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Bandidos sem honra: a ditadura no MA ainda não terminou

Havia tudo para uma noite aprazível e memorável: a celebração da resistência à ditadura, expressa por dois heróis populares, expoentes das lutas contra o arbítrio do ainda não tão distante regime de exceção, e um livro polêmico, libelo contra os desmandos da oligarquia que teima em conservar-se no Maranhão. Na mesa, além de dois diretores do Centro de Estudos Superiores de Imperatriz (CESI), campus da UEMA em Imperatriz, que sediava o encontro, e dois dirigentes das agremiações estudantis da entidade; também estava eu, como convidado, coadjuvando as verdadeiras estrelas da festa: o líder camponês Manoel da Conceição, iniciador do movimento camponês no Maranhão e fundador do primeiro sindicato dos trabalhadores rurais, preso, torturado e exilado pela ditadura; Zezinho do Araguaia, um dos poucos guerrilheiros que escaparam das chacinas dos militares no final da guerrilha, e por mais de vinte anos dado como desaparecido; e o jornalista Palmério Dória, autor do livro “Honoráveis bandidos: um retrato do Brasil na era Sarney”, que era lançado no evento.

Havíamos falado quase todos os da mesa. Manoel antecedia o escritor; falava de sua história de lutas contra o latifúndio e a ditadura, nos anos ’50; narrava uma chacina da qual escapou, na qual foram mortas cinco pessoas, a mando de um grileiro. Integrantes de um bando de arruaceiros, postados no fundo do auditório, começaram a gritar e a jogar ovos nos membros da mesa. Palmério Dória, que se levantou, foi atingido na barriga; Manoel,  que tem uma perna mecânica, caiu ao chão; os demais, atônitos, como eu, ficamos em pé, sem sabermos ao certo o perigo que corríamos. Mas o público, em quase sua totalidade alunos da Uema, rechaçaram os baderneiros, que, pouco depois, em grupo maior, tentou retornar ao auditório e dar sequência ao atentado. Policiais militares, com a ajuda dos presentes, conseguiram controlar o ato criminoso. Fora dos muros da universidade, porém, o combate foi retomado pelos agressores, contra quem os policiais teve que usar suas armas: balas e bombas de efeito moral. Naquele momento, pressenti que o asqueroso Jabor tinha razão quanto ao Maranhão: estávamos no Afeganistão. No Iraque. Ou na Faixa de Gaza. Num lugar em que democracia e liberdade não existem.

Ouvi dias atrás a afirmação de que o Maranhão é o único estado brasileiro em que não houve ainda a transição entre a ditadura e a democracia. Todos os demais aposentaram seus coronéis e as práticas ditatoriais; o Maranhão continua o mesmo, sem qualquer alteração.

Vejo que no Maranhão persistem os mesmos costumes dos tempos de Benedito Leite e de Victorino Freire, em que a imprensa era perseguida e os adversários políticos aniquilados.

Passado o perigo maior no auditório, Zezinho do Araguaia, com quem eu conversara, juntamente com Manoel, durante três horas, pela manhã, me disse: “Eu não imaginava que depois de tanto tempo ainda pudesse presenciar um atentado como esse. Acho que são os estertores da ditadura”. Tomara, Zezinho, tomara!

*  *  *

Logo que cheguei ao auditório da Uema, poucos minutos antes das 20 horas, alertaram-me da presença, ali, de pessoas estranhas ao meio. Fiz questão de não me sentar logo na cadeira a mim reservada, com meu nome. Andei várias vezes do começo ao final do salão, olhando para alguns jovens com jeitos e trejeitos bem diferenciados de quem costuma dar valor aos livros (e eu conheço muito bem essa tribo, porque, como editor, já publiquei mais de 350 livros e participei de centenas de lançamentos). Sem preconceito contra qualquer outra “tribo”, a dos livros não se dão a ir a esses eventos de calções largos até os joelhos, nem costumam usar água oxigenada nos cabelos, nem ficam inquietos e desajustados em ambientes de cultura. Foi fácil identificá-los. Encarei-os e percebi que, com isso, eles se viam desconfiados. Apenas alertei os organizadores do evento a manterem cuidado redobrado naquele área do auditório. Mas, como pistoleiros que, ao receberem o adiantamento do “serviço”, se vêem obrigados a honrar o compromisso, como Judas, fizeram o que tinham que fazer.

Hoje, consegui conversar com um deles. Não era “de fora”. Era mesmo de Imperatriz, contratado juntamente “com uns dez” outros para “reforçar” o time que veio, dizem, de Pio XII. O valor recebido, adiantado: R$ 40,00, “de um pessoal do Leo Cunha”, disse-me, sem qualquer reserva. Assegurou-me que fugiu logo no começo da balbúrdia. Teria sido contratado “para fazer segurança” no lançamento do livro. Somente teria tomado conhecimento da verdadeira ação quando chegara à Uema.

Dá medo! Dá medo viver num estado como este em que, às claras, e diante de muitas câmeras, se promovem atentados contra a honra, a liberdade de expressão e a democracia. Se assim o fazem, então, do são capazes às escondidas?

O Maranhão precisa, urgentemente, sair da escuridão das trevas!

6 Comments

  1. RENATO SALAZAR DE GEOGRAFIA II PERIODO wrote:

    eu com toda a minha juventude nunca tinha visto tal badenagem
    feita pelo o grupo politico, mesmo o Sarney agora sei a verdeira faça desse grupo de poilitico os que eles fazem para se manterem no governo
    isso é uma vergonha nacional o maranhão ainda viver uma ditadura tenho combater eles no Voto no de 03 de Outubro ainda naum sei o que eles vão fazer daqui para o dia das eleições, agora que eu sei do que eles saõ capazes de promover vou lutar para um maranhão melhor e Xô Familia Sarney…

    sábado, agosto 14, 2010 at 10:40 | Permalink
  2. Marcelo Lira wrote:

    Fiquei altamente enojado ao ler o blog do delinquente, de Pio XII, Assis Filho. Mas pior ainda foi ver o mesmo testo absurdo no blog notícia da foto repetir o mesmo texto. Como é possível uma pessoa que se diz jornalista compactuar com a opressão à liberdade de expressão.
    Com o perdão do paradoxo: indivídios como esses são os verdadeiros PSEUDO-JORNALISTAS.

    Marcelo Lira

    sábado, agosto 14, 2010 at 17:27 | Permalink
  3. nilton sumiu wrote:

    parabens pela bela materia nobre adalberto franklin, enquanto existir um politico com sobrenome de sarney no maranhao, continaremos vivendo no estado mas miseravel deste pais.

    domingo, agosto 15, 2010 at 11:02 | Permalink
  4. Maria Lacerda Moura wrote:

    a verdadeira ditadura e verde.capital x trabalho.

    segunda-feira, agosto 16, 2010 at 12:10 | Permalink
  5. Por que esse tipo de atitude não me surpriende! não desejo o mal para ninguem mais enquanto o sarney continuar no poder sustnetado por lulas da vida esso vai continuar acontencendo.

    O legal de tudo isso e que eles(sarneis) podem dominar tudo e quase todos mas nunca vão conseguir o respeito e a admiração de uma unha que tem manuel da conceição e os demais abistinados lutadores da causa libertaora do maranhão. esses sim já estão na roul da história como verdadeiros herois da luta da liberdade da democracia da justiça social. “É QUESTÃO DE TEMPO E ELES VÃO SUNCUBÍ, HÀ LUTA CONTIUA MEU POVO.”

    quarta-feira, agosto 18, 2010 at 17:15 | Permalink
  6. Gustavo Reis wrote:

    Bom dia! A liberdade de expressão é o bem maior de uma sociedade. Sem isso ficamos como que amputados das principais partes do corpo. Quando vejo o “lula” pedindo voto para joão alberto, e lobão, cai a ficha de a que ponto nos chegamos. O pt é um partido autoritário, admirador de hugo chaves e semelhantes, e por varias vezes tentou cercear a imprensa,e essa dilma eu não sei não. Agua mole em pedra dura….sabe como é. Se existe um inferno, seu nome é ignorância, e no Brasil tem gente demais nesse inferno. No Maranhão vixe! Precisa nem falar. A prova maior disso é como você disse ainda vivemos numa ditadura. Meu medo é essa moda pegar, pois se o sarney manda até no presidente, imagine Palmério ousar ter noite de autográfos tranquila em Imperiraque.

    quinta-feira, agosto 26, 2010 at 09:59 | Permalink

One Trackback/Pingback

  1. Diario da Serra - Portal de Noticias da Serra do Teixeira on sábado, agosto 14, 2010 at 10:27

    Um banco é assaltado a cada cinco dias na PB; danos somam R$ 5 mi…

    Achei interessante a seu link, assim, eu adicionei um Trackback para ele no meu blog :)…

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