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Loas a um filho

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011


Marcos Vinício [aportuguesamento do latino Marcus Vinicius], meu primeiro filho, alçou-se ontem, 23 de fevereiro, à sua emancipação profissional. Prestou juramento e recebeu o número de seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na sede da Subseção da OAB em Imperatriz, juntamente com outros mais de vinte bacharéis aprovados no Exame da Ordem no final do ano passado.
Aprovado em dois concursos vestibulares aos 17 anos, ainda terminando o Ensino Médio, Marcos fez opção por Direito, contrariando minhas expectativas. Ele não tinha sido aluno brilhante até então, nem disputava os primeiros lugares. Não se dedicava a leituras. Por isso, tentei demovê-lo de estudar Direito, “carreira para quem gosta de ler muito, de estudar sempre”. Não consegui, mas pactuamos que ele estudaria o primeiro período e em seguida trancaria matrícula no período seguinte, para refletir se era mesmo essa carreira a que queria – essa pausa exigi depois dos dois outros filhos, para que não repetissem o que ocorre com muitos jovens, que abandonam cursos pelo meio ou, depois de concluí-lo, percebem que “não tinham vocação” para aquele mister. Eu mesmo abandonei três cursos, mesmo que por outros motivos.
Marcos ficou um ano fora da faculdade. Retomou o curso determinado: era mesmo o Direito que pretendia seguir. Matriculou-se em outra faculdade: a FEST, recém-aberta, no segundo período da primeira turma. Começou a fazer leituras jurídicas, didáticas e paradidáticas, mais intensivamente. Da metade para o final do curso, já era um “devorador” de livros. Às vezes, ficava lendo e fazendo anotações mais de oito horas por dia. Aperfeiçoou também sua redação. Terminou o curso com excelente nota na monografia. Resolveu não fazer nem participar das festas de colação de grau, determinando-se a somente comemorar quando aprovado no Exame da Ordem. Empreendeu dura jornada de estudos e foi aprovado. No mês passado, tomou-me pelo braço e levou-me até a FEST para me rematricular no oitavo período do curso de Direito, que eu abandonara há alguns anos e a família me cobrava em concluir. “Agora é a sua vez!”, disse-me.
Nesta quarta-feira, finalmente, recebeu seu merecido quinhão, o seu desejado título de advogado, na presença de seus pais e irmãos. Tive a satisfação de, na solenidade, entregar-lhe o termo de compromisso simbolizando sua entrada na Ordem.
Advogado trabalhista, de trabalhadores, como se determinou a ser, o que honra a vida e as lutas do pai. Nessa área já atuava há mais de um ano como assistente no escritório do professor de Direito Cledilson Maia (Maia e Associados), onde continua.
Sucesso, Marcos, você tem méritos!

Luís Brasília: algumas lembranças

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Eu deveria ontem ter ido ao Teatro Ferreira Gular prestar minha homenagem pós-mortem a Luís Brasília. Já havia inclusive mentalizado o breve prenunciamento que pretendia fazer. Fui impedido por dois fatos; um de ordem familiar e o outro de ordem pessoal, que não cabe aqui mencioná-los. Não gosto de ver corpos inertes, mortos. Amo a vida e as pessoas vivas, por isso, gosto também de lembrá-las com vida. Talvez seja isso um bloqueio psicológico, face a traumas de mortes pelos quais passei em família. Mesmo assim, estive, por pouco tempo, no velório do Luís, na Fundação Cultural, na semana passada. Por pouco tempo, para não se fixar em minha mente aquela imagem do amigo sem vida. Luís Brasília apareceu e desapareceu de Imperatriz sob a marca do mistério. Quase ninguém sabia qual era mesmo sua atividade principal; o que ou quem o prendia à cidade. De sua família, ninguém dava notícia. Seu nome verdadeiro, mesmo eu somente soube depois de sua morte. Sabe-se que chegou a Imperatriz na metade da década de ’80, como assessor do então deputado federal Onofre Correa. Logo depois, integrou-se e fincou raízes na TV Mirante, onde o conheci mais de perto, em 1991, quando ali trabalhei durante quase um ano. Mantivemos os primeiros contatos ainda na década de ’80, quando ele produzia o “Arte Nativa”, programa dominical de cultura (especialmente música) da TV Mirante até hoje não superado. Não lembro bem, mas creio que nesse período eu era o editor-chefe do jornal “O Progresso”. Ele gravou uma entrevista comigo para um desses programas.

Ao longo desses quase 25 anos, Luís Brasília nunca arredou dos círculos culturais. Aliás, fez-se editor de Cultura da TV Mirante, que, mesmo se não o exercia plenamente nos últimos tempos, assim os créditos dos telejornais o mantinham como tal. Era homem dos bastidores. Não gostava — nem precisava – de ser notícia. Metia-se em tudo quanto cheirasse a cultura na cidade. Dava opiniões, elogiava e criticava abertamente, sem receio de cometer ofensas; oferecia apoio, abria espaço na TV e às vezes até conseguia viabilizar projetos que envolviam recursos financeiros. Na música, no teatro, na literatura, nas artes plásticas, nas manifestações populares, Luís em tudo se metia. Construía e desconstruía. Era sensível e engajado. Colaborou com tudo, sem demonstrar ou carrear interesse pessoal ou mesmo fazer qualquer exigência de caráter ou apoio político ao grupo ao qual pertencia. Foi essa incondicionada atividade que certamente o fez respeitado por todos os fazedores de cultura de Imperatriz. Esteve presente em praticamente todos os grandes eventos culturais de Imperatriz, desde o FABER, o grande festival de música que Imperatriz sediou a partir de 1986, até o elogiado SALIMP, o Salão do Livro de Imperatriz, em que deu diversas contribuições à organização e inestimável apoio na divulgação, juntamente com Sérgio Macedo. No teatro, tinha cadeira cativa; era personagem permanente, representando a si mesmo em tudo quanto ali se fazia. Na música, foi um dos maiores responsáveis pela projeção interna e externa dos nossos melhores compositores e intérpretes. E garanto que não há, nestas afirmações, qualquer exagero. Quem o conheceu com mais intimidade, sabe-o.

Quero, do Luís Brasília, guardar algumas passagens de nossa convivência ao longo desse quase um quarto de século:

1)  Notívago, Luís Brasília nunca foi de acordar cedo.  Em 1991, eu chegava cedo – antes da seis da manhã — à redação do telejornalismo da Mirante para escrever o noticiário do Bom Dia Imperatriz. Por volta das 8h da manhã, logo após o café (ali mesmo no prédio), encontro-o sentado frente a uma mesa de edição extasiado olhando umas imagens feitas no final da tarde anterior pelo cinegrafista Raimundo Bezerra. Vai até à redação e me chama para vê-las. Era uma revoada de andorinhas num pôr de sol (agora se escreve assim mesmo, sem hífen) flagrada em João Lisboa. Creio que tenha passado parte da noite vendo e revendo aquelas imagens. Pediu então que eu fizesse um texto para um clipe que ele queria editar, com a música “Ave cantadeira”, do Paulinho Pedra Azul. Parece-me que ele mesmo editou. Ficou muito bonito. Sei que esse clipe encerrou o telejornal do meio-dia e foi muito comentado na cidade. Ganhou reexibição na mesma semana. Assim era o Luís, quando se determinava a uma tarefa. [Margarete, será que esse clipe ainda existe nos arquivos da Mirante?]

2) Num dia, ou melhor, numa madrugada, por volta das 2h da manhã, estávamos eu, o Luís e o Wilson Zara, no Caneleiros, antigo reduto imperatrizense da MPB, na rua Frei Manoel Procópio, num bate-papo sobre músicas e músicos da cidade. Fiz então um comentário sobre a relação entre a música “Sarará”, do Erasmo Dibel, e a história sul-maranhense, a “saga” dos migrantes piauienses que atravessavam o Parnaíba e vinham viver nas margens do Tocantins. Luís ficou impressionado com minha exposição. Começou a telefonar seguidamente para o Erasmo e o Gilberto Freire de Santana para que, naquela hora, fossem até o Caneleiros participar da conversa. Uns trinta minutos depois, o Gilberto chegou; o Erasmo, que parece ter prometido ir, não apareceu. Ficamos ali até umas quatro da manhã, jogando conversa fora. Assim era o Luís: entusiasmado e inoportuno.

3) No final do ano passado, o Luís cismou em fazer o registro da obra musical do Erasmo Dibel. Queria produzir um livro com as letras das composições do Erasmo e me pediu que organizasse esse trabalho. Parecia, porém, que o homenageado não sabia dessa movimentação do Luís. Decidimos que deveria ser feito um song-book. Com a ajuda da Margarete Valente, foi levantado algum material escrito; o próprio Erasmo me enviou arquivos com as letras. Acertamos que eu selecionaria e organizaria e o material, com apoio da Margarete, e ainda escreveria textos. Luís me telefonava, às vezes, cinco ou mais vezes por dia, para fazer a mesma pergunta: “Como está o livro?”. Toda vez eu dava a mesma resposta: “Isso é um processo lento, não se faz de um dia para o outro; ainda temos pouco material”. No dia anterior à sua morte, verifiquei no meu telefone uma ligação sua, não atendida (costumo, às vezes, abandonar o telefone nos finais de semana). O Luís se foi; o telefone silenciou. O seu último projeto ficou pela metade. Mas o Luís era assim: determinado e persistente.

Este será o Luís do qual me lembrarei: incomum, insólito, ousado, audacioso, atrevido, desaforado, altivo e por vezes inconveniente. Nunca arrogante nem insensível nem traiçoeiro.

É certo que a cultura de Imperatriz muito deve a ele, inclusive a existência da Fundação Cultural de Imperatriz, que em 1995 ele convenceu o então interventor Ildon Marques a constituir (em lei enviada à Câmara) e a construir (o prédio, onde ficava uma construção abandonada do Estado). Eu, ele, o Henrique Guimarães, o Erasmo Dibel e o Gilberto Freire nos reunimos durante três meses para criar o texto da lei de incentivo à cultura (depois extinta pela Câmara a pedido do próprio Ildon Marques, já prefeito) e o Estatuto da Fundação.  Fui o primeiro presidente da FCI, por dois anos, em conflito político e administrativo permanente, primeiro com o interventor Dorian Menezes, que recusou-se a fazer qualquer repasse à Fundação, e depois com o próprio Ildon, que, eleito prefeito, quis extinguir a FCI, “reduto” de seus adversários políticos.

A música erudita maranhense de Leocádio Rayol

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Em minhas mãos do professor doutor João Berchmans de Carvalho Sobrinho, coordenador do curso de Música da Universidade Federal do Piauí, os arquivos para a publicação do livro Música sacra em São Luís: a Novena de Santa Filomena (1877) de Leocádio Rayol, obra que é fruto de pesquisa patrocinada pelo Edital Unversal do CNPq.
O professor João Berchmans Sobrinho lançou, no final do ano passado, dois  outros livros que tratam da música maranhense do século 19, também resultantes de  suas pesquisas: Músicas e músicos em São Luís: subsídios para a história da música no Maranhão e Texto e contexto: a comédia musical ‘Uma véspera de Reis’, de Francisco Libânio Colás, ambos publicados pela Ética Editora.
Neste novo livro, o próprio autor diz que, através dele, “proponho a aproximação com uma importante obra musical de feitio religioso do compositor: a Novena de Santa Filomena, composta em 1877, para orquestra, coro e solistas masculinos, cujas fontes se encontram resguardadas no Arquivo Público do Maranhão, Seção Inventário João Mohana, com a finalidade de ampliar as possibilidades de compreensão de suas funções contextuais e execução enquanto produto sonoro.
Com 173 páginas, em formato 20×28, o livro traz a partitura da Novena, revisada pelo autor.

Recebo do professor doutor João Berchmans de Carvalho Sobrinho, coordenador do curso de Música da Universidade Federal do Piauí, os arquivos para a publicação do livro Música sacra em São Luís: a Novena de Santa Filomena (1877) de Leocádio Rayol, obra que é fruto de pesquisa patrocinada pelo Edital Unversal do CNPq. O professor João Berchmans Sobrinho lançou, no final do ano passado, dois  outros livros que tratam da música maranhense do século 19, também resultantes de  suas pesquisas: Músicas e músicos em São Luís: subsídios para a história da música no Maranhão e Texto e contexto: a comédia musical ‘Uma véspera de Reis’, de Francisco Libânio Colás, ambos publicados pela Ética Editora. Neste novo livro, o próprio autor diz que, através dele, “proponho a aproximação com uma importante obra musical de feitio religioso do compositor: a Novena de Santa Filomena, composta em 1877, para orquestra, coro e solistas masculinos, cujas fontes se encontram resguardadas no Arquivo Público do Maranhão, Seção Inventário João Mohana, com a finalidade de ampliar as possibilidades de compreensão de suas funções contextuais e execução enquanto produto sonoro. Com 173 páginas, em formato 20×28, o livro traz a partitura da Novena, revisada pelo autor.

A ética protestante da Assembleia de Deus

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Bertone de Oliveira Sousa é um jovem imperatrizense que começa a se projetar como cientista social no campo da história contemporânea. Graduado em História pelo CESI/UEMA, fez Mestrado na Universidade Federal de Goiás e agora é doutorando na mesma UFG, além de professor da Universidade Federal do Tocantins, Campus de Araguaína. É também professor visitante da UEMA e da FEST. Suas pesquisas voltam-se, quase exclusivamente, para a investigação e abordagem das religiões, sobretudo do protestantismo, e, neste, em especial, da Assembleia de Deus, igreja da qual foi membro. É autor do livro “Protestantismo: das raízes na Europa à expansão em Imperatriz” (Ética: Imperatriz, 2007; série Dissertações Acadêmicas, v. 3), resultado de sua dissertação de graduação.

Agora, Bertone presenteará a região e o país com a publicação de sua dissertação de Mestrado, de largos méritos, tanto pela cientificidade da pesquisa quanto pela maturidade da abordagem, sem contar o ineditismo da temática, desenvolvido sob a orientação da historiadora e professora doutora Libertad Borges Bittencourt. Com o título “Uma perspectiva histórica sobre construções de identidades religiosas: a Assembleia de Deus em Imperatriz, MA”, o novo livro do historiador deverá ser lançado no próximo dia 15 de fevereiro, em Imperatriz, com selo da Ética Editora.

Em suas 262 páginas, o livro apresenta um histórico da Igreja Assembleia de Deus, desde sua fundação, em Belém do Pará, em 1910, sua expansão e chegada à região tocantina; sua doutrina, a práxis e tradição; conservadorismo, autoridade, hierarquia e caráter antiliberal; a abertura recente à “modernidade”; decisões das convenções nacionais e movimentos de separação; a expansão missionária; a articulação com o poder político, e demais aspectos da identidade da IEAD.

Durante décadas voltada mais para a classe mais pobre, segundo o autor, a Assembleia de Deus “não se caracteriza mais apenas como uma religiosidade de pobres e pessoas pouco escolarizadas, mas tem absorvido sujeitos de todas as camadas sociais, o que explica as amplas mudanças ocorridas em seu interior, como a incorporação da Teologia da Prosperidade”.

Bertone Sousa, de família assembleiana, ex-professor de Escola Dominical da IEAD, afirma que seu estudo buscou, sobretudo, “compreender o que é a Assembleia de Deus, que características assumiu e como interagiu com diversos acontecimentos da história brasileira, haja vista que sua inserção em Imperatriz implicou a criação de estratégias para alcançar grupos sociais vindos de distintas regiões do país, numa região de fronteira, que, a partir de sua integração à modernização do Brasil, vivenciou um processo de fortes tensões sociais e hibridismo cultural”. Ele afirma que dentre as indagações que buscou dar respostas, estão: “Qual a postura adotada pela AD em relação ao processo de modernização da sociedade imperatrizense? De que forma as mudanças socioculturais

das últimas décadas têm influído sobre as mudanças e permanências na visão de mundo assembleiana? Como se caracterizam as relações internas de poder da Assembleia de Deus e sua relação com a esfera política? O que representam a conversão, o Batismo com o Espírito Santo, e como esses elementos interferem na reordenação identitária dos fiéis?” A obra inclui, ainda, duas entrevistas com dois dos maiores líderes da IEAD na região, os pastores Jairo Saldanha e Raul Cavalcante Batista, ex-presidente e atual presidente da Convenção do Serviço de Evangelização do Araguaia e Tocantins (SETA).

A doutora Libertad Bittencourt observa que “a questão das identidades é a pedra de toque e o diferencial desse profícuo trabalho, uma vez que esses tópicos estão no centro da teoria social e da prática política contemporânea” e que a obra de Bertone demonstra que “a atitude do pentecostal de se considerar na posse exclusiva da salvação consiste em uma forma de autoafirmação e defesa de sua identidade religiosa”, atitudes que “impedem a eles de relativizar sua visão, uma vez que o caráter absoluto da doutrina foi o que os levou a reordenar sua personalidade e recompor sua integridade psíquica, ao mesmo tempo em que os afastou das formulações teológicas que os conduziram até ali”.

Sem dúvida, Bertone Sousa é forte candidato se tornar o nosso Max Weber.

Creative Commons: ataque à ministra da Cultura

sábado, 29 de janeiro de 2011

A nova ministra da Cultura, Ana de Hollanda, retirou do site de internet do seu ministério as licenças Creative Commons, adotadas e ali colocadas pelo ex-ministro Gilberto Gil e mantida por seu sucessor, Juca Ferreira. Essa medida começa a gerar uma série de críticas à ministra que pode levar a uma crise política de grandes proporções, dentro e fora do país.

Quem não tem conhecimento sobre essa temática, pode até imaginar que se trata de “coisa” de gente “pirada”, do “pessoal da cultura”, que vive implicando com qualquer besteira. Mas não é nada disso. A questão é séria mesmo e tem a ver com os novos costumes e direitos coletivos do mundo contemporâneo, das redes sociais e da internet, sobretudo.

Como todos sabem, ou deveriam saber, é crime fazer download (ou seja, copiar, “baixar”) música, livro, texto ou imagem na internet — mesmo que para uso pessoal — sem autorização do autor ou de quem tem direitos autorais dessas obras. Apesar disso, todos cometem esse delito.

Instalar programas não licenciados no seu computador, também. Mesmo que o disco de programa seja original, se não houver autorização para mais de uma instalação, a lei considera crime instalá-lo em mais de um computador. Da mesma forma que fazer cópia de um livro.

O mundo contemporâneo é repleto de patentes e direitos autorais que, muitas vezes, impedem grandes parcelas e mesmos países inteiros de acesso a bens e produtos que poderiam melhorar a qualidade de vida das pessoas ou mesmo garanti-las. É o caso dos remédios, controlados por grandes corporações internacionais, que autorizavam sua fabricação mediante caríssimos reembolsos, ou vendem seus produtos a preços proibitivos às classes de baixo poder aquisitivo. E também de empresas e autores cerceiam e atrasam a disseminação do conhecimento e dos sabedores, porque controlam ou detém os direitos autorais de importantes obras, somente repassadas sob os mesmos parâmetros. Uma das maiores fontes da riqueza dos Estados Unidos, por exemplo, são as patentes e os direitos autorais, por eles defendidos como questão nacional.

No início do primeiro mandato do presidente Lula, o Governo Federal fez opção, no campo da tecnologia da informação, pelo desenvolvimento de sistemas e programas abertos (ou  “livres”), baseados no Linux, libertando-se da dependência dos sistemas e programas da monopolista Microsoft, e assim economizando centenas de milhões por ano em licenças de uso. Atente bem: licenças de uso — você paga o programa de computador mas não se torna dono dele; é apenas usuário; tem o direito apenas de usá-lo, geralmente, em um único computador (para cada computador, uma nova licença, também paga). Todas as instituições públicas brasileiras adotaram o software livre, e mesmo as empresas mistas, como o Banco do Brasil, a Petrobras…

As licenças Creative Commons são autorizações legais de uso e distribuição de conteúdos (textos, imagens, livros etc.), dados pelos autores ou detentores de direitos autorais, para que se democratize informação e conhecimentos, que vêm se disseminando no mundo como forma de contraposição à cultura da mercantilização dos saberes e da informação. As grandes corporações, especialmente do cinema, da música e da literatura, são grandes investidores contra essa democratização.

Pois bem, finalmente, ao cerne da questão.

O site do Ministério da Cultura adotou, na gestão de Gilberto Gil, o selo Creative Commons, para garantia o uso legal e a disseminação de seu conteúdo. A nova ministra, agora, mandou retirá-lo. Sem justificativa e caminhando na contramão do Governo, que continua a usá-lo na gestão Dilma. Até o site do Planalto mantém o selo Creative Commons.

Logo após esse ato, começou nos meios virtuais (twitter, blogs, sites) uma enxurrada de interrogações e críticas sobre essa postura, indagando-se “a serviço de quem” estaria a nova ministra da Cultura. Foi até chamada de “ministra do Ecad” (criticado órgão de arrecadação de direitos autorais no país).

O Governo brasileiro, que ao longo da década passada firmou-se como exemplar construtor de alternativas ao monopólio norte-americano no setor da informática, através da adoção do software livre, cria um perigoso precedente e provoca desconfiança no meio intelectual, que defende o amplo direito à informação e ao conhecimento, gesto que seria de se esperar, principalmente, do Ministério da Cultura.

O ponto crucial do problema é a perigosa mentalidade sobre direitos autorais e patentes, área em que as grandes corporações e os países ricos se impõem como proprietários dos bens tecnológicos, culturais e do conhecimento produzidos pela humanidade, mesmo que isso leve ao atraso os países pobres, as classes populares, ou mesmo leve à morte pessoas que não podem pagar por produtos patenteados, como no caso dos medicamentos (como estaria, por exemplo, o combate à AIDS no Brasil se não fosse a quebra das patentes?).

Para os casos pessoais (e não de corporações monopolistas), como os de autores de obras literárias e musicais, há de se definir um outro patamar legal, que possibilite ganhos aos criadores. Mas, na sociedade do século XXI, temos que estar atentos aos direitos de quarta geração, que implicam a observação da ética e da moralidade de princípios, onde se inclui a democratização da informação e do conhecimento.

Todo o saber reunido pelo ser humano do mundo contemporâneo é fruto, sobretudo, do trabalho das gerações anteriores. Arvorar-se em dono do conhecimento e das técnicas, aprisionando-as para si em troca de dinheiro, é não apenas atrasar o desenvolvimento da humanidade, favorecendo a elite que sempre dominou ao longo da história e condenando à exclusão os que não podem pagar.

Esse sistema tem que ser quebrado. E as licenças Creative Commons representam essa luta.

Muita gente de espírito e mentalidade livres, em todo o mundo, luta por isso.

Crime de lesa-pátria

sábado, 29 de janeiro de 2011

BRASIL EXPORTA FERRO E IMPORTA TRILHO

Em 2010, o Brasil — leia-se, a Vale — vendeu cerca de US$ 28 bi em minério de ferro bruto, fundamentalmente para a China, a um valor médio de US$ 130 a tonelada. Em compensação, o país acaba de lançar um edital internacional para adquirir — fundamentalmente  da China e leste europeu– 244,6 mil toneladas de trilhos, ao preço médio de US$ 864 a tonelada – quase sete vezes o valor do minério bruto embarcado. A fabricação própria viabiliza-se, segundo os especialistas, a partir de uma demanda de  500 mil toneladas de trilhos/ ano. O Brasil chegou a 496 mil toneladas em 2010 . Mas é  só o começo. O país mobiliza o maior investimento ferroviário dos últimos 40 anos, com expansão prevista  de 20 mil kms de malha até 2025, conforme  o Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT). Projetos já em andamento, incluídos no PAC 2, somam mais 3.757 km até 2014. A montagem de uma fábrica de trilhos requer investimentos da ordem de US$ 1,5 bilhão. Em 1996, um ano antes de privatizar a Vale do Rio Doce , o governo Fernando Henrique Cardoso desativou também o laminador de produção de trilhos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Fez barba e bigode: entregou o minério bruto e inviabilizou a agregação de valor local. A Vale foi privatizada por R$ 3,3 bilhões, em 1997. Atualizado, o valor corresponde ao lucro líquido da empresa obtida apenas em um trimestre  (o 3º) de 2010. O lucro seria mais que suficiente para implantar uma fábrica de trilhos, algo que a empresa, dirigida pelo tucano Roger Agnelli, desde 2001, jamais cogitou. (Carta Maior, com dados Valor e Ministério dos Transportes. 27.01.2011)

Expedições pelo Tocantins e Araguaia

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Marcado para o dia 10 de fevereiro, às 19h, no plenário da Câmara Municipal de Imperatriz, o lançamento do livro Expedições pelos rios Tocantins e Araguaia, do jornalista, acadêmico (AIL) e ambientalista Domingos Cézar. Os convites estão sendo distribuídos pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente de Imperatriz, do qual faz parte o autor.

No livro, de formato 19x28cm e 94 páginas  — sete delas, fotografias policrômicas de página inteira de lugares distintos dos rios Tocantins e Araguaia —, impresso em papel reciclado, Domingos Cézar relata, em forma de crônica, sobre as seis expedições que empreendeu num período de três anos pelo alto Araguaia e médio Tocantins, desde a confluência deste com o rio Manoel Alves Grande, em território maranhense, até a cidade de Marabá, no Pará, em viagens de reconhecimento das belezas naturais e de verificação dos impactos socioambientais causados pela ação humana.
Além de coordenar a publicação para a Ética Editora, escrevi o prefácio da obra, que abaixo transcrevo:
O rio Tocantins é uma das maiores riquezas naturais brasileiras,  fonte de vida para centenas de milhares de pessoas desde a região central do Brasil até a Amazônia setentrional, onde desemboca no imenso encontro de águas que circunda a capital do Pará.
Tem-se notícia de que desde o final do século 16 há entradas de navegantes europeus nas águas do Tocantins, em expedições de busca de riquezas minerais e de aprisionamento de nativos.
Ao longo desses últimos quatro séculos, a Amazônia Oriental, região da qual fazem parte o médio Tocantins e o rio Araguaia, foi motivo da cobiça de empresas estrangeiras e nativas. Primeiramente, na corrida em busca de uma nova Potosí, nos aldeamentos e escravização dos indígenas e na coleta das drogas dos sertões; depois, na exploração capitalista de matéria-prima industrial, como o látex e o caucho, e de produtos naturais comestíveis, como a castanha-do-pará e o babaçu. E, por último, das árvores nobres, da própria terra, das águas abundantes e das muitas riquezas do subsolo.
Os impactos socioambientais sofridos pelas margens ribeirinhas dos rios Tocantins e Araguaia nestes últimos quatro séculos são hoje facilmente identificados. As ações humanas — sem qualquer cuidado de conservação das belezas naturais, de preservação das espécies animais, de proteção da vegetação ribeirinha — têm sido quase sempre destruidoras do equilíbrio ambiental e, por conseguinte, da vida plena das espécies e da natureza.
Nos últimos tempos, as investidas econômicas de exploração madeireira, de extração de areia e de construção de barragens têm aprofundado e acelerado esse curso de destruição da paisagem,  evidenciado o desequilíbrio da natureza e o comprometimento da qualidade de vida das futuras gerações.
As expedições de Domingos Cézar e seus companheiros de viagem tiveram o condão de observar e registrar as condições que o majestoso rio Tocantins se encontra, às vésperas de sofrer mais uma grande intervenção em seu curso — o fechamento de comportas da hidroelétrica de Estreito, a terceira grande barragem no mesmo rio, que alterará drasticamente a paisagem e o movimento fluvial na região.
Filho de pescador dessas mesmas águas, acostumado às lides e à sabedoria dos ribeirinhos, o autor realiza um olhar nativista, romântico e poético de “seu” espaço de infância e juventude, mas também constata e denuncia as mazelas que o “progresso” constrói na desenfreada corrida em busca de ganhos financeiros.
Domingos Cézar, um ambientalista nativo das águas do Tocantins, em sua pequena canoa, avança também sobre o rio Araguaia — irmão tributário que doa sua vida ao primeiro num belíssimo encontro fraterno sob os olhares de três estados — e aí constata a mesma realidade vista nas barrancas tocantinas.
Em todos os trajetos percorridos, o autor e seus companheiros de viagem mantiveram a esperança proativa — atitude de quem sabe que é preciso construir uma nova mentalidade e gestar um futuro mais humano e harmônico —, promovendo reuniões e conversas com pescadores e ribeirinhos sobre a importância de se cuidar do rio, de suas encostas, da vegetação, das espécies aquáticas… enfim, da vida humana, que disso tudo depende.
Por fim, as expedições de Domingos Cézar pelos rios Tocantins e Araguaia são um olhar amoroso à natureza e à humanidade; um grito de alerta em defesa de um mundo menos desequilibrado e mais pleno de vida.
Adalberto Franklin

CDVDH lança Atlas do Trabalho Escravo no MA

terça-feira, 25 de janeiro de 2011
O Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos de Açailândia (CDVDH) estabelece mais um grande marco em sua vitoriosa trajetória de lutas em defesa da cidadania e de justiça social: a publicação do Atlas político-jurídico do trabalho escravo contemporâneo no Estado do Maranhão. A obra, de 250 páginas, produzida pela Ética Editora, será lançada na noite desta quinta-feira, 27, em Açailândia, em solenidade que contará com a presença de representantes de diversas instituições públicas, organização não-governamentais e convidados.
A elaboração desse trabalho consumiu vários meses de pesquisas, leitura, análise e compilação de documentos, por uma equipe coordenada por Antônio Filho, Nonato Masson e Reinaldo Costa (da equipe do CDVDH). Foram consultados documentos e processos de ações referentes a situações de trabalho análogo à escravidão, no Poder Judiciário nos âmbitos federal estadual, arquivos do CDVDH e publicações da imprensa.
Em oito capítulos, o livro revela as figuras do “gato”, o aliciador de pessoas socialmente frágeis, que buscam trabalho braçal; do “peões do trecho”, homens que vagueiam de uma região a outra, predispostos a qualquer atividade que possa garantir o sustento da família; do “gerente” ou “capataz” de fazenda, pessoa que impõe o ritmo e as degradantes condições de trabalho no campo; do escravagista, o dono de fazenda que, geralmente oculto, comanda todo o processo de exploração e degradação das pessoas submetidas a condições subumanas de vida e trabalho em suas terras. Faz, ainda, um histórico das principais denúncias recebidas na sede do CDVDH, desde 1996; as fiscalizações empreendidas pelas equipes do Grupo Móvel de Fiscalização do Ministério do Trabalho; as promessas e os planos governamentais para a erradicação do trabalho escravo; a criação da Lista Suja; as ações penais; os processos trabalhistas; os problemas de competência de julgar; as situações de impunidade; etc.
Segundo os organizadores, “O papel desta obra não é afirmar a existência de trabalho escravo, pois este já é do conhecimento da sociedade; busca-se aqui interpretar as condições e os principais elementos e personagens que se relacionam com esse mundo do sub-trabalho”.
A última Lista Suja do Trabalho Escravo, divulgado no dia 5 de janeiro deste ano,  coloca o Maranhão como o estado com o segundo maior índice de número de empregados submetidos a trabalho análoga à condição de escravo, e que “a maioria de trabalhadores resgatados em outras unidades da federação, principalmente no estado vizinho Pará, são maranhenses”.
Uma causa que precisa não apenas ser apoiada, mas, sobretudo, ser abraçada.
Essa chaga que envergonha a sociedade, em pleno século XXI, tem que ser extirpada.

Os cursos e o discurso: os graduandos da UFMA

terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Na quinta-feira passada, 20 de janeiro, tive a honra de ser paraninfo da formatura da primeira turma de bacharelandos em Comunicação Social do Campus II (Imperatriz) da Universidade Federal do Maranhão. Na mesma solenidade, graduavam-se também acadêmicos dos cursos de Ciências Contábeis, Pedagogia e Direito. Fui escolhido para pronunciar-me em nome dos demais paraninfos e, sob pedidos, transcrevo abaixo o discurso que proferi:
[...]

Senhoras e senhores, boa noite!

Em primeiro lugar, agradeço a honra que me foi concedida em paraninfar os bacharelandos da primeira turma do curso de Comunicação Social do Campus II da Universidade Federal do Maranhão, que hoje recebem o merecido grau, e de falar nesta solenidade em nome dos demais paraninfos dos graduandos em Direito, Pedagogia, Ciências Contábeis e Comunicação Social.Este é um apadrinhamento que engrandece e honra qualquer pessoa por toda a vida.

Nesta noite, aqui presentes, cidadãos e cidadãs, das mais variadas faixas etárias, que acreditaram no poder do conhecimento, na força do saber, e dedicaram uma parte de suas vidas aos estudos superiores, se apresentam para receberem o prêmio que lhes é devido por essa faina. É um mérito!Imperatriz, esta cidade pujante e cosmopolita, que agrega povos, culturas, saberes e engenhosidade oriundos dos mais diversos polos do país, entra nesta segunda década do século XXI palpitando de esperanças em se consolidar como metrópole do saber e do desenvolvimento.

Sim, de desenvolvimento; não apenas de crescimento. Um desenvolvimento que signifique a justa distribuição do bem-estar de todos e de cada um dos cidadãos, seus habitantes, o que não é nada mais do que o pró-labore que a cada um é devido no pacto social que nos une enquanto comunidade e povo politicamente organizado.

Imperatriz é muito mais porvir que passado. Aqui, janelas e portas continuam se abrindo àqueles que sabem interpretar o presente e projetam-se no futuro que agora se constrói. E o futuro passa pelo conhecimento e pela qualificação profissional.

Desde o final dos anos ’90, encerrando os ciclos econômicos de exploração de suas riquezas naturais, Imperatriz enveredou-se no que é a marca das grandes cidades: a economia dos serviços, onde prevalecem o saber, os conhecimentos técnicos e científicos. Nos dias atuais, mais de 70% do Produto Interno Bruto das metrópoles se originam na economia terciária, no comércio e nos serviços. Imperatriz já está nesse patamar.

Hoje não temos dúvidas: viabiliza-se quem domina a tecnologia da administração, do gerenciamento, da inventividade, pois vivemos num mundo que se reinventa a cada dia.

Eis, portanto, a importância de uma academia científica. E também o valor dessa conquista — esse degrau do saber  que vocês, graduandos, galgam para colocá-lo a serviço da comunidade.

A vós, futuros colegas das lides jurídicas, cabe, nesta sociedade, a grave responsabilidade de defender a justiça, antes que a lei; lutar por um ordenamento legal que faça avançar, cada dia mais, o Estado Democrático de Direito; e, sobretudo, atuar como protetor das instituições e dos cidadãos, buscando assegurar-lhes as garantias individuais e coletivas e as conquistas que a sociedade contemporânea estabelecem, atualizando as normas do direito à realidade social.
Cabe, a cada um de vós — e de nós todos —, fazer valer os princípios, os direitos e as garantias fundamentais que estabelecem os direitos da pessoa humana e o adequado funcionamento do Estado de Direito, e a abertura também aos interesses coletivos e difusos dos chamados direitos de terceira geração, que desafiam o velho entendimento jurídico.

A vós, homens e mulheres das ciências contábeis, reserva-lhes a sociedade o adequado ordenamento da economia empresarial, apurando, analisando, instruindo e organizando os resultados do trabalho humano, seja na iniciativa privada ou no setor público.

A vós cabe, sobretudo, a boa condução e o zelo pela transparência fiscal e contábil nas instituições públicas; a adequação dos procedimentos às normas jurídicas, e, acima de tudo, a demonstração abalizada dos resultados aos que empreendem, permitindo-lhes uma segura avaliação para a tomada de decisões. Numa economia cada dia mais volátil, sujeita à macroeconomia, aos acontecimentos internacionais, desempenham vós o papel de aferidores dos avanços e recuos da riqueza humana. Portanto, tão importante é a vossa tarefa, para que não pereçam os nossos esforços em ilusões virtuais ou momentâneas, muito comuns no mundo contemporâneo.


A vós, mestres pedagogos, o mundo contemporâneo os desafia.Repetimos hoje que estamos na era do conhecimento, do saber e da técnica… A vós cabe a organização da técnica e a administração dos saberes que a civilização humana apreendeu ao longo dos milênios de aprendizado, empírico e metódicos.

Sobre as vossas cabeças e mentes caem a responsabilidade de — mais que reproduzir o conhecimento e as técnicas — recriar os métodos, disponibilizar saberes e atualizar conhecimentos na velocidade em que eles se re/produzem — na velocidade das redes virtuais que unem o mundo numa só aldeia.

Nosso país e nossa região clamam por cidadãos capacitados para o trabalho técnico e científico; por profissionais especializados, capazes de produzir os bens e serviços que carecem na construção do Brasil e da Imperatriz que desejamos.

Especialistas das mais diversas áreas têm reiterado que nenhum país se desenvolve sem conhecimento; que o Brasil tardou muito em reconhecer isso.

Agora, nessa cruzada que nosso país se encontra para postar-se entre as grandes nações do mundo, é, então, cada vez mais preponderante, a presença e a atuação do pedagogo na construção da sociedade brasileira do terceiro milênio. Amigos e amigas pedagogos: a vossa tarefa é verdadeira missão, que deve ser plenamente valorizada à altura de sua importância.


Por fim, dirijo-me a vós, amigos e companheiros da comunicação.

O vosso curso de Comunicação Social, com ênfase no Jornalismo, estreia com merecido brilho e marca nesta noite a história do Campus II da UFMA.

Através de seis graduandos, que representam o esforço de todos os que iniciaram a primeira turma de Jornalismo, esse grupo inscreve-se como protagonista de uma nova etapa do ensino superior público em Imperatriz, juntamente com o competente corpo docente que os orientou e acompanhou.

Na sociedade do conhecimento e da informação, o jornalista é aquele que traduz os acontecimentos, interpreta a realidade, constrói os cenários sociais, políticos e econômicos, levando-os à sociedade, para que cada destinatário da notícia possa melhor compreender o mundo em que vive, as circunstâncias que o rodeiam, os perigos que os ameaçam, as oportunidades que se lhes apresentam.

A nós, portanto, companheiros e companheiras das lides jornalísticas, cabe o desafio de produzir notícias bem investigadas, que representem a realidade dos fatos; análises e opiniões sempre abalizadas na verdade científica e na responsabilidade social.

Numa sociedade democrática, o jornalista é, por vezes, o educador, o orientador jurídico, o porta-voz dos cidadãos, e, muitas vezes, o portador das esperanças… mas também das frutrações.

Cabe-nos, então, esse dever de trabalhar sempre em vista do bem-estar social, e não de grupos econômicos ou políticos.

Se no princípio era o Verbo, a Palavra é um elemento sagrado. Cabe, portanto, a nós, dar um cuidado especial à comunicação, também atividade fundamental em todos os tempos.
A todos os que agora se graduam, cabe uma tarefa importante na diversidade cultural e social do mundo em que vivemos.

Sejam, portanto, todos vós, protagonistas dessa nova sociedade a ser construída no século XXI.

Muito obrigado!

“Estilhaços de emoções”, novo livro do poeta Carlos Ociran

terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Numa sexta-feira chuvosa de poucas dezenas de pessoas, dia 14 de janeiro último, Carlos Ociran lançou seu quinto livro de poesias, Estilhaços de emoções.  Singular como o autor, o evento foi realizado na Beira Rio Peixaria, na velha praça da Meteorologia, frente ao hospital da Unimed, na rua Frei Manoel Procópio, lugar onde nasceu a cidade de Imperatriz. O livro, de 110 páginas, traz 72 poemas inéditos, em selo da Ética Editora. Conta com orelhas escritas pelo também escritor e acadêmico (AIL) Gilmar Pereira e prefácio de Carla Luciana, filha do autor e também poeta. Para ele, escrevi um pequeno texto que foi aposto na quarta-capa (a contracapa):
Estilhaços de emoções revela a poética social e intimista de Carlos Ociran,  literato forjado no árido cotidiano do interior maranhense, na persistência nos embates da vida pessoal e coletiva, nas lides acadêmicas, nas utopias de sua geração e na concretude da vida familiar e profissional. Nesta obra, o poeta reúne peças de temáticas várias, em que afirma crenças, recusa enquadramentos, denuncia situações,  desnuda sentimentos, protesta contra injustiças… enfim… extravasa emoções.