O fim do Jornal do Brasil impresso
A imprensa anuncia o fim do Jornal do Brasil impresso. Para mim, é uma perda. A perda de um bem simbólico.
Foi para o Jornal do Brasil, em 1988, que fiz minha primeira colaboração para um grande jornal de circulação nacional, cobrindo o julgamento do matador do padre Josimo Tavares, no fórum de Imperatriz, época em que eu era editor-chefe do jornal “O Progresso”. O JB foi também o primeiro jornal que eu li na internet, em 1995, durante a Fenasoft, em São Paulo. Foi ele o primeiro jornal a ser disponibilizado on-line no Brasil.
Interessante é que nessa Fenasoft, no stand do JB, assisti a uma palestra em que um jornalista dizia que em tempo não muito longe, o jornal impresso deixaria de existir. Que não se precisaria mais descer do prédio de apartamentos para ir até a banca de revistas comprar um jornal, pois ele estaria acessível pela internet, em seu monitor. Agora, isso soa a profecia, pois o JB é um dos primeiros grandes jornais brasileiros a deixar de existir em papel.
Mas o JB tem, ainda, uma curiosa ligação com a história de Imperatriz e do Maranhão. Fundado em 1891, o Jornal do Brasil reunia grandes intelectuais brasileiros que defendiam a monarquia derrubada com a proclamação da República. Em 1893, quando Rui Barbosa era seu editor, o jornal fez defesa da Revolda Armada, pelo que o presidente Floriano Peixoto mandou fechar o jornal e caçar Rui, vivo ou morto. O jornal foi fechado por mais de um ano e Rui Barbosa foi exilado. Nesse período, um dos colaboradores de Rui na editoria do jornal era o intelectual maranhense Parsondas de Carvalho, que a partir de 1905 veio residir em Imperatriz com sua irmã, Carlota Carvalho. E aqui ficou até a morte.
No final de 1894, o jornal voltou a circular, agora sob a tutela da família de Cândido Mendes de Almeida, um ilustre senador maranhense que patrocinou a defesa da devolução de território de Carolina (anexada por Goiás) ao Maranhão. Depois, o JB foi adquirido pelos conde e condessa Pereira Carneiro, ela uma maranhense filha de Dunshee de Abranches, meu patrono na cadeira 20 da Academia Imperatrizense de Letras, autor de mais de 120 obras, entre elas a “A esfinge do Grajaú”, uma das primeiras crônicas históricas sobre as questões políticas desta parte do Maranhão.
No JB, trabalharam diversos maranhenses que se projetaram no jornalismo brasileiro.
20 de julho de 2010 às 00:11
Adalberto cara, essas informações são raríssimas, interessante essa ligação de Parsondas de Carvalho com Rui Barbosa. Em 1893 Rui Barbosa já havia sido Ministro da Fazenda no governo do “proclamador de República” Marechal Deodoro da Fonseca, e mesmo assim ainda era visto como monarquista?
Li “O cativeiro” de Sunshee de Abranches a partir daí me interessei em conhecer melhor essa figura que segundo Meireles teve participação decisiva na adesão do Maranhão à República a partir dos movimentos liderados por Isac Martins em Barra do Corda.
É incrível como nossa história está interligada com o contexto nacional. Quanto mais lhe leio tenho curiosidade de conhecer nossa região.
20 de julho de 2010 às 16:55
Caro Hermes,
Assim como antes no quartel de abrantes , tinha gente que era jackista roxo e hje ta roseanista vermelho..
22 de julho de 2010 às 12:25
Adalberto,
Já que o Dunschee de Abranches é vosso patrono na AIL não seria de bom alvitre você ter revelado que Abranches morou em Barra do Corda, que foi um dos fundadores e redatores do jornal “O Norte”, veículo que defendia a instalação da República no país, e era feito a partir de Barra do Corda e atingiu por 50 anos todo esse vasto sertão maranhense além de terras de Goiás e Pará. Que sobretudo com a experiência que Abranches teve com o jornal O Norte o credenciou para depois trabalhar no Jornal do Brasil. Acho que faltou essa parte, caro Adalberto. Na próxima, não esqueça, ele é teu patrono.
Pedro Gonçalves Lima, de Barra do Corda (MA)
22 de julho de 2010 às 21:53
Pedro,
o objetivo do tópico não era falar do Dunshee de Abranches, e sim do Jornal do Brasil.
Entretanto, tenho consciência da importância de Dunshee de Abranches para a história dos sertões maranhenses. Tanto que no ano que vem, quando completará 70 anos de sua morte, vou republicar três livros livros dele: “A esfinge do Grajaú”, “A Setembrada” e “O Cativeiro”.
23 de julho de 2010 às 15:08
Adalberto,
Desculpe!… Reclamei da presença do Dunshee de Abranches no vosso texto porque o Dunshee também trabalhou no JB, como diretor de redação, mas sobretudo jornalista.
Vc mesmo cita em seu post que a condessa Carneiro Pereira, filha do Dunschee, tornara-se proprietária do JB.
Se vc citou a Condessa, que é filha, porque não dizer que seu patrono também trabalhou no JB?
Na minha pequena colaboração, quero dizer que o Dunschee antes do JB trabalhou no jornal O Norte, de Barra do Corda, um jornal que durou 50 anos e mereceria, até de vc que é pesquisador, um olhar mais apurado, porque era um jornal do sul-maranhense.
De qq forma, meus cumprimentos pelo teu trabalho como jornalista e pesquisador.