Arquivo da Categoria ‘Imperatriz’

Cidades. Memória, história e geografia

terça-feira, 20 de abril de 2010

Organizado por Francisco Alcides do Nascimento e Regianny Lima Monte, respectivamente doutor e mestranda em História na Universidade Federal do Piauí, o livro Cidade e memória foi lançado no dia 8 de abril último, no Auditório Noé Mendes, do Centro de Ciências Humanas e Letras (CCHL) da UFPI, em Teresina.
A obra, de 294 páginas, foi publicada pela Ética Editora, de Imperatriz (MA), e reúne 12 artigos de professores do Piauí, Ceará, Paraíba e Santa Catarina, discute o tema cidades “de uma forma bem variada e multidisciplinar”.

Também fez lançamento de seu livro A cidade na região e a região na cidade: a dinâmica socioeconômica de Imperatriz e suas implicações na região tocantina, nesta terça-feira, 20 de abril, em Minas Gerais, o professor do CESI/UEMA (Imperatriz) Jailson de Macedo Sousa, doutorando em Geografia na Universidade Federal de Uberlândia. Essa obra, de 308 páginas, é um dos mais ricos estudos sobre a geografia econômica e o reordenamento espacial da cidade de Imperatriz, que, por sua consistência. se insere entre as principais obras de referência sobre este município. A publicação, fruto da dissertação de mestrado do autor na Universidade Federal de Goiás, é também da Ética Editora.

Uma vitrine para Imperatriz em Florianópolis

sábado, 6 de março de 2010

Imperatriz ganhou uma vitrine cultural na II Mostra Nacional de Desenvolvimento Regional, que acontecerá de 10 a 14 deste mês em Florianópolis (SC), promovida pelo Ministério da Integração Nacional. É um evento de caráter internacional que reunirá mais de quatro mil convidados e previsão de mais de 30 mil participantes. Paralelamente às conferências, minicursos, debates e negociação de produtos, há uma agenda de apresentações artístico-culturais sob indicação de cada mesorregião brasileira integrante do Programa Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR).

A Mesorregião do Bico do Papagaio (partes de Maranhão, Pará e Tocantins) iria ser representada apenas por uma dupla sertaneja, indicada pelos representantes do Tocantins. Mesmo esgotado o prazo de indicações e completadas as vagas disponíveis, a coordenação do evento atendeu pedido de representantes locais para a inclusão de um artista de Imperatriz, que melhor representaria a cultura maranhense. A indicada foi a atriz e poeta Lília Diniz, já devidamente confirmada. Um revés, porém, se apresenta: Lília precisa de um músico para acompanhá-la nessa apresentação, em que não receberá cachê – o violinista Júnior Schubert, também de Imperatriz. O problema é que a coordenação do evento não poderá disponibilizar passagens nem despesas de estadia para o músico, orçados em pouco mais de dois mil reais.

Diante disso, Lília está fazendo um apelo, contactando com órgãos públicos, empresas e pessoas, na tentativa de dar mais brilho à sua apresentação em que representará nossa cidade num evento de grandioso porte, que fará de forma gratuita.

É uma vitrine tão importante que o governo de Santa Catarina vai abrir esse circuito cultural sendo representado pela Escola de Teatro do Balé Bolshoi.

Imperatriz e esta região pode ser muito bem representada por Lília Diniz, artista aplaudida em palcos de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e outros cantos. Mas a cidade precisa garantir pelo menos a presença do músico que a acompanha.

Procura-se colaboradores com urgência.

VIII Salimp daqui a três meses

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Com data prevista para o final de agosto, o oitavo Salão do Livro de Imperatriz (Salimp) teve que ser antecipado em três meses e agora está confirmado para o período de 29 de maio a 6 de junho. A proximidade e mesmo a coincidência de datas com grandes eventos literários nacionais, como a Bienal de São Paulo, a Feira Panamericana do Livro (em Belém) e a impossibilidade do setor público (como o Governo do Estado, até agora maior patrocinador do Salimp) liberar recursos em período de campanha eleitoral, precipitaram essa antecipação.

Assim, a Academia Imperatrizense de Letras, realizadora do Salimp, já deu início às atividades de planejamento deste evento, que pretende se firmar como o maior acontecimento literário do Maranhão.

Região Tocantina participa de Mostra Nacional de Desenvolvimento Regional

sábado, 20 de fevereiro de 2010

O Ministério da Integração Nacional realizará em Florianópolis, de 10 a 14 de março, a II Mostra Nacional de Desenvolvimento Regional, que contemplará a participação de 50 representantes da Mesorregião do Bico do Papagaio (Maranhão, Tocantins e Pará), 15 destes da região sudoeste do Maranhão. Esse é o maior evento nacional dessa área, com previsão de mais de quatro mil pessoas inscritas.

Será uma oportunidade de mostrar projetos e práticas de desenvolvimento sustentável que acontecem na região e discutir as políticas e programas governais para esse setor. Várias entidades da região terão a oportunidade de expor produtos de seu trabalho, entre elas, associação de apicultores, artesãos, quebradeiras de coco babaçu. Diversos minicursos serão também oferecidos aos participantes.

Paralelamente, ocorrerão apresentações culturais de todas as regiões brasileiras. A região norte do Tocantins será representada por uma dupla de cantores; o sudoeste do Maranhão, pela atriz e poeta Lília Diniz, de Imperatriz. Eu também estarei lá, como jornalista convidado.

Carlota Carvalho: de Imperatriz para o Brasil

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

No início desta noite, telefona-me de Teresina o professor João Renôr, recém-aposentado como docente do curso de Mestrado em História da UFPI, devendo vir até o final do ano residir em sua chácara no povoado Cumaru, a quarenta quilômetros de Imperatriz. É para dar “uma boa notícia”: o Conselho Editorial da UFPI acabava de eleger o livro que lhe cabe indicar anualmente para publicação na “Coleção Nordestina”, da ABEU (Associação das Editoras Universitárias Brasileiras). Trata-se de “O sertão: subsídios para a história e a geografia do Brasil”, de Carlota Carvalho, que teve sua primeira edição publicada no Rio de Janeiro, em 1924, quando a autora residia no território de Imperatriz.

Até 2000, quando eu e Renôr organizamos e publicamos a segunda edição desse livro, 76 anos após sua primeira edição, era ele uma obra considerada raríssima, mesmo porque em 1924 haviam sido impressos somente 500 exemplares. No Maranhão, conheciam-se apenas dois exemplares dele, em mãos de particulares. A partir dessa edição de 2000, o livro de Carlota começou a popularizar-se, inclusive no meio acadêmico, regional e brasileiro, já existindo diversos artigos científicos e dissertações de pós-gradução tratando dele.

Esgotada a segunda edição, resolvi, em 2006, organizar uma edição comentada, acrescida de um perfil biográfico da autora, um “índice onomástico explicativo-remissivo” e ainda 101 notas explicativas ao texto, num total de mais de 60 páginas, todas elaboradas por mim, mantendo ainda a Apresentação de João Renôr, feita para a segunda edição, com 52 páginas. O conjunto desses acréscimos deu a esse importante livro regional maior consistência, fazendo-o ainda mais estimado no meio acadêmico.  É exatamente esta terceira edição, da mesma forma em que foi publicada pela Ética, a versão escolhida para publicação pela ABEU.  Será mantida até mesmo a editoração, com 442 páginas, que coincide com o formato da “Coleção Nordestina”.

Com mais de 60 títulos publicados, a “Coleção Nordestina” reúne obras indicadas pelas instuições de ensino superior que integram a ABEU, que as difunde em livrarias universitárias e eventos literários em todo o país, como as bienais e feiras de livros. Dentre os autores publicados estão Joaquim Nabuco, Gilberto Freire, Pedro Américo, Adolfo Caminha, Manoel Correia de Andrade, Câmara Cascudo, Gilberto Amado, Patativa do Assaré, Francisco Julião, Miguel Arraes e muitos outros. João Renôr teve um trabalho seu editado em 2007, “Resistência indígena no Piauí colonial”, que também havia sido publicado antes pela Ética.

De acordo com informativo da Universidade Federal de Pernambuco, a “Coleção Nordestina” “foi lançada com o objetivo de publicar ou republicar obras representativas da produção intelectual do Norte e Nordeste do Brasil, nas áreas de Literatura, Ciências Sociais, Antropologia, Folclores e outras, de modo a constituir-se, no futuro, em repositório bibliográfico da Arte, da Cultura e da Ciência regionais, apto a preservar esse patrimônio e difundi-lo permanentemente em escala nacional.”

Quem é imperatrizense, afinal?

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Fui hoje indagado por uma acadêmica em fase de elaboração de seu trabalho de conclusão de curso que queria minha delimitação sobre o que é “literatura imperatrizense”. À primeira vista, sem maior reflexão, pareceu-me uma pergunta óbvia, merecedora de uma resposta óbvia. Logo, porém, detive-me em responder. Verifiquei que há muitas possibilidades para a resposta. E uma resposta a essa indagação delimita também essa adjetivação em muitas outras áreas, inclusive o uso do próprio gentílico: “imperatrizense”.

Ora, quem pode ser chamado “imperatrizense” numa cidade em que mais de 70% dos habitantes com mais de quarenta anos nasceram em outros municípios? Em que a maioria dos seus dirigentes sociais, empresariais e políticos não nasceram aqui? Em que mais da metade dos professores vieram de outras cidades? Em que a maior parte dos artistas, escritores, fazedores culturais são “de fora”?

Quem é imperatrizense, então? O que é ser imperatrizense, afinal?

Repassando à memória, constatei que dos atuais quarenta membros da Academia Imperatrizense de Letras, apenas cinco nasceram em Imperatriz: Tasso Assunção, Edna Ventura, Jucelino Pereira, José Herênio e Luiz Carlos Porto. E quantos dos hoje vereadores são imperatrizenses de nascimento? Qual o último prefeito nascido aqui? Algum deputado, representante de Imperatriz, nasceu aqui?

São, dessa forma, “imperatrizenses” os que comandam a cidade? Podemos afirmar que Imperatriz tem uma cultura “imperatrizense”, uma sociedade “imperatrizense”, uma política “imperatrizense”?

O que é, então, “cultura imperatrizense”, “literatura imperatrizense”?

O que é “imperatrizense”, quem é “imperatrizense”?

Há pouco tempo, um gesto polêmico do poeta Zeca Tocantins deixou chocada muita gente. Nascido em Xambioá, mas vivendo na cidade desde criança, e considerado um dos maiores artistas “imperatrizenses”, membro da Academia de Letras, em protesto contra o “descaso cultural”  do poder público municipal, resolveu devolver o título de “Cidadão Imperatrizense” que recebera em 1999. Deixou ele, entretanto, de ser menos cidadão de Imperatriz do que sempre foi, divulgando e contribuindo com a cultura local e regional? Não é ele mais imperatrizense que os ex-presidentes militares Castelo Branco e Garrastazu Médici e os ex-ministros César Cals e Camilo Calazans, que também têm o título de “Cidadão Imperatrizense”, concedidos pela Câmara Municipal?

O que legitima a utilização de um gentílico? A naturalidade, o envolvimento, a colaboração, a inspiração?

A música do paraense Neném Bragança, o mais conhecido dos cantores de Imperatriz, identificado como “imperatrizense” por todos os rincões nacionais onde venceu festivais, é menos “imperatrizense” que a de Lena Garcia, originária de uma família que vive no município desde o século XIX?

Também eu, que escrevi vários livros sobre a história de Imperatriz, não nasci aqui, apesar de ter chegado criança e ter passado menos de dois meses na minha cidade de origem, contabilizando-se todas as três vezes em que lá estive… me considero tanto imperatrizense quanto os que aqui nasceram.

O que dizer de intelectuais literatos como Vito Milesi, que, sequer brasileiro, foi um dos maiores baluartes da educação, da cultura, da literatura e da inteligência de Imperatriz (sem falar sua condição de cidadão assumida com a determinação e a paixão de poucos)? E de um Edmilson Sanches, de um Livado Fregona, de um Ribamar Silva… todos escritores com vida e obra “locadas” em Imperatriz, apesar de provenientes de outras plagas?

Inversamente, poderíamos nos perguntar se se pode chamar “imperatrizense” a obra de Regina Sader, uma expoente geógrafa aposentada, ex-professora da USP, que tem uma obra sobre Imperatriz? Ou a do historiador João Renôr, apenas por ser ele membro da Academia Imperatrizense de Letras?

É mesmo imperatrizense a obra literária de Manoel de Sousa Lima, primeiro escritor nascido em Imperatriz, em 1889, que somente passou a publicar depois de não mais morar na cidade?

Chego à conclusão de que não é um título de cidadania, nem mesmo o registro de nascimento, que criam a “cidadania”, o que dá legitimidade a um gentílico.  Creio que este deve ser dado apenas àqueles que tenham participação ou motivação na vida, na cidadania ou na cultura da localidade.

Então, “literatura imperatrizense”, “arte imperatrizense”, “música imperatrizense” são as obras criadas com o sopro, com a inspiração, com o ar, com a motivação das circunstâncias da vida imperatrizense, seja qual for a temática. Sem esse “ar” local, o que justifica essa condição?

Basta um livro ter sido escrito ou publicado em Imperatriz para ser “imperatrizense”? Não concebo isso. Neste ano a Ética Editora publicou livros em língua estrangeira, de autores que sequer conhecem o Brasil. E também de autores de outras regiões e estados brasileiros, pessoas que nunca tiveram qualquer relação com esta cidade. Estes também não podem receber esse gentílico.

O que é “imperatrizense”? Quem é “imperatrizense”, afinal?

A questão está aberta.

João do Vale – documentário

domingo, 27 de dezembro de 2009

Só agora assisti ao documentário “Muita gente desconhece”, sobre a vida e obra do compositor e cantor maranhense João do Vale, “a personalidade do século XX” no Maranhão. A produção, dirigida por Weriton Kermes, é de 2005, apesar de ter sido iniciada ainda no ano da morte do compositor, em 1996. Foi premiado no Festival de Gramado e exibido na TV Cultura, em 2006.

Através do depoimento de amigos de infância, familiares, parceiros e artistas que com ele conviveram, o filme faz uma retrospectiva da vida e da obra de João do Vale. Apresenta também sua convivência com os amigos de Pedreiras, sua cidade natal, onde foi viver depois do derrame sofrido, e reúne diversos momentos em que canta suas famosas composições que marcaram a música popular brasileira.

Num trecho, Miúcha, irmã de Chico Buarque e uma de suas parceiras, comete uma gafe pouco perceptível: diz que veio com João do Vale fazer alguns shows no interior do Maranhão, e citou uma cidade… “Sobral”… Creio que tenha sido “Bacabal”. Foi exatamente durante essa “turnê” que conheci João do Vale, em 1982.

Ele veio também a Imperatriz com Miúcha, e aqui ficou uns três dias, hospedado no Hotel Schalom, na rua Pará. Em frente, ficava a Gráfica Escriba, minha e de meu irmão Gilberto. Várias vezes ao dia, João saía sozinho, a pé, de chinelo, e ia até um bar ali perto, beber uma dose de cachaça. Passava desapercebido como personalidade.

Não lembro de ele ter voltado a Imperatriz outras vezes, senão quando foi homenageado pelos estudantes do CESI/UEMA, já muito doente e quase sem poder falar.Mas creio que hoje os admiradores da obra de João do Vale em Imperatriz seja muito maior do que quando ele era vivo.

Sobre o documentário, ele está no Youtube com o título “Muita gente desconhece”, dividido em três partes. Vale a pena conferir.

O artista ‘prata da casa’ e a falta de público – I

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Para um pequeno público, o cantor/compositor Lourival Tavares realizou ontem à noite uma apresentação no Teatro Ferreira Gullar, depois de três anos sem cantar nesta cidade, onde ele começou a despontar no meio musical no final dos anos 1970 e começo dos anos 1980, e onde residem seus pais e avós.

Estive lá e verifiquei que as poucas dezenas de presentes eram pessoas ligadas à cultura e à comunicação, em sua maioria amigos do artista. Daí me vieram alguns questionamentos: A cidade menospreza seus artistas? O gênero MPB tem pouco público na cidade? A obra de Lourival é desconhecida aqui? A data não era conveniente?

Bem, são tantas as variáveis para avaliação que cabe fazer algumas digressões sobre essa temática.

É inegável que de Imperatriz despontaram, nas últimas três décadas – que acompanhei, pois em janeiro completo quatro décadas nesta cidade –, diversos nomes que repercutiram no cenário da música regional, estadual e mesmo nacional. Temos aqui, insistindo e resistindo na difícil trincheira tocantina, muitos nomes que não fariam feio em nenhum palco nacional. Vozes como as de Neném Bragança, Lena Garcia (para falar só dos que aqui residem), e alguns outros que se destacaram posteriormente, nada devem à maioria dos grandes artistas internacionais. A diferença é que os outros têm a mídia e os degraus dos grandes palcos em seu favor.

Lourival Tavares – assim como Neném Bragança – tem timbre vocal que se iguala ao de um Alceu Valença, ao de um Zé Ramalho, ao de um Xangai… mesmo que menos lapidada. Lena não fica atrás das divas da MPB, e até supera muitas delas. E temos bons compositores: Zeca Tocantins, Neném Bragança, Henrique Guimarães… e tantos mais. E se incluirmos os que migraram, incluiremos artistas como Carlinhos Veloz, Erasmo Dibell, Chiquinho França (instrumental), Wilson Zara e outros mais.

Por que, então, eles não conseguem público em sua própria cidade?

O artista ‘prata da casa’ e a falta de público – II

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Por que, então, eles não conseguem público em sua própria cidade?

Creio que as circunstâncias sejam muitas, mas cito apenas duas.

Primeiramente, há que considerarmos que o sucesso, atualmente, depende mais da mídia que da qualidade do trabalho do artista. Hoje, é a repetição exaustiva da música nas emissoras de rádo e TV quem fabrica o sucesso. Se os artistas não são tocados, também não serão conhecidos, nem seus trabalhos desejados.

Em segundo lugar, as emissoras de rádio especializaram-se em ser produtoras de shows, priorizando em sua programação diária a execução do trabalho dos artistas de seu próximo evento. E as emissoras de televisão, a não ser nos noticiários, quase nenhum espaço dão às expressões culturais locais.

Lembro que no comecinho dos anos ’80, em Imperatriz, o jovem Márcio Lee lançou um compacto simples (tempos do vinil) que passou a ser tocado diariamente no encerramento da programação da retransmissora local da Rede Globo (não era a Mirante ainda) – naquela época, as tevês não faziam exibição 24 horas; encerravam a programação nas primeiras horas da madrugada. Em vista disso, toda a cidade conhecia sua música e o disco esgotou rapidamente.

Não vou aqui, como muitos, colocar a culpa na falta de apoio público, na inexistência de políticas públicas eficientes para a cultura. Reconheça-se que dezenas de trabalhos – discos, livros etc. – foram patrocinados tanto pelos órgãos governamentais quanto pelo setor privado e, mesmo assim, não se fizeram conhecidos por si só. Não existindo notícias, comentários, críticas ao trabalho artístico na imprensa; se não é mostrado, exibido, praticamente ele não existe para o grande público.

Numa de suas composições, Neném Bragança resume o que creio ser a frustração dos artistas que sabem ter potencialidades para grandes vôos, já experimentaram algum sucesso fora, mas sequer são reconhecidos em sua terra: “Sou prata da casa, volto por voltar”.

Em nossa cultura maranhense, de subvalorização própria e de baixa estima, é geralmente necessário, antes, fazer sucesso fora para se destacar em âmbito local. Há menos de dois meses, Wilson Zara fez um show na Romano’s Pizzaria para um público de aproximadamente duas mil pessoas, que de tão encantado fez com que o músico esticasse sua apresentação até as quatro da manhã. Quando cantava em seu Caneleiros (antiga e excelente casa em que se apresentavam diariamente os artistas locais e regionais), era também “prata da casa”, e tinha que “correr” muito para não fechar as portas, o que por fim não pôde evitar.

E nos tempos do Caneleiros, assisti ao Chiquinho França ser obrigado por numeroso público (mais que o máximo que cabia a casa) a alongar por mais de trinta minutos sua exibição instrumental, e só conseguiu terminá-la por força de muita determinação. Sua versão pop/rock da 5.a Sinfonia de Bethoven, se popularizada, certamente faria grande sucesso. E nem falemos de como ele toca Pink Floyd. Por méritos pessoais, mesmo sem ser conhecido nacionalmente, suas composições pessoais foram trilha sonora de reportagens do Fantástico e do Globo Repórter mais de vinte vezes.

Diante desses fatos, de ontem e de hoje, avalio que Imperatriz não menospreza seus artistas. Os que os conhecem, valorizam-nos; o grande público, que os desconhece e pouco contato têm com seu trabalho, não pode ser culpado por menosprezo.

Uma sociedade, um país, uma região, uma cidade eleva sua autoestima sobretudo pela força e destaque de sua arte. São Luís até hoje vive das glórias da antiga “Atenas maranhense”; a Europa tem como principal orgulho o seu tesouro artístico, que anualmente atrai milhões de pessoas.

É preciso que valorizemo-nos a nós mesmos se queremos que os outros nos reconheçam. E isso é responsabilidade de todos.

Abro aqui um post-scriptum para reconhecer também outros grandes artistas locais de outros gêneros musicais, como a música sertaneja nordestina, em que temos o Pedro Bispo, o Monteirinho do Acordeon e, mais recentemente, o grupo Cabrobó, de musicalidade mais moderna. Há muita gente aqui e daqui fazendo sucesso também com a música sertaneja da moda, essa do Centro-Oeste e Sudeste, tais como Juliano Reis & Jordão e César & Mateus. E incluamos também a música clássica e erudita, em que se deve destacar os corais do maestro Pietrini, a banda municipal, e agora, a dupla formada pelo violinista Junior Schubert e o violonista Marck Jhonnes, o primeiro, com estudo clássico de piano, que passou a dedicar-se ao violino, e o segundo, formado em música clássica.

O pórtico do Salimp

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O 7.o Salão do Livro de Imperatriz (Salimp) será marcado pelo pórtico que será instalado na entrada do Centro de Convenções. Uma empresa de Belém montará, em tamanho natural, a fachada da sede da Academia Imperatrizense de Letras na frente dos portões de entrada, local por onde passarão todos os visitantes. Será também uma homenagem à AIL, realizadora do evento, e àquele que é um dos mais significativos prédios históricos da cidade.

Começam nesta segunda-feira, 12, os serviços de montagem da infraestrutura no Centro de Convenções.