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A ignorância que é fruto da preguiça

É ignorante quem afirma, quem publica e quem dissemina essa falsa polêmica que nunca existiu entre filólogos e gramáticos — a não ser a embusteiros que tentam se fazer passar por tais (não seria isso crime de falsidade ideológica?).
Usuário de rede social publica um “estudo” ou “análise” de uma professora de Língua Portuguesa em que afirma não existir o termo PRESIDENTA, ou seja, o feminino de “presidente”. Marca meu nome na publicação com o propósito de me provocar, me insultar, creio que por motivos políticos. Essa é a terceira vez que faz isso. Nas duas vezes anteriores, desconsiderei as provocações e a falta de conhecimentos linguísticos de ambos — da “professora” e do provocador, que dissemina como verdade uma presunção errônea.
presidenta
Alguém culto não se demoraria com uma dúvida dessas. Extinguiria-a apenas com a consulta a um livro. Encontraria na página 674 do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (5.ª ed., 2009), da Academia Brasileira de Letras. Lá está o verbete “presidenta”. Para quem não sabe (como essa professora metida a “expert”), o Vocabulário Ortográfico é a obra que contém as palavras aceitas oficialmente como integrantes da Língua Portuguesa, aprovado pelas academias de letras dos países lusófonos (os que têm o Português como língua oficial).
Incrível que desde a eleição da mandatária da República Federativa do Brasil, alguns comunicadores — metidos a especialistas até do que não conhecem — fazem comentários e assertivas sobre essa falsa e infrutífera polêmica existente apenas na mente dos ignorantes da Língua. E  ignorantes porque preguiçosos; não estudam, não leem, não consultam quando desconhecem. Poderia até argumentar preconceito, mas é ignorância mesmo. Talvez com um pouco de ranço ideológico, coisa bem constante no Brasil contemporâneo. Dicionário não é o “pai dos burros”, como afirmam alguns ignaros; é uma poderosa ferramenta de intelectuais, que não vivem sem a companhia de boas obras de referência como essa.  
Se a preguiça intelectual não fosse tamanha, bastaria consultar, ainda, bons dicionários, como, por exemplo, o Houaiss, que registra esse mesmo verbete na sua página 1546 (4. ed., 2009). Também, na sua versão eletrônica. Ou, ainda, no Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras (2. ed, 2008, p. 1024), edição organizada por Evando Bechara, titular da Comissão de Lexicologia e Lexicografia da ABL, representante brasileiro na comissão que definiu a Nova Ortografia da Língua Portuguesa junto aos países lusófonos.
Uma polêmica desinteligente que não tem fôlego para durar dez minutos, contando-se o tempo de pegar um livro na estante. (Adalberto Franklin, 30 jan. 2015)

2 Comments

  1. JOSÉ GERALDO wrote:

    Não entraria em questões lexicológicas e quetais. Até porque sou confessadamente leigo no assunto. Nem entraria em “polêmicas” (?) desse naipe; porque social e culturalmente muito pouco edificantes, servindo mais para incrementar dissensos etc.
    Mas, ousaria lembrar que a língua – o idioma, qualquer que seja – é, sabidamente, uma resultante cultural… e não nasce “por decreto” (mantido o respeito pelas definições “oficiais”, no que couber) …
    Não obstante constar referido verbete das referencias lembradas, com competência, por nosso Adalberto, apenas diria que – não casa bem com meu gosto estético-auditivo (…) costurado na convivência nossa de todos os dias… Não me soa bem o se dizer presidentA. Não é de nosso costume.
    Havendo ou não ranços ideológicos (no que concordo com Adalberto) o que torna questão antipática é o autoritarismo, quase oficial-governamental-bajulatório com que se nos pretendem impor a palavra feminina… como que por imposição doutrinária feminista oficializada…

    Coisas desse tipo levam até a situações hilariantes…
    Como, por exemplo, um documento como a CARTA DA TERRA ser iniciado com… “Nós, os humanos e as humanas…” (???)
    E tudo leva a oportunidades para perguntas (de provocação, claro, mas que têm sua lógica) tais como:
    – Você, que mora em pensão, por que concorda em ser definido como pensionista, se você é homem?
    – Por que as mulheres que habitam a cidade não são ditas como habitantas? E, em um bairro, de residantas?

    Tudo mais que hilário, claro, mas são coisas resultantes das imposições… Brincadeiras que servem para amenizar perdas de tempo com “discussões” (?) meio bestas, que até muito ajudam para que se desviem de nossos reais e críticos problemas socioeconômicos e políticos em curso.

    segunda-feira, fevereiro 2, 2015 at 02:38 | Permalink
  2. Adalberto Franklin wrote:

    Não é corriqueiro nem costumeiro se ter uma presidenta, ou uma presidente mulher. Creio que aí resida o “não soar bem”, a falta de costume, o estranhamento. .Ao que mem parece, uma “invasão do feminino” d sera de domínio masculino.

    sexta-feira, agosto 12, 2016 at 09:04 | Permalink

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