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Expedições pelo Tocantins e Araguaia

Marcado para o dia 10 de fevereiro, às 19h, no plenário da Câmara Municipal de Imperatriz, o lançamento do livro Expedições pelos rios Tocantins e Araguaia, do jornalista, acadêmico (AIL) e ambientalista Domingos Cézar. Os convites estão sendo distribuídos pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente de Imperatriz, do qual faz parte o autor.

No livro, de formato 19x28cm e 94 páginas  — sete delas, fotografias policrômicas de página inteira de lugares distintos dos rios Tocantins e Araguaia —, impresso em papel reciclado, Domingos Cézar relata, em forma de crônica, sobre as seis expedições que empreendeu num período de três anos pelo alto Araguaia e médio Tocantins, desde a confluência deste com o rio Manoel Alves Grande, em território maranhense, até a cidade de Marabá, no Pará, em viagens de reconhecimento das belezas naturais e de verificação dos impactos socioambientais causados pela ação humana.
Além de coordenar a publicação para a Ética Editora, escrevi o prefácio da obra, que abaixo transcrevo:
O rio Tocantins é uma das maiores riquezas naturais brasileiras,  fonte de vida para centenas de milhares de pessoas desde a região central do Brasil até a Amazônia setentrional, onde desemboca no imenso encontro de águas que circunda a capital do Pará.
Tem-se notícia de que desde o final do século 16 há entradas de navegantes europeus nas águas do Tocantins, em expedições de busca de riquezas minerais e de aprisionamento de nativos.
Ao longo desses últimos quatro séculos, a Amazônia Oriental, região da qual fazem parte o médio Tocantins e o rio Araguaia, foi motivo da cobiça de empresas estrangeiras e nativas. Primeiramente, na corrida em busca de uma nova Potosí, nos aldeamentos e escravização dos indígenas e na coleta das drogas dos sertões; depois, na exploração capitalista de matéria-prima industrial, como o látex e o caucho, e de produtos naturais comestíveis, como a castanha-do-pará e o babaçu. E, por último, das árvores nobres, da própria terra, das águas abundantes e das muitas riquezas do subsolo.
Os impactos socioambientais sofridos pelas margens ribeirinhas dos rios Tocantins e Araguaia nestes últimos quatro séculos são hoje facilmente identificados. As ações humanas — sem qualquer cuidado de conservação das belezas naturais, de preservação das espécies animais, de proteção da vegetação ribeirinha — têm sido quase sempre destruidoras do equilíbrio ambiental e, por conseguinte, da vida plena das espécies e da natureza.
Nos últimos tempos, as investidas econômicas de exploração madeireira, de extração de areia e de construção de barragens têm aprofundado e acelerado esse curso de destruição da paisagem,  evidenciado o desequilíbrio da natureza e o comprometimento da qualidade de vida das futuras gerações.
As expedições de Domingos Cézar e seus companheiros de viagem tiveram o condão de observar e registrar as condições que o majestoso rio Tocantins se encontra, às vésperas de sofrer mais uma grande intervenção em seu curso — o fechamento de comportas da hidroelétrica de Estreito, a terceira grande barragem no mesmo rio, que alterará drasticamente a paisagem e o movimento fluvial na região.
Filho de pescador dessas mesmas águas, acostumado às lides e à sabedoria dos ribeirinhos, o autor realiza um olhar nativista, romântico e poético de “seu” espaço de infância e juventude, mas também constata e denuncia as mazelas que o “progresso” constrói na desenfreada corrida em busca de ganhos financeiros.
Domingos Cézar, um ambientalista nativo das águas do Tocantins, em sua pequena canoa, avança também sobre o rio Araguaia — irmão tributário que doa sua vida ao primeiro num belíssimo encontro fraterno sob os olhares de três estados — e aí constata a mesma realidade vista nas barrancas tocantinas.
Em todos os trajetos percorridos, o autor e seus companheiros de viagem mantiveram a esperança proativa — atitude de quem sabe que é preciso construir uma nova mentalidade e gestar um futuro mais humano e harmônico —, promovendo reuniões e conversas com pescadores e ribeirinhos sobre a importância de se cuidar do rio, de suas encostas, da vegetação, das espécies aquáticas… enfim, da vida humana, que disso tudo depende.
Por fim, as expedições de Domingos Cézar pelos rios Tocantins e Araguaia são um olhar amoroso à natureza e à humanidade; um grito de alerta em defesa de um mundo menos desequilibrado e mais pleno de vida.
Adalberto Franklin

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  1. Expedições pelos rios Tocantins e Araguaia | dimperatriz on sexta-feira, junho 3, 2011 at 14:27

    […] http://adalbertofranklin.por.com.br/2011/01/expedicoes-pelo-tocantins-e-araguaia/ […]

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