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Golpe: tragédia ou farsa?

Renan e Lewando

Não há coincidência na história. Há o fato e a farsa.
Esta não é a primeira vez que um presidente brasileiro sofre impedimento. Nem a segunda, nem a terceira. As tentativas foram muitas. Os golpes que se concretizaram, no entanto, m, nem sempre tiveram o mesmo desfecho. Getúlio se suicidou, Jânio renunciou e Collor foi afastado. Os motivos, todos eles, porém, tiveram o mesmo motivo, e não são os que a imprensa anunciaram e publicam até hoje.
Aos que ainda não se deram conta do drama brasileiro, publico abaixo trecho do meu livro “Manoel Conceição, sobrevivente do Brasil”, a ser lançado ainda neste ano:

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“Jânio não submeteu seu governo às vontades norte-americanas. Adotou uma política externa de independência e restabeleceu relações diplomáticas e comerciais do Brasil com países do bloco socialista, como a União Soviética e a China, e também com países africanos. Condenou a interferência e o boicote dos Estados Unidos a Cuba; conheceu Che Guevara na conferência Panamericana no Uruguai e o convidou a visitar o Brasil, oportunidade em que o revolucionário cubano foi agraciado com a Grã Ordem do Cruzeiro do Sul, a mais alta comenda concedida pelo governo brasileiro.
Além disso, o presidente Jânio contrariou substancialmente os estadunidenses por ter encaminhado ao Congresso Nacional um projeto de lei que limitava a remessa de dinheiro de empresas estrangeiras para o exterior e, ainda, um projeto de lei que era, a rigor, a primeira proposta de reforma agrária do país.
Em apenas sete meses de governo, Jânio Quadros já tinha contra si as empresas estrangeiras — em sua maioria norte-americanas — e seus defensores no país, o governo dos EUA, os grandes jornais brasileiros, de quem tinha cortado os subsídios na compra de papel, que era de 75%; grande parcela dos militares; a maioria do Congresso Nacional; as elites ruralistas e a ala conservadora da Igreja. Passou a ser acusado, ainda, de querer levar o Brasil ao comunismo.
Diante da pressão em que se via envolvido, sobretudo pelo Congresso Nacional, pelos militares, pela Igreja e pela grande imprensa — diretamente, por Carlos Lacerda (governador da Guanabara), Roberto Marinho (Organizações Globo) e Júlio de Mesquita Filho (O Estado de S. Paulo); e ainda por Dom Jaime de Barros Câmara (arcebispo do Rio de Janeiro) —, inesperadamente, no dia 25 de agosto de 1961, dia do soldado, cinco dias antes de completar sete meses de mandato, Jânio Quadros encaminhou ao Congresso Nacional um lacônico bilhete através do qual renunciava ao cargo presidencial.”

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