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Empresas de curtume reagem com ameaças

Como desdobramento das denúncias do presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Curtimento de Couro e Peles do Sudoeste  Maranhense (Sindicouro), sediado no município de Governador Edison Lobão, ocorreu uma tumultuada reunião, a portas fechadas, entre os vereadores da localidade e diretores das cinco empresas da área, na tarde última quinta-feira, na sala de reuniões da Câmara Municipal.

Na reunião, dirigentes das empresas apresentaram suas reclamações aos vereadores. Protestaram contra a atuação do Sindicouro e chegaram a afirmar até que poderiam mudar as fábricas para outros municípios se nem os vereadores nem o prefeito, a quem eles já haviam recorrido algumas vezes, tomassem alguma medida contra o Sindicato. Pediram, como se os vereadores tivessem poder para isso, que o atual presidente do Sindicato, Jairo Oliveira dos Passos, fosse retirado do cargo. E exigiram ainda várias outras medidas contra a atuação do Sindicato e de seus diretores, como se por lá mesmo pudessem ser alteradas as leis trabalhistas do país.

O sr. Adão, diretor do Curtume Santa Maria, o mais exaltado e raivoso, com aval dos seus colegas, acusou o vereador José Paulo de Moura (PT), vice-presidente da Câmara, de “patrocinar” o Sindicato e dar aval aos trabalhadores em suas reivindicações. O vereador confirmou seu apoio à entidade e afirmou que continuaria a manter essa postura, e ainda ironizou, dizendo que se eles quisessem mudar as leis trabalhistas, deveriam ir ao Congresso e convencer os deputados e senadores a fazerem isso.

Eles protestaram também porque o Sindicato foi criado sem que eles tivessem sido antes consultados (pasmem!); que nem tiveram tempo de apresentar “uma chapa nossa” (!!). E, diante dessa alegada desvantagem, propuseram que o presidente do Sindicouro fosse retirado do cargo (!!) e realizada uma nova eleição da diretoria (!!).

Diante de tanta barbaridade, é de se perguntar se essas empresas têm alguma assessoria jurídica. Não poderiam diretores de empresas que empregam centenas de funcionários se vejam submetidos a tamanho vexame!

O vereador José Paulo propôs que as empresas começassem um novo tempo, passando a manter um bom relacionamento com o Sindicouro, sem demissões nem retaliações aos trabalhadores sindicalizados, o que tem acontecido com frequência, e fosse “passada uma borracha no passado”. Mas os diretores das empresas colocaram uma condição: somente se Jairo sair da presidência do Sindicato; com ele na presidência não haverá diálogo.

A ira deles contra Jairo não tem nada a ver com os problemas causados após a desastrada visita do candidato Weverton Rocha à empresa, na semana passada, quando o ex-assessor do MTE afirmou que o sindicato era ilegal e tentou desqualificar as ações dos sindicalistas. Ela existe porque Jairo, um jovem de 21 anos, eleito por unanimidade neste ano em assembléia de fundação do Sindicouro, como seu presidente, já encaminhou, na Justiça do Trabalho, mais de duas dezenas de casos graves de acidentes do trabalho e de outras infrações trabalhistas contra essas empresas, o que pode levar as empresas a pagarem, juntas, mais de um milhão de reais de indenizações.

Além disso, Jairo move uma ação indenizatória contra o Curtume Tocantins, empresa onde trabalhava e foi demitido após ter contraído “Pneumoconiose”, uma doença provocada por insuficiência respiratória devido à inalação de poluentes químicos, entre os quais cromo, batan, sulfeto, sulfato de amônia, dekaton, ácido sulfúrico, fórmico, germol e usan, utilizados nos curtumes no processamento de couro. É um jovem calmo, sensato, assíduo em sua igreja (evangélica), casado, mas destemido e intransigente defensor de seus companheiros. Em sua casa, ele atende diariamente, até tarde da noite, as muitas reclamações de trabalhadores, homens e mulheres, submetidos a jornadas extenuantes e a condições altamente insalubres de trabalho, sem falar nos acidentados que, não raro, são largados à sua própria sorte, sem o devido socorro na empresa. Por isso, é estimado por todos. Nos vários processos contra essas empresas, na Justiça do Trabalho, podem ser lidos diversos relatos de casos assim.

Resultado da reunião: por inteferência da Câmara de Vereadores, serão realizados dois encontros para dirimir a questão: a primeira, entre os vereadores e os sindicalistas; a segunda, entre os diretores das empresas e os sindicalistas, com intermediação dos vereadores.

Um dia, já bem próximo, quando os diretores das empresas de curtume de Governador Edison Lobão se virem obrigados a despertar para o fato de que estamos no século XXI, e que os direitos dos trabalhadores são conquistas irremovíveis, fruto do progresso civilizatório da humanidade, e que a dignidade da pessoa humana é princípio constitucional pétreo, terão que reconhecer na dureza das atitudes de Jairo dos Passos, uma alavanca fundamental para a democratização das relações de trabalho e para o exercício da cidadania no município.

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