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20 anos da morte de João Menezes, prefeito de Imperatriz cassado pelo golpe de 64

Nesta terça-feira, 23 de agosto*, faz 20 anos da morte de um dos mais importantes personagens da história de Imperatriz: João Menezes Santana.

João Menezes, em 1957

João Menezes, em 1957


Natural de Filadélfia, hoje Tocantins, João Menezes estudou o Primário e o Ginásio em Carolina (MA). Em 1950, com 18 anos, foi para o Rio de Janeiro, onde entrou para o Exército, foi cabo, fez o curso de sargentos como aluno da Escola de Saúde do Exército. Deu baixa. Trabalhou como comissário de bordo numa empresa aérea e em seguida no Banco da Província do Rio Grande do Sul, ainda no Rio, tendo feito paralelamente o curso de Técnico em Contabilidade na Associação Cristã de Moços. Trocou a então capital federal por Belém do Pará, onde iniciou o curso de Odontologia, que abandonou ainda no início para ficar ao lado da mãe doente, em Tocantinópolis, na época Goiás. Nesta cidade, foi professor do Ginásio do Norte Goiano e, a convite de Bernardo Sayão, a quem conheceu no Rio, em 1957, veio para Imperatriz nesse mesmo ano, antes do início da construção da Belém-Brasília.
Instalada na cidade a Rodobrás, empresa estatal que construiria a rodovia, no início de 1958, tornou-se seu gerente administrativo. Era ainda, comerciante, proprietário da loja A Eldorado.
Ainda em 1958, com 26 anos de idade e apenas um de residência na cidade, fundou o diretório do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), de João Goulart e Leonel Brizola, fazendo oposição ao governador Newton Bello e à oligarquia vitorinista que dominava o Estado com mão de ferro, quando Imperatriz era comandada exatamente por um grupo político correligionáro do senador Vitorino Freire e do governador Newton Bello.
Em outubro desse mesmo 1958, João Menezes foi eleito vereador de Imperatriz. Dois anos depois, em 1960, desafiou a elite político-econômica local e candidatou-se a prefeito. Apenas três anos depois de chegar à cidade, mas com uma popularidade surpreendente, o jovem de 28 anos foi eleito prefeito com maciço apoio dos migrantes, que já superavam o número da população originária.
Atuando na defesa de lavradores acossados por grileiros e pela polícia estadual, João Menezes tinha apoio político do grupo antivitorinista da capital. Por isso, sofreu implacável perseguição do governo Newton Bello, desde prisão, espancamento e tentativas de assassinato. Chegou a ser cassado pela Câmara Municipal ainda no primeiro ano de mandato, que retomou no Tribunal de Justiça.
Com o Golpe de 1964, teve o mandato novamente cassado, considerado como subversivo, comunista e opositor do regime militar. Vigiado permanentemente, foi preso diversas vezes pelas Forças Armadas.
Refugiou-se em Tocantinópolis, Brasília e Anápolis. Mesmo na clandestinidade, foi um dos mais influentes apoiadores dos grupos de resistência armada que tentaram se instalar na região, principalmente os organizados por Brizola e Neiva Moreira, em 1965-66, e os da Guerrilha do Araguaia, a partir de 1966.
A eleição de João Menezes, em 1962, quebrou a hegemonia política dos imperatrizeneses natos. Desde então, somente um imperatrizense venceu uma eleição de prefeito de sua cidade: Renato Moreira. A partir dessa época, o domínio político e econômico da cidade passou a ser dos migrantes, os imperatrizenses adotados.

*Atualização. Data corrigida.

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