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CORRUPÇÃO: BOMBA-RELÓGIO QUE AMEAÇA O BRASIL

— Carta pública a Saul Raychtock.

O Brasil e o Maranhão cresceram, sim, Saul. Os dados são reais. O problema é que o crescimento não está se traduzindo em desenvolvimento, especialmente no Maranhão. Ou seja, produziu-se mais bens, comercializou-se mais, explorou-se os bens naturais, e isso ampliou o capital financeiro dos que detêm a riqueza (que não é o povo, nem, na maoria dos casos, empresas ou pessoas do Brasil e do Maranhão). O resultado econômico-financeiro do que produzimos está se concentrando cada vez mais em poucas mãos, enquanto a população… Isso é o que é o aumento do PIB, cujos indices, maiores que sejam, não significam melhoria de vida para a sociedade, e sim, mais dinheiro nas mãos de quem controla o fluxo financeiro nacional e mundial. É bom perceber, inclusive, que esses bilhões repassados aatravés do Bolsa Família, das aposentadorias, são drenados de volta para o grande capital (bancos e financeiras, principalmente) através de empréstimos “facilitados” mas escorchantes, o que gera esses absurdos de lucros dos bancos.

Esses programas de transferência de renda não são, como muitos pensam, para resolver a vida dos mais pobres, mas para movimentar a economia básica, o comércio varejista e, por consequência, a indústria e a produção agrícola familiar (que é quem abastece o mercado interno). E isso tudo gera mais circulação de mercadores e serviços, portanto, mais impostos para os Governos (municipais, estaduais e federal).

Mas o grande problema, cujas consequências você se depara todos os dias, no atendimento hospitalar, vem de algo que está se tornando cultura e que pode inviabilizar o nosso país e o futuro das gerações seguintes: a CORRUPÇÃO, tanto no setor público quanto no setor privado. Uma lástima com a qual percebemos diariamente, presencialmente ou através dos meios de comunicação. Os recursos públicos, principalmente, estão sendo dilapidados das mais diversas formas, seja através de serviços mal prestados, de obras de baixa qualidade, de superfaturamentos, de convênios cujos objetos são fictícios, de licitações fraudulentas, de aluguéis de máquinas e equipamentos (no Maranhão, quase todos os hospitais públicos usam equipamentos alugados de aliados dos gestores, por preços exorbitantes, em vez de comprá-los)… e tem muito mais que não dá para escrever…
Nunca o Brasil teve tantos recursos disponíveis… O crescimento do PIB é algo “maravilhoso”, mas o IDH-M — esse, sim, é o índice que nos interessa, que mede a qualidade de vida doo povo — dos municípios é uma vergonha;não reflete a economia brasileira de hoje. Os serviços públicos são precarizados propositadamente pelos gestores — especialmente nos municípios e nos Estados, que os gerem na ponta, através dos serviços de saúde, educação e assistência social, sobretudo).

Na minha modesta observação, pelo menos 30% dos recursos públicos no Brasil vão para os esquemas de corrupção e desvios, beneficiando prefeitos, secretários, aliados, financiadores de campanha, agiotas…

Em nossa região, grande parte das licitações são de carta marcada, e quem ganha paga ágio para poder executar. Grande parte da prefeituras dificultam até a entrega dos editais, e algumas prefeituras até exigem milhares de reais para entregá-los. Casos de polícia mesmo… não mais de Justiça.

Cada dia mais vemos prefeitos serem denunciados, processados, condenados e até afastados dos cargos… mas dias depois retornam, segundo dizem, após comprarem suas inocências nos tribunais, o que, “sendo verdade”, faz dos julgadores e do Poder Judiciário também uma das fontes de sangria dos recursos públicos, contribuindo diretamente para a baixa qualidade dos serviços públicos e, por extensão, da qualidade de vida do povo.
Mas não são apenas os agentes do Poder Público os corruptos. São também empresários e pessoas físicas que promovem, financiam e se beneficiam desses esquemas. Há, hoje, lamentavelmente, uma cultura de corrupção nos meios empresarial, industrial e financeiro. E muitos querendo participar, “entrar no esquema”. Tomar parte dessa “festança” de recursos púbicos. Vemos de um dia para o outro o enriquecimento de prefeitos, secretários, comerciantes, pessoas físicas… que “prosperam” milagrosamente por “seus próprios méritos” e “capacidade”. Tornam-se donos de muitos imóveis, fazendas, estabelecimentos comerciais, construtoras…

E por aí somem os recursos — bilhões e bilhões anualmente — que dariam para promover o DESENVOLVIMENTO do povo brasileiro, com educação e saúde de qualidade, moradias dignas, assistência social verdadeira e infra-estrutura decente nas áreas urbanas e estradas adequadas na zona rural.

Se conseguirmos criar meios e combater de verdade a CORRUPÇÃO em nosso país — tanto do setor público quanto na área privada —, conseguiremos mudar essa face triste do Brasil. E para isso não basta eleger bons gestores. É necessário, também, mudar o rumo, o comportamento social, que critica mas se cala e até contribui para que essa prática se amplie cada vez mais. Está se consolidando como uma cultura…. e se isso se enraizar, o nosso país, lamentavelmente, se tornará inviável socialmente. O povo nunca conseguirá ter acesso aos benefícios que a riqueza do Brasil tem condições de promover.

E não adianta apenas ficar achincalhando apenas a gestão federal do PT, o Lula, a Dilma… Temos que ser honestos conosco mesmo, admitir e perceber que a mesma prática tem ocorrido e ocorre em gestões federais, estaduais e municipais de todos os partidos. Essas práticas nefastas de todos eles têm que ser combatidas, denunciadas, levadas aos tribunais e julgadas com isonomia, decência e dureza (“dura lex, sed lex”).

A política e o Judiciário devem cumprir o seu papel no pacto social. E a sociedade não deve ficar aplaudindo cegamente um ou outro político ou partido, apenas porque lhe é simpático ou odeia uma sigla. O bem-estar social é muito mais importante que os políticos e seus partidos. E como na sociedade democrática a ordenação jurídica e as normas sociais só podem acontecer através da política, é necessário que cada um que queira ajudar a fazer diferente, deve tomar parte das discussões políticas e até a fazer parte de um partido, sem a ingenuidade de imaginar que algum deles é perfeito ou livre de interesses às vezes inconfessáveis de alguns dos seus líderes. ]

Há que se combater não os partidos nem as pessoas — todos limitados e imperfeitos; alguns mais que outros —, e sim as práticas ilegais, imorais e criminosas, venham de ond vierem, dos gestores, dos magistrados ou da sociedade.

A CORRUPÇÃO, em todas as suas formas, é o grande mal e o maior inimigo do nosso país. Tudo o que de mal temos visto na administração pública é feito em nome de interesses de pessoas e grupos que roubam o presente e o futuro de nossa gente.

Não nos iludamos. O desafio de combater a corrupção começa ao nosso lado, no empresário amigo que se locupleta dos recursos públicos; nas autorizações e leis aprovadas nas câmaras municipais; nas concessões e gastos das prefeitura; na sonegação de impostos do empresariado e da sociedade; no enriquecimento sem causa de membros dos governos; na venda indevida do patrimônio público; nos contratos e obras dos governos estaduais e federal; nos habeas corpus escandalosos; na impunidade dos transgressores.

Se não somos capazes de combater tudo isso; se achamos que não temos força para tanto; que somos impotentes para isso, que, ao menos não tomemos parte nem compactuemos com tais crimes que fazem a miséria do nosso povo.

Adalberto Franklin, em 3 de março de 2014, em memória de meu pai, Martinho Alves de Castro, homem sertanejo que foi exemplo de incorruptibilidade e que hoje faria 84 anos; e em homenagem ao amigo Saul Raychtock, que não se furta de expor sua indignação diante das desigualdades e das injustiças sociais com as quais se depara diariamente.

2 Comments

  1. Gisilda Castro wrote:

    Questionada em uma situação dia desses, precisei dizer que não sei usar dois pesos e duas medidas. Lendo este texto tão bem elaborado, senti a razão de uma das razões de não me furtar a dizer e agir conforme os valores que acredito, pois, está na essência da educação que recebemos. Obrigada aos nossos pais Martinho Alves de Castro e Iracema Pereira de Castro que nos educaram no base em valores sólidos.

    terça-feira, março 4, 2014 at 14:13 | Permalink
  2. Juliana wrote:

    Bacana.

    quarta-feira, janeiro 20, 2016 at 10:35 | Permalink

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