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Equívocos na história de Imperatriz

Meu amigo João Rodrigues, esforçado repórter da sucursal de “O Estado do Maranhão” em Imperatriz, procurou-me às vésperas do aniversário da cidade para que eu comentasse alguns fatos que tenho contestado em relação à história do município. Seria uma matéria para a edição de “O Estado” no dia do 158º aniversário de fundação de Imperatriz, ocorrido na sexta-feira, 16 de julho.
Como eu estava em São Luís, pedi-lhe que enviasse as perguntas por e-mail que eu as reponderia até a manhã seguinte (na quinta-feira, 15). Assim ele fez  e respondi aos questionamentos ainda cedo da manhã, com tempo para que ele escrevesse e encaminhasse seu texto até as 11h para a redação.
Não sei se ele leu atentamente o texto, porque me telefonou logo em seguida para perguntar sobre coisas que estavam escritas no e-mail. Mas tornei a explicá-las por telefone. E sempre finalizava, preocupado: “Entendeu?”. E ele assegurava que sim.
As informações foram publicadas em box de duas colunas, ao lado de uma longa matéria de três quartos de páginas sobre o aniversário da Imperatriz, na página 3 do caderno “Cidades”, edição do dia 17. Li-a na tarde desse mesmo dia. Mas… que decepção!
Não sei se por culpa do João ou do pessoal da editoria, em São Luís, que costuma cortar matérias para reduzir o espaço a ser ocupado (no caso, talvez, para caber num “box”), minhas informações se transformaram em desinformação. Três importantes fatos ficaram completamente distorcidos, comprometendo a informação histórica que se pretendia. E, com isso, comprometendo a minha credibilidade de historiador, que tanto prezo. Como o jornal é o de maior circulação no Estado, essas informações podem ser reprozidas com erro por outras pessoas, aqui e em outros lugares, causando prejuízos também à história imperatrizense. Também, os leitores de meus livros podem se assustar em eu dizer uma coisa nos livros e afirmar outra em uma matéria de jornal.
Diante disso, faço aqui um pequeno reparo sobre esse pequeno texto publicado em “O Estado”:
1) O jornal publicou que “o frei [Manoel Procópio, fundador de Imperatriz] contatou com os índios gaviões e krikatis, do Maranhão. Com o aldeamento de 800 índios gaviões no lugar onde hoje fica o povoado de Cidelândia […]”.
— Eu afirmei, na verdade (e isso está escrito em meu livro “Breve história de Imperatriz”), que o frei Manoel Procópio aldeou 800 índios Gavião e Krikati na localidade Frades, nas margens do rio Tocantins, hoje povoado do município de Cidelândia. Veja-se que não foi em Cidelândia, hoje sede do município desse mesmo nome, e sim em Frades, a mais antiga localidade desta região, que existia já antes mesmo da fundação de Imperatriz. Dizer que na metade do século XIX frei Manoel Procópio tenha aldeado índios em Cidelândia é um absurdo, pois o povoado que deu origem a essa cidade foi fundado a menos de 50 anos.
2) O jornal publicou: “disse o historiador [Adalberto Franklin], acrescentando que Imperatriz foi fundada às margens do riacho Cacau.”
— Outro grave equívico. Transcrevo o que escrevi no e-mail enviado ao João Rodrigues:
Não é verdade que inicialmente a povoação de Santa Teresa tenha sido instalada na confluência do rio Cacau com o Tocantins e depois transferida para as imediação da hoje praça da Meteorologia, em face de uma cheia no Cacau. O primeiro sítio onde frei Manoel Procópio estabeleceu a “Colônia de Santa Teresa”, em setembro de 1849, foi no lugar chamado Remansão, no rio Tocantins, após as antigas cachoeiras de Itaboca, onde hoje fica a hidroelétrica de Tucuruí. No final do ano, houve uma grande cheia e morreram de febres muitos colonos levados para lá por frei Manoel Procópio, desistindo ele desse local. Frei Manoel Procópio, com alguns colonos, seguiu dali e se estabeleceu na confluência do rio Araguaia com o Tocantins (São João do Araguaia), de onde passou a fazer contato com os índios Apinajé (e conseguiu aldeá-los por algum tempo), do lado de Goiás; depois contactou com os Gavião e os Krikati, do Maranhão. Depois de conseguir aldear 800 índios Gavião no lugar Frades (hoje povoado de Cidelândia), e os Krikati em duas aldeias (uma nas margens do rio Cacau e outra no Barra Grande), resolveu então refundar a Colônia de Santa Teresa, entre essas duas aldeias, para acompanhar os índios aldeados e formar a nova povoação.
Então, essa história de que inicialmente Imperatriz foi fundada nas margens do rio Cacau não é verdade; isso é uma versão deturpada do acontecido no Remansão.
3) Mais outro: “[…] Adalberto Franklin concluiu que a fundação foi mesmo em 1852 e, ainda, que Frei Manoel Procópio era um capelão da Polícia Militar.”
Em momento nenhum eu afirmei que frei Manoel Procópio fosse capelão da Polícia Militar. O que eu disse foi que a expedição que deixou Belém em 1849 para fundar a colônia de Santa Teresa era comandada por um militar, e que frei Manoel Procópio era o capelão dessa expedição [naquela época, todas as expedições desse tipo eram obrigadas a ter um capelão, um sacerdote católico, na equipe].
Antes de escrever este texto, enviei um e-mail ao João Rodrigues pedindo que ele fizesse algo para reduzir os prejuízos dessas informações equivocadas.
Tomara que pelo menos minimizem o prejuízo histórico que pode causar.

Meu amigo João Rodrigues, esforçado repórter da sucursal de “O Estado do Maranhão” em Imperatriz, procurou-me às vésperas do aniversário da cidade para que eu comentasse alguns fatos que tenho contestado em relação à história do município. Seria uma matéria para a edição de “O Estado” no dia do 158º aniversário de fundação de Imperatriz, ocorrida na sexta-feira, 16 de julho.Como eu estava em São Luís, pedi-lhe que enviasse as perguntas por e-mail que eu as reponderia até a manhã seguinte (na quinta-feira, 15). Assim ele fez  e respondi aos questionamentos ainda cedo da manhã, com tempo para que ele escrevesse e encaminhasse seu texto até as 11h para a redação.Não sei se ele leu atentamente o texto, porque me telefonou logo em seguida para perguntar sobre coisas que estavam escritas no e-mail. Mas tornei a explicá-las por telefone. E sempre finalizava, preocupado: “Entendeu?”. E ele assegurava que sim.As informações foram publicadas em box de duas colunas, ao lado de uma longa matéria de três quartos de páginas sobre o aniversário da Imperatriz, na página 3 do caderno “Cidades”, edição do dia 17. Li-a na tarde desse mesmo dia. Mas… que decepção!Não sei se por culpa do João ou do pessoal da editoria, em São Luís, que costuma cortar matérias para reduzir o espaço a ser ocupado (no caso, talvez, para caber num “box”), minhas informações se transformaram em desinformação. Três importantes fatos ficaram completamente distorcidos, comprometendo a informação histórica que se pretendia. E, com isso, comprometendo a minha credibilidade de historiador, que tanto prezo. Como o jornal é o de maior circulação no Estado, essas informações podem ser reprozidas com erro por outras pessoas, aqui e em outros lugares, causando prejuízos também à história imperatrizense. Também, os leitores de meus livros podem se assustar em eu dizer uma coisa nos livros e afirmar outra em uma matéria de jornal. Diante disso, faço aqui um pequeno reparo sobre esse pequeno texto publicado em “O Estado”:
1) O jornal publicou que “o frei [Manoel Procópio, fundador de Imperatriz] contatou com os índios gaviões e krikatis, do Maranhão. Com o aldeamento de 800 índios gaviões no lugar onde hoje fica o povoado de Cidelândia […]”.— Eu afirmei, na verdade (e isso está escrito em meu livro “Breve história de Imperatriz”), que o frei Manoel Procópio aldeou 800 índios Gavião e Krikati na localidade Frades, nas margens do rio Tocantins, hoje povoado do município de Cidelândia. Veja-se que não foi em Cidelândia, hoje sede do município desse mesmo nome, e sim em Frades, a mais antiga localidade desta região, que existia já antes mesmo da fundação de Imperatriz. Dizer que na metade do século XIX frei Manoel Procópio tenha aldeado índios em Cidelândia é um absurdo, pois o povoado que deu origem a essa cidade foi fundado a menos de 50 anos.
2) O jornal publicou: “disse o historiador [Adalberto Franklin], acrescentando que Imperatriz foi fundada às margens do riacho Cacau.”— Outro grave equívico. Transcrevo o que escrevi no e-mail enviado ao João Rodrigues: Não é verdade que inicialmente a povoação de Santa Teresa tenha sido instalada na confluência do rio Cacau com o Tocantins e depois transferida para as imediação da hoje praça da Meteorologia, em face de uma cheia no Cacau. O primeiro sítio onde frei Manoel Procópio estabeleceu a “Colônia de Santa Teresa”, em setembro de 1849, foi no lugar chamado Remansão, no rio Tocantins, após as antigas cachoeiras de Itaboca, onde hoje fica a hidroelétrica de Tucuruí. No final do ano, houve uma grande cheia e morreram de febres muitos colonos levados para lá por frei Manoel Procópio, desistindo ele desse local. Frei Manoel Procópio, com alguns colonos, seguiu dali e se estabeleceu na confluência do rio Araguaia com o Tocantins (São João do Araguaia), de onde passou a fazer contato com os índios Apinajé (e conseguiu aldeá-los por algum tempo), do lado de Goiás; depois contactou com os Gavião e os Krikati, do Maranhão. Depois de conseguir aldear 800 índios Gavião no lugar Frades (hoje povoado de Cidelândia), e os Krikati em duas aldeias (uma nas margens do rio Cacau e outra no Barra Grande), resolveu então refundar a Colônia de Santa Teresa, entre essas duas aldeias, para acompanhar os índios aldeados e formar a nova povoação. Então, essa história de que inicialmente Imperatriz foi fundada nas margens do rio Cacau não é verdade; isso é uma versão deturpada do acontecido no Remansão.
3) Mais outro: “[…] Adalberto Franklin concluiu que a fundação foi mesmo em 1852 e, ainda, que Frei Manoel Procópio era um capelão da Polícia Militar.”Em momento nenhum eu afirmei que frei Manoel Procópio fosse capelão da Polícia Militar. O que eu disse foi que a expedição que deixou Belém em 1849 para fundar a colônia de Santa Teresa era comandada por um militar, e que frei Manoel Procópio era o capelão dessa expedição [naquela época, todas as expedições desse tipo eram obrigadas a ter um capelão, um sacerdote católico, na equipe].
Antes de escrever este texto, enviei um e-mail ao João Rodrigues pedindo que ele fizesse algo para reduzir os prejuízos dessas informações equivocadas.Tomara que pelo menos minimizem o prejuízo histórico que pode causar.

5 Comments

  1. Realmente são distorções sérias e comprometedoras. No mínimo vale uma matéria reparadora dos danos.

    domingo, julho 18, 2010 at 14:53 | Permalink
  2. adalberto wrote:

    O João Rodrigues respondeu a meu e-mail em que reconhece que fez uma leitura rápida do meu texto, mas também houve intervenção da editoria no resultado final. Ele prometeu que buscará fazer nova matéria, mais detalhada, procurando corrigir os equívocos.

    domingo, julho 18, 2010 at 21:00 | Permalink
  3. waldeilson wrote:

    a história é campo de grandes possibilidades, por isso é importante a transparência dessas questões.

    sexta-feira, setembro 3, 2010 at 22:36 | Permalink
  4. Ferreira wrote:

    Em relação a esse assunto de vereador. O que deu pra entender e q o pastor chamou todos voces de fofoqueiros e. E ai qual a resposta de vcs.

    terça-feira, setembro 7, 2010 at 09:25 | Permalink
  5. Ferreira wrote:

    O pastor chamou todos voces de fofoqueiros. e ai vão responder

    terça-feira, setembro 7, 2010 at 11:25 | Permalink

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