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Adalberto Franklin toma posse no IHGM e ganha mais duas homenagens

Foto: Brawny Meireles

O historiador e jornalista imperatrizense Adalberto Franklin tomou posse, na noite da última quinta, 22 de novembro, na cadeira 16 do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM), como membro efetivo. A solenidade aconteceu no auditório do Palácio Cristo Rei, praça Gonçalves Dias, em São Luís, e contou com a presença de membros do Instituto e convidados.
A solenidade foi presidida pelo vice-presidente do IHGM, historiador Euges Lima, diante de impossibilidade da presidenta, Telma Bonifácio. Estiveram no evento, o vice-governador do Estado, historiador Washington Oliveira, o deputado estadual Bira do Pindaré; o jornalista Luís Henrique Silva, representante do deputado estadual Zé Carlos.
O discurso de recepção ao historiador imperatrizense foi feito pelo ex-vice-presidente do IHGM, Leopoldo Gil Dúlcio Vaz, que na década de 1970 foi estagiário do Projeto Rondon em Imperatriz, onde permaneceu para implantar a Educação Física na rede municipal de ensino e os primeiros jogos escolares de Imperatriz. Cumprindo o rito da posse, Adalberto Franklin fez o discurso de homenagem ao patrono da cadeira 16, Frei Francisco de Nossa Senhora dos Prazeres, autor da “Poranbuba maranhense”, uma das mais importantes obras da história do Maranhão, escrita no começo do século XIX, após o recebimento do diploma de sócio efetivo e da medalha distintiva do Instituto.
Duas outras homenagens — Na próxima quinta-feira, dia 29, por ocasião da comemoração do bicentenário de nascimento do jornalista, historiador e editor maranhense João Francisco Lisboa, Adalberto Franklin será um dos homenageados pela Academia Maranhense de Letras, em São Luís, quando lhe será entregue a “Medalha João Francisco Lisboa”.
Na última quarta-feira, 21, o plenário da Assembleia Legislativa do Maranhão aprovou a concessão do título de “Cidadão Maranhense” a Adalberto Franklin, em reconhecimento ao seu trabalho de editor literário, tendo publicado mais de 400 títulos pela Ética Editora, em grande parte obras relativas ao Maranhão. A indicação foi do deputado César Pires, ex-secretário de Educação do Estado. A solenidade de entrega desse título será realizada na Assembleia Legislativa, no próximo ano.

* * *

DISCURSO DE POSSE NO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO MARANHÃO – IHGM
Palácio Cristo Rei, São Luís-MA, 22 de novembro de 2012
 Adalberto Franklin, cadeira 16.

— Senhor Vice-Presidente do IHGM, historiador Euges Lima, que presidente esta solenidade na impossibilidade da Presidenta Telma Bonfácio;
— Senhoras e senhores confrades e confreiras do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão;
— Senhores e senhoras convidados;
— Amigos e amigas,
Boa noite!

Enche-me de honra este momento ímpar de minha vida, em que me apresento a este respeitável sodalício para tomar posse na cadeira 16, patroneada pelo venerando Frei Francisco de Nossa Senhora dos Prazeres, imortalizado pela obra de referência de nossa história, a “Poranduba maranhense”.

Em obediência à liturgia deste momento, devo fazer a saudação ao imortal patrono da Cadeira 16, que passarei a ocupar na condição de membro efetivo, a partir desta cerimônia, o já citado autor da Poranbuba maranhense.

Sabe-se que nosso patrono nasceu na pequena freguesia de Favaios, do concelho de Alijó, no distrito de Vila Real, na Província de Trás-os-montes e Alto Douro, no nordeste de Portugal, no dia 8 de julho de 1790.
Oriundo de família modesta, seus pais eram os lavradores Francisco Fernandes e Maria Pereira.
Foi batizado com o nome civil de Franscico Fernandes Pereira.

Ingressou no Convento de São Francisco, na cidade do Porto, tendo recebido o hábito franciscano a 3 de maio de 1812, aos 22 anos de idade. Em 1813, foi enviado para o Maranhão, onde, no convento São Francisco, nesta capital, prestou sua profissão de fé, a partir do que abandonou o nome civil e adotou o nome religioso de Frei Francisco de Nossa Senhora dos Prazeres.
Em 1814, teria sido transferido para o Pará, então já separado do Maranhão. No mesmo ano retorna a Portugal e entra para o Convento de Vila Real, localizado no distrito onde nascera.
Retorna ao Maranhão em 1819.
Muito estudioso e interessado nas questões do Maranhão, impôs a suprir a lacuna dos registros históricos maranhenses e deu início, em 1819, à pesquisa e redação da “Poranduba maranhense”.
A este trabalho, dá o longo subtítulo de “Relação histórica da Província do Maranhão em que se dá notícia dos sucessos mais célebres que nela têm acontecido desde o seu descobrimento até o ano de 1820, como também das suas principais produções naturais etc., com um mapa da mesma província e um dicionário abreviado da língua geral do Brasil.”
Frei Franscisco faleceu na granja do Alijó, em Portugal, em 1852, dezoito anos depois que a ordens religiosas haviam sidoo extintas em Portugal.

Ressalte-se que a Poranduba Maranhense é a grande obra que imortalizou Frei Francisco de Nossa Senhora dos Prazeres. Foi em virtude do conhecimento público desse escrito que seu nome foi inscrito no panteon dos grandes historiadores do Maranhão e atravessou o tempo lembrado como um vulto digno de reverência.
De acordo com o que registrou o historiador caxiense César Marques, na “Nota sobre a Poranduba Maranhense”, publicada no final da primeira edição dessa obra, por pouco essa obra teria deixado de tornar-se conhecida.
Essa situação teria ocorrido porque Frei Francisco teria doado, em 1843, os originais da obra ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do qual se tornara membro. Verificou-se, anos depois, que esses manuscritos haviam desaparecido, sem publicação. Salvou-se o texto porque, em 1890, o senador maranhense Francisco Manoel da Cunha Júnior, também membro do IHGB, entregou uma cópia que comprara por 300 réis do possuidor do original, sob o juramento de que manteria sua identidade em segredo. O mapa, que a obra diz acompanhar, porém, havia se perdido. No ano seguinte, 1891, o Instituto Histórico levou então a lume a Poranduba Maranhense, com a publicação da íntegra em sua revista, que é a única publicação desse texto ainda hoje conhecida.

Cabe aqui tecer alguns comentários sobre a obra de Frei Francisco:
Cotejada com os trabalhos de autores da época em que foi escrita, a Poranduba Maranhense não se mostra uma obra de profundidade científica. Verifica-se que Frei Francisco não tem domínio da classificação moderna dos animais, como já se adotava, e por isso utiliza-se a classificação aristotélica, já abandonada pelos zoólogos. Sua abordagem naturalista é simplista e amadora, em relação aos de sua época, entre os quais von Spix, que no mesmo período esteve no Maranhão.
Essa observação dos críticos tem pertinência quando se verfica que na “Nota ao Leitor”, assinada pelo próprio autor da Poranduba, ele adverte que: “No que pertence à historia natural omito quazi sempre os termos technico, e uzo de similhanças para que todos me entendam”.
As descrições que ele faz dos animais têm a mesma simplicidade do que se encontrava nos bestiários da Idade Média, e suas comparações e analogias eram sempre feitas com as espécies europeias.
Apesar disso tudo, sua contribuição à geografia e à história brasileiras são substanciais.
César Marques dá informação de que, seguindo o exemplo de Jerônimo de Albuquerque, Frei Francisco de Nossa Senhora dos Prazeres teria acrescido ao seu nome o apelido Maranhão, nota que aqui transcrevo na íntegra, pelo seu relevo:

[…] Seguindo o exemplo do grande Jerônimo de Albuquerque. que a seu nome uniu o apelido Maranhão, ao assinar com sua assinatura a capitulação feita com o chefe francês Ravardière, frei Francisco ao seu modesto nome uniu o apelido de Maranhão, como que indicando o quanto se ocupou, e quanto amou esta terra também querida por outros frades franciscanos frei Ivo de Évreux e frei Claudio de Abbeville, como ele historiadores dessa terra que eu amo tanto.

* * *

Senhora e senhores,

alguns pormenores identificam-me com Frei Francisco de Nossa Senhora dos Prazeres, patrono da cadeira que passarei a ocupar.
Venho também de uma família de agricultores, nascido numa pequena povoação familiar localizada no município de Uruçuí, Estado do Piauí, ao largo do pequeno rio Uruçuí Preto, afluente do Parnaíba.
Deixei muito cedo a minha aldeia para morar em terras estranhas. Vivi em Balsas até os nove anos de idade e segui com minha família para Imperatriz, cidade em que vivi minha adolescência, juventude e me tornou adulto. Cidade que aprendi a amar e buscar conhecê-la cada dia mais.
Essa cidade – Imperatriz – foi fundada no mesmo ano em que faleceu Frei Francisco, e também por um religioso, professo filho de Nossa Senhora: Frei Manoel Procópio do Coração de Maria.
Sou, portanto, das terras sul-maranhenses; dos sertões marcados pelos cascos do gado dos vaqueiros oriundos de Pernambuco e da Bahia, continuadores da epopeia da Casa da Torre de Garcia d’Ávila, e pela resistência dos índios Timbira. Aliás, sou eu descendente de uma das últimas índias da tribo Acaroá do Piauí, apanhada com laço nas guerras justas impostas aos Timbira desde o século XVIII e dizimada por Félix do Rego Castelo Branco.

Aqui nesta Casa, me junto com orgulho a outros sul-maranhenses que honraram o Instituto Histórico do Maranhão, por sua dedicação aos registros e intepretação da história de nossa terra:
– o português Francisco de Paula Ribeiro, que no início do século XIX fez os primeiros registro e o primeiro mapa pormenorizado dos sertões e da região do Tocantins, patrono da cadeira 12;
– o riachãoense João Parsondas de Carvalho, autodidata, um dos maiores intelectuais maranhenses no começo do século XIX, autor da “Guerra do Leda” e de vários outros trabalhos;
– a também riachãoense professora Carlota Carvalho, irmã de Parsondas e autora do clássico “O Sertão”;
– do literato e cronista grajauense Cândido Pereira de Souza Bispo, que aqui ocupou a cadeira n. 11;
– do balsense Eloy Coelho Neto, autor, dentre muitos, de História do Sul do Maranhão, que ocupou a cadeira 12 e compôs várias diretorias;
– do loretense radicado em Balsas Thucydedes Barbosa, memorável cronista da vida sertaneja e primeiro ocupante da cadeira 35;
– de Dunshee de Abranches, patrono da cadeira 40 deste Instituto e da cadeira 20 que ocupo na Academia Imperatrizense, e, por coincidência também patrono do confrade Leopoldo, que nesta solenidade faz o discurso de minha recepção; Dunshee, com pouco mais de vinte anos, resolveu-se a desvendar a Esfinge do Grajaú e a interpretar a vida e os ânimos dos sertanejos maranhenses;
– e, por fim, a historiadora Edelvira Marques de Moraes Barros, primeira imperatrizense, autora do Eu, Imperatriz, primeira obra a registrar a história do sudoeste maranhense e que integrou os quadros desta casa na condição de sócia correspondente.

É a essa plêiade de homens e mulheres maranhenses que se dedicaram ao registo e interpretação da história e da geografia de nossa terra que tenho o orgulho de ligar-me, ao integrar-me aos quadros desta Casa.

Da mesma forma que Frei Francisco de Nossa Senhora dos Prazeres, sou um autodidata no campo da pesquisa científica; não tenho o domínio das teorias acadêmicas. Dedico-me há quase três décadas, por conta própria, à perquirição das coisas e acontecimentos do sul e sudoeste maranhenses, na falta de quem melhor se prontifique a fazê-lo.
Como resultado dessas investigações, escrevi e publiquei diversas obras, entre as quais, duas que se destacam entre as mais recepcionadas pelos leitores e pelas academias científicas: “Breve história de Imperatriz” e “Apontamentos e fontes para a história econômica de Imperatriz”. Este último, indicado em cursos de pós-gradução em impostantes universidades brasileiras, entre as quais a PUC de São Paulo e a Universidade Federal Fluminense, do Rio de Janeiro

Fruto de minha paixão pelo livro, fiz-me editor literário, função que exerço há mais de vinte anos, na condição de sócio da Ética Editora, pela qual coordenei a publicação de mais de 400 títulos.

A minha entrada no Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão é para mim, acima de tudo, um estímulo ao trabalho que desenvolvo solitariamente no sudoeste do Maranhão.
Isto me estimula sobremaneira a acelerar a realização de uma meta a que me propus anos atrás: a republicação da Poranduba Maranhense, de nosso patrono, que pretendo lançar até 2014, aqui neste nosso sodalício.

A minha palavra final é de compromisso. Coloco à disposição os meus limitados conhecimentos e saberes às confreiras e confrades, a este Casa, e prometo ser um sócio presente, física e espiritualmente, de onde espero colher muito aprendizado.

Muito obrigado!

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  1. […] na cadeira 16 do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM), como membro efetivo (leia discurso de posse), concedeu gentilmente alguns trechos que o blog do Robert Lobato reproduzirá com […]

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