Ética chega ao 350º livro publicado
18 anos depois de ter publicado o primeiro livro, a Ética Editora, de Imperatriz, da qual sou sócio e editor, chega, neste mês de julho, ao 350º livro publicado. Exatamente três centenas e meia. É um recorde no Maranhão, segundo assegurou-me a poetisa e também editora Arlete Nogueira da Cruz, esposa do poeta Nauro Machado. E já havia diagnosticado o insuspeito editor e multiliterato Jomar Moraes, ex-diretor do antigo Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado (Sioge), até então, creio, maior casa publicadora da história do Maranhão.
Modéstia à parte, porque até a despretensão tem limite, a Ética Editora vem se projetando nos últimos anos como uma das mais importantes publicadoras do Norte-Nordeste. E isso sem qualquer apoio ou incentivo dos governos municipal, estadual ou federal. Sequer comprando livros, porque preferem — e sei a que custo e vantagens — escolher os títulos das grandes editoras e desprezar os temas e autores regionais.
Eu, como editor, e a Ética, como editora, somos hoje conhecidos nos fóruns de discussão do livro e da leitura no Nordeste. Há títulos por nós publicados indicados em bibliografia de cursos de diversas faculdades de renome nacional e até por cientistas de renome internacional, entre os quais Bertha Becker, Ladislau Dowbor e Ignacy Sachs. Diversas bibliotecas, etre elas a do Congresso Norte-Americano, anualmente, vêm incluindo livros da Ética em suas compras de atualização de acervo — somente no ano passado, foram mais de dez títulos.
Mas como diz a sentença, “santo de casa não faz milagre”, em três vezes em que figuraram livros da Ética nas listas das licitações do Estado (numa só vez, 42 títulos), foram misteriosamente “retirados” da relação antes da realização do certame. E em nossa Imperatriz, cidade que sequer tem uma biblioteca pública digna do nome, e onde jamais houve uma licitação para compra de livros, sequer os que tratam da história do município, a situação não é diferente. Meses atrás, a Secretaria Municipal de Educação chegou a publicar um edital para a compra de livros para as “bibliotecas das escolas”, em que não constava nenhum livro publicado no Maranhão e muito menos de autores locais ou regionais. Essa licitação foi cancelada e estranhamente não se realizou outra, continuando então esse ineditismo.
Confesso, entretanto, que não comecei a publicar livros esperando favores ou facilidades de governos ou instituições públicas. Na verdade, nunca as espero, nem as busco. A condição de editor me veio por duas razões: a primeira, por ter sido tipógrafo, profissão em que iniciei em 1974, antes de completar 12 anos de idade; a outra, por ser um apaixonado pelo livro e pela leitura. Na Tipografia Castro Alves, de propriedade de meu falecido pai, Martinho Alves de Castro, publiquei o primeiro livro, em 1977, com apenas 15 anos de idade, todo composto a mão, tipo a tipo, espaço a espaço, letra a letra, por mim mesmo. Trabalho que durou três meses para se compor e imprimir. Era o “Manual do Conscrito”, para o 50º BIS, batalhão do Exército sediado em Imperatriz. O primeiro de literatura, da mesma forma, já na extinta Gráfica Escriba, sociedade entre eu e meu irmão Gilberto, em 1985. Foi o “Canto ocasional”, primeiro livro do saudoso confrade poeta Benedito Batista Pereira.
O primeiro livro com o selo da Ética foi “O presépio queimado”, livro de contos de Lourival Serejo, um dos fundadores da AIL e hoje também membro da AML. Esse livro ganhou depois segunda edição, mais encorpado e com capa melhorada, pois a da primeira edição é muito simplória. Daí pra frente, seguiram-se dezenas e dezenas de títulos, ao longo dos anos de persistência editorial.
A Ética vem resistindo, não porque esse ofício tem rendido dividendos financeiros. Ao contrário. Para mantê-la, contraí ao longo desse tempo três falências. Numa delas, inclusive, tive que paralisar as atividades editoriais por três anos, até conseguir retomá-las. É, segundo o diagnóstico de alguns amigos, um caso patológico. Para mim, não, trata-se de uma necessidade existencial. Da mesma forma que os viciados em fumo e em bebida, não consigo viver sem publicar, sem gestar um livro. Por isso, tenho sempre uma fila de publicações a fazer e outra de obras que desejaria publicar. Atualmente, mais de 30 estão na fila. Poderia até dizer que meu ritmo é “terminando uma, começando a outra”. Mas é pior: sempre trabalho simultaneamente em três, quatro, cinco…
Assim, estamos chegando neste mês ao 350º livro publicado. Minha dúvida está sendo: qual será o 350º?
Ainda não sei. Dentre os que estou concluindo agora, escolherei um deles para levar essa chancela. Não está sendo uma escolha fácil.
De qualquer forma, apesar de tudo, tem valido a pena.
5 de julho de 2010 às 10:01
Caro Adalberto,
Outro dia alguém perguntou-me: o que fazer para escrever um livro? – Respondi: em primeiro lugar, LER! Leia muito. Leia bem.
O preâmbulo destas poucas linhas, é apenas para ratificar o que eu e muitos outros temos dito a propósito da cultura literária, não só de Imperatriz, mas da região da qual a nossa cidade é a grande metrópole: contamos com duas colunas mestras, sustentáculos de nossa ebulição cultural, quando se trata de ler e escrever. Refiro-me à Academia Imperatrizense de Letras e à Ética Editora, que, aos meus olhos, parecem irmâs gêmeas, cuja cadeia de propósitos se identificam e enaltecem a nossa terra. Portanto, quando a Ética Editora atinge o respeitável número de 350 obras editadas, temos motivos para agradecer a Deus e parabenizar o Guerreiro Adalberto Franklin, idealizador e executor desse trabalho que requer, além da capacidade, muita abnegação, muita paciência, muita tolerância. PARABÉNS, ÉTICA EDITORA! PARABÉNS, ADALBERTO! PARABÉNS, IMPERATRIZ!