrand Delanöe a fazer investimentos para reverter essa tendência. O Quartier Latin é o “bairro” dos estudantes e de famosos cafés e restaurantes, onde  se reuniam intelectuais de todo o mundo. Carrega esse nome porque ali, na Idade Média, viviam os estudantes da Université de Paris (Sorbonne), que falavam latim.
Aqui, cabe o lamento de ter sido fechada, neste mês, a Livraria Athenas, pouco menos de dois anos após sua instalação na cidade. José Arteiro, o proprietário, que tem a matriz desse empreendimento em São Luís, confidenciou-me que as vendas não estavam sequer cobrindo as despesas que mantinha para funcionar a loja. No ano passado, haviam sido fechadas na cidade as livrarias Interativa e Cia. do Livro.
Uma lástima!