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Enem: IFMA é a melhor escola pública do Maranhão

terça-feira, 20 de julho de 2010

Das vinte melhores escolas públicas do Maranhão, segundo o novo ranking do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), divulgado ontem, os seis primeiros lugares cabem ao IFMA (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia), antigo CEFET, unidades de São Luís, Imperatriz e Zé Doca. O primeiro lugar coube ao ensino regular do IFMA de São Luís; o segundo, ao EJA da mesma unidade; o terceiro e quarto lugares ao IFMA de Imperatriz; o quinto e sexto lugares ao IFMA de Zé Doca, também ensino regular e EJA. No cômputo geral, que inclui escolas públicas e particulares, as dez melhores escolas são da capital — oito delas particulares, e apenas o IFMA como escola pública entre elas, em quarto e quinto lugares. As três primeiras são o Centro Educacional Montessoriano, o Jardim Escola Crescimento e o Educator. A Escola Adventista de Imperatriz é a 11ª do ranking (e, portanto, a melhor de Imperatriz). Ainda de Imperatriz, entre as vinte melhores, estão IFMA (13ª colocação para o ensino regular e 14ª para o EJA), o colégio Dom Bosco (15ª) e a Escola Santa Teresinha (19ª). Uma novidade é a presença do CE Parsondas de Carvalho, de Montes Altos, em oitavo lugar entre as melhroes escolas públicas do Estado, abaixo apenas dos IFMAs e do Liceu Maranhense. E novamente o EJA do Parsondas de Carvalho, com a 11ª colocação. No ranking das vinte piores escolas do Maranhão, todas elas são da rede pública estadual. As três piores são, por ordem, o CE Vicente Maia, de São Luís; o CE Profª. Juvenilia Sousa, de Buriticupu; e o CE Cristino Pimenta – Anexo II, de Bacuri. Dentre as vinte, seis são de São Luís.

O fim do Jornal do Brasil impresso

domingo, 18 de julho de 2010

A imprensa anuncia o fim do Jornal do Brasil impresso. Para mim, é uma perda. A perda de um bem simbólico.

Foi para o Jornal do Brasil, em 1988, que fiz minha primeira colaboração para um grande jornal de circulação nacional, cobrindo o julgamento do matador do padre Josimo Tavares, no fórum de Imperatriz, época em que eu era editor-chefe do jornal “O Progresso”. O JB foi também o primeiro jornal que eu li na internet, em 1995, durante a Fenasoft, em São Paulo. Foi ele o primeiro jornal a ser disponibilizado on-line no Brasil.

Interessante é que nessa Fenasoft, no stand do JB, assisti a uma palestra em que um jornalista dizia que em tempo não muito longe, o jornal impresso deixaria de existir. Que não se precisaria mais descer do prédio de apartamentos para ir até a banca de revistas comprar um jornal, pois ele estaria acessível pela internet, em seu monitor. Agora, isso soa a profecia, pois o JB é um dos primeiros grandes jornais brasileiros a deixar de existir em papel.

Mas o JB tem, ainda, uma curiosa ligação com a história de Imperatriz e do Maranhão. Fundado em 1891, o Jornal do Brasil reunia grandes intelectuais brasileiros que defendiam a monarquia derrubada com a proclamação da República. Em 1893, quando Rui Barbosa era seu editor, o jornal fez defesa da Revolda Armada, pelo que o presidente Floriano Peixoto mandou fechar o jornal e caçar Rui, vivo ou morto. O jornal foi fechado por mais de um ano e Rui Barbosa foi exilado. Nesse período, um dos colaboradores de Rui na editoria do jornal era intelectual maranhense Parsondas de Carvalho, que a partir de 1905 veio residir em Imperatriz com sua irmã, Carlota Carvalho. E aqui ficou até a morte.

No final de 1894, o jornal voltou a circular, agora sob a tutela da família de Cândido Mendes de Almeida, um ilustre senador maranhense que patrocinou a defesa da devolução de território de Carolina (anexada por Goiás) ao Maranhão. Depois, o JB foi adquirido pelos conde e condessa Pereira Carneiro, ela uma maranhense filha de Dunshee de Abranches, meu patrono na cadeira 20 da Academia Imperatrizense de Letras, autor de mais de 120 obras, entre elas a “A esfinge do Grajaú”, uma das primeiras crônicas históricas sobre as questões políticas desta parte do Maranhão.

No JB, trabalharam diversos maranhenses que se projetaram no jornalismo brasileiro.

Equívocos na história de Imperatriz

domingo, 18 de julho de 2010
Meu amigo João Rodrigues, esforçado repórter da sucursal de “O Estado do Maranhão” em Imperatriz, procurou-me às vésperas do aniversário da cidade para que eu comentasse alguns fatos que tenho contestado em relação à história do município. Seria uma matéria para a edição de “O Estado” no dia do 158º aniversário de fundação de Imperatriz, ocorrido na sexta-feira, 16 de julho.
Como eu estava em São Luís, pedi-lhe que enviasse as perguntas por e-mail que eu as reponderia até a manhã seguinte (na quinta-feira, 15). Assim ele fez  e respondi aos questionamentos ainda cedo da manhã, com tempo para que ele escrevesse e encaminhasse seu texto até as 11h para a redação.
Não sei se ele leu atentamente o texto, porque me telefonou logo em seguida para perguntar sobre coisas que estavam escritas no e-mail. Mas tornei a explicá-las por telefone. E sempre finalizava, preocupado: “Entendeu?”. E ele assegurava que sim.
As informações foram publicadas em box de duas colunas, ao lado de uma longa matéria de três quartos de páginas sobre o aniversário da Imperatriz, na página 3 do caderno “Cidades”, edição do dia 17. Li-a na tarde desse mesmo dia. Mas… que decepção!
Não sei se por culpa do João ou do pessoal da editoria, em São Luís, que costuma cortar matérias para reduzir o espaço a ser ocupado (no caso, talvez, para caber num “box”), minhas informações se transformaram em desinformação. Três importantes fatos ficaram completamente distorcidos, comprometendo a informação histórica que se pretendia. E, com isso, comprometendo a minha credibilidade de historiador, que tanto prezo. Como o jornal é o de maior circulação no Estado, essas informações podem ser reprozidas com erro por outras pessoas, aqui e em outros lugares, causando prejuízos também à história imperatrizense. Também, os leitores de meus livros podem se assustar em eu dizer uma coisa nos livros e afirmar outra em uma matéria de jornal.
Diante disso, faço aqui um pequeno reparo sobre esse pequeno texto publicado em “O Estado”:
1) O jornal publicou que “o frei [Manoel Procópio, fundador de Imperatriz] contatou com os índios gaviões e krikatis, do Maranhão. Com o aldeamento de 800 índios gaviões no lugar onde hoje fica o povoado de Cidelândia [...]“.
— Eu afirmei, na verdade (e isso está escrito em meu livro “Breve história de Imperatriz”), que o frei Manoel Procópio aldeou 800 índios Gavião e Krikati na localidade Frades, nas margens do rio Tocantins, hoje povoado do município de Cidelândia. Veja-se que não foi em Cidelândia, hoje sede do município desse mesmo nome, e sim em Frades, a mais antiga localidade desta região, que existia já antes mesmo da fundação de Imperatriz. Dizer que na metade do século XIX frei Manoel Procópio tenha aldeado índios em Cidelândia é um absurdo, pois o povoado que deu origem a essa cidade foi fundado a menos de 50 anos.
2) O jornal publicou: “disse o historiador [Adalberto Franklin], acrescentando que Imperatriz foi fundada às margens do riacho Cacau.”
— Outro grave equívico. Transcrevo o que escrevi no e-mail enviado ao João Rodrigues:
Não é verdade que inicialmente a povoação de Santa Teresa tenha sido instalada na confluência do rio Cacau com o Tocantins e depois transferida para as imediação da hoje praça da Meteorologia, em face de uma cheia no Cacau. O primeiro sítio onde frei Manoel Procópio estabeleceu a “Colônia de Santa Teresa”, em setembro de 1849, foi no lugar chamado Remansão, no rio Tocantins, após as antigas cachoeiras de Itaboca, onde hoje fica a hidroelétrica de Tucuruí. No final do ano, houve uma grande cheia e morreram de febres muitos colonos levados para lá por frei Manoel Procópio, desistindo ele desse local. Frei Manoel Procópio, com alguns colonos, seguiu dali e se estabeleceu na confluência do rio Araguaia com o Tocantins (São João do Araguaia), de onde passou a fazer contato com os índios Apinajé (e conseguiu aldeá-los por algum tempo), do lado de Goiás; depois contactou com os Gavião e os Krikati, do Maranhão. Depois de conseguir aldear 800 índios Gavião no lugar Frades (hoje povoado de Cidelândia), e os Krikati em duas aldeias (uma nas margens do rio Cacau e outra no Barra Grande), resolveu então refundar a Colônia de Santa Teresa, entre essas duas aldeias, para acompanhar os índios aldeados e formar a nova povoação.
Então, essa história de que inicialmente Imperatriz foi fundada nas margens do rio Cacau não é verdade; isso é uma versão deturpada do acontecido no Remansão.
3) Mais outro: “[...] Adalberto Franklin concluiu que a fundação foi mesmo em 1852 e, ainda, que Frei Manoel Procópio era um capelão da Polícia Militar.”
Em momento nenhum eu afirmei que frei Manoel Procópio fosse capelão da Polícia Militar. O que eu disse foi que a expedição que deixou Belém em 1849 para fundar a colônia de Santa Teresa era comandada por um militar, e que frei Manoel Procópio era o capelão dessa expedição [naquela época, todas as expedições desse tipo eram obrigadas a ter um capelão, um sacerdote católico, na equipe].
Antes de escrever este texto, enviei um e-mail ao João Rodrigues pedindo que ele fizesse algo para reduzir os prejuízos dessas informações equivocadas.
Tomara que pelo menos minimizem o prejuízo histórico que pode causar.

Meu amigo João Rodrigues, esforçado repórter da sucursal de “O Estado do Maranhão” em Imperatriz, procurou-me às vésperas do aniversário da cidade para que eu comentasse alguns fatos que tenho contestado em relação à história do município. Seria uma matéria para a edição de “O Estado” no dia do 158º aniversário de fundação de Imperatriz, ocorrida na sexta-feira, 16 de julho.Como eu estava em São Luís, pedi-lhe que enviasse as perguntas por e-mail que eu as reponderia até a manhã seguinte (na quinta-feira, 15). Assim ele fez  e respondi aos questionamentos ainda cedo da manhã, com tempo para que ele escrevesse e encaminhasse seu texto até as 11h para a redação.Não sei se ele leu atentamente o texto, porque me telefonou logo em seguida para perguntar sobre coisas que estavam escritas no e-mail. Mas tornei a explicá-las por telefone. E sempre finalizava, preocupado: “Entendeu?”. E ele assegurava que sim.As informações foram publicadas em box de duas colunas, ao lado de uma longa matéria de três quartos de páginas sobre o aniversário da Imperatriz, na página 3 do caderno “Cidades”, edição do dia 17. Li-a na tarde desse mesmo dia. Mas… que decepção!Não sei se por culpa do João ou do pessoal da editoria, em São Luís, que costuma cortar matérias para reduzir o espaço a ser ocupado (no caso, talvez, para caber num “box”), minhas informações se transformaram em desinformação. Três importantes fatos ficaram completamente distorcidos, comprometendo a informação histórica que se pretendia. E, com isso, comprometendo a minha credibilidade de historiador, que tanto prezo. Como o jornal é o de maior circulação no Estado, essas informações podem ser reprozidas com erro por outras pessoas, aqui e em outros lugares, causando prejuízos também à história imperatrizense. Também, os leitores de meus livros podem se assustar em eu dizer uma coisa nos livros e afirmar outra em uma matéria de jornal. Diante disso, faço aqui um pequeno reparo sobre esse pequeno texto publicado em “O Estado”:
1) O jornal publicou que “o frei [Manoel Procópio, fundador de Imperatriz] contatou com os índios gaviões e krikatis, do Maranhão. Com o aldeamento de 800 índios gaviões no lugar onde hoje fica o povoado de Cidelândia [...]“.— Eu afirmei, na verdade (e isso está escrito em meu livro “Breve história de Imperatriz”), que o frei Manoel Procópio aldeou 800 índios Gavião e Krikati na localidade Frades, nas margens do rio Tocantins, hoje povoado do município de Cidelândia. Veja-se que não foi em Cidelândia, hoje sede do município desse mesmo nome, e sim em Frades, a mais antiga localidade desta região, que existia já antes mesmo da fundação de Imperatriz. Dizer que na metade do século XIX frei Manoel Procópio tenha aldeado índios em Cidelândia é um absurdo, pois o povoado que deu origem a essa cidade foi fundado a menos de 50 anos.
2) O jornal publicou: “disse o historiador [Adalberto Franklin], acrescentando que Imperatriz foi fundada às margens do riacho Cacau.”— Outro grave equívico. Transcrevo o que escrevi no e-mail enviado ao João Rodrigues: Não é verdade que inicialmente a povoação de Santa Teresa tenha sido instalada na confluência do rio Cacau com o Tocantins e depois transferida para as imediação da hoje praça da Meteorologia, em face de uma cheia no Cacau. O primeiro sítio onde frei Manoel Procópio estabeleceu a “Colônia de Santa Teresa”, em setembro de 1849, foi no lugar chamado Remansão, no rio Tocantins, após as antigas cachoeiras de Itaboca, onde hoje fica a hidroelétrica de Tucuruí. No final do ano, houve uma grande cheia e morreram de febres muitos colonos levados para lá por frei Manoel Procópio, desistindo ele desse local. Frei Manoel Procópio, com alguns colonos, seguiu dali e se estabeleceu na confluência do rio Araguaia com o Tocantins (São João do Araguaia), de onde passou a fazer contato com os índios Apinajé (e conseguiu aldeá-los por algum tempo), do lado de Goiás; depois contactou com os Gavião e os Krikati, do Maranhão. Depois de conseguir aldear 800 índios Gavião no lugar Frades (hoje povoado de Cidelândia), e os Krikati em duas aldeias (uma nas margens do rio Cacau e outra no Barra Grande), resolveu então refundar a Colônia de Santa Teresa, entre essas duas aldeias, para acompanhar os índios aldeados e formar a nova povoação. Então, essa história de que inicialmente Imperatriz foi fundada nas margens do rio Cacau não é verdade; isso é uma versão deturpada do acontecido no Remansão.
3) Mais outro: “[...] Adalberto Franklin concluiu que a fundação foi mesmo em 1852 e, ainda, que Frei Manoel Procópio era um capelão da Polícia Militar.”Em momento nenhum eu afirmei que frei Manoel Procópio fosse capelão da Polícia Militar. O que eu disse foi que a expedição que deixou Belém em 1849 para fundar a colônia de Santa Teresa era comandada por um militar, e que frei Manoel Procópio era o capelão dessa expedição [naquela época, todas as expedições desse tipo eram obrigadas a ter um capelão, um sacerdote católico, na equipe].
Antes de escrever este texto, enviei um e-mail ao João Rodrigues pedindo que ele fizesse algo para reduzir os prejuízos dessas informações equivocadas.Tomara que pelo menos minimizem o prejuízo histórico que pode causar.

Ética chega ao 350º livro publicado

sábado, 3 de julho de 2010
18 anos depois de ter publicado o primeiro livro, a Ética Editora, de Imperatriz, da qual sou sócio e editor, chega, neste mês de julho, ao 350º  livro publicado. Exatamente três centenas e meia. É um recorde no Maranhão, segundo assegurou-me a poetisa e também editora Arlete Nogueira da Cruz, esposa do poeta Nauro Machado. E já havia diagnosticado o insuspeito editor e multiliterato Jomar Moraes, ex-diretor do antigo Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado (Sioge), até então, creio, maior casa publicadora da história do Maranhão.
Modéstia à parte, porque até a despretensão tem limite, a Ética Editora vem se projetando nos últimos anos como uma das mais importantes publicadoras do Norte-Nordeste. E isso sem qualquer apoio ou incentivo dos governos municipal, estadual ou federal. Sequer comprando livros, porque preferem — e sei a que custo e vantagens — escolher os títulos das grandes editoras e desprezar os temas e autores regionais.
Eu, como editor, e a Ética, como editora, somos hoje conhecidos nos fóruns de discussão do livro e da leitura no Nordeste. Há títulos por nós publicados indicados em bibliografia de cursos de diversas faculdades de renome nacional e até por cientistas de renome internacional, entre os quais Bertha Becker, Ladislau Dowbor e Ignacy Sachs. Diversas bibliotecas, etre elas a do Congresso Norte-Americano, anualmente, vêm incluindo livros da Ética em suas compras de atualização de acervo — somente no ano passado, foram mais de dez títulos.
Mas como diz a sentença, “santo de casa não faz milagre”, em três vezes em que figuraram livros da Ética nas listas das licitações do Estado (numa só vez, 42 títulos), foram misteriosamente “retirados” da relação antes da realização do certame. E em nossa Imperatriz, cidade que sequer tem uma biblioteca pública digna do nome, e onde jamais houve uma licitação para compra de livros, sequer os que tratam da história do município, a situação não é diferente. Meses atrás, a Secretaria Municipal de Educação chegou a publicar um edital para a compra de livros para as “bibliotecas das escolas”, em que não constava nenhum livro publicado no Maranhão e muito menos de autores locais ou regionais. Essa licitação foi cancelada e estranhamente não se realizou outra, continuando então esse ineditismo.
Confesso, entretanto, que não comecei a publicar livros esperando favores ou facilidades de governos ou instituições públicas. Na verdade, nunca as espero, nem as busco. A condição de editor me veio por duas razões: a primeira, por ter sido tipógrafo, profissão em que iniciei em 1974, antes de completar 12 anos de idade; a outra, por ser um apaixonado pelo livro e pela leitura. Na Tipografia Castro Alves, de propriedade de meu falecido pai, Martinho Alves de Castro, publiquei o primeiro livro, em 1977, com apenas 15 anos de idade, todo composto a mão, tipo a tipo, espaço a espaço, letra a letra, por mim mesmo. Trabalho que durou três meses para se compor e imprimir. Era o “Manual do Conscrito”, para o 50º BIS, batalhão do Exército sediado em Imperatriz. O primeiro de literatura, da mesma forma, já na extinta Gráfica Escriba, sociedade entre eu e meu irmão Gilberto, em 1985. Foi o “Canto ocasional”, primeiro livro do saudoso confrade poeta Benedito Batista Pereira.
O primeiro livro com o selo da Ética foi “O presépio queimado”, livro de contos de Lourival Serejo, um dos fundadores da AIL e hoje também membro da AML. Esse livro ganhou depois segunda edição, mais encorpado e com capa melhorada, pois a da primeira edição é muito simplória. Daí pra frente, seguiram-se dezenas e dezenas de títulos, ao longo dos anos de persistência editorial.
A Ética vem resistindo, não porque esse ofício tem rendido dividendos financeiros. Ao contrário. Para mantê-la, contraí ao longo desse tempo três falências. Numa delas, inclusive, tive que paralisar as atividades editoriais por três anos, até conseguir retomá-las. É, segundo o diagnóstico de alguns amigos, um caso patológico. Para mim, não, trata-se de uma necessidade existencial. Da mesma forma que os viciados em fumo e em bebida, não consigo viver sem publicar, sem gestar um livro. Por isso, tenho sempre uma fila de publicações a fazer e outra de obras que desejaria publicar. Atualmente, mais de 30 estão na fila. Poderia até dizer que meu ritmo é “terminando uma, começando a outra”. Mas é pior: sempre trabalho simultaneamente em três, quatro, cinco…
Assim, estamos chegando neste mês ao 350º livro publicado. Minha dúvida está sendo: qual será o 350º?
Ainda não sei. Dentre os que estou concluindo agora, escolherei um deles para levar essa chancela. Não está sendo uma escolha fácil.
De qualquer forma, apesar de tudo, tem valido a pena.

Documentos inéditos sobre a história do Maranhão

terça-feira, 29 de junho de 2010

Havia algum tempo eu desejava publicar em livro um artigo do historiador alemão Franz Obermeier, da Universidade de Kiel, que trata dos capítulos censurados da obra do capuchinho francês Yves d’Evreux, impressa em 1615, sobre a fundação de São Luís. Originalmente, foi publicada sob o título de “Suitte de l’histoire des choses plus memorables advenues em Maragnan és annes 1613 & 1614”.

Já impresso, em Paris, mas ainda na tipografia do impressor François Ruby, o livro foi censurado pela Corte francesa, pois continha críticas aos portugueses, e, nesse mesmo período, o rei francês Luís XIII havia se casado com a princesa Ana d’Áustria, filha do rei da Espanha, que era, na época, soberano também de Portugal. Não seria politicamente adequado deixar circular uma obra francesa com críticas a Portugal, agora um aliado. Com isso, o livro do padre Yves d’Evreux foi guilhotinado, sem circular, mas providencialmente salvos alguns exemplares. Pelo menos dois, que se saiba, se conservaram. Um, na Biblioteca Real de Paris; o outro, na Public Library de Nova York.

O exemplar de Nova York é o mais completo, embora faltem nele algumas partes. A partir deste, o historiador francês Ferdinand Denis publicou a primeira e mais conhecida edição que circulou dessa obra. A partir da obra de Denis, foram feitas as traduções em português. O militar francês François Rasily, que participou da expedição que fundou São Luís, sob o comando de Daniel de la Touche, teria guardado as partes censuradas.

Em 2005, Franz Obermeier publicou, pela primeira vez, em artigo no Boletim do Museu Emílio Goeldi, de Belém (MA), as partes desconhecidas da obra de Yves d’Evreux, que foram encontradas e por ele analisadas em sua tese de doutorado, publicada em Bonn (Alemanha), em 1995. Obermeier analisa o trabalho de Ives d’Evreux no contexto dos documentos franceses e brasileiros da época — os livros de Jean de Léry e André Thevet sobre a tentativa de se estabelecer uma colônia francesa no Rio, em 1555-1560 e, sobretudo, as cartas dos jesuítas brasileiros, entre os quais José de Anchieta. O trabalho é particularmente rico em informações inéditas como o tema das migraçoes indígenas, dos pagés, da situação dos escravos e dos bastardos, da mitologia indígena e da iconografia dos documentos franceses sobre a colônia.

Tomei conhecimento dessa pesquisa através do artigo publicado no Boletim do Museu Emílio Goeldi. Copiei e digitalizei o arquivo. Mantenho-o guardado há mais de dois anos. Encontrei o e-mail do professor Obermeier e tentei contato. Há pouco menos de um mês temos trocado e-mails sobre a publicação desse artigo, ampliado e ilustrado com os desenhos da edição original. Acordamos com a publicação, que terá o título de Yves d’Evreux e a fundação de São Luís: documentos inéditos sobre o Maranhão em 1615. O autor já trabalha na revisão e ampliação do texto. O lançamento está previsto para novembro, na Feira do Livro de São Luís.

Outra novidade: o Dr. Franz Obermeier está escrevendo uma edição crítica do livro de Yves d’Evreux, com a íntegra dos textos censurados. Deverá ser publicada na Alemanha, em francês, provavelmente em 2011. Acertamos sua publicação em português pela Ética, provavelmente no final de 2011 ou início de 2012, quando São Luís completa 400 anos.

Dois presentes à história do Maranhão.

o.

O futuro do Salimp

domingo, 27 de junho de 2010
A Academia Imperatrizense de Letras (AIL) divulgou na semana passada os números do 8.o Salão do Livro de Imperatriz (Salimp), realizado de 29 de maio a 6 de junho: cerca de 55.000 títulos disponíveis; 100 mil livros vendidos; movimentação financeira de R$ 1.800.000,00, segundo informou a RPS Eventos.
É inegável que o 8.o Salimp é um evento que eleva a autoestima dos imperatrizenses, promove e estimula a leitura e projeta a cidade como pólo cultural. Mas é oportuno dizer também que os poderes públicos nãoo têm dado até agora a devida importância ao evento. O Governo do Estado, que no ano passado se propôs a gastar mais de dois milhões de reais em uma feira do livro em São Luís — não realizada –, manteve em 2010 o mesmíssimo valor de patrocínio de 2009 (R$ 200 mil mais mídia), e a Prefeitura de Imperatriz somente 50 mil reais (também o mesmo do ano passado). Neste ano, o acréscimo em relação ao ano anterior foi um modesto patrocínio da Eletrobras, que se tornou fundamental para completar os custos mínimos do evento.
Verdade se diga: o Salimp somente foi realizado devido ao empenho e aposta da RPS Eventos, de São Paulo, que monta toda a infraestrutura do evento no Centro de Convenções, trazendo para isso a empresa Eventum, de Belém (com quem faz parceria na realização Feira Panamazônica do Livro, o quarto maior evento literário do país). Os custos reais para a realização de um evento como o Salimp é de aproximadamente 1,5 milhão de reais, embora tenha sido feito com menos de 500 mil. O Salão de Palmas sempre tem sido realizado com mais de cinco milhões de reais.
Outra dificuldade é a garantia de presença das grandes editoras. Elas não se dispõem a vir quando não vislumbrarem boas vendas. E o volume de vendas em Imperatriz ainda é considerado muito baixo. Isso, inclusive, pode ser entrave ao futuro do Salimp. Neste ano, a RPS, que vem apostando no crescimento do Salimp e no potencial de Imperatriz e região, condicionou a presença de algumas distribuidoras de livros em algumas bienais que realiza, suas presenças em Imperatriz. Sorte nossa!
Para se ter um ideia do que se faz em outros lugares, no Salão do Livro de Ribeirão Preto (SP), encerrado na semana passada, foram doados quase dois milhões reais em tíquetes vale-livros a estudantes do ensino fundamental, para estimulá-los à leitura. E a maior parte desses recursos foi arrecadada junto a empresas locais. Em Palmas, foram repassados em vale-livro mais de dois milhões de reais. Em Belém e Fortaleza, isso também é prática há muito tempo.
Não precisa dizer que a leitura é necessidade básica em qualquer lugar que se queira desenvolvido. Como disse Pedro  Bandeira, o mais lido escritor infanto-juvenil do Brasil (mais de 25 milhões de livros vendidos), em palestra neste Salimp, não há nenhum país desenvolvido que não tenha grande investimento em conhecimento e alto índice de leitura. Nenhum!
A Prefeitura de Imperatriz deve encarar, na prática, o Salimp como indutor de conhecimento e promoção da cidade. Para tanto, deve colocar em seu orçamento de 2011 verbas maiores para isso (e há possibilidade de fazê-lo não apenas com recursos próprios, mas também com os recebidos do MDE). É vergonhoso dizer a PMI destina apenas 50 mil reais ao Salimp (muito menos do que destina às festas juninas, e menos de um terço do Carnaval). O mesmo se diga do Governo do Estado.
Não podemos esquecer que o Maranhão tem o mais baixo índice de leitura do país, que por si já tem um dos piores das Américas.

SALIMP, leitura e livros em Imperatriz
A Academia Imperatrizense de Letras (AIL) divulgou na semana passada os números do 8.o Salão do Livro de Imperatriz (Salimp), realizado de 29 de maio a 6 de junho: cerca de 55.000 títulos disponíveis; 100 mil livros vendidos; movimentação financeira de R$ 1.800.000,00, segundo informou a RPS Eventos.É inegável que o 8.o Salimp é um evento que eleva a autoestima dos imperatrizenses, promove e estimula a leitura e projeta a cidade como pólo cultural. Mas é oportuno dizer também que os poderes públicos nãoo têm dado até agora a devida importância ao evento. O Governo do Estado, que no ano passado se propôs a gastar mais de dois milhões de reais em uma feira do livro em São Luís — não realizada –, manteve em 2010 o mesmíssimo valor de patrocínio de 2009 (R$ 200 mil mais mídia), e a Prefeitura de Imperatriz somente 50 mil reais (também o mesmo do ano passado). Neste ano, o acréscimo em relação ao ano anterior foi um modesto patrocínio da Eletrobras, que se tornou fundamental para completar os custos mínimos do evento.Verdade se diga: o Salimp somente foi realizado devido ao empenho e aposta da RPS Eventos, de São Paulo, que monta toda a infraestrutura do evento no Centro de Convenções, trazendo para isso a empresa Eventum, de Belém (com quem faz parceria na realização Feira Panamazônica do Livro, o quarto maior evento literário do país). Os custos reais para a realização de um evento como o Salimp é de aproximadamente 1,5 milhão de reais, embora tenha sido feito com menos de 500 mil. O Salão de Palmas sempre tem sido realizado com mais de cinco milhões de reais.Outra dificuldade é a garantia de presença das grandes editoras. Elas não se dispõem a vir quando não vislumbrarem boas vendas. E o volume de vendas em Imperatriz ainda é considerado muito baixo. Isso, inclusive, pode ser entrave ao futuro do Salimp. Neste ano, a RPS, que vem apostando no crescimento do Salimp e no potencial de Imperatriz e região, condicionou a presença de algumas distribuidoras de livros em algumas bienais que realiza, suas presenças em Imperatriz. Sorte nossa!Para se ter um ideia do que se faz em outros lugares, no Salão do Livro de Ribeirão Preto (SP), encerrado na semana passada, foram doados quase dois milhões reais em tíquetes vale-livros a estudantes do ensino fundamental, para estimulá-los à leitura. E a maior parte desses recursos foi arrecadada junto a empresas locais. Em Palmas, foram repassados em vale-livro mais de dois milhões de reais. Em Belém e Fortaleza, isso também é prática há muito tempo.Não precisa dizer que a leitura é necessidade básica em qualquer lugar que se queira desenvolvido. Como disse Pedro  Bandeira, o mais lido escritor infanto-juvenil do Brasil (mais de 25 milhões de livros vendidos), em palestra neste Salimp, não há nenhum país desenvolvido que não tenha grande investimento em conhecimento e alto índice de leitura. Nenhum!A Prefeitura de Imperatriz deve encarar, na prática, o Salimp como indutor de conhecimento e promoção da cidade. Para tanto, deve colocar em seu orçamento de 2011 verbas maiores para isso (e há possibilidade de fazê-lo não apenas com recursos próprios, mas também com os recebidos do MDE). É vergonhoso dizer a PMI destina apenas 50 mil reais ao Salimp (muito menos do que destina às festas juninas, e menos de um terço do Carnaval). O mesmo se diga do Governo do Estado.Não podemos esquecer que o Maranhão tem o mais baixo índice de leitura do país, que por si já tem um dos piores das Américas.

Livraria Athenas fecha as portas em Imperatriz

sábado, 26 de junho de 2010
Li agora que em Belém vai ser fechada a mais tradicional livraria da cidade, a Jinkings. Há um lamento geral dos leitores também mais tradicionais, que vão às livrarias não apenas comprar livros, mas também tomar um cafezinho, encontrar-se com leitores e escritores, informar-se das publicações locais e regionais.
Em seu período mais dinâmico, a Jinkings contou com várias livrarias em Belém, e também em outras cidade, inclusive Imperatriz (ali na esquina da Getúlio Vargas com a Coronel Manoel Bandeira), na metade dos anos ‘80. A notícia acusa a mudança de comportamento dos leitores da nova geração, que passaram a comprar livros pela internet.
Também li que no Quartier Latin, em Paris, área próxima à Sorbonne (Universidade de Paris), famosa pelo movimento cultural, nos últimos 15 anos, caiu de 300 para cerca de 150 as livrarias no setor, o que está motivando o prefeito Bertrand Delanöe a fazer investimentos para reverter essa tendência. O Quartier Latin é o “bairro” dos estudantes e de famosos cafés e restaurantes, onde  se reuniam intelectuais de todo o mundo. Carrega esse nome porque ali, na Idade Média, viviam os estudantes da Université de Paris (Sorbonne), que falavam latim.
Aqui, cabe o lamento de ter sido fechada, neste mês, a Livraria Athenas, pouco menos de dois anos após sua instalação na cidade. José Arteiro, o proprietário, que tem a matriz desse empreendimento em São Luís, confidenciou-me que as vendas não estavam sequer cobrindo as despesas que mantinha para funcionar a loja. No ano passado, haviam sido fechadas as livrarias Interativa e Cia. do Livro.
Uma lástima!

O circo-teatro e o cinema: um valioso depoimento

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Sula Mavrudis, depois de ler um despretensioso texto que escrevi sobre o circo-teatro, fez um comentário e enviou-me mais dois e-mails falando sobre o tema. Como nos últimos meses quase não tenho tido condições me dedicar a este blog, e como considerei que o texto dela equivale a um documento sobre a cultura regional (e, por extensão, nacional), publico aqui o inteiro teor de seu depoimento, cheio de riquezas de detalhes e revelações que por certo ainda não foram registradas em nenhuma publicação. É uma leitura que, mesmo extensa, vale a pena ser feita.

Olá, Adalberto, como vai?
Você é do Maranhão? (Eu morei em Pindaré Mirím aos 12 anos, e tenho muitas saudades!!! do Piauí e do Maranhão!!!!) Lá vi muitos circos e os espetáculos ainda tinham a segunda parte, que eram os dramas e comédias…
Gostaria de converar mais com voce sobre o circo-teatro, mas por e-mail que é mais fácil para mim (ainda estou pelejando para aprender a utilizar os demais recursos da internet!!!. Um amigo meu de São Paulo é que viu o seu Blog e repassou para mim) . Fiquei super contente em encontrar mais alguém que gosta do circo, em especial o circo-teatro.
Moro em Minas desde 1986 e  Minas teve várias companhias que brilharam na época de ouro do circo-teatro, a  maioria delas tinha um ponto em comum: o encenador J. Silva, uma espécie de Antunes do circo-teatro. No circo onde ele estivesse trabalhando formavam-se filas e filas!!!! Dizem que ele era “brabo” demais com o elenco, que este tinha que se dedicar e ensaiar exaustivamemnte e até o contra regra tinha seu roteiro por escrito e tinha que passar todas as ações pelo menos dez vezes para J. Silva ficar satisfeito e ter certeza de que ele não iria errar.
Tinha muita cultura e da noite para o dia adaptava qualquer livro, filme ou rádio-novela para o circo-teatro.
Gostaria muito de publicar as peças que tenho recolhido, para devolvê-las para os circenses e disponibilizar para os demais interessados, mas para aprovar o projeto na lei federal de incentivo à cultura o Miniistério da Cultura exigiu a autorização dos “autores”. Assim esbarrei na minha falta de recursos financeiros para  viajar ao encontro dos familiares de autores/adaptadores explicar a importancia de recuperar este repertório e conseguir autorização. Nem a SBAT quiz ajudar neste intento.

Inspirada em sua matéria – que só agora vi que foi escrita no ano passado!!!! – resolvi escrever-lhe sobre como o cinema entrou em nossas vidas assim como o circo:
Meu pai, desde sua chegada ao Brasil, trabalhava nas construções de hidroelétricas.  E era responsável pela parte elétrica das obras e dos acampamentos onde morávamos, ao lado das construções das hidroelétricas.
Foi nessas obras que tivemos a oportunidade de ver muitos e muitos circos, pois era nas obras e nos acampamentos onde viviam os operários com suas famílias que os circos se instalavam, afinal, eram milhares de pessoas isoladas, sem lazer, e com dinheiro para comprar ingresso!!! – Como era meu pai quem ia instalar a energia elétrica para eles e, vendo as suas dificuldades, ajudava em muitas outras coisas, acabava ganhando muitos ” convites” como agradecimento, vivíamos indo aos circos (O Circo Orlano Orfei foi o primeiro a subir a Transamazônica enquanto ela era construída!…)

Mas voltando ao cinema, dos meus 8 aos 11 anos  morei na hidroeletrica de Boa Esperança, na divisa do Piauí com Maranhão, perto de Floriano, onde foi trabalhar o meu pai, que além de eletricista, ficou também com a função de “passar” os filmes (acho que só ele sabia utilizar o projetor!!!).
Assim, os rolos de filme chegavam em nossa casa toda semana e eu acompanhava meu pai que ia “passar” o filme nos clubes dos dois acampamentos e  na casa de hóspedes. Mas tinha também uma sessão especial no quintal de nossa casa: lençol branco sobre o muro, a vizinhança inteira com seus banquinhos ou cadeiras, era uma festa. E tinha às vezes uma sessão especial só pre ele e minha mãe, tarde da noite, na sala de casa, e eu ficava chorando no quarto porque eles não me deixavam assistir!!!.
(Nos circos o repertório variava entre “Coração materno” e as sátiras dos bang-bangs italianos!)
Bom, como eu via pelo menos umas 3 ou 4 vezes cada um, eu “decorava” os filmes, principalmente as coreografias – assim como “decorava” os dramas e comédias circenses. E tinha também os mais belos filmes de circo de todos os tempos!!!
Como era época de musicais, meus primeiros professores de dança, canto e teatro foram as estrelas dos filmes das décadas de 60 e 70 e os atores circenses, em especial, os palhaços.
No cirquinho do fundo do quintal, nas apresentações da escola, um eclético espetáculo: coreografias copiadas das telas de cinema, imitações de dramas, reprises, comédias circenses, e, para completar nosso tão variado repertório, a cópia da “Escolinha do Gordurinha”, que eu ouvia todos os dias em uma rádio de Recife, que terminava sempre assim:
“Voltaremos amanhã, se a bomba atômica permitir”!
Antes de morarmos no acampamento de Boa Esperança, moramos em Floriano e lá tinha um grande cinema, e era época de Hércules e Maciste – muito encenados nos circos na época. Moramos lá quase um ano e íamos ao cinema cada vez que trocava o filme; minha mãe nos levava – eu mais dois irmãos  (desde a Grécia mamãe adorava cinema).
Em Floriano, o Circo Gran Bartholo ficou quase um ano – e Rui Bartholo conta em seu livro que o sucesso foi tão grande que o prefeito ofereceu para eles a sede do mercado da cidade, para que eles se instalassem definitivamente na cidade, mas o sangue nômade falou mais alto.
Mas quando mudamos para o  Maranhão não construíram acampamento; colocaram as famílias em duas cidades: Santa Inês e Pindaré-Mirím. Só em Santa Inês tinha cinema, assim era uma felicidade quando podíamos ir até lá.
(Os circos – e os ciganos-  ficavam num terreno em frente à escola e assim eu seguia a tradição aprendida em Boa Esperança: saía da escola e ficava conversando com os circenses, mais com os palhaços).
Mas um  pouco antes de mudarmos inauguraram uma “sala de cinema” em Pindaré – era 1969. Algumas tábuas sobre caixas serviam de bancos e uma projeção na parede clara – eu acho, não lembro bem… Mas foi o maior acontecimento da cidade.
Em 1970, meu pai foi transferido para uma hidroelétrica em Cochabamba/ Bolivia. Eu fiquei estudando em um internato, em BH, e só fui à Bolívia nas férias, conclusão: um ano sem circo.)
Mas na Bolívia uma ótima novidade: nas sessões de cinema  eram  projetados dois filmes, e eram filmes argentinos em sua maioria, que não conhecíamos mas eram em sua maioria musicais, talvez por isso adoramos. Era a época da Jovem Guarda aqui, e lá também tinha uma banda que se chamava “Jovem Guardia”, e os integrantes estrelavam vários filmes… E, estranhamente, nenhum circo no pedaço.
Mas acho que “falei “demais!!!

Obrigado, Sula!

El sonido de los Andes

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Esta postagem eu deveria ter feito há mais de um mês, quando, passando pela praça de Fátima, deparei-me com o grupo indígena equatoriano Purik, que se apresentava e vendia CDs, DVDs e artesanato.
Sou apaixonado pela música andina (e, por extensão, da musicalidade latinoamericana).
Sempre me fascinou o som extraído das flautas. Confesso que ainda criança, comecei a dedilhar um violão, mas logo desisti; e na juventude fiz iniciação de estudos de música clássica, e até tive um órgão para fazer exercícios, mas também abandonei esse intrumento. Minha fixação sempre foram sempre os instrumentos de sopro, para os quais nunca fiz aprendizado. Nos estudos, durante as audições, sempre fixava minha atenção no oboé, no clarinete e no flautim (mais as madeiras, menos os metais).
Vejo que não por outro motivo, figuram em minha lista de preferências musicais o “Luar na lubre”, extraordinário grupo galego que em suas músicas dá ênfase à gaita-de-fole e outros instrumentos de sopro da velha Galícia, e a canadense Loreena Mckennitt, multi-instrumentista, musa do canto medieval, que utiliza instrumentos da Idade Média. E também por isso, creio, uma das canções que marcam minha vida é a andina/inca “El condor pasa”.
Num paralelismo nacional, gosto imensamente das músicas de Elomar e dos arranjos do maestro Jacques Morelenbaum.
Voltando ao grupo motivador do tema, cabe dizer que o Purik, “Caminante de los Andes” é formado por três indígenas — Luiz, Humberto e Armando; e duas indígenas de quem não identifiquei os nomes. Afirmam que descendem dos incas.
Os instrumentos que usam são nativos: chachas, esquiña e campoñas, todos da categoria das flautas de sopro, fabricadas de bambu. Percorrem o Brasil há mais de dois anos e se apresentam gratuitamente em praças públicas, vendendo CDs e DVDs do grupo. Na apresentações, mesclam canto ao vivo e playback. Vestem-se com indumentária indígena e além de cantos, fazem demonstrações de dança indígena.
Ao que parece, eles mesmos produzem os CDs e DVDs que vendem, pois o aspecto tanto das capas quanto da impressão do disco são de impressoras jato de tinta. Mas ressalte-se que além da música, a qualidade da gravação também é boa. Comprei dois discos e comprovei.

Escrever ou não?

terça-feira, 20 de abril de 2010

Sei lá. Tanta coisa povoa minha mente. Temas diversos. Literatura e economia; filosofia e religião; atividade profissional e ativismo social…
Mais de um mês sem incluir um escrito em meu blog. Até cheguei a escrever uns dois, mas a lentidão da Velox me fez desistir da inserção, após algumas tentativas. Situação irritante essa, de dependência da internet, que muitas vezes me leva à revolta contra o império da tecnologia. Nos tempos da minha velha Olivetti 45, não sofria esse dilema.
Nos últimos meses, ando com muita gana de escrever, mas minha mente anda em permanente batalha com uns cinco livros que teimam em ocupar espaço nos meus pensamentos, pedindo para serem escritos. Principalmente um romance que há uns quinze anos me perturba, pedindo-me para ser escrito, mas reluto, adio, por achar que ele não está pronto para nascer; carece ainda de maturação.
Venho assim numa luta permanente contra minha vontade criativa. Ou melhor, de minha parte autor, artista, que faz embate contra meu lado racional. Acabo abandonando o teclado, diante da indecisão ou, talvez, da supremacia da razão sobre o autor. — Talvez não seja ainda o momento.
Sei lá. Qualquer dia me isolo por uns dias e apareço com um romance debaixo do braço para me livrar desse tormento.