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Mais médicos para o “Brasil profundo”

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Pequenas cidades e longínquos rincões do “Brasil profundo”, onde crianças morrem por falta de informações sobre saúde e por falta de atendimento básico; onde adultos sofrem e perecem por não terem acesso a um tratamento básico de saúde ou pela falta de um atendimento de urgência ou emergência; onde idosos encerram a vida por falta de acompanhamento especializado nas doenças da velhice, não esperam ter sofisticados hospitais nem os moderníssimos equipamentos existententes nos grandes centros urbanos. Querem e precisam mesmo é de um atendimento inicial ou emergencial seguro e eficaz, e, se necessário, de um encaminhamento aos polos de saúde mais próximos. Assim, a quase totalidade dos casos se resolveriam e muitas vidas seriam salvas.
Ao contrário do que muitos alegam, o atendimento de consulta de um médico pode ser feito na própria residência do paciente, na praça pública, no salão de uma associação de moradores ou até mesmo debaixo da sombra de uma mangueira, e assim se salvar muitas vidas…
Como disse Paulo Freire sobre a alfabetização — que pode ser feita fora dos prédios de paredes de tijolos e argamassa, porque o fundamental é a transmissão do conhecimento —, o médico pode atender preventiva e inicialmente em qualquer espaço, e não somente se estiver num ambiente confortável e cheio de equipamentos modernos, e mesmo assim salvar muitas vidas. Assim, até hoje, faz o Exército com seus barcos-hospitais na Amazônia.
Os milhões de brasileiros desassistidos de saúde que vivem nas pequenas e longínquas cidades e nos inacessíveis lugares dos sertões nordestinos e da Amazônia, não podem esperar até que haja hospitais em cada uma dessas localidades. A vida é prioridade.
Foi assim que missionários religiosos chegaram aos sertões e à Amazônia brasileira desde o final as primeiras décadas do século XX e começaram a transmitir conhecimentos de saúde e a salvar a vida de milhares de brasileiros, o que hoje para esquecido. Foi assim que os agentes da antiga SUCAM, herdeiros das experiências do DENERu e das campanhas do CEM e da CEV, durante décadas, realizaram um excelente trabalho de sanitarismo no Brasil, baseados nas concepções de Louis Pasteur e no trabalho do sanitarista brasileiro Oswaldo Cruz. Aliás, Oswaldo Cruz está para a saúde pública do Brasil assim como Paulo Freire está para a educação.
Os novos filhos de Hipócrates parecem não conhecer a história da medicina.

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