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Dilma desmonta o lulismo (!?)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Análise da coluna “Política e Economia na Real”, do jornal eletrônico “Migalhas”, edição 184, de hoje, sugere que a presidenta Dilma esteja desmontando a base política montada por Lula e criando uma nova estrutura político-administrativa para seu governo. A análise parte das nuances da saída de Sergio Gabrielli da Petrobras e seus desdobramentos. Confira o texto:

CAROÇO DO ANGU BAIANO
Fica combinado assim : o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, deixa o cargo no próximo mês para Maria das Graças Foster (conhecida como Graça Foster) e desembarca numa secretaria do governo da Bahia para se preparar para a sucessão de Jaques Wagner, daqui a três anos. Esta é a versão oficial. Mas as paredes dizem :
1. As relações da presidente Dilma com Gabrielli, desde os tempos que ela ainda estava apenas ministra, sempre estiveram mais para UFC do que para Pequeno Príncipe.
2. Graça é das graças de fé de Dilma, que quando formava seu governo pensou para ele a própria presidência da Petrobras e até a Casa Civil, mas prevaleceram as preferências de Lula, respectivamente por Gabrielli e Palocci.
3. Gabrielli tinha laivos de independência ; Graça é técnica e dedicada.
4. Na Petrobras, Dilma aposta muitas fichas de investimentos para o PIB brasileiro crescer os 5% que ela espera este ano. No ano passado, a empresa de Gabrielli não cumpriu seu cronograma de gastos.
5. O TCU está de olho nos gastos da empresa sem licitações.

DE BARBAS E PULGAS
Depois de tudo que Brasília deixou vazar para explicar a troca de Gabrielli para Graça Foster, com insinuações de que se dá mais um esvaziamento do lulismo e do petismo no poder Federal, os últimos fios das barbas do PT entraram de molho e a pulga atrás da orelha de Lula ficou assanhadíssima. Na esteira de Gabrielli sairiam outros apadrinhados políticos da direção da empresa, substituídos, ao gosto da presidente, por técnicos. Finalmente começam a desconfiar que Dilma está balançando a árvore da aliança partidária escalada por Lula para elegê-la, sustentá-la e tutelá-la. Outros aliados também que se apoquetem. Sem força política própria ainda, Dilma tenta comê-los pelas bordas. E como tem a caneta, o Diário Oficial e a carranca…

Ficha Limpa pode atingir prefeito e ex-prefeitos de Imperatriz

segunda-feira, 21 de março de 2011

Nas eleições municipais de 2012, é praticamente certo que a lei da “ficha limpa” (Lei 135/10) esteja em plena vigência. Ao contrário das eleições de 2010, quando julgadores de tribunais regionais e superiores se dividiram quanto à vigência da norma menos de um ano de sua aprovação. Arguiu-se a inconstitucionalidade da aplicação da norma na eleição de 2010, visto que o art. 16 da Constituição brasileira determina que “A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência”.
Ultrapassada essa questão, não há mais qualquer entrave para a aplicação plena dessa lei. Assim, os pretensos candidatos que tiverem sido condenados em tribunais colegiados, sequer conseguirão registrar candidatura.
Essa condição pode provocar um estrago político em possíveis pretensões de candidaturas à Prefeitura de Imperatriz, especialmente os que governaram a cidade nos últimos 15 anos – Ildon Marques, Jomar Fernandes e Sebastião Madeira.
 É sabido e comprovado que o ex-prefeito Ildon Marques (PMDB) tem várias condenações em tribunais regionais e superiores (incluindo-se TCE e TCU) e seu nome consta da recente lista do “Cadastro Nacional de Condenação Cíveis”, e vários outros processos de improbidade administrativa estão em andamento. No último dia 1 de março, ele sofreu mais um revés: a Primeira Câmara do TJ-MA negou provimento a um seu recurso de reconsideração, confirmando assim sua condenação no Processo n. 20503/2003-1 (convênio FNS). O mesmo já havia ocorrido no dia 8 de junho de 2010, quando a mesma Câmara negou provimento a outro seu recurso de reconsideração, em face de contas julgadas irregulares (convênio com Ministério do Meio Ambiente). Diante dessa situação jurídica, muito difícil será Ildon Marques conseguir candidatar-se. Aliás, na eleição ao Senado, no ano passado, ele teve que retirar, no meio da campanha, sua candidatura de suplente de João Alberto, porque seu nome já estava na lista dos condenados por tribunal colegiado.
 O ex-prefeito Jomar Fernandes (PT), por sua vez, tem também problemas com prestação de contas e responde a processos de improbidade administrativa. Suas condenações, porém, ainda não são definitivas; cabem recursos, como é o caso de um recente condenação recebida do TCU. Mesmo assim, tem condenações de tribunais colegiados. Não consta, porém que Jomar tenha pretensões de se candidar nas eleições do ano vindouro.
Quanto ao prefeito Sebastião Madeira, tomei conhecimento, recentemente, de fonte do TCE-MA, que as contas do atual prefeito de Imperatriz relativas ao exercício de 2009 estão seriamente ameaças de reprovação, diante de dezenas de irregularidades constatadas pelos técnicos desse tribunal, algumas delas “praticamente insanáveis”. Minha fonte informou que desde o ano passado o relatório das irregularidades apontadas pelo TCE foi enviado à Administração Municipal para apresentar documentação de saneamento. Algumas irregularidades, porém, tais como dispensas de licitação ilegais, são consideradas muito difíceis de justificação. Se essas contas forem reprovadas, o prefeito Madeira pode, também, entrar na lista dos inelegíveis.
Se esses três políticos – que se revezaram como prefeitos de Imperatriz nos últimos 15 anos — ficarem fora das disputas eleitorais de Imperatriz em 2012, teremos uma mudança radical na política imperatrizense.
 

Eleição de Dilma reduz oposição no MA

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O resultado do segundo das eleições presidenciais no Maranhão demonstrou que a oposição ao futuro governo de Dilma Roussef será inexpressivo no Estado e que, nas grandes cidades maranhenses, apenas em Imperatriz a candidata petista teve vantagem apertada. Esse resultado merece uma análise mais aprofundada porque pode estar indicando os rumos do eleitorado em 2012.

Vejamos alguns dados a serem analisados:

1)      No primeiro turno, no Maranhão, Dilma teve 2.079.650 votos (70,65%); no segundo, 2.900.595 (79,09%), um crescimento de 9%. Serra teve 444.145 (15,09%) no primeiro turno, e 606.449 (20,91%) no segundo, um acréscimo pouco menor que 6%.

2)      Em São Luís, no primeiro turno, Dilma recebeu 289.588 (57,03%); enquanto Serra ficou na terceira colocação, com apenas 66.543 (13,1%), superado em mais do dobro da votação por Marina Silva, que ganhou 143.584 (28,28%) votos. No segundo turno, ainda na capital, Dilma subiu quase 20 pontos, que resultaram em 365. 814 (76,7%), enquanto Serra ficou com menos de um quarto dos votos válidos:  111.129 (23,3%), mesmo tendo quase dobrado seu percentual de votos em relação ao primeiro turno.

3)      A votação de Dilma Roussef no segundo turno, no Maranhão, é exatamente a soma dos votos de Roseana (PMDB) e Flávio Dino (PCdoB), as duas candidaturas ao governo do Estado que a apoiaram: 79%. Na eleição governamental, Roseana teve 50,08% dos votos, e Flávio Dino 29,49, o que dá um total de 79,57%. Dilma teve, agora, 79,09% no Estado.

4)      Em Imperatriz, segundo maior colégio eleitoral do Estado (156.733 eleitores), que, como São Luís, tem um prefeito do PSDB, que faz oposição ao governo federal petista, e é atualmente o maior pólo de oposição à família Sarney, Dilma teve, no primeiro turno, uma vitória apertada sobre Serra. A candidata petista recebeu 42.452 votos (35,87%), enquanto Serra teve 39.868 (33,69%), aproximada de Marina Silva, com 34.897 (29,49%). Vale lembrar que em Imperatriz o petista Jackson Lago foi o grande vencedor, com expressivos 73,63% dos votos, enquanto Roseana teve apenas 14,48% dos votos, enquanto Flávio Dino recebeu 13.497 votos (11,5%).

5)      Nas principais cidades maranhenses (exceção apenas de Imperatriz), Dilma Roussef recebeu, no segundo turno, votação entre 78% e 84%. Mesmo Açailândia, onde o prefeito é do PSDB, Serra foi derrotado com grande diferença (66% para Dilma, 33% para Serra). Em Caxias, Dilma teve expressivos 83%; em Timon, 79%; em Codó, 80%; em Bacabal, 78%; São José de Ribamar, 85%.

A partir desses dados, pode-se inferir, dentre outras, as seguintes conclusões:

a) O futuro governo Dilma, no Maranhão, terá amplo apoio popular e, também, político.

b) A votação expressiva da presidenta eleita no Estado não seu deu tanto pela força eleitoral da família Sarney, que conseguiu (ainda sob contestação) somente 50% dos votos; os quase 30% a mais se deveu, principalmente, ao PT anti-sarney e a eleitores de Flávio Dino, que também fizeram, em separado, a campanha de Dilma.

c) Na capital do Estado, o prefeito João Castelo e seu grupo do PSDB não demonstrou estarem em boa situação eleitoral ou não estão empenhados no projeto político nacional do seu partido.

d) Em Imperatriz, o prefeito Sebastião Madeira (PSDB) e o ex-governador Jackson Lago (PDT), aliados que conseguiram uma retumbante votação de 73% para o pedetista, candidato ao governo do Estado, no primeiro turno, não conseguiram a adesão do mesmo eleitorado em sua campanha oposicionista a Dilma Roussef, no segundo turno, ficando patente que, apesar de Imperatriz ter sido a única grande cidade maranhense onde Serra perdeu por pouco, os eleitores deste município não o seguem incondicionalmente. Os imperatrizenses não lhes deram votos partidários, e sim pessoais, portanto, não podem contar com eles em todas as circunstâncias.

e) Os aliados de Serra terão grandes dificuldades nas eleições municipais de 2012.

Dilma e Serra: apenas signos de um embate maior

sábado, 16 de outubro de 2010

A Dilma nunca foi mesmo a candidata dos nossos sonhos. Nem mesmo a da nossa simpatia, digamos melhor.

Ela não empolga; não acende a chama do eleitorado militante. Falta-lhe a conexão, a identidade, com a história das lutas do Partido e do povo.

Falta-lhe o elã motivador, a estrela, que carregam em si um Tarso Genro, um Eduardo Suplicy, uma Marina Silva, um Plínio… para não falar no Lula, que se encontra em patamar superior no inconsciente coletivo dos petistas e de todos os outros brasileiros.

Dilma não tem referência nas lutas populares pós-ditadura. Não fez parte da difícil construção partidária. O que transparece de sua imagem é a de uma pessoa burocrática, de pouca sensibilidade humana e social. Mulher durona. Uma Margareth Thatcher.

Sabemos, entretanto, que, mesmo com suas dificuldades eleitorais e de imagem, ela tem qualidades administrativas. Mas sabemos também que neste momento histórico do “projeto nacional”, ela é apenas uma cumpridora de tarefa; escolhida para ocupar um cargo transitório, enquanto se redesenha o longo prazo da conquista real do poder político, que ainda não se deu pelo PT.

Para os petistas do Maranhão, há um ingrediente ainda mais amargo a deglutir: o alinhamento e apoio da direção nacional do Partido à candidaturas majoritárias (ao Governo e ao Senado) da família Sarney, contra a vontade e decisão da maioria dos filiados, o que se traduziu nas incessantes aparições de Lula e Dilma no horário eleitoral, veementemente elogiando e pedindo votos aos candidatos da oligarquia, em desequilíbrio das condições de disputa eleitoral, contribuindo substancialmente para que Roseana não fosse derrotada e ainda ajudando a eleger os dois senadores sarneistas. Um tiro no coração da militância comprometida com a democracia e as mudanças sociais e políticas no Maranhão.

E agora? Dilma não se elegeu no primeiro turno, como se imaginavam favas contadas. Eleitos, esses “aliados” preferenciais desapareceram. Seus carros de guerra sumiram das ruas. Suas bandeiras roso-dilmistas não são mais vistas. Seus dinheiros voltaram aos caixas-fortes. Sua militância paga encerraram os contratos. Diante da incerteza que se tornou o segundo turno, entre Dilma e Serra, imagina-se que estão hibernando e definindo quais cores vão usar a partir de novembro, após o resultado das urnas em 31 de outubro.

O que fazer? Há um projeto em questão. Um tanto mutilado, por certo, mas o que restou de nossos sonhos de um Brasil democrático, justo, solidário… Um Brasil de mais emprego, de menos pobreza, de menos fome, de mais oportunidades, de mais educação, sem a maldita dívida externa… Um Brasil que orgulhasse os brasileiros. Nestes oito anos de governo Lula, experimentamos um pouco disso tudo. Ainda falta muito, sabemos, mas não se constroi uma nação numa década. E é exatamente por isso que não podemos nos calar nem nos omitir agora, apesar dos revezes sofridos.

Esse melhoramento progressivo da economia, das condições sociais, da infra-estrutura nacional, da educação, da saúde e dos demais indicadores de bem-estar da população brasileira não pode ser interrompido. Atravessamos um momento ímpar em nossa história em que, face à dinâmica econômica, todos os setores sociais ganham, mesmo os ricos que continuam se lamuriando em sua sede de abocanhar cada dia mais a riqueza nacional. E isso não é um acaso. Se dá em razão da opção de desenvolvimento escolhida, que foge à ortodoxia até então vigente, receitada pelo Consenso do Washington e aplicada pelo FMI e pelo Banco Mundial.  Se dá pela opção de crescimento pela base, em vez da antiga teoria de fazer aumentar o tamanho do bolo dos ricos, de onde sobrariam algumas migalhas ao pobres, o que nunca se concretizou. Se dá pelo aumento do poder de compra da base da pirâmide, movimentando o comércio, a indústria e os serviços, e, por consequência, gerando milhões de empregos; a inclusão de milhões de brasileiros à categoria dos consumidores…

Isto está em jogo! É esta a questão do segundo turno destas eleições. Não se trata eleger Dilma ou Serra; o PT ou o PSDB. Estes são apenas significados; o significante é o projeto em questão. Importa neste momento termos a consciência do que representa cada signo, cada candidatura.

Vermo-nos diante da opção Dilma e Serra implica termos que optar por um modelo de gestão, de visão sistêmica de mundo, de desenvolvimento, de postura diante do mundo.

Serra representa o modelo que tínhamos e não queríamos; representa a gestão controlada pelos interesses estrangeiros, de entrega das riquezas nacionais, de submissão à falida política norte-americana, de manutenção da  miséria do povo, de sustentação das elites, da injustiça social consentida, de um país em baixa-estima.

Dilma é o signo do Brasil que se ergue diante do cenário mundial, de redução da pobreza, da solidificação econômica, do emprego pleno, dos investimentos em tecnologia e educação, da infra-estrutura… da construção daquele país que sempre sonhamos e almejamos para nossos filhos e as gerações vindouras. Sabemos não ser perfeito esse projeto, posto que nenhum de nós também o é, mas é o melhor que tivemos em nossa historia. Ocorreram erros pessoais e coletivos, mas os acertos os superaram e os superam. Sem dúvida, precisa ele ser aperfeiçoado, mas somente se aperfeiçoa aquilo que está em andamento.

Inegavelmente, o voto deste segundo turno deve ser um voto dado a esse Brasil que emerge. Um voto que impeça o retrocesso das políticas de dependência e exclusão, de uma política que o mundo todo hoje vê inadequado. O voto em Dilma, não é, portanto, um voto na candidata, mas uma afirmação ao projeto de Brasil que quero.

Assim será meu voto em Dilma: crítico, consciente e libertador. Um voto ao novo Brasil que se constroi.

Adalberto Franklin. Jornalista; historiador; ex-presidente do DM-PT de Imperatriz-MA.

“Todos sabiam”: o caso da “negociação” dos vereadores

domingo, 5 de setembro de 2010

Samuel Souza publicou em seu blog uma afirmativa creditada ao vereador Luís Gonçalves (PSB), de Imperatriz, de que os vereadores antes oposicionistas à governadora Roseana Sarney que passaram a apoiar sua eleição (e não reeleição, porque ela não foi eleita em 2006), teriam recebido, cada um, 100 mil reais, e o presidente da Câmara, o dobro.

Mas a fonte da notícia sou eu, e não o vereador Luís Gonçalves. Samuel não ouviu o vereador.
No sábado, conversei rapidamente com o Luís Gonçalves, durante caminhada do candidato a governador Flávio Dino e o ministro Orlando Silva (dos Esportes), em Imperatriz. O teor da conversa entre eu e o vereador foi revelada pelo próprio, em resposta ao blog de Samuel, que publicou a informação.
Deixando a caminhada, fiquei na praça de Fátima, na “boca maldita” que se forma ao lado da Banca do Chico, onde se fazem os comentários e as maledicências da política nacional, estadual e local. A “fina flor” das intrigas e do maldizer político e os frequentadores de plantão estavam presentes: Pinheiro, Japão, Cupim, Justino Filho, Raimundo Corretor, Alair Chaves, Samuel Souza, o próprio Chico e vários outros.
A temática, ali, era invariável: política e candidaturas. Dilma X Serra. Jackson X Roseana. Flávio Dino X Roseana. Possibilidades de segundo turno. Provável cassação de Jackson no TSE. Alair Chaves, empresário, ex-presidente da ACII, usando botton de Roseana, recomenda ao fotógrafo Pinheiro que não hostilize nenhum petista que critique Roseana (uma referência a mim), porque, segundo ele, havia propósito de que, depois das eleições, nos juntássemos todos no governo (imediatamente, recusei essa possibilidade).
O prato do dia, entretanto, era a “negociação” ou “pacto” que os vereadores de Imperatriz teriam feito para apoiar a candidatura de Roseana Sarney. Dos treze, todos aliados ou alinhados com o prefeito Sebastião Madeira, apenas três teriam resistido em embarcar no trem de Roseana: Luís Gonçalves, Edmilson Sanches e Alberto Souza. Questionaram o motivo de os três, também aliados do prefeito, não embarcaram nesse trem. Eu informei que o vereador Luís Gonçalves, membro do PSB, é tio de Bira do Pindaré (da ala petista anti-Sarney) e seu partido está empenhado na candidatura de  Flávio Dino. Outro disse que Sanches não tem recebido o prometido apoio de Madeira e que se mantém fiel à candidatura de Jackson Lago, o único que lhe dera alguma estrutura de campanha. De Alberto Souza, ninguém soube dizer ao certo sua recusa.
Ali, os mais diversos “analistas” creditavam esse novo alinhamento da Câmara a um provável acordo entre o prefeito e a governadora, que, não podendo ele mesmo “mostrar a cara”, porque isso configuraria “traição ao velhinho” [Jackson Lago], pessoa fundamental em sua eleição a prefeito, teria “liberado” os “seus” vereadores a embarcarem na estação da governadora. Alguns, partidários de Madeira, contestaram essas afirmações. Justino Filho, acompanhado de sua inseparável esposa, fez dois discursos pró-Jackson e muitas críticas a Roseana e a alguns outros candidatos a deputado.
Não deixou de comentar e fazer “revelações” sobre o “acordo” dos vereadores. Pinheiro, que coleciona “santinhos” de candidatos, promoveu uma sessão para avaliar “quem se elege”. Quase ninguém passou no crivo, resultando em alguns protestos.
A questão dos vereadores retornou à pauta. Indagaram-me sobre o Chagão, vereador filiado ao PT que era anti-sarneista e passou agora a também apoiar Roseana. Disse-lhes que os comentários no PT são de que primeiramente ele teria recebido dinheiro para apoiar Weverton Rocha (candidato a deputado federal do PDT, aliado de Jackson Lago), depois o abandonara para apoiar Raimundo Monteiro (presidente do PT-MA, do grupo que se aliou a Roseana). Alguém interrompeu e disse: “O Monteiro vai dar dinheiro para ele devolver o do Weverton em suaves prestações!).
Instigado, acrescentei que Chagão não incorria em infidelidade partidária em apoiar Weverton ou Monteiro, pois o primeiro é do PDT, partido do arco de aliança nacional do PT, mas se complica quando apoia um candidato do DEM para deputado estadual (Antônio Pereira), pois a resolução nacional do Partido proíbe o apoio dos seus filiados  detentores de mandato apoiar candidatos de partidos que não sejam do arco de alianças do PT (casos de DEM, PSDB e PPS), e que isso poderia levá-lo à Comissão de Ética e até à expulsão do partido (o que é o desejo da maioria do DM do PT de Imperatriz). O Chico imediatamente interveio e disse que o PT não tem mais moral para expulsar ninguém. Um outro alegou que Monteiro prometera a Chagão a direção do PT municipal, logo após as eleições, no que retruquei, dizendo que dentro das normas partidárias, isso seria impossível.
Alguém comentou, com ironia, a entrevista que o presidente da Câmara, Hamilton Miranda, e Chagão deram ao programa “Difusora Debate”, naquela manhã, buscando justificar a decisão dos dez vereadores em apoiar a candidatura de Roseana. Nenhum dos presentes deu como convincente a justificava do presidente da Câmara. A opinião unânime era que houvera vantagens pessoais — falaram em dinheiro mesmo, em valores, o publicado por Samuel Souza em sua blog — na negociação. Eu afirmei que era exatamente isso o que eu vinha ouvindo de várias pessoas.
Comentei então a conversa que havia mantido, momentos antes, com o vereador Luís Gonçalves, que me revelara ter também sido procurado por emissários do grupo de apoio a Roseana, mas recusara o “convite”. Eu disse então que várias pessoas me revelaram que cada vereador teria recebido 100 mil reais, e o presidente da Câmara 200 mil reais, mas não tinha como provar, mas se tivesse, escreveria isso em meu blog, pois considero isso uma traição à vontade do povo de Imperatriz, que tem com larga maioria demonstrado nas urnas querer tirar a família Sarney do poder.
Comentei ainda que no PT há quem queira testemunhar contra o vereador Chagão, que teria deixado de apoiar a reeleição do deputado Valdinar Barros (PT) porque este não teria lhe dado dinheiro para pagar uma dívida, o que o deputado Antônio Pereira (DEM) lhe teria dado e, assim, passara a apoiar a reeleição deste. O meu informante desse fato me revelou, inclusive, a metáfora usada por Chagão para lhe explicar sua adesão ao candidato do DEM: “Eu pedi ao Valdinar um pedaço de lápis e ele me negou; o Dr. Antônio Pereira me deu foi uma caixa de lápis inteira”.
Sim, é verdade que várias pessoas, de respeitabilidade, me deram essa informação, inclusive revelando alguns outros detalhes, mas ninguém tem coragem de fazer denúncia ou testemunhar essa pretensa verdade em juízo. E isso há vários dias é comentário corrente na cidade: “todos sabem”.
Se alguém pode provar, não sei. Eu desejaria mesmo fazer essa denúncia em meu blog, mas não o fiz porque, dos que asseguram ser isso verdade, não têm coragem de fazer a denúncia ou se expor em juízo. É o caso do cidadão que se revolta mas não tem coragem de protagonizar a mudança.
Também, na Câmara, se algum vereador tiver conhecimento disso, dificilmente vai querer se expor ou assumir o ônus da prova. Seria uma rebelião sem precedentes.
Eu disse então, diante de todos os presentes, que não publicaria essa informação em meu blog. Samuel Souza, ao meu lado, disse que publicaria no dele, ainda naquele dia (ontem, sábado). E logo saiu. Antes que ele saísse, alertei-o: “Cuidado! Escolha as palavras certas!”
A quem afirma ou denuncia, cabe o ônus da prova. Nem tudo o que se sabe, se pode escrever. E nem tudo o que nos dizem pode ser provado, mesmo quando “todos sabem”.
Aliás, “Todos sabiam” é o título de um livro de minha amiga inglesa Binka Le Breton, que trata do assassinato do
padre Josimo Moraes Tavares, em Imperatriz, em 10 de maio de 1986. Ela demonstrou no livro que todos sabiam da trama para matar o sacerdote; sabiam das reuniões e decisões dos mandantes, sabiam dos seus nomes, sabiam quem eram os pistoleiros contratados, sabiam de tudo… Ninguém disse nada. O padre foi assassinado. Todos sabiam…
Poucas horas após a morte do padre Josimo, o então repórter policial Daniel Souza me entregou a foto do sacerdote morto e, em duas lauda apenas, relatou o ocorrido e revelou o nome do pistoleiro e de dois vereadores mandantes. Eu era editor-chefe do jornal “O Progresso”. Por excesso de zelo, com temor de não poder provar essa apuração apressada feita pelo repórter em tão pouco tempo, censurei a publicação dos nomes dos mandantes. No dia seguinte, esses
mesmos nomes estavam estampados nos grandes jornais do Brasil e do mundo. Tinham sido eles mesmos. Todos sabiam.
Quem haverá de…?

Aos defensores de Weverton Rocha

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A coluna de Aldeman Costa, na edição de hoje do jornal “O Progresso”, diário de Imperatriz, traz uma nota informando que o presidente da Câmara Municipal de Imperatriz, Hamilton Miranda (PSDB), contestara, na sessão de ontem, a veracidade do que escrevi sobre a reunião do candidato a deputado federal Weverton Rocha ao Cortume Tocantins. (vide post anterior).

Sob o título “Presidente rechaça”, o colunista diz que “O vereador-presidente Hamilton Miranda, aliado do candidato a deputado federal Weverton Rocha, rechaçou ontem, da tribuna da Câmara Municipal, comentários produzidos no blog do jornalista Adalberto Franklin. ‘Ele (Adalberto) deveria ter pelo menos ligado ou consultado a Assessoria de Comunicação de Weverton Rocha, bem como ter feito uma visita ao curtume lá de Governador Edison Lobão’, disse.”

Um site local que reproduz o discurso do vereador-presidente da CMI, registra que em seu discurso ele afirmou: “Eu convidei Weverton para irmos até o Curtume Tocantins, para que ele pudesse conhecer a realidade de uma indústria que cresce na região”. E que, em aparte, o também vereador Alberto Sousa “Quem lê o blogue pensa se tratar de outro Weverton, pois o que nós conhecemos é uma pessoa simples, honesta e trabalhadora, o escritor devia ter ligado para Weverton em vez de acreditar na primeira denúncia que aparece”. O vereador Raimundo Costa também teria se pronunciado em defesa de Weverton.

Na quarta-feira, eu estava em São Luís. E, para minha surpresa (e estranheza), lá vi que o Jornal Pequeno, que é ligado ao PDT, partido de Weverton, reproduziu o meu texto inicial, sem comentários. De lá também respondi a diversos comentários que recebi no blog sobre o essa questão. Leitores de Imperatriz e de São Luís. Publiquei, todos, sem qualquer censura, como sempre faço. Dos que não conhecia, busquei informações sobre quem era. Constatei que todos os que defenderam Weverton são pessoas que estão a seu serviço na campanha eleitoral.

Como a questão é mesmo delicada, diversos outros “blogueiros” fizeram referência ao meu texto (alguns até o reproduziram), uns até fizeram “link” para ele. Houve quem fizesse defesa do candidato, quem apenas desse a informação, e também quem reforçasse a denúncia.

Todas essas manifestações, considero-as em conformidade com a liberdade de expressão que deve haver num país como o nosso, que busca a democracia plena, conforme projeta nossa Constituição, embora esse espírito ainda não esteja plenamente assumido pela sociedade.

Tanto o vereador Hamilton Miranda, presidente da Câmara de Imperatriz, quanto os vereadores Alberto Sousa e Raimundo Costa (senti falta da defesa do Chagão do PT, que até poucos dias atrás também estava na defesa dessa candidatura), são cabos-eleitorais de Weverton (e segundo de informam, Miranda é um dos coordenadores de sua campanha na região). Vários jornalistas e blogueiros, de Imperatriz e de outros cantos do Maranhão, recebem remuneração do candidato. Fazem, portanto, defesa em causa própria. E não os condeno por isso. Cada um escolhe seu lado político e ideológico; e também seus aliados. Como já disse antes, na vida não existe isenção nem imparcialidade; todos temos as nossas preferências. Vergonhoso é negar isso, tentando se esconder ou se camuflar com um inexistente manto do desinteresse.

Quando faltam argumentos para rebater a informação, utilizam-se do velho hábito de tentar  desqualificar o informante. Assim o fez um blogueiro de São Luís que, sem sequer saber quem sou, e muito menos minha história, escreveu que eu seria um “roseanista” tentando manchar a imagem de Weverton. Coitado! Sequer se deu ao trabalho de verificar quantos textos tenho escrito sobre os políticos e a política dos Sarney, muitos deles disponíveis na Internet. E desconhece também minha militância política e social, nesse mesmo sentido, há mais de trinta anos. Bem que ele e outros poderiam ter informações seguras sobre minha pessoa, até mesmo dentro do PDT. Mas eles são novatos, e afobados. Ou melhor, afoitos.

Tenho todo o cuidado no que escrevo e no que digo. Verifico a idoneidade de cada fonte; confiro cada informação; escolho cada palavra. Nestes dois dias, várias pessoas me telefonaram, dando-me informações que desconsiderei (pelo menos por enquanto), pois só escrevo o que posso sustentar em Juízo. Dessa forma, desde 1983, quando iniciei-me na imprensa, nunca alguém conseguiu ter sucesso em processos contra mim. Até que já tentaram…

Quanto à lamentação do presidente da Câmara Municipal de Imperatriz e do vereador Alberto Sousa por eu não ter, antes de publicar meu texto, conversado com a assessoria ou com o próprio Weverton Rocha, reafirmo que minhas fontes já eram seguras e suficientes. E não tenho hábito, como jornalista, de me submeter a “vontades” ou “argumentos” que sei não correspondem aos fatos. Eles têm, na verdade, de apresentar suas versões, que seus defensores apresentaram em meu blog e eu as publiquei. Mas, para mim, fatos são fatos; versões são versões. E até estranho essa preocupação de Alberto Sousa, que diariamente expõe e adjetiva pessoas pobres e marginalizadas em seu programa e TV sem qualquer preocupação ética e, por vezes, sem sequer resguardar seus direitos individuais.

Quanto ao fato da idoneidade do Curtume Tocantins, é de conhecimento público as diversas autuações que a empresa teve por agressão ao meio ambiente. Mas talvez fosse desconhecido da maioria o desrespeito que ela as outras fazem em relação aos direitos dos trabalhadores. Quem duvidar, basta viajar trinta quilômetros e, chegando à cidade de Governador Edison Lobão, conversa com qualquer uma pessoa adulta ou de são consciência. Lá, todos sabem. Serão ouvidos fatos que assustam.

Mas quem não quiser se dar a esse trabalho, in loco, basta fazer uma verificação na internet. Depois de receber inúmeras denúncias, a procuradora do Trabalho em Imperatriz, Tatiana Leal Bivar Simonetti, presidiu, no dia 28 de abril de 2009, o Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta n. 72/2009 (Processo 10.207), entre o Curtume Tocantins e o Ministério Público do Trabalho, assinado exatamento pelo Sr. Ely Puente Santos Filho. Ele mesmo. O endereço para acesso é: http://www.prt16.mpt.gov.br/sistema_tacs/grid/grid.php.

E sobre a lisura do  ”filho de Imperatriz, um jovem competente e capacitado para nos representar na Câmara Federal”, remeto-os à seguinte notícia do insuspeito blog do Itevaldo, que diz:  ”A SCC Ltda e as empresas Plenus Construções e Serviços Ltda e a Structura Serviços Ltda são identificadas pela auditoria da CGE [Controladoria Geral do Estado] como as principais beneficiárias dos esquemas de fraude nas reformas de quadras poliesportivas e campos de futebol pagos sem licitação pelo ex-secretário Weverton Rocha”. (Blog do Itevaldo).

Minha intenção, porém, em nenhum momento, foi tratar da idoneidade de Weverton, pois todas as denúncias contra ele ainda estão em processos não julgados (a não ser esse da CGE, creio), e caberá à Justiça medir seu grau de culpa em cada um, ou mesmo absolvê-lo, quem sabe…

Meu tema principal, aqui, foi e continua sendo a questão do sindicato dos trabalhadores em empresas de curtume de Governador Edison Lobão. E sobre isso escreverei mais, porque, na tarde desta quinta-feira (19), houve uma reunião a portas fechadas entre os vereadores daquele município e representantes das cinco empresas de curtume para tratarem exclusivamente desse assunto.

Weverton Rocha: mais um fora-da-lei a serviço da opressão?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Não costumo escrever em meu blog questões político-partidárias nem fazer defesa ou críticas pessoais. Meses atrás, para não trair minha história em defesa das liberdades democráticas, da justiça, da ética e da cidadania, incluí o termo “cidadania” no cabeçalho do blog, como temática de minhas abordagens, além de “cultura e história”, que são as áreas mais específicas de minha atuação profissional. Não tenho tido tempo, porém, sequer para atualizá-lo com frequência, por isso, também não tenho sempre postado o que às vezes desejo.

Hoje, porém, fiquei indignado com o que me relatou Jairo Oliveira dos Passos, o jovem presidente do Sindicouro, um nascente sindicato dos trabalhadores em curtume com sede no vizinho município de Governador Edison Lobão.

Contou-me Jairo que o candidato a deputado federal Weverton Rocha, um obscuro “líder de juventude”, com vasta folha corrida no Ministério Público por improbidade administrativa, recentemente acusado de desvio de milhões quando secretário de Estado da Juventude, foi, na semana passada, a Governador Edison Lobão, onde teria se apresentado como assessor do Ministério do Trabalho, e prestou-se a comandar uma reunião da empresa Curtume Tocantins, com o objetivo de intimidar os trabalhadores e tentar desacreditar o sindicato e sua diretoria. Afirmava que o sindicato era ilegal e que os trabalhadores deveriam ficar ao lado da empresa; que as ações do sindicato não tinham validade, além de outras afirmações absurdas. Isso tudo com o aval do sócio-diretor do curtume, Ely Puente, que ainda teria intimidado e ameaçado de demissão um dos trabalhadores que ousou questionar Weverton Rocha durante a reunião, da qual centenas de funcionários foram obrigados a participar.

Tudo isso o presidente do Sindicouro, Jairo dos Passos, um corajoso jovem de apenas 21 anos, relatou, na tarde de hoje, à procuradora do Trabalho em Imperatriz, Tatiana Bivar, que já acompanha diversas outras denúncias contra as quatro empresas de curtume sediadas naquele município, por crime contra a organização do trabalho, danos morais e danos materiais sofridos pelos trabalhadores.  Em Governador Edison Lobão, é muito comum se encontrar ex-funcionários dessas empresas mutilados em acidentes de trabalho e depois demitidos sem qualquer indenização. Diversos processos indenizatórios correm na Justiça do Trabalho em face disso. O próprio Jairo, apesar da pouca idade, é um dos que já estão incapacitados para o trabalho, conforme diversos laudos médicos, em face da inalação de produtos químicos de alto teor de toxidade (somente agora, devido às pressões do Sindicato, as empresas começam a oferecer os EPIs devidos).

Ali, os trabalhadores são tratados como se não existissem leis trabalhistas, coisas do século XIX, em que os gerentes agem mais como capatazes do que como administradores. Coisas absurdas, que neste momento não cabem dizer, tenho ouvido em relatos desses trabalhadores.

E diante disso tudo, qual é o papel desse jovem candidato à Câmara Federal? A serviço do que ele se apresenta? O que e quem ele defende?

Neste momento histórico do país, estamos numa cruzada contra os “ficha-sujas”, para que uns não retornem e outros não ocupem os cargos públicos eletivos, para tentarmos mudar a cara do Brasil.

Pessoas que de agora se mostram contra os direitos constitucionais, contra as liberdades democráticas, contra os direitos dos trabalhadores…  o que esperar delas no parlamento?

Bandidos sem honra: a ditadura no MA ainda não terminou

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Havia tudo para uma noite aprazível e memorável: a celebração da resistência à ditadura, expressa por dois heróis populares, expoentes das lutas contra o arbítrio do ainda não tão distante regime de exceção, e um livro polêmico, libelo contra os desmandos da oligarquia que teima em conservar-se no Maranhão. Na mesa, além de dois diretores do Centro de Estudos Superiores de Imperatriz (CESI), campus da UEMA em Imperatriz, que sediava o encontro, e dois dirigentes das agremiações estudantis da entidade; também estava eu, como convidado, coadjuvando as verdadeiras estrelas da festa: o líder camponês Manoel da Conceição, iniciador do movimento camponês no Maranhão e fundador do primeiro sindicato dos trabalhadores rurais, preso, torturado e exilado pela ditadura; Zezinho do Araguaia, um dos poucos guerrilheiros que escaparam das chacinas dos militares no final da guerrilha, e por mais de vinte anos dado como desaparecido; e o jornalista Palmério Dória, autor do livro “Honoráveis bandidos: um retrato do Brasil na era Sarney”, que era lançado no evento.

Havíamos falado quase todos os da mesa. Manoel antecedia o escritor; falava de sua história de lutas contra o latifúndio e a ditadura, nos anos ’50; narrava uma chacina da qual escapou, na qual foram mortas cinco pessoas, a mando de um grileiro. Integrantes de um bando de arruaceiros, postados no fundo do auditório, começaram a gritar e a jogar ovos nos membros da mesa. Palmério Dória, que se levantou, foi atingido na barriga; Manoel,  que tem uma perna mecânica, caiu ao chão; os demais, atônitos, como eu, ficamos em pé, sem sabermos ao certo o perigo que corríamos. Mas o público, em quase sua totalidade alunos da Uema, rechaçaram os baderneiros, que, pouco depois, em grupo maior, tentou retornar ao auditório e dar sequência ao atentado. Policiais militares, com a ajuda dos presentes, conseguiram controlar o ato criminoso. Fora dos muros da universidade, porém, o combate foi retomado pelos agressores, contra quem os policiais teve que usar suas armas: balas e bombas de efeito moral. Naquele momento, pressenti que o asqueroso Jabor tinha razão quanto ao Maranhão: estávamos no Afeganistão. No Iraque. Ou na Faixa de Gaza. Num lugar em que democracia e liberdade não existem.

Ouvi dias atrás a afirmação de que o Maranhão é o único estado brasileiro em que não houve ainda a transição entre a ditadura e a democracia. Todos os demais aposentaram seus coronéis e as práticas ditatoriais; o Maranhão continua o mesmo, sem qualquer alteração.

Vejo que no Maranhão persistem os mesmos costumes dos tempos de Benedito Leite e de Victorino Freire, em que a imprensa era perseguida e os adversários políticos aniquilados.

Passado o perigo maior no auditório, Zezinho do Araguaia, com quem eu conversara, juntamente com Manoel, durante três horas, pela manhã, me disse: “Eu não imaginava que depois de tanto tempo ainda pudesse presenciar um atentado como esse. Acho que são os estertores da ditadura”. Tomara, Zezinho, tomara!

*  *  *

Logo que cheguei ao auditório da Uema, poucos minutos antes das 20 horas, alertaram-me da presença, ali, de pessoas estranhas ao meio. Fiz questão de não me sentar logo na cadeira a mim reservada, com meu nome. Andei várias vezes do começo ao final do salão, olhando para alguns jovens com jeitos e trejeitos bem diferenciados de quem costuma dar valor aos livros (e eu conheço muito bem essa tribo, porque, como editor, já publiquei mais de 350 livros e participei de centenas de lançamentos). Sem preconceito contra qualquer outra “tribo”, a dos livros não se dão a ir a esses eventos de calções largos até os joelhos, nem costumam usar água oxigenada nos cabelos, nem ficam inquietos e desajustados em ambientes de cultura. Foi fácil identificá-los. Encarei-os e percebi que, com isso, eles se viam desconfiados. Apenas alertei os organizadores do evento a manterem cuidado redobrado naquele área do auditório. Mas, como pistoleiros que, ao receberem o adiantamento do “serviço”, se vêem obrigados a honrar o compromisso, como Judas, fizeram o que tinham que fazer.

Hoje, consegui conversar com um deles. Não era “de fora”. Era mesmo de Imperatriz, contratado juntamente “com uns dez” outros para “reforçar” o time que veio, dizem, de Pio XII. O valor recebido, adiantado: R$ 40,00, “de um pessoal do Leo Cunha”, disse-me, sem qualquer reserva. Assegurou-me que fugiu logo no começo da balbúrdia. Teria sido contratado “para fazer segurança” no lançamento do livro. Somente teria tomado conhecimento da verdadeira ação quando chegara à Uema.

Dá medo! Dá medo viver num estado como este em que, às claras, e diante de muitas câmeras, se promovem atentados contra a honra, a liberdade de expressão e a democracia. Se assim o fazem, então, do são capazes às escondidas?

O Maranhão precisa, urgentemente, sair da escuridão das trevas!