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Os cursos e o discurso: os graduandos da UFMA

Na quinta-feira passada, 20 de janeiro, tive a honra de ser paraninfo da formatura da primeira turma de bacharelandos em Comunicação Social do Campus II (Imperatriz) da Universidade Federal do Maranhão. Na mesma solenidade, graduavam-se também acadêmicos dos cursos de Ciências Contábeis, Pedagogia e Direito. Fui escolhido para pronunciar-me em nome dos demais paraninfos e, sob pedidos, transcrevo abaixo o discurso que proferi:
[…]

Senhoras e senhores, boa noite!

Em primeiro lugar, agradeço a honra que me foi concedida em paraninfar os bacharelandos da primeira turma do curso de Comunicação Social do Campus II da Universidade Federal do Maranhão, que hoje recebem o merecido grau, e de falar nesta solenidade em nome dos demais paraninfos dos graduandos em Direito, Pedagogia, Ciências Contábeis e Comunicação Social.Este é um apadrinhamento que engrandece e honra qualquer pessoa por toda a vida.

Nesta noite, aqui presentes, cidadãos e cidadãs, das mais variadas faixas etárias, que acreditaram no poder do conhecimento, na força do saber, e dedicaram uma parte de suas vidas aos estudos superiores, se apresentam para receberem o prêmio que lhes é devido por essa faina. É um mérito!Imperatriz, esta cidade pujante e cosmopolita, que agrega povos, culturas, saberes e engenhosidade oriundos dos mais diversos polos do país, entra nesta segunda década do século XXI palpitando de esperanças em se consolidar como metrópole do saber e do desenvolvimento.

Sim, de desenvolvimento; não apenas de crescimento. Um desenvolvimento que signifique a justa distribuição do bem-estar de todos e de cada um dos cidadãos, seus habitantes, o que não é nada mais do que o pró-labore que a cada um é devido no pacto social que nos une enquanto comunidade e povo politicamente organizado.

Imperatriz é muito mais porvir que passado. Aqui, janelas e portas continuam se abrindo àqueles que sabem interpretar o presente e projetam-se no futuro que agora se constrói. E o futuro passa pelo conhecimento e pela qualificação profissional.

Desde o final dos anos ’90, encerrando os ciclos econômicos de exploração de suas riquezas naturais, Imperatriz enveredou-se no que é a marca das grandes cidades: a economia dos serviços, onde prevalecem o saber, os conhecimentos técnicos e científicos. Nos dias atuais, mais de 70% do Produto Interno Bruto das metrópoles se originam na economia terciária, no comércio e nos serviços. Imperatriz já está nesse patamar.

Hoje não temos dúvidas: viabiliza-se quem domina a tecnologia da administração, do gerenciamento, da inventividade, pois vivemos num mundo que se reinventa a cada dia.

Eis, portanto, a importância de uma academia científica. E também o valor dessa conquista — esse degrau do saber  que vocês, graduandos, galgam para colocá-lo a serviço da comunidade.

A vós, futuros colegas das lides jurídicas, cabe, nesta sociedade, a grave responsabilidade de defender a justiça, antes que a lei; lutar por um ordenamento legal que faça avançar, cada dia mais, o Estado Democrático de Direito; e, sobretudo, atuar como protetor das instituições e dos cidadãos, buscando assegurar-lhes as garantias individuais e coletivas e as conquistas que a sociedade contemporânea estabelecem, atualizando as normas do direito à realidade social.
Cabe, a cada um de vós — e de nós todos —, fazer valer os princípios, os direitos e as garantias fundamentais que estabelecem os direitos da pessoa humana e o adequado funcionamento do Estado de Direito, e a abertura também aos interesses coletivos e difusos dos chamados direitos de terceira geração, que desafiam o velho entendimento jurídico.

A vós, homens e mulheres das ciências contábeis, reserva-lhes a sociedade o adequado ordenamento da economia empresarial, apurando, analisando, instruindo e organizando os resultados do trabalho humano, seja na iniciativa privada ou no setor público.

A vós cabe, sobretudo, a boa condução e o zelo pela transparência fiscal e contábil nas instituições públicas; a adequação dos procedimentos às normas jurídicas, e, acima de tudo, a demonstração abalizada dos resultados aos que empreendem, permitindo-lhes uma segura avaliação para a tomada de decisões. Numa economia cada dia mais volátil, sujeita à macroeconomia, aos acontecimentos internacionais, desempenham vós o papel de aferidores dos avanços e recuos da riqueza humana. Portanto, tão importante é a vossa tarefa, para que não pereçam os nossos esforços em ilusões virtuais ou momentâneas, muito comuns no mundo contemporâneo.


A vós, mestres pedagogos, o mundo contemporâneo os desafia.Repetimos hoje que estamos na era do conhecimento, do saber e da técnica… A vós cabe a organização da técnica e a administração dos saberes que a civilização humana apreendeu ao longo dos milênios de aprendizado, empírico e metódicos.

Sobre as vossas cabeças e mentes caem a responsabilidade de — mais que reproduzir o conhecimento e as técnicas — recriar os métodos, disponibilizar saberes e atualizar conhecimentos na velocidade em que eles se re/produzem — na velocidade das redes virtuais que unem o mundo numa só aldeia.

Nosso país e nossa região clamam por cidadãos capacitados para o trabalho técnico e científico; por profissionais especializados, capazes de produzir os bens e serviços que carecem na construção do Brasil e da Imperatriz que desejamos.

Especialistas das mais diversas áreas têm reiterado que nenhum país se desenvolve sem conhecimento; que o Brasil tardou muito em reconhecer isso.

Agora, nessa cruzada que nosso país se encontra para postar-se entre as grandes nações do mundo, é, então, cada vez mais preponderante, a presença e a atuação do pedagogo na construção da sociedade brasileira do terceiro milênio. Amigos e amigas pedagogos: a vossa tarefa é verdadeira missão, que deve ser plenamente valorizada à altura de sua importância.


Por fim, dirijo-me a vós, amigos e companheiros da comunicação.

O vosso curso de Comunicação Social, com ênfase no Jornalismo, estreia com merecido brilho e marca nesta noite a história do Campus II da UFMA.

Através de seis graduandos, que representam o esforço de todos os que iniciaram a primeira turma de Jornalismo, esse grupo inscreve-se como protagonista de uma nova etapa do ensino superior público em Imperatriz, juntamente com o competente corpo docente que os orientou e acompanhou.

Na sociedade do conhecimento e da informação, o jornalista é aquele que traduz os acontecimentos, interpreta a realidade, constrói os cenários sociais, políticos e econômicos, levando-os à sociedade, para que cada destinatário da notícia possa melhor compreender o mundo em que vive, as circunstâncias que o rodeiam, os perigos que os ameaçam, as oportunidades que se lhes apresentam.

A nós, portanto, companheiros e companheiras das lides jornalísticas, cabe o desafio de produzir notícias bem investigadas, que representem a realidade dos fatos; análises e opiniões sempre abalizadas na verdade científica e na responsabilidade social.

Numa sociedade democrática, o jornalista é, por vezes, o educador, o orientador jurídico, o porta-voz dos cidadãos, e, muitas vezes, o portador das esperanças… mas também das frutrações.

Cabe-nos, então, esse dever de trabalhar sempre em vista do bem-estar social, e não de grupos econômicos ou políticos.

Se no princípio era o Verbo, a Palavra é um elemento sagrado. Cabe, portanto, a nós, dar um cuidado especial à comunicação, também atividade fundamental em todos os tempos.
A todos os que agora se graduam, cabe uma tarefa importante na diversidade cultural e social do mundo em que vivemos.

Sejam, portanto, todos vós, protagonistas dessa nova sociedade a ser construída no século XXI.

Muito obrigado!

2 Comments

  1. Raylson Lima wrote:

    Parabéns pelo discurso, belas palavras. Espero que esse dia chegue logo para mim.

    quarta-feira, janeiro 26, 2011 at 17:17 | Permalink
  2. Oi, Adalberto!
    Tudo bem? Lembra de mim ainda? Tem teeempo, mas você me ensinou importantes lições – principalmente de xadrez, haha- no tempo que convivi com a Mariana e o Eduardo. Como eles estão?

    Eu estava procurando alguns blogs procurando apoio, e acabei encontrando o seu. Ainda não conhecia, mas já vi que vou fuçar muito! rs

    Abaixo, transcrevo o que comentei em outros blogs:

    “Olá.
    Sou estudante do curso de Direito da UFMA, campus Imperatriz, e pesquisadora científica vinculada ao CNPq.
    Faço parte do grupo de pesquisa Direito, Estado e Controle Social e sou responsável pela vertente do projeto denominada “A realidade carcerária dos deficientes audiovisuais e motores em Imperatriz: uma compreensão à luz do princípio da dignidade humana e da Criminologia Crítica”. Nos trabalho envolve visitas a CCPJ, Delegacia Regional, levantamente de processos e casos concretos, participação em reuniões da Pastoral Carcerária, leituras socio-filosóficas e criminológicas, reuniões semanais, entre outras tantas atividades realizadas desde 2010.
    Ano passado, durante a IV FECITEC – Feira de Ciências e Tecnologia do Sul do Maranhão, fomos agraciados com o prêmio de destaque na área Senior e conseguimos credenciamento para participar de uma importante feiraem Santiago, no Chile, tendo em vista a qualidade do trabalho exposto.
    Entretanto, a faculdade possui políticas extremamente burocráticas quanto a feiras no exterior, motivo pelo qual estamos passando por dificuldades e corremos o risco de não conseguirmos, mesmo já credenciados, participar da feira.
    Gostaria de pedir seu auxílio, seja divulgando nossa situação em seu blog ou colaborando de outra maneira.
    Imperatriz possui força no cenário nacional em relação a pesquisas científicas, e não conseguirmos levar nossos resultados avante seria uma lastimável derrota.
    Aguardo contato.
    Grata pela atenção!
    Caroline Liebl

    Visite nosso blog: http://direitoestadoecontrolesocial.wordpress.com/

    Então, era isso. Agradeço a sua atenção, e se de alguma forma puder nos auxiliar, ficarei muito agradecida. De todo modo, foi muito legal encontrar suas palavras na Internet 🙂
    Abraço!

    segunda-feira, junho 6, 2011 at 23:25 | Permalink

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