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Weverton Rocha: mais um fora-da-lei a serviço da opressão?

Não costumo escrever em meu blog questões político-partidárias nem fazer defesa ou críticas pessoais. Meses atrás, para não trair minha história em defesa das liberdades democráticas, da justiça, da ética e da cidadania, incluí o termo “cidadania” no cabeçalho do blog, como temática de minhas abordagens, além de “cultura e história”, que são as áreas mais específicas de minha atuação profissional. Não tenho tido tempo, porém, sequer para atualizá-lo com frequência, por isso, também não tenho sempre postado o que às vezes desejo.

Hoje, porém, fiquei indignado com o que me relatou Jairo Oliveira dos Passos, o jovem presidente do Sindicouro, um nascente sindicato dos trabalhadores em curtume com sede no vizinho município de Governador Edison Lobão.

Contou-me Jairo que o candidato a deputado federal Weverton Rocha, um obscuro “líder de juventude”, com vasta folha corrida no Ministério Público por improbidade administrativa, recentemente acusado de desvio de milhões quando secretário de Estado da Juventude, foi, na semana passada, a Governador Edison Lobão, onde teria se apresentado como assessor do Ministério do Trabalho, e prestou-se a comandar uma reunião da empresa Curtume Tocantins, com o objetivo de intimidar os trabalhadores e tentar desacreditar o sindicato e sua diretoria. Afirmava que o sindicato era ilegal e que os trabalhadores deveriam ficar ao lado da empresa; que as ações do sindicato não tinham validade, além de outras afirmações absurdas. Isso tudo com o aval do sócio-diretor do curtume, Ely Puente, que ainda teria intimidado e ameaçado de demissão um dos trabalhadores que ousou questionar Weverton Rocha durante a reunião, da qual centenas de funcionários foram obrigados a participar.

Tudo isso o presidente do Sindicouro, Jairo dos Passos, um corajoso jovem de apenas 21 anos, relatou, na tarde de hoje, à procuradora do Trabalho em Imperatriz, Tatiana Bivar, que já acompanha diversas outras denúncias contra as quatro empresas de curtume sediadas naquele município, por crime contra a organização do trabalho, danos morais e danos materiais sofridos pelos trabalhadores.  Em Governador Edison Lobão, é muito comum se encontrar ex-funcionários dessas empresas mutilados em acidentes de trabalho e depois demitidos sem qualquer indenização. Diversos processos indenizatórios correm na Justiça do Trabalho em face disso. O próprio Jairo, apesar da pouca idade, é um dos que já estão incapacitados para o trabalho, conforme diversos laudos médicos, em face da inalação de produtos químicos de alto teor de toxidade (somente agora, devido às pressões do Sindicato, as empresas começam a oferecer os EPIs devidos).

Ali, os trabalhadores são tratados como se não existissem leis trabalhistas, coisas do século XIX, em que os gerentes agem mais como capatazes do que como administradores. Coisas absurdas, que neste momento não cabem dizer, tenho ouvido em relatos desses trabalhadores.

E diante disso tudo, qual é o papel desse jovem candidato à Câmara Federal? A serviço do que ele se apresenta? O que e quem ele defende?

Neste momento histórico do país, estamos numa cruzada contra os “ficha-sujas”, para que uns não retornem e outros não ocupem os cargos públicos eletivos, para tentarmos mudar a cara do Brasil.

Pessoas que de agora se mostram contra os direitos constitucionais, contra as liberdades democráticas, contra os direitos dos trabalhadores…  o que esperar delas no parlamento?

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