Arquivo da Categoria ‘Trabalho X Capital’

ONGs elegem Vale como “pior empresa do mundo”

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

MÔNICA CIARELLI / RIO – O Estado de S.Paulo

Pela primeira vez, uma companhia brasileira ganhou o inglório título de pior empresa por uma premiação criada desde 2000 pelas ONGs Greenpeace e Declaração de Bernia, a “Public Eye People’s”. O prêmio, também conhecido como o “Oscar da Vergonha” será anunciado hoje durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.

Com cerca de 25 mil votos, a Vale venceu por uma diferença de menos de mil votos a japonesa Tepco, responsável pela usinas nucleares de Fukushima. Também estavam na “disputa” a mineradora americana Freeport, o grupo financeiro Barclay’s, a empresa sul-coreana de eletrônicos Samsung e a suíça de agronegócios Syngenta.

A indicação da Vale foi feita por um grupo de instituições sociais e ambientalistas formado pela Rede Justiça nos Trilhos [com base em Açailândia, MA], a Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale, o International Rivers e a Amazon Watch.

No site da premiação, a indicação da mineradora era justificada no site da premiação por uma “história de 70 anos manchada por repetidas violações dos direitos humanos, condições desumanas de trabalho, pilhagem do patrimônio público e pela exploração cruel da natureza”.

Na época em que foi escolhida finalista, a Vale não se pronunciou sobre o assunto. A empresa se limitou a informar que disponibiliza anualmente um relatório de sustentabilidade. Para 2012, a companhia prevê investir US$ 1,648 bilhão, sendo US$ 1,354 bilhão na proteção e conservação ambiental e US$ 293 milhões em programas sociais.

Terra, violência e sangue na estrada do arroz: o diário de Irmã Gertrudes

sábado, 14 de janeiro de 2012

Terra, violência e sangue na estrada do arroz: o diário de Irmã Gertrudes é o título provisório de um dos cinco livros que publicarei neste ano para celebrar meus cinquenta anos.
Tem como base os escritos deixados pela missionária católica Irmã Gertrudes, que viveu na zona rural de Imperatriz, na área denominada ‘Estrada do Arroz”, na metade da década de 1970, quando acompanhou o violento processo de expropriação e expulsão dos migrantes nordestinos pioneiros naquelas terras.
É um registro contundente da história regional.
A seguir, dois trechos do “diário”:

15.08.1975
São mais ou menos quatrocentas famílias.
Estas famílias estão sofrendo uma tremenda tortura psicológica por parte do sr. Raimundo Fogoió. Aí no Pequizeiro estão dois pistoleiros do Raimundo Fogoió. Esses homens passam a amedrontar, a intimidar e a prometer fazer horrores com os habitantes. A própria mãe de um deles já se mudou com um filho para Imperatriz, com medo do próprio filho dela e do irmão.
Outras famílias também já abandonaram suas casas e lavouras, preferindo passar miséria em Imperatriz, mas longe desta situação.
Todas as casas provam bem o trabalho deste povo. São casas de barro com bonitos quintais, bem plantados. Árvores bem antigas, dando testemunho do que estou dizendo.
Todos são unânimes em dizer que não querem vender suas terras; querem morar ali, no que é seu. Indenização alguma será capaz de comprar ou pagar o trabalho que já fizeram aí. É o amor dedicado ao lugar.
Esse senhor já conseguiu muita terra com esse método. E para que? Simplesmente porque quer queimar e imediatamente semear o capim o seu gado (que não tem), como se o gado valesse mais que o homem, filho de Deus.
[...]
O problema de terras aqui é muito atual. Os moradores moram normalmente nestas terras desde o ano de 1958. Eles vivem com medo de serem expulsos por ricos fazendeiros. Já foram inúmeras vezes a Imperatriz. Pediram ajuda aos prefeitos, aos delegados de terras, ao Exército, ao Incra… Todos garantem que eles têm direito à terra por usocapião, porque são os posseiros e os pioneiros.
As perseguições são grandes. Os fazendeiros invadem capoeiras, passam o arame no meio das roças já queimadas, semeiam o capim nas roças e soltam o gado para destruir as colheiras dos lavradores. Algumas vezes a polícia aparece e leva para a cadeia estes lavradores, acusados de invasores. São as grandes injustiças do tempo de hoje.
[...]

14.09.1975
Nova e triste notícia do Pequizeiro. os homens de Raimundo Fogoió queimaram as terras perto do povoado, atigindo também algumas casas. [...]
Três famílias, não aguentando a pressão e sabendo inútil o seu esforço em procurar seus direitos, resolveram vender por Cr$ 2.000,00 suas terras, suas casas e seus ricos quintais e foram morar em Imperatriz.
Os outros estão sem saber o que fazer, pois sentem que estão ficando sem forças, sem coragem de lutar. Sabem que o mais forte e o que tem mais dinheiro é quem vai vencer.

Empresas de curtume reagem com ameaças

sábado, 21 de agosto de 2010

Como desdobramento das denúncias do presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Curtimento de Couro e Peles do Sudoeste  Maranhense (Sindicouro), sediado no município de Governador Edison Lobão, ocorreu uma tumultuada reunião, a portas fechadas, entre os vereadores da localidade e diretores das cinco empresas da área, na tarde última quinta-feira, na sala de reuniões da Câmara Municipal.

Na reunião, dirigentes das empresas apresentaram suas reclamações aos vereadores. Protestaram contra a atuação do Sindicouro e chegaram a afirmar até que poderiam mudar as fábricas para outros municípios se nem os vereadores nem o prefeito, a quem eles já haviam recorrido algumas vezes, tomassem alguma medida contra o Sindicato. Pediram, como se os vereadores tivessem poder para isso, que o atual presidente do Sindicato, Jairo Oliveira dos Passos, fosse retirado do cargo. E exigiram ainda várias outras medidas contra a atuação do Sindicato e de seus diretores, como se por lá mesmo pudessem ser alteradas as leis trabalhistas do país.

O sr. Adão, diretor do Curtume Santa Maria, o mais exaltado e raivoso, com aval dos seus colegas, acusou o vereador José Paulo de Moura (PT), vice-presidente da Câmara, de “patrocinar” o Sindicato e dar aval aos trabalhadores em suas reivindicações. O vereador confirmou seu apoio à entidade e afirmou que continuaria a manter essa postura, e ainda ironizou, dizendo que se eles quisessem mudar as leis trabalhistas, deveriam ir ao Congresso e convencer os deputados e senadores a fazerem isso.

Eles protestaram também porque o Sindicato foi criado sem que eles tivessem sido antes consultados (pasmem!); que nem tiveram tempo de apresentar “uma chapa nossa” (!!). E, diante dessa alegada desvantagem, propuseram que o presidente do Sindicouro fosse retirado do cargo (!!) e realizada uma nova eleição da diretoria (!!).

Diante de tanta barbaridade, é de se perguntar se essas empresas têm alguma assessoria jurídica. Não poderiam diretores de empresas que empregam centenas de funcionários se vejam submetidos a tamanho vexame!

O vereador José Paulo propôs que as empresas começassem um novo tempo, passando a manter um bom relacionamento com o Sindicouro, sem demissões nem retaliações aos trabalhadores sindicalizados, o que tem acontecido com frequência, e fosse “passada uma borracha no passado”. Mas os diretores das empresas colocaram uma condição: somente se Jairo sair da presidência do Sindicato; com ele na presidência não haverá diálogo.

A ira deles contra Jairo não tem nada a ver com os problemas causados após a desastrada visita do candidato Weverton Rocha à empresa, na semana passada, quando o ex-assessor do MTE afirmou que o sindicato era ilegal e tentou desqualificar as ações dos sindicalistas. Ela existe porque Jairo, um jovem de 21 anos, eleito por unanimidade neste ano em assembléia de fundação do Sindicouro, como seu presidente, já encaminhou, na Justiça do Trabalho, mais de duas dezenas de casos graves de acidentes do trabalho e de outras infrações trabalhistas contra essas empresas, o que pode levar as empresas a pagarem, juntas, mais de um milhão de reais de indenizações.

Além disso, Jairo move uma ação indenizatória contra o Curtume Tocantins, empresa onde trabalhava e foi demitido após ter contraído “Pneumoconiose”, uma doença provocada por insuficiência respiratória devido à inalação de poluentes químicos, entre os quais cromo, batan, sulfeto, sulfato de amônia, dekaton, ácido sulfúrico, fórmico, germol e usan, utilizados nos curtumes no processamento de couro. É um jovem calmo, sensato, assíduo em sua igreja (evangélica), casado, mas destemido e intransigente defensor de seus companheiros. Em sua casa, ele atende diariamente, até tarde da noite, as muitas reclamações de trabalhadores, homens e mulheres, submetidos a jornadas extenuantes e a condições altamente insalubres de trabalho, sem falar nos acidentados que, não raro, são largados à sua própria sorte, sem o devido socorro na empresa. Por isso, é estimado por todos. Nos vários processos contra essas empresas, na Justiça do Trabalho, podem ser lidos diversos relatos de casos assim.

Resultado da reunião: por inteferência da Câmara de Vereadores, serão realizados dois encontros para dirimir a questão: a primeira, entre os vereadores e os sindicalistas; a segunda, entre os diretores das empresas e os sindicalistas, com intermediação dos vereadores.

Um dia, já bem próximo, quando os diretores das empresas de curtume de Governador Edison Lobão se virem obrigados a despertar para o fato de que estamos no século XXI, e que os direitos dos trabalhadores são conquistas irremovíveis, fruto do progresso civilizatório da humanidade, e que a dignidade da pessoa humana é princípio constitucional pétreo, terão que reconhecer na dureza das atitudes de Jairo dos Passos, uma alavanca fundamental para a democratização das relações de trabalho e para o exercício da cidadania no município.

Aos defensores de Weverton Rocha

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A coluna de Aldeman Costa, na edição de hoje do jornal “O Progresso”, diário de Imperatriz, traz uma nota informando que o presidente da Câmara Municipal de Imperatriz, Hamilton Miranda (PSDB), contestara, na sessão de ontem, a veracidade do que escrevi sobre a reunião do candidato a deputado federal Weverton Rocha ao Cortume Tocantins. (vide post anterior).

Sob o título “Presidente rechaça”, o colunista diz que “O vereador-presidente Hamilton Miranda, aliado do candidato a deputado federal Weverton Rocha, rechaçou ontem, da tribuna da Câmara Municipal, comentários produzidos no blog do jornalista Adalberto Franklin. ‘Ele (Adalberto) deveria ter pelo menos ligado ou consultado a Assessoria de Comunicação de Weverton Rocha, bem como ter feito uma visita ao curtume lá de Governador Edison Lobão’, disse.”

Um site local que reproduz o discurso do vereador-presidente da CMI, registra que em seu discurso ele afirmou: “Eu convidei Weverton para irmos até o Curtume Tocantins, para que ele pudesse conhecer a realidade de uma indústria que cresce na região”. E que, em aparte, o também vereador Alberto Sousa “Quem lê o blogue pensa se tratar de outro Weverton, pois o que nós conhecemos é uma pessoa simples, honesta e trabalhadora, o escritor devia ter ligado para Weverton em vez de acreditar na primeira denúncia que aparece”. O vereador Raimundo Costa também teria se pronunciado em defesa de Weverton.

Na quarta-feira, eu estava em São Luís. E, para minha surpresa (e estranheza), lá vi que o Jornal Pequeno, que é ligado ao PDT, partido de Weverton, reproduziu o meu texto inicial, sem comentários. De lá também respondi a diversos comentários que recebi no blog sobre o essa questão. Leitores de Imperatriz e de São Luís. Publiquei, todos, sem qualquer censura, como sempre faço. Dos que não conhecia, busquei informações sobre quem era. Constatei que todos os que defenderam Weverton são pessoas que estão a seu serviço na campanha eleitoral.

Como a questão é mesmo delicada, diversos outros “blogueiros” fizeram referência ao meu texto (alguns até o reproduziram), uns até fizeram “link” para ele. Houve quem fizesse defesa do candidato, quem apenas desse a informação, e também quem reforçasse a denúncia.

Todas essas manifestações, considero-as em conformidade com a liberdade de expressão que deve haver num país como o nosso, que busca a democracia plena, conforme projeta nossa Constituição, embora esse espírito ainda não esteja plenamente assumido pela sociedade.

Tanto o vereador Hamilton Miranda, presidente da Câmara de Imperatriz, quanto os vereadores Alberto Sousa e Raimundo Costa (senti falta da defesa do Chagão do PT, que até poucos dias atrás também estava na defesa dessa candidatura), são cabos-eleitorais de Weverton (e segundo de informam, Miranda é um dos coordenadores de sua campanha na região). Vários jornalistas e blogueiros, de Imperatriz e de outros cantos do Maranhão, recebem remuneração do candidato. Fazem, portanto, defesa em causa própria. E não os condeno por isso. Cada um escolhe seu lado político e ideológico; e também seus aliados. Como já disse antes, na vida não existe isenção nem imparcialidade; todos temos as nossas preferências. Vergonhoso é negar isso, tentando se esconder ou se camuflar com um inexistente manto do desinteresse.

Quando faltam argumentos para rebater a informação, utilizam-se do velho hábito de tentar  desqualificar o informante. Assim o fez um blogueiro de São Luís que, sem sequer saber quem sou, e muito menos minha história, escreveu que eu seria um “roseanista” tentando manchar a imagem de Weverton. Coitado! Sequer se deu ao trabalho de verificar quantos textos tenho escrito sobre os políticos e a política dos Sarney, muitos deles disponíveis na Internet. E desconhece também minha militância política e social, nesse mesmo sentido, há mais de trinta anos. Bem que ele e outros poderiam ter informações seguras sobre minha pessoa, até mesmo dentro do PDT. Mas eles são novatos, e afobados. Ou melhor, afoitos.

Tenho todo o cuidado no que escrevo e no que digo. Verifico a idoneidade de cada fonte; confiro cada informação; escolho cada palavra. Nestes dois dias, várias pessoas me telefonaram, dando-me informações que desconsiderei (pelo menos por enquanto), pois só escrevo o que posso sustentar em Juízo. Dessa forma, desde 1983, quando iniciei-me na imprensa, nunca alguém conseguiu ter sucesso em processos contra mim. Até que já tentaram…

Quanto à lamentação do presidente da Câmara Municipal de Imperatriz e do vereador Alberto Sousa por eu não ter, antes de publicar meu texto, conversado com a assessoria ou com o próprio Weverton Rocha, reafirmo que minhas fontes já eram seguras e suficientes. E não tenho hábito, como jornalista, de me submeter a “vontades” ou “argumentos” que sei não correspondem aos fatos. Eles têm, na verdade, de apresentar suas versões, que seus defensores apresentaram em meu blog e eu as publiquei. Mas, para mim, fatos são fatos; versões são versões. E até estranho essa preocupação de Alberto Sousa, que diariamente expõe e adjetiva pessoas pobres e marginalizadas em seu programa e TV sem qualquer preocupação ética e, por vezes, sem sequer resguardar seus direitos individuais.

Quanto ao fato da idoneidade do Curtume Tocantins, é de conhecimento público as diversas autuações que a empresa teve por agressão ao meio ambiente. Mas talvez fosse desconhecido da maioria o desrespeito que ela as outras fazem em relação aos direitos dos trabalhadores. Quem duvidar, basta viajar trinta quilômetros e, chegando à cidade de Governador Edison Lobão, conversa com qualquer uma pessoa adulta ou de são consciência. Lá, todos sabem. Serão ouvidos fatos que assustam.

Mas quem não quiser se dar a esse trabalho, in loco, basta fazer uma verificação na internet. Depois de receber inúmeras denúncias, a procuradora do Trabalho em Imperatriz, Tatiana Leal Bivar Simonetti, presidiu, no dia 28 de abril de 2009, o Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta n. 72/2009 (Processo 10.207), entre o Curtume Tocantins e o Ministério Público do Trabalho, assinado exatamento pelo Sr. Ely Puente Santos Filho. Ele mesmo. O endereço para acesso é: http://www.prt16.mpt.gov.br/sistema_tacs/grid/grid.php.

E sobre a lisura do  ”filho de Imperatriz, um jovem competente e capacitado para nos representar na Câmara Federal”, remeto-os à seguinte notícia do insuspeito blog do Itevaldo, que diz:  ”A SCC Ltda e as empresas Plenus Construções e Serviços Ltda e a Structura Serviços Ltda são identificadas pela auditoria da CGE [Controladoria Geral do Estado] como as principais beneficiárias dos esquemas de fraude nas reformas de quadras poliesportivas e campos de futebol pagos sem licitação pelo ex-secretário Weverton Rocha”. (Blog do Itevaldo).

Minha intenção, porém, em nenhum momento, foi tratar da idoneidade de Weverton, pois todas as denúncias contra ele ainda estão em processos não julgados (a não ser esse da CGE, creio), e caberá à Justiça medir seu grau de culpa em cada um, ou mesmo absolvê-lo, quem sabe…

Meu tema principal, aqui, foi e continua sendo a questão do sindicato dos trabalhadores em empresas de curtume de Governador Edison Lobão. E sobre isso escreverei mais, porque, na tarde desta quinta-feira (19), houve uma reunião a portas fechadas entre os vereadores daquele município e representantes das cinco empresas de curtume para tratarem exclusivamente desse assunto.

Weverton Rocha: mais um fora-da-lei a serviço da opressão?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Não costumo escrever em meu blog questões político-partidárias nem fazer defesa ou críticas pessoais. Meses atrás, para não trair minha história em defesa das liberdades democráticas, da justiça, da ética e da cidadania, incluí o termo “cidadania” no cabeçalho do blog, como temática de minhas abordagens, além de “cultura e história”, que são as áreas mais específicas de minha atuação profissional. Não tenho tido tempo, porém, sequer para atualizá-lo com frequência, por isso, também não tenho sempre postado o que às vezes desejo.

Hoje, porém, fiquei indignado com o que me relatou Jairo Oliveira dos Passos, o jovem presidente do Sindicouro, um nascente sindicato dos trabalhadores em curtume com sede no vizinho município de Governador Edison Lobão.

Contou-me Jairo que o candidato a deputado federal Weverton Rocha, um obscuro “líder de juventude”, com vasta folha corrida no Ministério Público por improbidade administrativa, recentemente acusado de desvio de milhões quando secretário de Estado da Juventude, foi, na semana passada, a Governador Edison Lobão, onde teria se apresentado como assessor do Ministério do Trabalho, e prestou-se a comandar uma reunião da empresa Curtume Tocantins, com o objetivo de intimidar os trabalhadores e tentar desacreditar o sindicato e sua diretoria. Afirmava que o sindicato era ilegal e que os trabalhadores deveriam ficar ao lado da empresa; que as ações do sindicato não tinham validade, além de outras afirmações absurdas. Isso tudo com o aval do sócio-diretor do curtume, Ely Puente, que ainda teria intimidado e ameaçado de demissão um dos trabalhadores que ousou questionar Weverton Rocha durante a reunião, da qual centenas de funcionários foram obrigados a participar.

Tudo isso o presidente do Sindicouro, Jairo dos Passos, um corajoso jovem de apenas 21 anos, relatou, na tarde de hoje, à procuradora do Trabalho em Imperatriz, Tatiana Bivar, que já acompanha diversas outras denúncias contra as quatro empresas de curtume sediadas naquele município, por crime contra a organização do trabalho, danos morais e danos materiais sofridos pelos trabalhadores.  Em Governador Edison Lobão, é muito comum se encontrar ex-funcionários dessas empresas mutilados em acidentes de trabalho e depois demitidos sem qualquer indenização. Diversos processos indenizatórios correm na Justiça do Trabalho em face disso. O próprio Jairo, apesar da pouca idade, é um dos que já estão incapacitados para o trabalho, conforme diversos laudos médicos, em face da inalação de produtos químicos de alto teor de toxidade (somente agora, devido às pressões do Sindicato, as empresas começam a oferecer os EPIs devidos).

Ali, os trabalhadores são tratados como se não existissem leis trabalhistas, coisas do século XIX, em que os gerentes agem mais como capatazes do que como administradores. Coisas absurdas, que neste momento não cabem dizer, tenho ouvido em relatos desses trabalhadores.

E diante disso tudo, qual é o papel desse jovem candidato à Câmara Federal? A serviço do que ele se apresenta? O que e quem ele defende?

Neste momento histórico do país, estamos numa cruzada contra os “ficha-sujas”, para que uns não retornem e outros não ocupem os cargos públicos eletivos, para tentarmos mudar a cara do Brasil.

Pessoas que de agora se mostram contra os direitos constitucionais, contra as liberdades democráticas, contra os direitos dos trabalhadores…  o que esperar delas no parlamento?

“Quebradeiras”, filme de etnografia regional premiado

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Somente agora consegui assistir ao filme “Quebradeiras”, ganhador de três troféus “Candango de Ouro” no 42.o Festival de Brasília de Cinema Brasileiro, em Brasília, em novembro passado (favor não confundir com “Raimunda, a quebradeira”, de 2006, outro premiado documentário, protagonizado por Dona Raimunda dos Cocos”).
“Quebradeiras” é um longa-metragem com duração de 1h11min que retrata numa linguagem inovadora — sem roteiro falado; em sim com linguagens cênica e sonora descritivas — do cotiano das mulheres quebradeiras de coco babaçu neste chamado Bico do Papagaio, tríplice fronteira de Maranhão, Tocantins e Pará.
Dirigido por Evaldo Mocarzel, carioca radicado em São Paulo, foi filmado na zona rural de Imperatriz e cidades vizinhas onde se concentram as quebradeiras de coco.
Trata-se de um documentário etnográfico que dá ênfase ao cotidiano dessa minoria resultante da migração nordestina que se acentuou na região a partir do começo dos anos 50, abrindo matas e fundando povoações. Ou seja, é um registro da cultura material e imaterial desse povo.
O DVD me foi doado pela líder do MIQCB (Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu), Maria Querobina, convidada de honra para assistir à exibição do filme no festival, no dia 20 de novembro.
Concorrendo com outros 28 filmes de longa-metragem no festival de Brasília, “Quebradeiras” foi o segundo mais premiado. Além de melhor diretor (Evaldo Mocarzel), ganhou ainda os troféus de melhor fotografia (Gustavo Hadba) e melhor som (música de Thiago Cury e Marcus Siqueira).
O documentário teve o patrocínio do “Etnodoc”, primeiro edital de Apoio à Produção do Documentário Etnográfico do Ministério da Cultura, em 2008.

Alguns trechos do filme podem ser visto no Youtube: