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A ignorância que é fruto da preguiça

É ignorante quem afirma, quem publica e quem dissemina essa falsa polêmica que nunca existiu entre filólogos e gramáticos — a não ser a embusteiros que tentam se fazer passar por tais (não seria isso crime de falsidade ideológica?).
Usuário de rede social publica um “estudo” ou “análise” de uma professora de Língua Portuguesa em que afirma não existir o termo PRESIDENTA, ou seja, o feminino de “presidente”. Marca meu nome na publicação com o propósito de me provocar, me insultar, creio que por motivos políticos. Essa é a terceira vez que faz isso. Nas duas vezes anteriores, desconsiderei as provocações e a falta de conhecimentos linguísticos de ambos — da “professora” e do provocador, que dissemina como verdade uma presunção errônea.
presidenta
Alguém culto não se demoraria com uma dúvida dessas. Extinguiria-a apenas com a consulta a um livro. Encontraria na página 674 do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (5.ª ed., 2009), da Academia Brasileira de Letras. Lá está o verbete “presidenta”. Para quem não sabe (como essa professora metida a “expert”), o Vocabulário Ortográfico é a obra que contém as palavras aceitas oficialmente como integrantes da Língua Portuguesa, aprovado pelas academias de letras dos países lusófonos (os que têm o Português como língua oficial).
Incrível que desde a eleição da mandatária da República Federativa do Brasil, alguns comunicadores — metidos a especialistas até do que não conhecem — fazem comentários e assertivas sobre essa falsa e infrutífera polêmica existente apenas na mente dos ignorantes da Língua. E  ignorantes porque preguiçosos; não estudam, não leem, não consultam quando desconhecem. Poderia até argumentar preconceito, mas é ignorância mesmo. Talvez com um pouco de ranço ideológico, coisa bem constante no Brasil contemporâneo. Dicionário não é o “pai dos burros”, como afirmam alguns ignaros; é uma poderosa ferramenta de intelectuais, que não vivem sem a companhia de boas obras de referência como essa.  
Se a preguiça intelectual não fosse tamanha, bastaria consultar, ainda, bons dicionários, como, por exemplo, o Houaiss, que registra esse mesmo verbete na sua página 1546 (4. ed., 2009). Também, na sua versão eletrônica. Ou, ainda, no Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras (2. ed, 2008, p. 1024), edição organizada por Evando Bechara, titular da Comissão de Lexicologia e Lexicografia da ABL, representante brasileiro na comissão que definiu a Nova Ortografia da Língua Portuguesa junto aos países lusófonos.
Uma polêmica desinteligente que não tem fôlego para durar dez minutos, contando-se o tempo de pegar um livro na estante. (Adalberto Franklin, 30 jan. 2015)

Eleições 2016: Os sinos dobram por Clayton Noleto

Se depender da vontade do poder político estabelecido, o jovem secretário de Estado da Infra-estrutura, Clayton Noleto, será o próximo prefeito de Imperatriz.
Os membros do Diretório Municipal do Partido Comunista do Brasíl (PCdoB) de Imperatriz já não escondem que o nome de Clayton Noleto foi escolhido como pré-candidato com o aval do governador Flávio Dino, também do PCdoB, e do diretório estadual da legenda, que pretende ter candidaturas próprias nos principais municípios maranhenses, buscando tornar-se a força hegemônica do Maranhão.
clayton
Nos bastidores políticos, circula a informação de que o prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, já teria declarado apoio à candidatura de Clayton Noleto, que tem sido visto com frequência em eventos da agenda municipal. Diz-se, ainda, que o governo do Estado fará elevados investimentos em Imperatriz, com o objetivo de melhorar a imagem pública de Sebastião Madeira na etapa final de seu mandato. Isso tendo à frente o secretário da Infra-estrutura, que deve ser projetado nessas ações.
Essa possível candidatura poderá reunir praticamente todos os partidos que integram o o governo de Flávio Dino, entre os quais os antagonistas PSDB de Sebastião Madeira e o PT de Dilma Rousseff, visto que o PT integra o governo com os titulares de duas secretarias de Estado e diversos outros cargos de menor escalão, além do que, depois das eleições, o governador procurou maior aproximação com o governo federal, do qual o PCdoB é parte da base aliada.
Se essa engenharia política se concretizar, em 2016 Clayton Noleto poderá ser candidato à Prefeitura de Imperatriz com apoio dos governos municipal, estadual e federal, dispondo de mais da metade do tempo nos programas de rádio e televisão e viabilizar-se como o mais forte candidato. Seus possíveis adversários na campanha — provavelmente Ildon Marques e Rosângela Curado — estariam visivelmente enfraquecidos. Ildon Marques, porque seu grupo de apoio perdeu consistência após a derrota do grupo Sarney; e Rosângela, atualmente no PDT, nomeada subsecretária de Estado da Saúde, teria que romper com o governador Flávio Dino e aventurar-se numa candidatura sem o apoio necessário a uma disputa desse nível.

Perdido: recuperando uma história da Belém-Brasília

Não é lenda. A história do trabalhador que se perdeu na mata amazônica, no município de Imperatriz, durante a construção da rodovia Belém-Brasília e foi encontrado dois meses depois por um grupo de índios é verídica. Encontrei o registro desse acontecimento nos arquivos do Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, edição de 7 de fevereiro de 1959. Transcrevo-o agora, na íntegra:
belem-brasilia
Gaviões levaram ao Posto do SPI operário da Belém-Brasília perdido na mata
Frente avançada da Rodovia Belém-Brasília, fevereiro

(Edísio Gomes de Matos, enviado especial do Jornal do Brasil)

Luís Gonzaga perdeu-se na mata, junto do Igarapé da Cobra, a 90 quilômetros da cidade de Imperatriz, no Maranhão, e passou dois meses procurando o caminho de volta. Levava uma bala no rifle para se matar.
Um dia, ouviu um barulho de canoas na margem do igarapé e gritou de dentro do mato:
— Tem aí bala para caça?
— Não! Temos flechas — responderam. Eram índios Gaviões.
Sessenta dias depois o cearense Luís se juntava aos outros trabalhadores da estrada Belém-Brasília, entregue pelos funcionários do Posto de Atração Indígena de Canindé-Açu.

O ÚNICO A SE PERDER
Luís, o primeiro dos trabalhadores da estrada a ser perder no mato, fazia parte da turma da topografia, comandada por Hilmar Cluck. Sua missão era fixar estacas ao longo das picadas.
Desapareceu no dia 3 de novembro, no lugar que agora se chama “O Perdido”. Segundo uma testemunha, o inspetor do Serviço de Proteção ao Índio, Benamour Brandão Fontes, Luís saiu do acampamento para perseguir uma vara de porcos do mato. Vestia calção azul, estava descalço e levava uma espingarda com oito balas.

A BUSCA
Como Luís não voltou, o inspetor Benamour formou uma expedição para procurá-lo. Três turmas bateram a mata quatro dias seguidos: nem urubus, nem índios, sem sinal do desaparecido.
Enquanto a turma levada por Benjamin Rondon, filho do marechal Rondon, seguia 76 quilômetros adentro, na floresta, em direção ao Guamá, prosseguindo o levantamento topográfico da região, Luís foi devolvido pelos índios na nascente do rio Gurupi.

A HISTÓRIA
Luís Gonzaga diz que não sabe como se perdeu. Perseguindo a caça, supõe que tenha percorrido, no primeiro dia, oito quilômetros mata adentro. Não soube voltar e reservou uma bala no rifle para se suicidar.
Sessenta dias ficou assim. Conta que chorava de vez em quando e temia os índios. Comia o que encontrava e quando o igarapé estava longe, bebia água do cipó “mucunã”, abundante em toda a Amazônia.
Os Gaviões, que não estão ainda de todo pacificados, levaram Luís até a aldeia dos índios Urubus, que o entregaram ao Posto.

A ESTRADA
Chamam-se aqui de “cassacos” os trabalhadores da estrada. O nome vem de uma apelido dado pelos franceses aos operários que construíram a estrada de ferro Madeira-Mamoré.
O ordenado médio é de 13 cruzeiros por hora. O serviço está entregue a empreiteiros. O abastecimento é feito pela Rodobrás, órgão subsidiário do Serviço de Valorização da Amazônia.
Os trabalhadores não têm em que gastar dinheiro. A comida jogada em paraquedas por aviões da FAB é gratuita.
A estrada, partindo de Brasília, caminha pela margem direita do rio Tocantins e passa pelas seguintes cidades e vilas: Anápolis, Jaraguá, Ceres, Uruaçu, Amaro Leite, Porangatu, Gurupi e Cercadinho, todas em Goiás; Estreito, porto Franco, Imperatriz e Açailândia [na época, apenas um aglomerado de pouquíssimas casas, no município de Imperatriz]], no Maranhão; Campo Bernardo Sayão (onde se encontravam as duas frentes), Guamá e Belém, no Pará.
O trecho entre Guamá e Belém (141 quilômetros) está asfaltado. O resto da estrada, que só será entregue ao tráfego em 1960, não receberá asfalto: será de piçarra, um cascalho fino.

Suzano está fornecendo 75% da energia consumida em Imperatriz

Há um ano em operação, a indústria da Suzano Papel e Celulose instalada em Imperatriz está funcionando com sua capacidade máxima de produção, de aproximadamente 125.000t de celulose branqueada por mês e, há seis meses, fornece 53MW de energia elétrica ao Sistema Nacional, através da subestação da Eletronorte em Imperatriz.
suzano-Imperatriz
Considerada uma das fábricas de celulose mais modernas do mundo, a planta industrial da Suzano em Imperatriz, montada numa área de 1,5 milhão de metros quadrados e área construída de 96 mil metros quadrados, teve investimento total de cerca de três bilhões de dólares, incluindo a formação de base florestal — recursos financiados pelos BNDES com 12 anos para pagamento, sendo três de carência. O investimento florestal foi de US$ 575 milhões para compor uma área plantada de 154 mil hectares — 68% de áreas próprias e 32% de terceiros. A produção é destinada prioritariamente aos mercados europeu e norte-americano.
Desde o início do segundo semestre de 2014, a Suzano vem fornecendo, ininterruptamente, 53MW de energia ao Sistema Nacional, através da subestação da Eletronorte em Imperatriz, o que lhe rende cerca de 15 milhões de reais ao mês. Essa energia é produzida por dois turbogeradores Siemens — com peso de 20t e 20m de comprimento cada — instalados ao lado da caldeira. Cada turbogerador produz 250MW de energia elétrica, suficiente para abastecer toda a demanda da fábrica e de empresas parceiras instaladas nas proximidades e ainda constituir excedente de 100MW. Para se ter uma noção do que isso significa, Imperatriz, município com 260 mil habitantes, consome cerca de 70MW de energia.

Reforma agrária: o fim de uma infâmia

Um dos cenários sociais mais constrangedores no município de Imperatriz (MA) está com os dias contados para acabar. Os trabalhadores rurais do acampamento Viva Deus, próximo ao povoado Petrolina, na beira da Estrada do Arroz, onde 110 famílias estão acampadas há mais de uma década em casas de taipa e palha, sem água nem energia elétrica, devem tomar posse de parte da fazenda Eldorado, desapropriada pela presidenta Dilma Rousseff através de decreto publicado no Diário Oficial da União no dia 31 de dezembro passado.
ACAMPAMENTO VIVA DEUS
No período da ocupação, a fazenda Eldorado era de propriedade da Ferro Gusa Carajás, empresa siderúrgica criada pela parceria entre a Companhia Vale do Rio Doce e a norte-americana Nucor Corporation, servindo para plantio de eucalipto para a produção de carvão que abastecia os altos fornos da siderúrgica. Posteriormente, passou ao domínio da Suzano Papel e Celulose, empresa de industrialização de pasta de celulose, que instalou em Imperatriz uma das maiores fábricas, em âmbito mundial, desse produto.
O território dessa fazenda, há mais de meio século, era área de coleta de coco babaçu pelas comunidades da Estrada do Arroz, sobretudo do povoado Petrolina. Após a aquisição da Vale, as quebradeiras de coco foram proibidas de fazer a coleta, mesmo havendo lei federal que lhes garante esse direito.
Segundo o decreto presidencial, a fazenda Eldorada tem “área registrada de doze mil, duzentos e sessenta e sete hectares, quarenta e um ares e setenta e três centiares, área medida de doze mil, trezentos e quinze hectares e trinta e três ares, e área visada de três mil, duzentos e noventa e sete hectares, e setenta e nove ares”.
A área do assentamento será de apenas parte — 3.197 ha. — do total da gleba, situada nos municípios de Imperatriz e Cidelândia, por três vezes considerada improdutiva por perícia técnica do Incra. Ao longo do ação de desapropriação, que se arrasta há quase uma década, a Vale e a Suzano tentaram, até a última instância jurídica, reverter ou anular o processo. Ultimamente, já com sentença transitado em julgado em favor dos trabalhadores rurais — ligados ao MST — a Suzano propunha o adiamento da desocupação e entrega da área até que chegasse a maturação e extração dos plantios de eucalipto, o que está sendo concluído agora.
De acordo com os procedimentos legais, o Incra vai ajuizar a Ação de Desapropriação do imóvel mediante depósito em juízo do montante da indenização das benfeitorias e apresentar à Justiça comprovante de emissão dos Títulos da Dívida Agrária para pagamento da terra nua. A assinatura de acordo entre a Vale, a Suzano. o Incra e a associação de acampados viabilizou a entrega imediata da área.
Cada família assentada deverá receber área aproximada de vinte hectares mais uma casa residencial a ser construída com recursos federais através do programa “Minha casa, minha vida” para o meio rural. A área da vila residencial já foi devidamente demarcada pela Suzano, conforme pacto entre as partes.
No último dia de 2014, a presidenta Dilma Rousseff desapropriou 22 áreas para fins de reforma agrária. Mais de 70% dos 57.680 mil hectares, correspondentes a extensão de áreas desapropriados pelo decreto assinado no dia 31 de dezembro de 2014 estão localizados no Maranhão. Os quatro imóveis situados no Maranhão respondem por 72% do somatório destes imóveis, distribuídos em dez estados. No período de 2010 a 2014 foram desapropriados 374 imóveis para fins de reforma agrária. (Adalberto Franklin)

O que se leu no Brasil em 2014

Reproduzo, a seguir, breve panorama do que se leu no Brasil em 2014, publicado nesta segunda-feira, 12 de janeiro, na rede do Fórum Nordeste do Livro e Leitura. O cenário não é nada animador para a literatura nacional. (A.F.)

A LITERATURA, A VENDA DO LIVRO E A LEITURA NO BRASIL EM 2014

Francisco Alves da Costa Sobrinho

Somando-se os totais de vendas dos dez livros mais vendidos no Brasil no passado ano de 2014, teremos o total de 2.911.011 (dois milhões e novecentos e onze mil e onze unidades), número esse ainda insignificante, se considerarmos o nosso contingente potencial de leitura.
naoseapeganao
Mas, imagina isso: a literatura brasileira não comparece na lista desse ranking e os nossos escritores estão ‘quase’ ausentes, ‘salvos’ pelas presenças de uma mineirinha de 23 anos, Isabela Freitas (Livro: Não se apega, não!), fenômeno de vendas logo no seu primeiro livro (espécie de auto-ajuda juvenil), e, pasmem mais uma vez: pela participação do pastor Edir Macedo, com o seu livro “O Planeta”, secundados pelo psicoterapeuta paulista Augusto Cury, com o livro “Ansiedade: Como Enfrentar o Mal do Século”.
Outra coisa impressionante (ainda me impressiono com isso), é a triste constatação de que o pastor Edir Macedo, com o livro “O Planeta”, lidera a lista com 752.973 exemplares vendidos, seguido pelo norte-americano John Green, o qual conquistou as três seguintes posições nessa lista: 2º. Lugar, com o livro “A culpa é das estrelas” (Intrínseca): 639.502 exemplares vendidos; 5º. Lugar, com o livro “Quem é Você, Alasca?” (WMF Martins Fontes): 161.954 exemplares; 7º. Lugar, com o livro “Cidades de Papel” (Intrínseca): 143.404 exemplares vendidos.

Com esse desempenho, John Green foi o escritor que mais vendeu livros no Brasil no ano de 2014, ou seja: vendeu 944.860 (novecentos e quarenta e quatro mil e oitocentos e sessenta exemplares).

Dessa maneira, a lista dos 10 livros mais vendidos no Brasil em 2014 é complementada com os seguintes autores e livros: 3º. Lugar: Livro “Ansiedade: Como Enfrentar o Mal do Século” (Saraiva), de Augusto Cury; 346.543 exemplares vendidos; 4º. Lugar: Livro “Destrua Este Diário (Intrínseca), de Keri Smith; 332940 exemplares; 6º. Lugar: Livro “Se eu Ficar (Novo Conceito), de Gayle Forman; 158.189 exemplares; 8º. Lugar: Livro “Não se Apega, Não (Intrínseca), de Isabela Freitas; 130.054 exemplares vendidos; 9º. Lugar: Livro “O Pequeno Príncipe (Agir), de Antoine Saint-Exupéry; 123.576 exemplares; 10º. Lugar: Livro “A Menina que Roubava Livros (Intrínseca), de Markus Zusak; 121.876 exemplares.

A astúcia da raposa e a força do leão: um enfrentamento político no Maranhão

Há 110 anos, o Maranhão viveu uma ferrenha luta política contra o domínio despótico do senador Benedito Leite. Um editorial do jornal “A Campanha”, de fevereiro de 1903, traduz as nunces desse embate. Uma lição para a história.

Um erro da oposição
Aproximam-se os pleitos eleitorais, ambas as facções políticas trabalham no sentido de conquistar o poder, que, como a miragem incerta do deserto, encanta a vista dos partidários políticos.
Apresenta o senador [Benedito] Pereira Leite diversos candidatos que espera sejam eleitos, para eterna vergonha do Maranhão, que já pouco falta para rolar no abismo da humilhação e da morte.
O dr. Costa Rodrigues, por sua vez, apresenta candidatos que, à exceção do dr. Barbosa de Godois, inspiram inteira confiança a seus adeptos.
Na risonha esperança de conseguir montar o seu partido no alto do poder tem muito trabalho; mas não podemos calcular ainda para que lado pende essa vitória que, se a fraude não ganhar, talvez propenda para o do dr. Costa Rodrigues, que não se deixou tombar em negras violências no tempo em que governo foi neste infeliz Estado que tão cedo caiu nas garras rancorosas da tirania cruel que nos destrói.
[…]
A situação dominante enfraqueceu de certo. Diante dos atentados monstruosos, bárbaros, de que foi cenário esta cidade pacífica, desapareceu de repente a popularidade do chefe; não pode mais o povo duvidar da veracidade terríveldos quadros de Parsondas.
A decadência crescente da situação dominante em tudo se manifesta, desde as mais pequenas coisas às maiores. O fato de ter podido o senador conseguir patentes da guarda nacional para alguns amigos que o cercam, nada significa, pois é sabido por todos a nenhuma importância que atualmente se liga a semelhante coisa.
[…]
Exploradores, como são os corvos do governo, propalaram com certeza que tamanho valor tem ele neste estado que ninguém o procura combater. Convém que a oposição jamais se esqueça que se debate agora contra uma facção fraquíssima, cujas armas prediletas são o charlatanismo e a fraude.

[…] É mister não desviar as vistas, nunca, das traições e das fraudes que acompanham sempre os estadistas matreiros que, como a chuva de gafanhotos do Egito, ultimamente caíram sobre esta plaga infeliz.
Se o senador Benedito Pereira Leite, confiado no seu valor político e no grande mérito individual que julga ter, se abstivesse das fraudes costumeiras, passaria neste futuro pleito eleitoral pela triste humilhação de uma derrota completa.

[…]
Um príncipe para poder governar necessita da astúcia da raposa e da força do leão, dizia Maquiavel. O senador Pereira Leite não possui uma nem outra coisa: é príncipe porque despoticamente domina o nosso estado; e raposa porque foge sempre do perigo; e é leão porque derrama o sangue dos adversários que não consegue calar por meio da corrupção!

[“A Campanha” (jornal). Maranhão,, quarta-feira, 11 de fevereiro de 1903]

CORRUPÇÃO: BOMBA-RELÓGIO QUE AMEAÇA O BRASIL

— Carta pública a Saul Raychtock.

O Brasil e o Maranhão cresceram, sim, Saul. Os dados são reais. O problema é que o crescimento não está se traduzindo em desenvolvimento, especialmente no Maranhão. Ou seja, produziu-se mais bens, comercializou-se mais, explorou-se os bens naturais, e isso ampliou o capital financeiro dos que detêm a riqueza (que não é o povo, nem, na maoria dos casos, empresas ou pessoas do Brasil e do Maranhão). O resultado econômico-financeiro do que produzimos está se concentrando cada vez mais em poucas mãos, enquanto a população… Isso é o que é o aumento do PIB, cujos indices, maiores que sejam, não significam melhoria de vida para a sociedade, e sim, mais dinheiro nas mãos de quem controla o fluxo financeiro nacional e mundial. É bom perceber, inclusive, que esses bilhões repassados aatravés do Bolsa Família, das aposentadorias, são drenados de volta para o grande capital (bancos e financeiras, principalmente) através de empréstimos “facilitados” mas escorchantes, o que gera esses absurdos de lucros dos bancos.

Esses programas de transferência de renda não são, como muitos pensam, para resolver a vida dos mais pobres, mas para movimentar a economia básica, o comércio varejista e, por consequência, a indústria e a produção agrícola familiar (que é quem abastece o mercado interno). E isso tudo gera mais circulação de mercadores e serviços, portanto, mais impostos para os Governos (municipais, estaduais e federal).

Mas o grande problema, cujas consequências você se depara todos os dias, no atendimento hospitalar, vem de algo que está se tornando cultura e que pode inviabilizar o nosso país e o futuro das gerações seguintes: a CORRUPÇÃO, tanto no setor público quanto no setor privado. Uma lástima com a qual percebemos diariamente, presencialmente ou através dos meios de comunicação. Os recursos públicos, principalmente, estão sendo dilapidados das mais diversas formas, seja através de serviços mal prestados, de obras de baixa qualidade, de superfaturamentos, de convênios cujos objetos são fictícios, de licitações fraudulentas, de aluguéis de máquinas e equipamentos (no Maranhão, quase todos os hospitais públicos usam equipamentos alugados de aliados dos gestores, por preços exorbitantes, em vez de comprá-los)… e tem muito mais que não dá para escrever…
Nunca o Brasil teve tantos recursos disponíveis… O crescimento do PIB é algo “maravilhoso”, mas o IDH-M — esse, sim, é o índice que nos interessa, que mede a qualidade de vida doo povo — dos municípios é uma vergonha;não reflete a economia brasileira de hoje. Os serviços públicos são precarizados propositadamente pelos gestores — especialmente nos municípios e nos Estados, que os gerem na ponta, através dos serviços de saúde, educação e assistência social, sobretudo).

Na minha modesta observação, pelo menos 30% dos recursos públicos no Brasil vão para os esquemas de corrupção e desvios, beneficiando prefeitos, secretários, aliados, financiadores de campanha, agiotas…

Em nossa região, grande parte das licitações são de carta marcada, e quem ganha paga ágio para poder executar. Grande parte da prefeituras dificultam até a entrega dos editais, e algumas prefeituras até exigem milhares de reais para entregá-los. Casos de polícia mesmo… não mais de Justiça.

Cada dia mais vemos prefeitos serem denunciados, processados, condenados e até afastados dos cargos… mas dias depois retornam, segundo dizem, após comprarem suas inocências nos tribunais, o que, “sendo verdade”, faz dos julgadores e do Poder Judiciário também uma das fontes de sangria dos recursos públicos, contribuindo diretamente para a baixa qualidade dos serviços públicos e, por extensão, da qualidade de vida do povo.
Mas não são apenas os agentes do Poder Público os corruptos. São também empresários e pessoas físicas que promovem, financiam e se beneficiam desses esquemas. Há, hoje, lamentavelmente, uma cultura de corrupção nos meios empresarial, industrial e financeiro. E muitos querendo participar, “entrar no esquema”. Tomar parte dessa “festança” de recursos púbicos. Vemos de um dia para o outro o enriquecimento de prefeitos, secretários, comerciantes, pessoas físicas… que “prosperam” milagrosamente por “seus próprios méritos” e “capacidade”. Tornam-se donos de muitos imóveis, fazendas, estabelecimentos comerciais, construtoras…

E por aí somem os recursos — bilhões e bilhões anualmente — que dariam para promover o DESENVOLVIMENTO do povo brasileiro, com educação e saúde de qualidade, moradias dignas, assistência social verdadeira e infra-estrutura decente nas áreas urbanas e estradas adequadas na zona rural.

Se conseguirmos criar meios e combater de verdade a CORRUPÇÃO em nosso país — tanto do setor público quanto na área privada —, conseguiremos mudar essa face triste do Brasil. E para isso não basta eleger bons gestores. É necessário, também, mudar o rumo, o comportamento social, que critica mas se cala e até contribui para que essa prática se amplie cada vez mais. Está se consolidando como uma cultura…. e se isso se enraizar, o nosso país, lamentavelmente, se tornará inviável socialmente. O povo nunca conseguirá ter acesso aos benefícios que a riqueza do Brasil tem condições de promover.

E não adianta apenas ficar achincalhando apenas a gestão federal do PT, o Lula, a Dilma… Temos que ser honestos conosco mesmo, admitir e perceber que a mesma prática tem ocorrido e ocorre em gestões federais, estaduais e municipais de todos os partidos. Essas práticas nefastas de todos eles têm que ser combatidas, denunciadas, levadas aos tribunais e julgadas com isonomia, decência e dureza (“dura lex, sed lex”).

A política e o Judiciário devem cumprir o seu papel no pacto social. E a sociedade não deve ficar aplaudindo cegamente um ou outro político ou partido, apenas porque lhe é simpático ou odeia uma sigla. O bem-estar social é muito mais importante que os políticos e seus partidos. E como na sociedade democrática a ordenação jurídica e as normas sociais só podem acontecer através da política, é necessário que cada um que queira ajudar a fazer diferente, deve tomar parte das discussões políticas e até a fazer parte de um partido, sem a ingenuidade de imaginar que algum deles é perfeito ou livre de interesses às vezes inconfessáveis de alguns dos seus líderes. ]

Há que se combater não os partidos nem as pessoas — todos limitados e imperfeitos; alguns mais que outros —, e sim as práticas ilegais, imorais e criminosas, venham de ond vierem, dos gestores, dos magistrados ou da sociedade.

A CORRUPÇÃO, em todas as suas formas, é o grande mal e o maior inimigo do nosso país. Tudo o que de mal temos visto na administração pública é feito em nome de interesses de pessoas e grupos que roubam o presente e o futuro de nossa gente.

Não nos iludamos. O desafio de combater a corrupção começa ao nosso lado, no empresário amigo que se locupleta dos recursos públicos; nas autorizações e leis aprovadas nas câmaras municipais; nas concessões e gastos das prefeitura; na sonegação de impostos do empresariado e da sociedade; no enriquecimento sem causa de membros dos governos; na venda indevida do patrimônio público; nos contratos e obras dos governos estaduais e federal; nos habeas corpus escandalosos; na impunidade dos transgressores.

Se não somos capazes de combater tudo isso; se achamos que não temos força para tanto; que somos impotentes para isso, que, ao menos não tomemos parte nem compactuemos com tais crimes que fazem a miséria do nosso povo.

Adalberto Franklin, em 3 de março de 2014, em memória de meu pai, Martinho Alves de Castro, homem sertanejo que foi exemplo de incorruptibilidade e que hoje faria 84 anos; e em homenagem ao amigo Saul Raychtock, que não se furta de expor sua indignação diante das desigualdades e das injustiças sociais com as quais se depara diariamente.

Como evitar plágio em monografias | Livro para download

AF _plagio
Coloco em copyleft, à disposição para download, integralmente, em PDF, o meu livro Como evitar plágio em monografias: orientações técnicas para o uso de textos da internet. São 110 págians de abordagem sobre a utilização em trabalhos científicos de textos e elementos gráficos (livros eletrônicos, artigos, notícias, notas, e-mails, imagens etc.) disponibilizados na internet. Orienta como utilizá-los sem o cometimento de plágio (que é, na verdade, na maioria dos casos, a falta do devido crédito ao autor, na forma normatizada).
A obra, toda de acordo com as instruções normativas da ABNT, pode ser um grande aliado de quem escreve textos acadêmicos. Sem dúvida, é um manual muito útil.

Clique no link abaixo para fazer o download
Como evitar plagio _Adalberto Franklin

Achado histórico: a foto de Parsondas de Carvalho

FOTO Parsondas _Revista da Semana RJ 1901-08-11
Há quase um século, os historiadores do Maranhão buscam uma fotografia de João Parsondas de Carvalho, um dos maiores intelectuais maranhenses do final do século XIX e começo do século XX, irmão da escritora Carlota Carvalho, autora de ‘O Sertão’.
Natural de Riachão (MA), Parsondas viveu a maior parte de sua vida da Região Tocantina: Boa Vista (atual Tocantinópolis) e Imperatriz, onde passou a viver por volta de 1895 e morreu em 1926, em área hoje pertencente ao município de Montes Altos.
Conhecia como poucos a geografia do Pará, Amapá, Maranhão e Goiás. Escreveu e fez muitas conferências sobre essa região, no Pará, no Maranhão e no Rio de Janeiro, onde se tornou membro da Sociedade de Geografia. Escreveu e dirigiu jornais em Belém e foi cronista no Jornal do Brasil, na então capital federal. Foi também advogado e juiz municipal. Nos últimos anos de vida, recebeu concessão, aprovada pelo Congresso Nacional, para construir uma estrada de ferro do Pindaré até as margens do rio Tocantins.
Também empenhado há muitos anos em encontrar uma fotografia que revelasse o rosto de Parsondas, consegui casualmentne hoje essa proeza, mergulhado virtualmente nas milhões de páginas da recém-liberada Homeroteca Digital da Biblioteca Nacional — no que tenho feito nos últimos meses. Na verdade, não buscava fotografia de Parsondas, pois já estava convencido de que ele não deixara fotografia nem publicação de sua imagem, pois era ele avesso a divulgação pessoal. Costumava terminar seus textos apenas com suas iniciais — P.C. Venho reunindo muitos textos dele e sobre ele, e confesso estar surpreso com o tanto de material recolhido, em dezenas de jornais, sobretudo do Pará, Maranhão e Rio de Janeiro. Era sempre personagem de primeira páginas. Os jornalistas, de todos os cantos, tinham orgulho desse seu confrade. Cruzando buscas no sistema da Biblioteca Nacional, verifiquei uma menção a Parsondas de Carvalho numa edição de 1901 da Revista da Semana, do Rio de Janeiro, numa seção chamada ‘As nossas gravuras’. Esperava, no máximo, um texto sobre Parsondas. Mas lá estava uma foto dele, de perfil, com direito a uma resenha biográfica, legenda e a indicação de que a foto fora feita pela própria revista.
Essa foto, daqui pra frente, sem dúvida, vai ilustrar publicações em entidades em que Parsondas tomou parte ou é patrono, entre as quais, o Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, a Academia Imperatrizense de Letras, a Academia Grajauense de Letras, dentre outras.

O TEXTO DA REVISTA:

PARSONDAS DE CARVALHO. Publicamos hoje o retrato deste velho jornalista e valente excursionista que a dias chegou a esta cidade [Rio de Janeiro].
O sr. Parsondas fez a viagem da vila da Imperatriz, no Maranhão, até à estaçãao do Sítio da E. F. Central, a cavalo, tendo partido daquela vila no dia 28 de janeiro do corrente ano.
É maranhense, tendo residido muitos anos no Pará, onde redigiu o Diário do Grão Pará, o Correio Paraense e o Diário de Notícias, do qual foi redator-chefe.
(Revista daa Semana, Rio de Janeiro, n. 542/65, 11 ago. 1901)

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