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A um velho índio que deixou a taba

Neste dia 20 faz um mês que o velho Timbira se foi. Mas creio que avançou o sinal e morreu antes do tempo, embora um dia depois. Para um velho índio, deveria ter-se ido no 19, dia da raça, e não 20, mas não neste ano, só bem depois, porque estava em busca do elixir da juventude e creio que bem perto de encontrá-lo. Há mais de dois anos encontrava-se esporadicamente com um outro pajé, um sábio Guajajara que conhecia como ninguém as propriedades medicinais da diamba e, juntos, faziam infusões milagrosas com as quais curavam até médicos ilustrados que não conseguiam curar a si mesmos.
Eu, índio mais novo, descendente em sexta geração da velha etnia Acaroá — extinta há mais de duzentos anos pelo mal afamado João do Rego Castelo Branco, o cabo-de-guerra do extermínio dos Timbira do médio Parnaíba, em que se incluía ainda os Gueguê e os Caicaí –, conheci-o há mais de duas décadas, num momento em que praguejava contra a falsa santidade do padre Antônio Vieira em suas andanças pelo Maranhão e o Grão-Pará. Se os jesuítas eram defensores de índios, também eram seus algozes, porque presidiam tribunais que autorizavam a “guera justa” de extermínio dos índios.
Pois bem, admirei-o por seus conhecimentos e histórias. Um caboclo sabido, mas sabido mesmo, que conhecia as coisas do sertão e as das cidades. Tanto quanto! Ou até mais! Até mais que,aqueles tupinambás que os fundadores do Maranhão levaram à França para se avistarem com o rei e se vestirem de cristãos. Sim. Porque o velho Timbira do Maranhão, ainda jovem, também foi à França, e lá não ficou apenas dançando e desfilando rituais no palácio do rei para franceses verem. Ele se internou foi na escola da Sorbonne – que existe há mais de 500 anos e onde os tupinambás nem entraram – e de lá só saiu doutor. Deixou a França e foi a Portugal revirar documentos da Amazônia e do Maranhão que os gajos haviam guardado há séculos numa antiga torre.
Vi que poderia aprender muito com aquele abusado caboclo Timbira e me meti a com ele ler velhos documentos, ouvir histórias e a publicar nossas descobertas. Et donc ils ont passé les années…
Renor Bilhete
Em janeiro último, eu o recebi em casa, cedo da manhã, como quase sempre, com cara de ressaca do dia anterior, quando estivera no Bar do Gil, ao lado da Uema. Trazia-me alguns livros de presente, como costumava fazer. Contou as novidades do Piauí, falou das pesquisas em andamento, disse da saúde e labutas diárias do Celso Barros, que, mesmo carregando o peso dos seus mais de 90 anos, não queria saber de aposentadoria e dava expediente diário no escritório de advocacia… Aliás, Celso Barros era para ele uma inspiração, porque, cassado duas vezes por tribunais de ditaduras, sepultara todos os seus julgadores e estava ali, de pé, diante do curso da história.
Nesse dia eu era recém-chegado em casa, depois de mais de dois meses de ausência, em tratamento cardíaco em São Luís, onde fui submetido a um extenso corte cirúrgico para implantação de três pontes de safena. Era eu um ser convalescente desde o início do ano anterior, quando, por complicações de diabetes, passei a ser hóspede de clínicas e hospitais mais do que de minha própria casa.
Ele demonstrava muita preocupação com minha saúde, falando em seu nome e no de nosso amigo comum Celso Barros. Receitava cuidados e remédios para minha cura. Nós não poderíamos morrer ainda, pois prometêramos viver ainda muito tempo para mijarmos nas sepulturas daqueles que pretendiam pegar nas alças dos nossos caixões e ficarem com nossas cadeiras nas academias de letras às quais pertencíamos. Ele também vinha adoentado há cerca de um ano, sob tratamento com um parente médico em Teresina e, por precaução, também com o velho pajé Guajajara.
Acredito, porém, que ele me imaginava mais propenso a cair nos braços de Maíra, porque deixou, dentro de um dos livros que me deu nesse dia, um bilhete que escrevera no final da tarde do dia 13 de janeiro, em cima de uma mesa do Bar do Gil. Esse bilhete, que esqueci de ler, esqueci-o e somente agora o li. Diz:
“Confrade e velho amigo. 13-01-16. 17.35h. Se você acredita no receituário dos velhos pajés, eu e eles vamos te curar do diabetes em 12 meses. É assim: INFUSÃO DE VEREDA (um mês no litro). Beber como água quando sentir sede. Sem contraindicação. Renôr. Bar do Gil* / *Perdemos a velha Dolores sexta-feira.
Renôr faleceu em São Luís no dia 20 de março de 2016. Determinou que o cremassem e jogassem suas cinzas no encontro dos rios Solimões e Tapajós, região que lembra a resistência do grande guerreiro Ajuricaba, nome de um de seus filhos. Frustrou alguns porque não deixou sepultura nem que pegassem na alça do seu caixão.
PS: Ele não percebeu que eu estava sob orientação de uma cardiologista, um angiologista, e os cuidados, ervas e rezas da índia Iracema, que nada tem a ver com aquela do romance de Alencar, mas é uma legítima Timbira Acaroá de 82 anos, que me acolheu de volta à taba. Fiquei para cumprir nossa promessa. (Adalberto Franklin)

Ética lança série de antologias imperatrizenses

Letras da Cidade - anuncio
A Ética Editora está lançando a série de antologias “Letras da Cidade”, composta de três livros: “Crônicas da Cidade”, “Contos da Cidade” e “Cantos da Cidade” (poesias).
Cada obra reunirá entre 12 e 20 autores, com 12 páginas para cada autor, sendo a primeira destas um frontispício com foto e dados biográficos do autor.
A trilogia será publicada anualmente e lançada em julho, na semana antecedente ao aniversário de Imperatriz.
Cada autor pagará R$ 600,00 pela participação, pagáveis em até três parcelas, correspondentes a 20 exemplares da obra, que receberá no dia do lançamento. Poderá, ainda, o autor, adquirir maior número de exemplares, a preço de custo gráfico.
A Ética Editora receberá propostas de participação até o dia 16 de maio, pessoalmente ou pelo e-mail eticaeditora@gmailcom.
Os autores devem ser residentes, já tiverem residido ou sejam naturais de Imperatriz.

O GOLPE DE 1964: como e porquê

Disponibilizo para download – PDF – o texto didático e esclarecedor sobre os motivos e o modo como se deu o golpe de 1964, em que são incluídas informações de documentos recentemente liberados pelo governo norte-americano. Trata-se do capítulo 15 do meu livro Manoel Conceição, sobrevivente do Brasil, a ser lançado brevemente.
a>AF _Manoel _cap15 – O Golpe
brother sam

A Justiça, ah, a Justiça!… | Jomar Moraes

[…]

Longe de mim fazer a apologia da violência, admitindo ser ela o caminho indicado para a solução de problemas, inclusive os advindos da incorreta administração da justiça por parte daqueles que detêm o múnus público de, por exclusiva delegação do Estado, dizer a cada um o que por direito lhe pertence, fazendo, assim, justiça. Como errar é defeito inerente à nossa precária condição humana, tem-se nos recursos em Direito admitidos, o remédio para postular a correção de erros, toda vez que uma decisão errônea do aplicador do Direito admita e reclame correção.

Acontece, porém, que decisões injustas, em decorrência da ignorância de quem as proferiu, são absolutamente diversas daquelas decisões que, sabidamente decorrem da falta de pudor, da falta (para dizer com clareza) de vergonha mesmo daqueles que as proferem.

De certos indivíduos que conspurcam e envergonham as pessoas de bem da magistratura, fala-se abertamente acerca de como chafurdam nos lamaçais de venalidade. E o pior é que esse não é tão-somente um mal da terra, de nossa terra, mas do Brasil. E exemplos do que afirmo são oferecidos constantemente, não só no rés-do-chão da magistratura, mas em instâncias cada vez mais altas nominalmente falando. Porque chega a ser uma ironia falar em altos escalões onde lavram os ladravazes com seus golpes baixíssimos e sórdidos.

Não será despiciendo lembrar que magistrado e magistratura são palavras que, na origem latina, têm berço comum com magistério, função daquele que ensina. São, portanto, vocábulos cognatos, indicando, por intermédio da etimologia, que o magistrado investido do mínimo de qualificação moral para sê-lo, deverá ser aquele que, ao julgar as causas de sua competência, ministra boas e edificantes lições pela correta distribuição da justiça.

De quantas vozes se fizeram ouvir, em nome próprio ou de entidades de classe, ou ainda de órgãos judicantes ou representativos deles, raríssimas manifestações preconizaram a imediata e severa apuração de responsabilidades, mesmo que para simplesmente repetir o chavão de todos conhecido: apurar rigorosamente as responsabilidades, comando que em nada resulta, sabe-se.

Será que alguém já se lembrou de pensar nas causas do inconformismo popular? Os fatos relacionados com explosões de violência popular não podem ser tolerados, sob pena de abrirmos caminho para a baderna generalizada.

Mas quem deu motivo para o desrespeito sofrido pela Justiça, deve ter a impunidade por prêmio? dizem por aí, e já foi dito claramente em recinto que mais adequado não poderia ser, que a mercancia de liminares atingiu tal grau de cinismo, que elas já estão sendo vendidas às duas partes em conflito, com o que muito se apazigúa e se refestela o lavradaz que as vende.

A propósito, cabe lembrar esta curiosidade etimológica que muita gente conhece e bem mais gente com certeza desconhece. Refiro-me à palavra larápio, que todos sabem ser sinônima de ladrão.

Com pedido de excusas às pessoas de bem que honram a magistratura, porque a exercem com dignidade, lembro que na Roma antiga a dignidade de pretor tinha a ver com o magistrado que distribuía justiça. Um tristemente célebre pretor romano que dizem redivivo e bastante multiplicado pelo fenômeno de sucessivas reencarnações, chamava-se Lucius Antonius Rufus Appius. Em razão da concorrida freguesia que movimentava seu balcão de negócios, onde choviam liminares na razão direta do volume de suas vendas, o “meritíssimo” pretor suava sua digna toga no mister de distribuir justiça e faturar por seu trabalho. Azucrinado pela insistência dos “fregueses”, não tinha tempo para subscrever seu digno, honrado e longo nome nas tantas liminares que vendia. Por isso, assinava apenas L.A.R. Appius. Dessa abreveviatura proveio o neologismo latino larapius, que transposto ao português, deu larápio, o profissional da gatunagem.

O destino de frei Manoel Procópio

Talvez a maior dúvida da história de Imperatriz esteja agora desvendada: o destino de seu fundador, frei Manoel Procópio do Cotação de Maria.
Esse carmelita baiano contratado em 1849 pelo governo do Pará como capelão da “Missão do Alto Tocantins”, fundou, em 16 de julho de 1852, a povoação de Santa Teresa, que mais tarde passou a denominar-se Imperatriz, tem desconhecidos até agora seus principais dados biográficos: datas de nascimento e morte; local de falecimento; quanto tempo permaneceu em Imperatriz e que atividades desenvolveu na cidade; e que destino tomou depois de deixar a localidade que fundou.
Vários registros do século XIX que agora encontrei no Almanak do Maranhão e no jornal O Paiz, de São Luís, possibilitam chegar-se a essas respostas.

O PAIZ - Maranhão - quarta-feira, 27 out. 1886

O PAIZ – Maranhão – quarta-feira, 27 out. 1886


A edição 242 de O Paiz, datada de 27 de outubro de 1886, registra, em sua seção “Noticiário”, à página 2, uma nota lacônica de apenas quatro linhas, sem título: “Faleceu na província da Bahia, o religioso carmelita frei Manoel Procópio do Coração de Maria, na idade de 76 annos”.
Assim, fica patente que frei Manoel Procópio nasceu em 1809 ou 1810 e faleceu na Bahia, sua terra natal, em 1886.
Outros documentos informam que o carmelita viveu em Imperatriz até 1879, quando foi nomeado como “vigário encomendado” de Carolina, onde assumiu o lugar do padre Antônio Maia, que falecera. Em 1882, voltou para a Bahia.
Enquanto esteve em Imperatriz, foi proprietário de terras, comerciante e exerceu o cargo de “delegado literário” da instrução pública, comissionado pelo Estado.
Essas e outras informações inéditas da história de Imperatriz estarão na edição compacta do meu livro Breve história de Imperatriz, que será publicada nos próximos meses pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). [Adalberto Franklin]

“Nossa Imperatriz”, um livro que homenageia a cidade

Com o sugestivo título de Nossa Imperatriz, o fotógrafo maranhense Brawny Meireles lançará, em julho deste ano, seu segundo livro-álbum em homenagem à cidade de Imperatriz. A obra deverá ter cerca de 60 páginas, com aproximadamente 90 imagens antigas e atuais. Estas, nascidas das lentes do autor; as demais, de acervos de famílias imperatrizwnses.

Fotografia de Brawny Meirele a ser publicada no livro

Fotografia de Brawny Meirele a ser publicada no livro


O livro é dividido em três capítulos: 1) Memória da cidade (texto do historiador Adalberto Franklin, acompanhado fotos antigas, entre elas, algumas dos pesos e medidas doadas pela imperatriz Teresa Cristina, esposa do imperador dom Pedro II, à então recém-fundada povoação de Santa Teresa, que passou a chamar-se Vila Nova da Imperatriz, em sua honenagem); 2) Cidade Contemporânea (ilustrado com fotos atuais, com textos do articulista, filólogo e poeta imperatrizense Tasso Assunção); e 3) Povo & Estilo de Vida (com fotografias do cotidiano da cidade e do seu povo e texto do intelectual e escritor Edmilson Sanches).
Em 2011, Brawny Meireles publicou o livro “Imperatriz do Brasil”, uma belíssima obra fotográfica e textual em que homenageou esta cidade, onde por muitos anos residiu. A nova publicação está sendo produzida em parceria com a Amaphoto (Associação Maranhense de Fotpgrafia).

1958: JK visitou Imperatriz com embaixadores amigos

As publicações que tratam da história de Imperatriz não registram essa primeira visita que o então presidente Juscelino Kubitschek fez a Imperatriz, informalmente, em 1958, no inicio da construção da rodovia Belém-Brasília, acompanhado dos embaixadores do Equador, da Alemanha e da Tchecoslováquia, do ministro da Viação e de oficiais da Aeronáutica. Evidencia-se a visita de JK feita em janeiro de 1961, para a inauguração da rodovia, poucos dias antes do final de seu governo. Encontrei este registro nos arquivos do Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, que transcrevo a seguir, na integra:
JK rodovia 1958
Presidente levou diplomatas para ver a rodovia que ligará Belém do Pará a Brasília

O presidente Juscelino Kubitschek percorreu as obras de construção da Rodovia Belém-Brasília que se estende por mais de dois mil e duzentos quilômetros, tornando efetiva a ligação entre o Norte e o Sul da País.

Nessa visita às frentes de trabalho na selva amazônica, o presidente foi acompanhado dos representantes de quatro nações amigas, a saber: do Equador, sr. Neftali Ponce Miranda, embaixador extraordinário e plenipotenciário; da Grã-Bretanha, sr. Geoffrey H. Wallinger, embaixador extraordinário e plenipotenciário; e da Tcheco-Eslováquia, sr. Jaroslav Kuchvalek, enviado extraordinário e ministro plenipotenciário.
Viajaram também na companhia do presidente da República o almirante Lúcio Meira, ministro da Viação; o general Nélson de Melo, chefe do Gabinete Militar; o coronel aviador Lino Romualdo Teixeira, subchefe do Gabinete Militar; o sr. Waldir Bouhid, superintendente do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) e outras autoridades.

NA FLORESTA DO GUAMÁ
Após inaugurar, em Belém, a nova estação de passageiros do Aeroporto de Val-de-Cans e a Escola de Agronomia da Amazônia, o presidente da República iniciou a visita às obras da grande rodovia que colocará a bacia amazônica em ligação com o centro e o sul do país. O primeiro trecho da estrada, na região do Guamá, numa extensão de 120 quilômetros, já está asfaltado. Continuam a obras em ritmo acelerado. através da floresta, onde outra centena de quilômetros já está aberta ao tráfego, com pista revestida de cascalho.
Nesse trecjo, a “Rodobrás”, entidade da SPVEA, incumbida de executar os trabalhos, fez construir dois campos de pouso para apoio aos desbravadores.
O avião em que viajavam o presidente da Repúbica e sua comitiva, um “Douglas” da FAB, desceu no primeiro desses campos. Depois, em camionetas de fabricação nacional, os visitantes seguiram até a ponta da estrada, no local onde se efetuam os serviços de desmatamento. Ali, em plena floresta amazônica, o presidente Juscelino Kubitschek e demais visitantes tiveram oportunidade de assistir à derrubada de árvores giagantescas, por meio de tratores, para abertura das picadas onde iriam penetrar em seguida as outras máquinas.
O segundo campo construído nessa região ainda não tem acesso por terra. Fica situado a cerca de 250 quilômetros de Belém. Feita a clareira inicial, o campo está sendo alargado, pouco a pouco, e já permite a descida de pequenos aviões.
O avião presidencial sobrevoou esse campo e prosseguiu viagem para o sul.

JANEIRO: ENCONTRO NA FLORESTA
Enquanto os trabalhos prosseguem em ritmo acelerado do norte para o sul, também do sul para o norte se intensificam os trabalhos de penetração na mata virgem partindo de Imperatriz, no Maranhão, no rumo do Guamá. Nessa frente já foi aberto um caminho para trabalho das máquinas de terraplanagem, numa extensão de cerca de 80 quilômetros, bem como construído um campo de pouso, nas proximidades das cabeceiras do rio Gurupi, em um lugar que os trabalhadores batizaram com o nome de Açailândia, em virtude da Abundância de açaí, o alimento tão apreciado pelas populaçoes da região amazônica. O campo está sendo revestido de cascalho, a fim de que ali possam descer aviões do tipo “Douglas”.
Nessa região já foram assinalados vestígios de tribos ainda não identificadas. A penetração é feita com o maior cuidado, de sorte a evitar choques entre silvícolas e civilizados, tendo o Serviço de Proteção aos Índios destacado para os trabalhos, na expectativa de contato próximo, um fiscal e dois índios “Gaviões” civilizados.
O presidente e sua comitiva foram recebidos com entusiasmo por toda a população de Imperatriz, cidade à margem do Tocantins, cujas esperanças de rápido desenvolvimento residem na construçao da nova rodovia.
Nessa ocasião o presidente Juscelino recebeu a informação de que os encarregados dos serviços estão dispostos a ultimar a penetração nas selvas ainda em janeiro do próximo ano, embora as previsões iniciais indicassem que somente em março poderia se dar o encontro entre as duas turmas que avançam através da floresta, do Guamá para Imperatriz e vice-versa.
(JORNAL DO BRASIL, sábado, 11 de outubro de 1958. p. 8, 2º Caderno)

Criado o Instituto Manoel Conceição

No último domingo, 22 de fevereiro, sindicalistas e ativistas sociais e políticos fundaram o Instituto Manoel Conceição (IMC), entidade que terá como objetivo a formação sociopolítica, o estudo e a defesa do desenvolvimento sustentável, a promoção da solidariedade e da cultura.
Os sócios fundadores reuniram-se em assembleia na sede do Cetral, no povoado Pe-de-Galinha, município de João Lisboa (MA), em número superior a vinte pessoas dos municípios de Imperatriz, João Lisboa, Senador La Rocque, Amarante, Cidelândia, Carolina, Riachão. São Raimundo das Mangabeiras e Loreto, todos no Maranhão.

Manoel-da-Conceição
O IMC terá sócios fundadores, efetivos, colaboradores e honorários. Sua sede será em Imperatriz mas poderá instalar escritórios de representação no Brasil e no exterior, sob a direção de um conselho gestor composto por cinco pessoas. Na assembleia de fundação, com a presença de Manoel Conceição (hoje com 80 anos) e de sua esposa, Denise Barbosa Leal, foi eleito e dado posse ao primeiro conselho gestor: Jhony Santos (coordenador-geral); Maria José Lopes Barros (Zezé; coordenadora-geral-adjunta); Aldecy Antônio dos Santos Pereira (coordenador financeiro); Anthony Nelson Amaral Dantas (coordenador administrativo) e Adalberto Franklin (coordenador de comunicação). O Conselho Fiscal ficou composto por Pedro Paulo de Sousa Guimarães, Maria Denise Barbosa Leal e Antonio Expedito Ferreira Barroso de Carvalho, Elizabete Messias de Sousa e Antonio Alves Lima.

A criação da entidade tem motivação na continuidade do legado ideológico do maranhense Manoel Conceição Santos, considerado um dos mais destacados líderes camponeses brasileiros no século XX, perseguido, preso, torturado e exilado pela ditadura militar. Manoel foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e da Central Única dos Trabalhadores; orientou a formação de diversos sindicatos rurais e cooperativas; recebeu as mais diversas homenagens, comendas e títulos honoris causa, por entidades do Brasil e do exterior. Desde 1984, reside em Imperatriz, para onde veio instalar e presidir o Centro de Educação do Trabalhador Rural (Centru), fundado por ele em Pernambuco e que se espalhou por vários estados do Nordeste.

Chiquinho França denuncia: Prefeitura deu calote no Projeto de Neném Bragança

No final da tarde de hoje, o músico Chiquinho França divulgou através das redes sociais, uma “Nota de Agradecimento” em que faz revelações surprendentes sobre o calote que a Prefeitura de Imperatriz teria dado ao projeto “Som do Mará / Neném Bragança”, para a produção do álbum CD/DVD em prol do artista imperatrizense falecido recentemente de câncer. Segundo o músico, o prefeito Sebastião Madeira teria aprovado pessoalmente o patrocínio do Projeto, através da Fundação Cultural de Imperatriz, ainda em 2013, mas não honrou o compromisso, o que provocou atraso na conclusão da produção da obra. Diante disso, o próprio Chiquinho França teria tomado um empréstimo pessoal para o custeio da produção, para que Bragança pudesse ver o trabalho ainda em vida. Até o momento, a Prefeitura não pagou a dívida empenhada.
somdomarah
É um relato chocante sobre o descaso do prefeito de Imperatriz para com a campanha em favor de Neném Bragança — o artista que mais divulgou o nome de Imperatriz Brasil afora —, que se encontrava em fase terminal de câncer e não teve o apoio do Município que tanto defendeu.
Abaixo transcrevo, na íntegra, a longa “Nota”/desabafo de Chiquinho França:

“NOTA DE AGRADECIMENTO
“A minha sincera gratidão a todos os amigos, compositores, músicos e fãs pela parceria, carinho e apoio dispensado ao projeto Som do Mará / Neném Bragança. Agradeço a toda a imprensa e aos patrocinadores: Governo do Maranhão e Prefeitura Municipal de Imperatriz… Aliás, a Prefeitura de Imperatriz não… …Não, ela não ajudou, ela atrapalhou!!!
“Quero informar que, até o momento, a Prefeitura de Imperatriz não repassou o recurso referente à sua cota de patrocínio ao projeto “Som do Mará / Neném Bragança”, firmado em setembro de 2013, causando um grande constrangimento e atraso na produção. Por esse descaso, o nosso artista Neném Bragança nem ao menos teve o prazer de gozar as emoções de ver e curtir seu CD/DVD, nem mesmo participar do show de lançamento do seu próprio projeto, pois já estava debilitado.
“Esperamos um ano e quatro meses, fazendo vários contatos e várias tentativas de acordo, porém, sem sucesso!!
“A Prefeitura dificultou exigindo sempre novas e diversas documentações, as quais, todas foram apresentadas pela nossa produção. O projeto foi originalmente apresentado e aprovado pela Fundação Cultural através do prefeito Sebastião Madeira, que tratou e acordou comigo em reunião no Brisamar Hotel, em São Luís, com a presença do nosso amigo Nan Souza. Levou o projeto em mãos para o presidente da Fundação Cultural, Lucena Filho.
“A Fundação Cultural, por sua vez, não conseguiu repassar a verba para o projeto, até que, somente em julho de 2014, o Sr. Cândido Madeira tomou conhecimento do atraso do projeto e em reunião comigo demonstrou ficar envergonhado e furioso com o descaso da Fundação Cultural e Prefeitura em relação aos nossos artistas. Ali ele referia-se não somente ao Neném Bragança, mas a um elenco de artistas que estavam apoiando o projeto: eu, Erasmo Dibell, Betto Pereira, Zeca Baleiro, Carlinhos Veloz, Nando Cruz, Zeca Tocantins, César Nascimento, Zé Américo, Xavier Santos, Lucevilson e Wilson Zara com sua empresa ZARPA PRODUÇÕES, proponente do projeto, por sinal toda documentada.
“O Sr. Cândido Madeira se comprometeu a resolver tudo em cinco dias!! Feliz com o que vi e ouvi, saí de lá crente que tinha encontrado finalmente a pessoa certa para resolver o processo. Atravessei o rio Tocantins e fui comemorar feliz na Bela Vista, casa do Zeca Tocantins… Foi muito bom!! Só que o Sr. Cândido Madeira misteriosamente também fez silêncio, não nos recebeu mais, nem atendeu os vários telefonemas, uma atitude tal qual a do presidente da Fundação Cultural, Lucena Filho. O Projeto Som do Mará Neném Bragança teve seu lançamento realizado dia 16 de dezembro de 2014, depois de termos recorrido a um empréstimo no valor da cota de patrocínio da Prefeitura. Porém, não conseguimos voo pro Neném de São Paulo/Imperatriz; ele só chegou no dia seguinte ao lançamento.
“Quero confessar que estou constrangido por passar todo este tempo calado, sem comentar qualquer denúncia contra a Prefeitura de Imperatriz (sinto vergonha de dar este tipo de notícia ao meu público). Andei fazendo até mesmo agradecimentos à Prefeitura através da imprensa e em público no show de lançamento, pensando que com isto sensibilizaria o prefeito. Também por não querer escândalo envolvendo meu nome e do Neném, preferi achar que estava havendo algum equívoco ou falta de comunicação dos secretários com a Prefeitura, mas depois de ter levado pessoalmente em sua residência convites para o prefeito e sua família irem ao show de lançamento e não terem comparecido, percebi que sabia o que estavam fazendo!!
“Preocupada comigo, a família do Neném me propôs pagar o empréstimo com os recursos arrecadado das vendas dos CD/DVDs do projeto. Claro que não aceitei!! Seria injustiça à família do Neném pagar por uma dívida contraída e pertencente à Prefeitura de Imperatriz. Para maiores esclarecimentos, todo o tratamento do Neném Bragança realizado em Brasília e São Paulo foi 100% custeado pelo Sistema Mirante. A Prefeitura mandou deixar um envelope com mil reais na residência da família. Outra coisa que me chamou a atenção e me deixou atônito foi o prefeito Madeira não ter feito nenhuma visita ao artista no momento em que mais precisou dos amigos , quando estava doente, porém, foi um dos primeiros a chegar ao velório com flores e uma faixa da Prefeitura para ser colocada sobre o caixão do artista, e se fez presente a manhã inteira recebendo cumprimentos das pessoas.
“Mesmo com todas as decepções e endividamento, me sinto orgulhoso, satisfeito e feliz por ter conseguido realizar um projeto que documenta a tão importante trajetória artística e cultural de um dos mais talentosos intérpretes da música popular brasileira, Neném Bragança!!
[Chiquinho França]”

Prefeitura de Imperatriz emperra financiamento da cultura

Quase dois meses depois de eleito, o Conselho Municipal de Cultura de Imperatriz sequer foi empossado. O não funcionamento desse organismo impossibilita o financiamento de projetos culturais no Município através do Fundo Municipal de Cultura, composto por 0,8% da arrecadação do ISSQN e 1% do ITBI. Os recursos deverão financiar projetos de música, literatura, artes visuais, artes cênicas, cultura popular, culturas urbanas e éticas e outras expressões cultuais.
conselho cultura
O Fundo foi criado pela Lei Municipal n. 1.541/2014, com efeito retroativos a 1º de janeiro do mesmo ano, com necessidade de regulamentação, que foi feita através do Decreto n. 19, de 15 de maio de 2014, pelo prefeito Sebastião Madeira. A eleição do Conselho, porém, somente foi convocada e realizada no mês e dezembro passado, mas não empossado até agora. Consta, ainda, que nenhum dos repasses mensais para o Fundo de Cultura, obrigatórios desde janeiro de 2014, foi depositados em conta específica, como determina a lei. Nem mesmo conta para depósito teria sido aberta pela Prefeitura de Imperatriz.
Toda essa demora tem impossibilitado que os produtores culturais de Imperatriz requeiram financiamento de seus projetos, previstos através de editais ou programas que devem ser divulgados pela Fundação Cultural de Imperatriz. Há uma expectativa em relação a todo o montante não depositado referente ao exercício de 2014, que ultrapassa a cifra de R$ 500 mil, suficiente para o custeio de dezenas de projetos.
A posse do Conselho era previsto para no máximo 15 dias após sua eleição.

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