A ética protestante da Assembleia de Deus
Bertone de Oliveira Sousa é um jovem imperatrizense que começa a se projetar como cientista social no campo da história contemporânea. Graduado em História pelo CESI/UEMA, fez Mestrado na Universidade Federal de Goiás e agora é doutorando na mesma UFG, além de professor da Universidade Federal do Tocantins, Campus de Araguaína. É também professor visitante da UEMA e da FEST. Suas pesquisas voltam-se, quase exclusivamente, para a investigação e abordagem das religiões, sobretudo do protestantismo, e, neste, em especial, da Assembleia de Deus, igreja da qual foi membro. É autor do livro “Protestantismo: das raízes na Europa à expansão em Imperatriz” (Ética: Imperatriz, 2007; série Dissertações Acadêmicas, v. 3), resultado de sua dissertação de graduação.
Agora, Bertone presenteará a região e o país com a publicação de sua dissertação de Mestrado, de largos méritos, tanto pela cientificidade da pesquisa quanto pela maturidade da abordagem, sem contar o ineditismo da temática, desenvolvido sob a orientação da historiadora e professora doutora Libertad Borges Bittencourt. Com o título “Uma perspectiva histórica sobre construções de identidades religiosas: a Assembleia de Deus em Imperatriz, MA”, o novo livro do historiador deverá ser lançado no próximo dia 15 de fevereiro, em Imperatriz, com selo da Ética Editora.
Em suas 262 páginas, o livro apresenta um histórico da Igreja Assembleia de Deus, desde sua fundação, em Belém do Pará, em 1910, sua expansão e chegada à região tocantina; sua doutrina, a práxis e tradição; conservadorismo, autoridade, hierarquia e caráter antiliberal; a abertura recente à “modernidade”; decisões das convenções nacionais e movimentos de separação; a expansão missionária; a articulação com o poder político, e demais aspectos da identidade da IEAD.
Durante décadas voltada mais para a classe mais pobre, segundo o autor, a Assembleia de Deus “não se caracteriza mais apenas como uma religiosidade de pobres e pessoas pouco escolarizadas, mas tem absorvido sujeitos de todas as camadas sociais, o que explica as amplas mudanças ocorridas em seu interior, como a incorporação da Teologia da Prosperidade”.
Bertone Sousa, de família assembleiana, ex-professor de Escola Dominical da IEAD, afirma que seu estudo buscou, sobretudo, “compreender o que é a Assembleia de Deus, que características assumiu e como interagiu com diversos acontecimentos da história brasileira, haja vista que sua inserção em Imperatriz implicou a criação de estratégias para alcançar grupos sociais vindos de distintas regiões do país, numa região de fronteira, que, a partir de sua integração à modernização do Brasil, vivenciou um processo de fortes tensões sociais e hibridismo cultural”. Ele afirma que dentre as indagações que buscou dar respostas, estão: “Qual a postura adotada pela AD em relação ao processo de modernização da sociedade imperatrizense? De que forma as mudanças socioculturais
das últimas décadas têm influído sobre as mudanças e permanências na visão de mundo assembleiana? Como se caracterizam as relações internas de poder da Assembleia de Deus e sua relação com a esfera política? O que representam a conversão, o Batismo com o Espírito Santo, e como esses elementos interferem na reordenação identitária dos fiéis?” A obra inclui, ainda, duas entrevistas com dois dos maiores líderes da IEAD na região, os pastores Jairo Saldanha e Raul Cavalcante Batista, ex-presidente e atual presidente da Convenção do Serviço de Evangelização do Araguaia e Tocantins (SETA).
A doutora Libertad Bittencourt observa que “a questão das identidades é a pedra de toque e o diferencial desse profícuo trabalho, uma vez que esses tópicos estão no centro da teoria social e da prática política contemporânea” e que a obra de Bertone demonstra que “a atitude do pentecostal de se considerar na posse exclusiva da salvação consiste em uma forma de autoafirmação e defesa de sua identidade religiosa”, atitudes que “impedem a eles de relativizar sua visão, uma vez que o caráter absoluto da doutrina foi o que os levou a reordenar sua personalidade e recompor sua integridade psíquica, ao mesmo tempo em que os afastou das formulações teológicas que os conduziram até ali”.
Sem dúvida, Bertone Sousa é forte candidato se tornar o nosso Max Weber.
25 de janeiro de 2012 às 21:09
“Sem dúvida, Bertone Sousa é forte candidato se tornar o nosso Max Weber.”
Pelo amor de Deus, não diga isso! Nunca li esse doutorando mas seja lá o que escreveu, é um despropósito, uma asneira fazer uma afirmação dessas. A Assembléia de Deus foi a instituição que, depois da Igreja Católica, mais se prestou para atrasar o Brasil em todos os sentidos. Se experimentamos alguma evolução sócio-político-econômico-cultural com repercussão positiva, inclusive no âmbito de membresias como as da Assembléia de Deus, devemos a dois fenômenos, um de ordem geral e o outro de ordem paritular, sejam eles, respectivamente: democratização da informação a reboque do fenômeno internet e à expansão da Educação no Brasil sobretudo, Educação Superior.
A Assembléia de Deus durante décadas ensinou sistematicamente a não estudar e com isso privou muitas famílias da evolução civilizatória natural.
A Assembléia de Deus foi e ainda é uma espécie de hiena que precisa ser abatida porque as carniças já vão faltar para delas se alimentar.
Ela nunca confrontou o sistema perverso de dominação perpetrado pela mentalidade ibero-católica, preservada pela Igreja Católica e os coronéis remanescentes da colonização portuguesa.
Ela nunca o fez porque é uma hiena. Chegou onde chegou mas nunca passou de hiena que sempre viveu das carniças abandonadas pelos leões devoradores da sociedade brasileira. Herdeiros do catolicismo e do patrimonialismo português.
Posso dizer isto porque sou de origem assembleiana, mas não sou idiota.
Sou protestante convicto e bem fundamentado mas não me digam que assembléia merece algum respeito como Igreja Cristão Protestante porque ela fez tudo ao contrário do espírito da Reforma Protestante.
Ela é simplesmente uma endossadora da virulência católica no Brasil.
FRANCISCO DE LIMA GOMES
filgomes@bol.com.br
27 de janeiro de 2012 às 13:39
Francisco, é estranho que você teça comentário tão longo sobre algo que nunca leu e não conhece.
27 de janeiro de 2012 às 17:03
Adalberto, não é estranho se conheço muitissimo bem a obra de Weber e a Assembléia de Deus. Nem o Sérgio Buarque de Holando poderia ser tido como o “Weber brasileiro” quanto mais esse tal Bertone Sousa cujo objeto de estudo, segundo você diz, é a Assembléia de Deus.
Recomendo que você leia algumas teses e dissertações acerca da IEAD, por exemplo: “Assembléia de Deus – Fora do mundo e dentro da política”. Essas sim, trazem a público a verdadeira essência da IEAD.
14 de fevereiro de 2012 às 22:23
A Assembleia de Deus e a amior denominaçao Evangelica do Brasil(IBGE), e uma igreja que tem contribuido muito para melhorar o Brasil em divesos aspectos. É uma Bençao DE IGREJA.
26 de março de 2012 às 01:26
como tese de mestrado… tudo bem. O tema precisa ser vinculado à tese proposta. Mas chamar isso de “estudo do fenômeno” protestante, é um enorme exagero. Em cada região do Brasil o processo de instituição da IAD deu-se de forma diferente. É óbvio que a experiência pessoal do autor é um fator de parcialidade. Um viés cientifico que por si só, fragiliza a definição de tese científica. Esta muito mais para uma declaração “fui traumatizado na minha adolescência na igreja”. Não é para menos, ser adolescente na IAD é “pedreira”…